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Escritórios Premium Voltam ao Centro do Mercado

Escritórios premium ganham demanda com retorno ao trabalho presencial em São Paulo e Rio de Janeiro

Retorno ao trabalho presencial, busca por qualidade e escassez de grandes áreas estão reduzindo a vacância e pressionando os preços dos escritórios de alto padrão em São Paulo; no Rio, recuperação também avança, mas em ritmo mais seletivo

Durante alguns anos, uma das grandes perguntas do mercado imobiliário corporativo parecia simples: o escritório continuaria sendo necessário depois da pandemia?

A resposta que começa a aparecer nos números de 2026 é diferente daquela que muitos imaginavam.

O escritório não desapareceu.

Ele mudou.

E, mais do que simplesmente voltar ao escritório antigo, muitas empresas estão procurando um escritório melhor.

É essa mudança de comportamento que ajuda a explicar o atual movimento dos imóveis corporativos de alto padrão.

Em São Paulo, o mercado de escritórios premium chegou ao primeiro semestre de 2026 com uma taxa de vacância de 13,1%, o menor nível registrado pela JLL na cidade em 17 anos. No acumulado do ano, a absorção bruta alcançou 336 mil metros quadrados, enquanto a absorção líquida chegou a 153 mil m².

A procura também está influenciando os preços.

O aluguel médio pedido para escritórios de alto padrão chegou a aproximadamente R$ 126 por m² por mês no segundo trimestre, segundo levantamento da JLL.

No Rio de Janeiro, a recuperação ocorre de maneira diferente, mas também já aparece nos indicadores.

No segundo trimestre, os escritórios de alto padrão tiveram 15.186 m² de absorção líquida, enquanto o Centro concentrou uma parcela expressiva das novas ocupações.

O que está acontecendo, portanto, não é simplesmente uma “volta aos escritórios”.

É uma transformação do próprio conceito de espaço corporativo.

O escritório deixou de ser apenas um lugar para trabalhar

Durante a pandemia, milhões de trabalhadores passaram a trabalhar de suas casas.

Empresas descobriram que determinadas funções poderiam ser desempenhadas remotamente.

Funcionários descobriram novas possibilidades de organização da vida profissional.

E o mercado imobiliário corporativo sofreu um choque.

Edifícios ficaram parcialmente vazios.

Contratos foram renegociados.

Empresas reduziram áreas.

E a palavra “home office” passou a fazer parte do cotidiano.

Mas a história não terminou ali.

A JLL identificou em São Paulo uma terceira onda de retomada do trabalho presencial.

Segundo a consultoria, o movimento vem sustentando a demanda por espaços corporativos de qualidade.

A questão deixou de ser apenas quantos dias por semana o funcionário vai ao escritório.

Passou a ser:

Por que ele deveria querer ir ao escritório?

Essa mudança é fundamental para entender por que os imóveis premium estão ganhando espaço.

Empresas querem escritório — mas querem um escritório melhor

O Secovi-SP, em parceria com a CBRE, identificou no primeiro trimestre de 2026 uma alta de 35,2% na absorção líquida de escritórios em São Paulo na comparação com o mesmo trimestre de 2025.

Segundo a entidade, foi o melhor início de ano dos últimos oito anos para a absorção líquida.

A pesquisa também registrou redução da vacância nos últimos 12 meses, inclusive no segmento Triple A.

A leitura apresentada pelo Secovi-SP é especialmente importante para esta reportagem.

A entidade afirma que a queda da vacância nos ativos Triple A está relacionada não apenas ao retorno ao presencial, mas à procura por endereços premium, com infraestrutura tecnológica, bem-estar dos colaboradores e características alinhadas às exigências ESG.

É aí que aparece o conceito conhecido internacionalmente como flight to quality.

Em tradução livre, uma espécie de “migração para a qualidade”.

A empresa não necessariamente quer simplesmente aumentar sua área.

Ela quer que o espaço corporativo tenha mais qualidade.

O que é um escritório premium?

Não existe uma única definição universal para “escritório premium”.

No mercado corporativo, os imóveis são classificados de acordo com critérios técnicos que podem envolver localização, padrão construtivo, infraestrutura, eficiência, tecnologia, sistemas prediais, estacionamento, serviços e outros atributos.

Na pesquisa do Secovi-SP/CBRE, por exemplo, os escritórios de alto padrão passam por uma avaliação de aproximadamente 100 itens, incluindo características como estrutura para ar-condicionado central, altura do pé-direito e presença de forro elevado.

Isso ajuda a explicar uma questão importante.

Um escritório premium não é simplesmente um escritório caro.

É um ativo que entrega um conjunto de características valorizadas pelo ocupante corporativo.

E, em 2026, esse conjunto passou a ter ainda mais importância.

São Paulo está na frente dessa transformação

Se existe uma cidade brasileira em que essa mudança está mais evidente, é São Paulo.

O mercado de escritórios de alto padrão encerrou o primeiro semestre com vacância de 13,1%, segundo a JLL.

O número representa o menor nível registrado pela consultoria nos últimos 17 anos.

A trajetória também aparece na evolução dos preços.

O valor médio pedido de locação acumulou alta de 13,7% em 12 meses e de 32,7% desde o primeiro trimestre de 2024.

Não é apenas uma recuperação de ocupação.

É também uma recuperação dos preços pedidos.

E isso acontece enquanto a oferta de grandes espaços disponíveis fica cada vez mais limitada.

Grandes empresas estão encontrando menos grandes escritórios

Esse é um dos pontos mais importantes da atual fase do mercado.

Segundo a JLL, o número de edifícios capazes de oferecer lajes contíguas superiores a 10 mil m² caiu de 17 para apenas 7 na comparação com o primeiro trimestre de 2024.

Regiões importantes como Faria Lima, Itaim, Nova Faria Lima, Paulista e Vila Olímpia já não possuíam, naquele momento, áreas disponíveis com essas dimensões dentro do estoque monitorado.

Isso cria uma situação interessante.

Existe demanda.

Mas não existe qualquer espaço.

As empresas que precisam de grandes áreas precisam escolher entre poucas alternativas.

E quando um produto desejado fica escasso, o preço tende a reagir.

É uma das razões pelas quais o mercado premium vem ganhando força.

Faria Lima continua sendo um dos endereços mais disputados

A Faria Lima permanece como uma das principais referências do mercado corporativo paulistano.

No segundo trimestre de 2026, o preço médio pedido de locação na região chegou a R$ 293,08 por m² por mês, segundo a Cushman & Wakefield.

Pinheiros chegou a R$ 267,61/m², enquanto Vila Olímpia alcançou R$ 194,80/m².

O preço médio de todo o mercado premium monitorado pela consultoria ficou em R$ 148,25/m² por mês.

Esses valores são preços pedidos.

Não significam necessariamente que todos os contratos sejam fechados exatamente nesses valores.

Mas mostram como os principais eixos corporativos estão sendo precificados pelo mercado.

Paulista e Rebouças mostram o tamanho da escassez

Algumas regiões apresentam uma situação ainda mais extrema.

Segundo a JLL, a região da Paulista encerrou o primeiro semestre com vacância de 2,8%.

No corredor Rebouças, a vacância permaneceu em 0% pelo segundo trimestre consecutivo.

Isso significa que, dentro do universo monitorado, praticamente não há espaço disponível no Rebouças.

E existe outro detalhe importante.

A JLL informou que o estoque que seria entregue na região já estava pré-locado.

Ou seja, mesmo a nova oferta futura já encontrava ocupantes.

É um sinal bastante forte da pressão existente sobre determinados mercados.

Nem todo o mercado premium está crescendo da mesma forma

Essa é uma ressalva importante.

No segundo trimestre de 2026, a Cushman & Wakefield registrou absorção líquida negativa de 4.170 m² no mercado premium de São Paulo.

Foi o primeiro resultado negativo desde o início de 2025.

Mas esse número foi fortemente influenciado por devoluções de espaços na Vila Olímpia, que registrou saldo negativo de 14.269 m² no período.

Ao mesmo tempo, outras regiões apresentaram absorção positiva:

  • Chucri Zaidan: 7.628 m²
  • Berrini: 5.704 m²
  • Faria Lima: 4.042 m²
  • Chácara Santo Antônio: 3.729 m²

Essa diferença é extremamente importante.

Ela mostra que o mercado não está simplesmente “em alta” de maneira uniforme.

Existe uma seleção cada vez maior dos ativos e das localizações.

O retorno presencial favorece a qualidade

A transformação pode ser resumida de uma maneira bastante simples.

Antes da pandemia, uma empresa precisava de escritório.

Depois da pandemia, muitas empresas passaram a perguntar se ainda precisavam daquele escritório.

Agora, uma parcela delas parece estar fazendo uma terceira pergunta:

se precisamos que as pessoas estejam aqui, que tipo de escritório fará com que essa presença tenha valor?

É nesse ponto que entram os edifícios premium.

Localização.

Tecnologia.

Conforto.

Mobilidade.

Infraestrutura.

Eficiência energética.

Áreas de convivência.

Serviços.

Imagem corporativa.

Experiência do funcionário.

Todos esses elementos passaram a participar da decisão.

O escritório deixou de ser apenas uma despesa imobiliária.

Em muitas empresas, passou a ser também uma ferramenta de atração, retenção e integração das equipes.

O Rio de Janeiro também está reagindo

São Paulo apresenta os números mais fortes, mas o Rio de Janeiro também merece atenção.

No primeiro trimestre de 2026, o mercado de escritórios corporativos de alto padrão da cidade apresentou uma taxa de vacância de 20%, segundo a Colliers.

A absorção líquida chegou a aproximadamente 22 mil m², enquanto cerca de 34 mil m² foram locados no trimestre, volume 56% superior ao mesmo período de 2025.

O Centro concentrou mais de 70% das novas locações.

A Cushman & Wakefield também identificou continuidade da recuperação no segundo trimestre.

A absorção líquida alcançou 15.186 m² entre abril e junho.

A recuperação carioca, entretanto, ainda é mais seletiva.

E isso é importante.

O Rio não apresenta exatamente a mesma situação de São Paulo.

O mercado está melhorando, mas ainda possui uma quantidade maior de espaços disponíveis.

O Centro do Rio ganhou força

O Centro é um dos principais protagonistas dessa recuperação.

No segundo trimestre, segundo a Cushman & Wakefield, todas as transações registradas no período ocorreram no Centro.

O setor de tecnologia liderou a demanda, com 10.232 m², seguido pelo setor financeiro, com 8.252 m².

Entre as principais movimentações estavam empresas como Nubank, Dataprev, Wilson Sons e Deloitte.

É um movimento interessante porque acontece justamente em uma região que durante anos enfrentou dificuldades para manter sua ocupação corporativa.

O retorno de grandes empresas ajuda a devolver movimento ao Centro.

E isso pode produzir efeitos que vão além dos próprios edifícios.

Mais trabalhadores significam mais circulação.

Mais circulação pode fortalecer restaurantes, comércio e serviços.

E mais atividade pode aumentar o interesse por outros tipos de imóveis.

O preço no Rio ainda mostra uma realidade diferente

No segundo trimestre, o preço médio pedido para escritórios de alto padrão no Rio ficou em aproximadamente R$ 79,11 por m² por mês, segundo a Cushman & Wakefield.

A Zona Sul continuava como a região mais valorizada, com aproximadamente R$ 160/m².

Na Orla, o valor médio era de R$ 90,77/m².

No Porto, R$ 90,19/m².

No Centro, R$ 82,39/m².

E na Barra da Tijuca, R$ 67,14/m².

A diferença em relação a São Paulo mostra que não existe um único mercado brasileiro de escritórios premium.

Cada cidade possui sua própria dinâmica.

A compra também está acontecendo — mas de outra maneira

Aqui precisamos separar duas histórias.

A primeira é a locação, que apresenta sinais muito claros de recuperação.

A segunda é a compra e venda de ativos corporativos.

Nesse segundo mercado, os dados também mostram movimentação, especialmente entre investidores institucionais e fundos imobiliários.

No segundo trimestre de 2026, por exemplo, a JLL registrou importantes transações de compra e venda de ativos corporativos em São Paulo.

Entre elas esteve a aquisição da Torre A do EZ Towers pela XP Investimentos, por R$ 293,8 milhões, e a compra do OF Oscar Freire Office pela Tishman Speyer, por R$ 132 milhões.

Essas operações mostram que existe apetite por ativos corporativos.

Mas não permitem concluir que todo o mercado brasileiro de compra de escritórios premium esteja em alta.

O movimento é mais sofisticado.

Investidores estão selecionando ativos.

Localização.

Qualidade.

Ocupação.

Potencial de renda.

Perspectiva de valorização.

Tudo entra na conta.

O investidor também está olhando para a renda

Um escritório corporativo pode ser comprado não apenas para utilização própria.

Pode ser comprado como ativo de renda.

Essa diferença é importante.

O investidor pode adquirir uma laje corporativa ou um edifício visando contratos de locação de longo prazo.

Nesse caso, o valor do imóvel precisa ser analisado junto com a capacidade de geração de receita.

Um exemplo aconteceu ainda no primeiro semestre.

O fundo imobiliário FATN11 adquiriu um conjunto de 11 escritórios corporativos em São Paulo, distribuídos entre Vila Olímpia, Paulista e Brooklin.

Os imóveis somavam aproximadamente 2,3 mil m² e a operação totalizou R$ 45,7 milhões, incluindo aquisição, obras e equipamentos.

Segundo o fato relevante divulgado sobre a operação, os ativos passaram a gerar aproximadamente R$ 361 mil mensais em receitas de locação.

É um exemplo de como o mercado de escritórios também está sendo analisado como ativo de investimento.

A escassez pode favorecer quem possui bons imóveis

Existe uma consequência importante para proprietários.

Se as empresas estão procurando imóveis melhores e existe pouca oferta em determinados eixos, o proprietário de um ativo premium pode ganhar poder de negociação.

Mas isso não vale para qualquer escritório.

Um prédio antigo, mal localizado, com infraestrutura deficiente e sem capacidade de adaptação não necessariamente se beneficia da mesma maneira.

A JLL chama atenção justamente para o risco de obsolescência dos imóveis antigos.

O movimento de flight to quality tende a favorecer os edifícios modernos, bem localizados e alinhados às exigências das empresas.

Isso cria uma espécie de divisão dentro do próprio mercado.

De um lado, ativos premium disputados.

De outro, imóveis que precisam passar por modernização, retrofit ou reposicionamento.

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Retrofit ganha importância

Quando uma empresa procura qualidade, mas a cidade não possui terrenos infinitos para novos edifícios, surge outra alternativa:

modernizar o que já existe.

O retrofit pode transformar edifícios antigos em ativos capazes de competir novamente.

Pode envolver sistemas de ar-condicionado, elevadores, fachadas, áreas comuns, tecnologia, eficiência energética, acessibilidade, segurança e outros componentes.

Em mercados maduros como São Paulo e Rio, essa estratégia ganha importância porque a disponibilidade de terrenos bem localizados é limitada.

O imóvel existente pode, em determinadas situações, valer mais pelo endereço do que pela estrutura original.

O escritório passou a competir pela experiência

Essa talvez seja a maior mudança.

Durante décadas, a empresa escolhia seu endereço principalmente pensando em localização, metragem e preço.

Hoje, esses fatores continuam importantes.

Mas não são suficientes.

Um escritório precisa funcionar.

Precisa oferecer infraestrutura.

Precisa ser acessível.

Precisa proporcionar uma boa experiência.

Precisa ajudar a empresa a receber clientes.

Precisa contribuir para a cultura corporativa.

E precisa convencer o funcionário de que existe uma razão para sair de casa.

É por isso que a qualidade ganhou tanta importância.

A própria JLL afirma que a discussão deixou de ser apenas sobre “voltar ou não ao escritório” e passou a envolver como tornar esses espaços mais atrativos, funcionais e conectados à cultura das organizações.

A localização continua sendo decisiva

Mesmo com toda a tecnologia disponível, o endereço continua sendo uma das principais variáveis.

Faria Lima.

Paulista.

Pinheiros.

Chucri Zaidan.

Berrini.

Vila Olímpia.

No Rio:

Centro.

Porto.

Orla.

Zona Sul.

Barra.

Cada mercado tem sua própria lógica.

A empresa não está simplesmente alugando metros quadrados.

Está escolhendo onde seus funcionários vão trabalhar.

Onde seus clientes serão recebidos.

Onde sua marca será percebida.

E como aquela localização se conecta ao restante da cidade.

A mobilidade voltou para o centro da decisão

A volta ao presencial também trouxe de volta uma antiga preocupação:

quanto tempo o funcionário leva para chegar ao escritório?

Durante o home office, esse problema praticamente desapareceu da rotina de muitas empresas.

Com o retorno presencial, ele voltou.

Por isso, um edifício próximo ao metrô, trem, corredores de ônibus ou importantes eixos viários pode ter uma vantagem competitiva.

O endereço passa a ser parte da experiência do funcionário.

E isso também ajuda a explicar por que determinados submercados apresentam desempenho muito superior a outros.

Não significa o fim do trabalho híbrido

Outro cuidado importante.

Os dados não permitem dizer que o trabalho híbrido acabou.

Pelo contrário.

O modelo híbrido continua existindo em diversas empresas.

O que está acontecendo é que a presença física voltou a ocupar espaço relevante nas estratégias corporativas.

Algumas empresas adotam mais dias presenciais.

Outras trabalham com modelos híbridos.

Outras exigem presença praticamente integral.

A realidade varia conforme setor, função, empresa e política interna.

Mas o mercado imobiliário está respondendo à necessidade de espaço físico.

E isso muda o comportamento das incorporadoras

Para as incorporadoras, o atual cenário traz uma mensagem importante.

Não basta entregar um edifício corporativo.

É preciso entregar um produto capaz de competir durante muitos anos.

Um empreendimento lançado hoje pode permanecer no mercado por décadas.

Nesse período, tecnologias mudam.

Empresas mudam.

Hábitos mudam.

Regras ambientais mudam.

E o conceito de escritório muda.

Por isso, flexibilidade passou a ser uma característica importante.

Edifícios que permitem diferentes configurações de ocupação podem ter vantagem sobre estruturas excessivamente rígidas.

O mercado premium está mais seletivo

A palavra talvez seja exatamente essa:

seletividade.

O Secovi-SP resumiu o atual momento do mercado corporativo como “aquecido e seletivo”.

A entidade destaca que investidores e proprietários que modernizaram seus ativos e conseguiram alinhá-los às novas demandas apresentam maior capacidade de atrair e reter ocupantes.

Isso significa que o mercado não está premiando simplesmente quem possui um imóvel.

Está premiando quem possui o imóvel certo.

O que isso significa para o mercado imobiliário?

A recuperação dos escritórios premium tem efeitos que ultrapassam o segmento corporativo.

Quando uma empresa ocupa um prédio, ela movimenta uma cadeia.

Funcionários.

Transporte.

Restaurantes.

Serviços.

Segurança.

Limpeza.

Manutenção.

Condomínios.

Tecnologia.

Construção.

Arquitetura.

Engenharia.

Imobiliárias.

Corretores.

Administradoras.

Fundos imobiliários.

Investidores.

O escritório é apenas o ponto inicial de uma cadeia muito maior.

Por isso, quando a ocupação corporativa volta a crescer, parte da economia urbana sente o efeito.

E para o corretor de imóveis?

Para o Corretor de Imóveis, esse mercado exige uma mudança de abordagem.

Não basta conhecer a metragem.

É preciso conhecer o edifício.

A classificação.

A infraestrutura.

A localização.

A mobilidade.

A disponibilidade de vagas.

A eficiência.

A possibilidade de adaptação.

O perfil das empresas que procuram aquela região.

E, principalmente, o que diferencia aquele ativo dos concorrentes.

O corretor que entende o mercado corporativo não vende apenas uma sala.

Ele ajuda uma empresa a tomar uma decisão que pode afetar centenas ou milhares de pessoas.

Para as imobiliárias, há uma nova oportunidade

A recuperação dos escritórios premium também abre espaço para serviços especializados.

Empresas que precisam voltar ao presencial precisam encontrar novos endereços.

Empresas que cresceram precisam de mais espaço.

Empresas que reduziram áreas podem procurar edifícios menores.

Empresas que querem melhorar a experiência dos funcionários podem migrar para imóveis de padrão superior.

E empresas que precisam reduzir custos podem procurar regiões alternativas.

Cada movimento gera uma necessidade imobiliária.

É um mercado complexo, mas justamente por isso existe espaço para profissionais preparados.

Para o investidor, a conta é diferente

Quem compra um escritório premium para investimento não deve olhar apenas para a valorização do imóvel.

É preciso analisar a capacidade de geração de renda.

Contrato.

Locatário.

Prazo.

Vacância.

Condomínio.

Impostos.

Manutenção.

Localização.

Qualidade do edifício.

Liquidez.

E perspectiva futura.

Um prédio premium vazio pode representar um risco significativo.

Um ativo bem localizado e ocupado por um bom locatário pode ter outra característica completamente diferente.

Por isso, a qualidade do imóvel e a qualidade da receita precisam caminhar juntas.

O que pode acontecer daqui para frente?

A JLL projeta que a vacância dos escritórios de alto padrão em São Paulo poderá continuar caindo e chegar a aproximadamente 11%, enquanto a absorção prevista para 2026 poderá superar o resultado de 2025.

Ao mesmo tempo, a consultoria prevê a entrada de mais de 300 mil m² de novo estoque ao longo do ano.

Isso pode aliviar parte da escassez.

Mas não necessariamente em todos os submercados.

Porque o problema não é simplesmente quantidade.

É qualidade.

Um novo edifício em uma região diferente não resolve automaticamente a falta de uma grande laje em Faria Lima, Paulista ou Rebouças.

O endereço continua importando.

Uma nova fase para os escritórios brasileiros

O que estamos vendo em 2026 parece menos uma simples “volta ao passado” e mais uma nova fase.

O escritório voltou.

Mas voltou diferente.

As empresas querem flexibilidade.

Os funcionários valorizam experiência.

Os investidores procuram ativos capazes de gerar renda.

Os proprietários precisam modernizar.

As incorporadoras precisam entregar qualidade.

E os corretores precisam compreender um produto cada vez mais sofisticado.

São Paulo mostra o movimento mais avançado.

O Rio começa a consolidar sua recuperação.

Outros mercados brasileiros também apresentam movimentos específicos, mas não existe base suficiente para afirmar que todas as cidades estejam vivendo a mesma situação.

Essa diferença precisa ser respeitada.

Conclusão

A informação de que a volta ao trabalho presencial está impulsionando os escritórios premium é verdadeira, mas precisa ser contada com precisão.

Os dados mais recentes mostram que, principalmente em São Paulo, a retomada das ocupações presenciais vem acompanhada de uma procura maior por edifícios de alto padrão, modernos, bem localizados e capazes de oferecer uma experiência melhor aos trabalhadores.

No primeiro semestre de 2026, a vacância dos escritórios de alto padrão paulistanos caiu para 13,1%, o menor nível em 17 anos segundo a JLL.

A absorção bruta alcançou 336 mil m², enquanto a absorção líquida chegou a 153 mil m².

O aluguel médio pedido subiu 13,7% em 12 meses.

O Secovi-SP, em parceria com a CBRE, registrou no primeiro trimestre crescimento de 35,2% na absorção líquida em relação ao mesmo período de 2025 e destacou a procura por endereços premium, especialmente ativos Triple A.

No Rio de Janeiro, a recuperação também avançou.

No segundo trimestre, os escritórios de alto padrão registraram 15.186 m² de absorção líquida, com o Centro desempenhando papel central na retomada.

Na compra e venda, existem transações relevantes de grandes ativos corporativos em São Paulo, inclusive aquisições de centenas de milhões de reais por investidores institucionais.

Mas os dados não autorizam afirmar que todo o mercado de compra de escritórios premium esteja em alta.

A história é mais interessante.

Existe uma disputa crescente pelos melhores ativos.

E essa disputa está mudando o mercado.

A empresa não quer simplesmente um endereço.

Quer um espaço que ajude seu negócio.

O funcionário não quer apenas uma mesa.

Quer um ambiente que faça sentido para sua rotina.

O investidor não quer simplesmente metros quadrados.

Quer um ativo capaz de gerar renda e preservar valor.

E o proprietário não pode mais contar apenas com a localização.

Precisa entregar qualidade.

É por isso que o mercado de escritórios premium voltou ao centro das atenções.

Não é simplesmente o retorno ao escritório.

É o nascimento de uma nova disputa pelo melhor escritório.

Análise Editorial Broker News BR

Talvez uma das coisas mais interessantes dessa história seja perceber que o mercado imobiliário corporativo está respondendo a uma mudança humana.

Durante a pandemia, o trabalhador descobriu que podia trabalhar de casa.

Agora, muitas empresas estão descobrindo que, para determinados objetivos, ainda precisam das pessoas juntas.

Mas existe uma diferença fundamental.

Não basta mais dizer ao funcionário:

“Volte para o escritório.”

É preciso oferecer uma razão.

E essa razão aparece na arquitetura, na localização, na tecnologia, no conforto, na mobilidade, nos serviços e na própria experiência proporcionada pelo edifício.

É por isso que o movimento dos escritórios premium merece tanta atenção.

Para nós, da Broker News BR, essa não é apenas uma notícia sobre aluguel por metro quadrado.

É uma notícia sobre como as empresas estão redesenhando o lugar onde o trabalho acontece.

E quando o trabalho muda, as cidades mudam junto.

São Paulo está mostrando isso com números muito fortes.

O Rio começa a mostrar sua própria versão dessa transformação.

E o próximo capítulo será saber até onde essa demanda poderá avançar e como o mercado responderá à escassez de ativos realmente qualificados.

Produção Editorial Broker News BR

Esta matéria foi produzida com base em levantamentos e informações de JLL, Secovi-SP/CBRE, Cushman & Wakefield e Colliers, instituições especializadas na análise do mercado imobiliário corporativo.

Os números de vacância, absorção e preços apresentados correspondem aos universos e metodologias específicos de cada levantamento e, por isso, não devem ser comparados como se fossem uma única base estatística.

Os dados de São Paulo e Rio de Janeiro foram tratados separadamente justamente porque os mercados apresentam características e estágios de recuperação diferentes.

A expressão “premium” ou “alto padrão” foi utilizada conforme a classificação adotada pelas respectivas pesquisas.

Quando tratamos da volta ao trabalho presencial como fator de demanda, a matéria se baseia nas próprias análises das consultorias e entidades setoriais, que relacionam a recuperação da ocupação corporativa à retomada do presencial e à busca por ativos de maior qualidade.

Os preços de locação são preços pedidos, salvo indicação diferente, e não representam necessariamente os valores finais de todos os contratos.

Fontes

  • JLL
  • Secovi-SP
  • CBRE
  • Cushman & Wakefield
  • Colliers
  • Buildings
  • Fipe
  • Banco do Brasil Investimentos

Consulte as fontes oficiais

JLL — Mercado de escritórios na América Latina

JLL — Escritórios de alto padrão em São Paulo no 2º trimestre de 2026

Secovi-SP — Mercado corporativo está aquecido e seletivo

Secovi-SP — Mercado de escritórios no 1º trimestre de 2026

Cushman & Wakefield — Mercado de escritórios de São Paulo

Cushman & Wakefield — Mercado de escritórios do Rio de Janeiro

Colliers — Mercado de escritórios do Rio de Janeiro, 1T26

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Crédito Editorial

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Por Camille Assis

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