Capital fluminense combina aumento de lançamentos e vendas, mudanças urbanísticas, novos projetos habitacionais, revitalização do Centro e forte atuação do Minha Casa, Minha Vida
O Rio de Janeiro está passando por uma transformação imobiliária que vai muito além da simples construção de novos prédios.
Em diferentes pontos da cidade, antigos espaços urbanos estão sendo redesenhados, terrenos antes pouco aproveitados voltam a entrar no radar das incorporadoras, edifícios começam a ser convertidos para uso residencial e novas unidades chegam ao mercado em regiões que durante anos tiveram participação menor nos lançamentos.
Os números mais recentes ajudam a explicar por que o mercado imobiliário carioca voltou a chamar atenção.
Nos 12 meses encerrados em junho de 2026, foram 25.097 unidades residenciais lançadas e 24.634 vendidas na cidade do Rio de Janeiro, segundo a Pesquisa do Mercado Imobiliário do Rio de Janeiro, elaborada pela Brain Inteligência Estratégica para a Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Rio de Janeiro (ADEMI-RJ).
A diferença entre lançamentos e vendas foi relativamente pequena: apenas 463 unidades.
É um dos sinais mais importantes da atual fotografia do mercado: existe oferta nova, mas a procura também acompanha esse movimento.
E isso está acontecendo mesmo em um ambiente de juros elevados, que normalmente representa um obstáculo para o financiamento imobiliário.
A expansão está na capital — e os números deixam isso claro
A primeira questão que precisava ser esclarecida era justamente a dúvida que motivou esta matéria: o Rio de Janeiro está vivendo uma expansão imobiliária na capital ou no Estado?
A resposta, com base nos dados mais recentes e comparáveis encontrados, é mais precisa.
A expansão está claramente documentada na capital.
A Pesquisa do Mercado Imobiliário do Rio de Janeiro, feita pela Brain para a ADEMI-RJ, aponta que nos 12 meses terminados em junho foram lançadas 25.097 unidades residenciais.
No mesmo período, foram vendidas 24.634 unidades.
O resultado mostra um mercado com forte capacidade de absorção da oferta.
No segundo trimestre de 2026, entre abril e junho, foram comercializadas 7.294 unidades residenciais, crescimento de 44,1% em relação ao mesmo trimestre de 2025.
O valor médio do metro quadrado residencial chegou a R$ 13.422 em junho, alta de aproximadamente 13% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
Ao mesmo tempo, a oferta disponível permaneceu próxima de 20%, nível considerado equilibrado pela pesquisa.
Não é apenas uma história de mais prédios.
É uma história de oferta, vendas, preços e transformação urbana acontecendo simultaneamente.
Mais de 25 mil lançamentos em 12 meses
O número de 25.097 unidades lançadas merece atenção especial.
Para compreender a dimensão da mudança, a própria ADEMI-RJ informa que, em junho de 2021, o mercado carioca registrava aproximadamente 15 mil unidades lançadas no acumulado de 12 meses.
Cinco anos depois, o volume ultrapassou 25 mil.
Isso representa uma diferença superior a 10 mil unidades em relação àquela referência.
A expansão, portanto, não está baseada apenas em um grande empreendimento ou em um único bairro.
Ela envolve diferentes regiões e diferentes produtos imobiliários.
O mercado também passou a trabalhar com uma combinação de imóveis destinados à moradia, unidades compactas, empreendimentos enquadrados no Minha Casa, Minha Vida — MCMV, projetos de médio padrão e produtos voltados a investidores e locação.
As vendas acompanham a oferta
Uma expansão imobiliária sustentável não acontece simplesmente porque as incorporadoras estão lançando mais.
É preciso que exista comprador.
E esse é justamente um dos pontos mais interessantes da atual fotografia do Rio.
Entre abril e junho de 2026, foram comercializadas 7.294 unidades residenciais, 44,1% acima do registrado no segundo trimestre de 2025.
No acumulado de 12 meses, as vendas chegaram a 24.634 unidades, praticamente acompanhando os 25.097 lançamentos.
Essa proximidade entre oferta e comercialização é um dos sinais que ajudam a explicar por que o setor vem falando em um novo ciclo.
Não significa que todos os bairros estejam aquecidos da mesma maneira.
Nem que todos os tipos de imóveis tenham a mesma velocidade de venda.
Mas mostra que existe uma demanda suficientemente forte para absorver grande parte dos novos produtos colocados no mercado.
Minha Casa, Minha Vida ganhou protagonismo
Um dos motores dessa transformação é o Minha Casa, Minha Vida.
No primeiro semestre de 2026, o MCMV respondeu por 49,9% das unidades lançadas na cidade, segundo os dados da pesquisa da Brain para a ADEMI-RJ.
Entre as unidades comercializadas, os imóveis enquadrados no programa representaram 38,3% das vendas.
Os compactos responderam por 30,7% das vendas, enquanto o médio padrão representou 29,6%.
Isso mostra que o atual ciclo imobiliário carioca não está concentrado apenas nos imóveis de alto padrão.
Existe uma forte produção direcionada à habitação financiada e ao público que depende de crédito para realizar a compra.
Essa característica é especialmente importante porque o mercado imobiliário brasileiro atravessa um período em que o custo do dinheiro continua elevado.
Mesmo assim, o MCMV possui condições específicas e recursos direcionados à habitação que permitem que parte importante da demanda continue ativa.
O Rio está construindo uma nova geografia residencial
Talvez uma das mudanças mais interessantes seja a distribuição geográfica dos novos empreendimentos.
Durante muito tempo, quando se falava em mercado imobiliário carioca, a imagem imediatamente associada ao setor estava concentrada na Zona Sul e na Barra da Tijuca.
Essas regiões continuam extremamente importantes.
Mas a expansão atual mostra uma cidade diferente.
Centro, Região Portuária, Zona Norte, São Cristóvão, Ramos, Piedade, Cascadura, Tomaz Coelho, Campo Grande e outras áreas passaram a aparecer com mais força nos novos projetos.
A própria ADEMI-RJ aponta que as mudanças no Plano Diretor facilitaram projetos residenciais na Zona Norte, no Centro e na Região Portuária, enquanto programas como o Reviver Centro criaram incentivos para a transformação de imóveis e áreas subutilizadas.
Isso representa uma mudança importante na dinâmica urbana.
A cidade começa a produzir moradia em regiões onde existe infraestrutura, transporte, serviços e espaços urbanos que podem ser reaproveitados.
Barra da Tijuca concentra quase metade dos lançamentos
Se existe uma região que continua demonstrando força extraordinária, ela é a Barra da Tijuca.
Segundo levantamento divulgado pelo Secovi Rio, a Barra respondeu por 42,7% de todos os lançamentos imobiliários da cidade no primeiro semestre de 2026.
Foram 4.947 unidades lançadas entre janeiro e junho.
A região também registrou 3.134 unidades comercializadas no mesmo período.
Isso significa que aproximadamente 63% das unidades lançadas no primeiro semestre já haviam sido comercializadas, de acordo com o levantamento apresentado pelo Secovi Rio.
Quando se amplia a janela para 2021 até o primeiro semestre de 2026, a Barra contabiliza 15.528 unidades lançadas e 12.007 vendidas, com taxa acumulada de comercialização de 77%.
A Barra, portanto, continua sendo uma das grandes locomotivas do mercado imobiliário carioca.
Mas não está sozinha.
O Centro começa a viver outra história
Talvez nenhuma transformação seja tão simbólica quanto a que acontece no Centro.
Uma região que durante décadas perdeu moradores e sofreu com imóveis vazios começa a receber novos projetos residenciais.
O movimento é apoiado pelo Reviver Centro, por incentivos urbanísticos e fiscais e pela transformação de edifícios existentes.
Segundo dados divulgados pelo Sinduscon-Rio, desde a implementação da segunda fase do Reviver Centro, em 2023, 47 projetos foram licenciados ou estão em processo de aprovação.
Desses, 13 já foram lançados, somando mais de 2,8 mil novas unidades residenciais.
E 2,24 mil unidades já haviam sido vendidas, sendo 65% para moradores finais e 35% para investidores.
O sindicato também estima que, nos próximos 12 meses, cerca de 6 mil pessoas passarão a morar na região central e que esse número poderá chegar ao dobro até 2027.
É uma transformação que vai muito além do mercado imobiliário.
Quando moradores voltam para uma região central, muda também a relação com transporte público, comércio, restaurantes, serviços e espaços urbanos.
Um apartamento novo, nesse caso, é parte de uma transformação maior da própria cidade.
Praça Onze pode abrir uma nova frente imobiliária
E o movimento ganhou uma nova dimensão em julho de 2026.
A Prefeitura do Rio sancionou a Lei Complementar nº 301, de 9 de julho de 2026, que criou a Área de Especial Interesse Urbanístico Praça Onze Maravilha.
O projeto abrange 458 mil metros quadrados e prevê aproximadamente R$ 1,7 bilhão em investimentos ao longo de 20 anos.
Entre os objetivos está estimular a construção de 37 mil novas unidades residenciais.
A proposta também prevê retrofits, transformação de imóveis ociosos, modernização do sistema viário e integração com o processo de requalificação que já vem ocorrendo na região central.
É importante fazer uma ressalva jornalística.
37 mil unidades é uma previsão do plano urbanístico, não significa que 37 mil imóveis estejam atualmente em construção ou que já tenham sido lançados.
É uma projeção associada à transformação planejada para o território.
Mas, para o mercado imobiliário, representa algo importante: uma nova frente potencial de desenvolvimento urbano já está formalmente estruturada.
O retrofit entra definitivamente no mapa
Outra palavra passou a ganhar importância no mercado carioca: retrofit.
Em vez de simplesmente demolir e construir novamente, o retrofit permite transformar edifícios existentes, modernizando estruturas e adaptando antigos imóveis a novos usos.
No Centro do Rio, essa estratégia tem papel central.
Em agosto, a Prefeitura entregou as chaves dos 11 primeiros imóveis históricos contemplados pelo projeto Reviver Centro Patrimônio Pró-APAC, iniciativa destinada à recuperação de prédios degradados com apoio financeiro municipal.
Esse movimento pode gerar uma consequência importante para o mercado imobiliário.
O terreno deixa de ser o único ativo relevante.
Um edifício antigo, bem localizado e com possibilidade de transformação pode passar a representar uma oportunidade imobiliária.
É uma mudança especialmente importante em uma cidade onde terrenos bem localizados são escassos.
A escassez de terrenos também explica o movimento
O crescimento dos lançamentos não significa que o Rio tenha abundância de terrenos disponíveis.
Pelo contrário.
A própria ADEMI-RJ aponta a escassez de terrenos, especialmente em áreas mais estruturadas, como um dos fatores que ajudam a explicar o comportamento dos preços.
Em regiões como Ipanema e Leblon, essa escassez se torna ainda mais evidente.
Por isso, o mercado procura novas soluções.
Algumas incorporadoras avançam para áreas com maior disponibilidade de terrenos.
Outras trabalham com compactos.
Outras apostam em retrofit.
E existe ainda a transformação de áreas urbanas inteiras por meio de mudanças na legislação.
O resultado é um mercado que cresce não apenas horizontalmente, mas também por meio da reocupação e transformação da cidade existente.
O mercado dos compactos ganhou força
Os imóveis compactos também fazem parte dessa nova fase.
Segundo informações apresentadas pela ADEMI-RJ, em junho de 2026 aproximadamente um terço das unidades lançadas era composto por imóveis compactos.
A localização tem papel importante nesse produto.
Unidades menores podem atender moradores que valorizam proximidade do trabalho, transporte público e serviços.
Também podem interessar investidores que buscam imóveis para locação.
Mas existe um cuidado importante: apartamento compacto não é automaticamente imóvel para aluguel de curta temporada ou investimento.
A própria discussão do mercado carioca mostra que há demanda tanto de investidores quanto de pessoas que efetivamente pretendem morar nesses imóveis.
Turismo também influencia o mercado
O Rio continua sendo uma das principais portas de entrada do turismo brasileiro.
Esse fator tem reflexos no mercado imobiliário.
Segundo a ADEMI-RJ, o aumento do turismo vem estimulando a procura por imóveis destinados à locação de curta temporada e ajudando a alimentar o interesse por determinados produtos imobiliários.
Isso ajuda a explicar a expansão de compactos em localizações estratégicas.
Mas, novamente, é preciso separar as coisas.
Um imóvel comprado por um investidor para locação tem uma lógica econômica diferente daquele comprado por uma família para morar.
O mercado carioca está atendendo aos dois públicos.
E a localização passa a ser ainda mais importante para definir qual demanda será predominante.
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Os preços também estão subindo
A expansão da oferta e das vendas acontece ao lado de uma elevação dos preços.
A pesquisa da Brain para a ADEMI-RJ apontou que o valor médio do metro quadrado residencial chegou a R$ 13.422 em junho de 2026, alta de aproximadamente 13% em 12 meses.
Esse número, entretanto, não deve ser confundido com o preço de cada imóvel da cidade.
Trata-se do valor médio identificado pela pesquisa para o mercado residencial analisado.
Outra referência, o Índice FipeZAP, acompanha preços anunciados de apartamentos prontos e possui metodologia diferente.
Em julho de 2026, o FipeZAP registrou para o Rio de Janeiro preço médio anunciado de aproximadamente R$ 11.131 por metro quadrado.
O indicador acumulava alta de 2,76% no ano e 4,72% em 12 meses.
A diferença entre os números não representa necessariamente uma contradição.
São pesquisas diferentes, com metodologias, universos e momentos de medição diferentes. O FipeZAP, por exemplo, trabalha com preços anunciados de imóveis residenciais prontos.
Essa distinção é importante para qualquer análise profissional.
O Rio não está crescendo de maneira uniforme
Talvez essa seja uma das conclusões mais importantes desta reportagem.
Não existe um único “mercado imobiliário do Rio”.
Existe uma série de mercados dentro da mesma cidade.
A Barra apresenta uma dinâmica.
O Centro apresenta outra.
A Zona Sul trabalha com escassez de terrenos e valores elevados.
A Região Portuária passa por transformação urbana.
A Zona Norte recebe novos projetos ligados, em boa parte, ao Minha Casa, Minha Vida.
E bairros como São Cristóvão aparecem cada vez mais como áreas estratégicas de expansão residencial.
Por isso, falar simplesmente que “os imóveis do Rio estão subindo” é uma simplificação.
O correto é dizer que o mercado imobiliário carioca está atravessando um novo ciclo de expansão, mas com intensidades e características diferentes de acordo com a região e o produto.
E o Estado do Rio de Janeiro?
Aqui precisamos fazer outra distinção.
O Estado do Rio de Janeiro também possui movimentos importantes no setor habitacional.
O Ministério das Cidades estabeleceu, no atual ciclo do Minha Casa, Minha Vida — FAR, uma meta de 8.168 unidades habitacionais para o Estado do Rio de Janeiro.
Essa é uma meta de contratação de um ciclo específico do programa, e não significa que essas unidades já estejam todas construídas, vendidas ou entregues. As propostas passam por análise e precisam cumprir as etapas previstas antes da contratação.
Além disso, o Governo do Estado informou anteriormente a seleção de empreendimentos do Minha Casa, Minha Vida em diferentes municípios fluminenses, mostrando que a política habitacional alcança outras regiões além da capital.
Mas há uma diferença fundamental.
Não encontramos uma base pública única, atualizada e metodologicamente comparável que permita afirmar que todo o Estado esteja vivendo a mesma expansão registrada na capital.
Por isso, nesta reportagem, os números de lançamentos e vendas apresentados como retrato do mercado imobiliário são referentes à cidade do Rio de Janeiro.
Essa separação evita transformar um fenômeno claramente documentado na capital em uma conclusão que os dados disponíveis não permitem fazer para os 92 municípios fluminenses.
A população ajuda a dimensionar o tamanho do mercado
O Rio de Janeiro continua sendo uma das maiores cidades do país.
Segundo o IBGE, a capital tinha 6.211.223 habitantes no Censo 2022 e população estimada em 6.730.729 pessoas em 2025.
O Estado do Rio de Janeiro, por sua vez, tinha 16.055.174 habitantes no Censo 2022 e população estimada em 17.223.547 em 2025.
Esse tamanho populacional ajuda a compreender por que o mercado imobiliário carioca possui demanda estrutural.
São milhões de pessoas vivendo em uma cidade com restrições geográficas, áreas de preservação, regiões densamente ocupadas, infraestrutura consolidada e forte concentração de empregos e serviços.
A expansão imobiliária, portanto, não acontece em um território vazio.
Ela acontece dentro de uma cidade que precisa encontrar novas formas de acomodar sua população.
Crédito continua sendo um dos grandes desafios
Há uma aparente contradição no cenário.
De um lado, as vendas estão fortes.
De outro, os juros continuam elevados.
Isso significa que o mercado não está simplesmente crescendo porque o crédito ficou barato.
A pesquisa da ADEMI-RJ mostra que a demanda continua resistente mesmo diante desse ambiente.
O Minha Casa, Minha Vida ajuda a explicar parte dessa resistência porque oferece condições específicas de financiamento para as famílias enquadradas no programa.
Já para os demais segmentos, o custo do financiamento continua sendo um fator importante na decisão de compra.
Por isso, o desempenho de 2026 merece atenção.
Se o mercado conseguiu manter vendas elevadas mesmo com juros altos, uma eventual melhora das condições de crédito poderia alterar novamente o ritmo de comercialização.
Mas isso é uma possibilidade futura, não um dado.
A construção também movimenta emprego e renda
O impacto da expansão imobiliária não termina na venda do apartamento.
Cada novo empreendimento envolve arquitetos, engenheiros, trabalhadores da construção civil, fornecedores de materiais, empresas de instalações, imobiliárias, corretores, profissionais de marketing, administradoras, bancos, cartórios e diversos outros serviços.
No cenário nacional, o Novo Caged registrou 154.448 novos postos de trabalho na construção civil no acumulado de 2026 até maio, com crescimento de 5,23% no estoque do setor.
No mesmo período, as atividades de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas geraram 169.019 empregos formais no país.
Esses números são nacionais, não exclusivos do Rio.
Mas ajudam a dimensionar a importância econômica de uma cadeia que está diretamente ligada ao mercado imobiliário.
Uma cidade que começa a construir para dentro
Talvez seja essa a melhor maneira de entender o novo momento do Rio.
A cidade não possui espaço ilimitado para crescer.
Por isso, uma parte importante da expansão está acontecendo para dentro.
Um edifício antigo vira residencial.
Uma área degradada passa por requalificação.
Um bairro recebe novos empreendimentos.
Uma legislação urbanística permite maior aproveitamento de determinadas áreas.
Uma região central volta a receber moradores.
Uma antiga área industrial ou subutilizada entra no radar de incorporadoras.
E, ao mesmo tempo, regiões consolidadas como a Barra continuam recebendo grandes projetos.
É uma combinação de expansão, renovação e adensamento urbano.
O que isso representa para o corretor de imóveis?
Para o Corretor de Imóveis, esse cenário significa que conhecer apenas os bairros tradicionais pode não ser suficiente.
O profissional precisa acompanhar as transformações urbanas.
Precisa conhecer o produto.
Precisa entender o perfil do comprador.
Precisa saber como funciona o MCMV.
Precisa compreender financiamento.
Precisa acompanhar novos projetos.
E, principalmente, precisa entender que o cliente não compra apenas metragem.
Ele compra localização, mobilidade, segurança, serviços, tempo de deslocamento e perspectiva de vida.
No Rio, essa relação fica ainda mais evidente.
Um imóvel no Centro pode significar proximidade do trabalho.
Um empreendimento na Zona Norte pode representar acesso à casa própria pelo Minha Casa, Minha Vida.
Um apartamento compacto na Zona Sul pode atender ao morador que busca localização ou ao investidor interessado em renda.
Um empreendimento na Barra pode atender famílias que procuram infraestrutura, lazer e padrão construtivo.
São mercados diferentes dentro da mesma cidade.
Para as imobiliárias e incorporadoras, o momento exige inteligência
A expansão não elimina os desafios.
Ao contrário.
Um mercado mais ativo aumenta também a competição.
A incorporadora precisa escolher melhor o terreno.
Precisa compreender o público.
Precisa dimensionar corretamente o produto.
Precisa avaliar preço.
E precisa considerar que juros, inflação, renda e disponibilidade de crédito continuam influenciando a decisão de compra.
A atual expansão carioca também demonstra que não existe uma única fórmula.
O sucesso de um empreendimento depende cada vez mais da combinação entre localização, produto, preço, financiamento e qualidade urbana.
Uma transformação que ainda está começando
Os números de 2026 são fortes.
Mas talvez o aspecto mais interessante seja aquilo que ainda está sendo construído.
O Praça Onze Maravilha prevê uma transformação de 458 mil metros quadrados.
O Reviver Centro continua estimulando novos projetos.
A Região Portuária segue recebendo empreendimentos.
A Zona Norte ganhou espaço com novos projetos residenciais.
A Barra permanece como uma das maiores concentrações de lançamentos.
E o Minha Casa, Minha Vida continua desempenhando papel relevante na produção de moradias.
Ao mesmo tempo, o mercado trabalha com imóveis compactos, retrofit, locação e novos formatos de moradia.
O Rio está, portanto, redesenhando parte de sua própria paisagem imobiliária.
Conclusão
A informação de que o Rio de Janeiro está passando por uma expansão imobiliária tem fundamento.
Mas a apuração mostra que a maneira correta de contar essa história é ainda mais interessante.
A cidade do Rio de Janeiro entrou em um novo ciclo de expansão imobiliária, sustentado por uma combinação de fatores.
Os números da pesquisa da Brain para a ADEMI-RJ mostram 25.097 unidades residenciais lançadas e 24.634 vendidas em 12 meses até junho de 2026.
No segundo trimestre, as vendas cresceram 44,1% na comparação anual.
O valor médio do metro quadrado residencial chegou a R$ 13.422, enquanto a oferta permaneceu próxima de 20%.
O Minha Casa, Minha Vida representou 49,9% dos lançamentos do primeiro semestre e 38,3% das vendas.
A Barra da Tijuca respondeu por 42,7% dos lançamentos do primeiro semestre.
E o Centro começa a recuperar moradores por meio de novos empreendimentos, retrofit e políticas de requalificação urbana.
Ao mesmo tempo, a cidade prepara novas frentes.
O Praça Onze Maravilha prevê R$ 1,7 bilhão em investimentos e potencial para 37 mil novas unidades residenciais ao longo da transformação planejada para a região.
Não significa que essas 37 mil unidades já estejam sendo construídas.
Significa que o poder público criou uma estrutura urbanística para estimular uma transformação de grande escala.
É justamente essa combinação que torna o momento carioca tão importante para o Mercado Imobiliário.
O Rio não está simplesmente construindo mais.
Está mudando onde constrói, para quem constrói e como utiliza seu território.
E talvez seja essa a principal característica do novo ciclo imobiliário da capital fluminense.
Uma cidade conhecida mundialmente por sua paisagem está, aos poucos, redesenhando também sua paisagem urbana.
Análise Editorial Broker News BR
O mercado imobiliário do Rio de Janeiro oferece, neste momento, uma das histórias mais interessantes do setor no Brasil.
Não porque todos os imóveis estejam valorizando da mesma maneira ou porque todas as regiões estejam aquecidas.
Mas porque diferentes forças estão atuando simultaneamente.
O Minha Casa, Minha Vida amplia sua participação.
O Centro volta a receber moradores.
A Região Portuária continua sendo transformada.
A Barra mantém forte capacidade de lançamento e absorção.
Os imóveis compactos ganham espaço.
O retrofit transforma edifícios existentes.
E novas legislações urbanísticas procuram criar espaço para uma cidade que já não pode depender apenas da expansão territorial.
Para a Broker News BR, o aspecto mais importante dessa história está justamente na combinação entre números e pessoas.
Cada lançamento representa uma empresa investindo.
Cada venda representa uma família ou um investidor tomando uma decisão.
Cada novo morador muda a dinâmica de uma região.
E cada transformação urbana pode alterar a maneira como milhares de pessoas vivem, trabalham e se deslocam.
O mercado imobiliário, no fim, não é apenas sobre imóveis.
É sobre cidades e sobre pessoas.
Produção Editorial Broker News BR
Esta matéria foi produzida com base em dados e informações disponibilizados por instituições públicas, entidades representativas do setor e pesquisas de mercado identificadas em suas fontes originais, com prioridade para informações da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, IBGE, Ministério das Cidades, ADEMI-RJ, Secovi Rio, Sinduscon-Rio e Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).
Os dados de lançamentos e vendas da cidade do Rio de Janeiro têm como base a pesquisa da Brain Inteligência Estratégica para a ADEMI-RJ.
Quando utilizados dados do FipeZAP, a matéria deixa claro que se trata de uma metodologia diferente, baseada em preços anunciados.
As projeções urbanísticas, como as 37 mil unidades previstas no Praça Onze Maravilha, são apresentadas como previsões do plano, e não como unidades já lançadas ou construídas.
Da mesma forma, metas do Minha Casa, Minha Vida foram tratadas como metas ou seleções de ciclos específicos, sem serem apresentadas como unidades já entregues.
Fontes
- ADEMI-RJ
- Brain Inteligência Estratégica
- Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro
- Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento
- Secovi Rio
- Sinduscon-Rio
- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística — IBGE
- Ministério das Cidades
- Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas — Fipe
- Ministério do Trabalho e Emprego
Consulte as fontes oficiais
ADEMI-RJ — Mercado imobiliário carioca mantém ritmo de expansão
ADEMI-RJ — Novo ciclo imobiliário do Rio
Prefeitura do Rio — Praça Onze Maravilha
IBGE — Estado do Rio de Janeiro
Ministério das Cidades — Minha Casa, Minha Vida FAR
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Crédito Editorial
A Broker News BR investe em pesquisa, apuração e organização de informações para produzir conteúdo confiável para o mercado imobiliário. Se esta matéria contribuir para seu trabalho jornalístico, acadêmico ou editorial, considere citar a Broker News BR como uma das fontes consultadas.










