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Compra de material de construção dispara e sinaliza aquecimento do mercado imobiliário

O mercado imobiliário brasileiro começou 2026 com um importante sinal de aquecimento: o consumo de materiais de construção por construtoras e incorporadoras registrou crescimento expressivo nos primeiros meses do ano, indicando continuidade das obras e avanço de novos projetos em diversas regiões do país.

Levantamento do Ecossistema Sienge em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) aponta que o consumo de insumos básicos e materiais de acabamento superou os níveis registrados em 2024 e 2025, reforçando a percepção de que a construção civil segue em ritmo ativo mesmo em um cenário ainda marcado por juros elevados.

Segundo os dados, materiais de base — como cimento, areia, aço e blocos — atingiram média de 126 pontos no primeiro bimestre de 2026. Em 2025, o indicador havia registrado 102 pontos. Já os materiais de acabamento, como tintas, revestimentos e itens decorativos, alcançaram 176 pontos, acima dos 114,5 pontos do ano anterior.

Especialistas afirmam que o aumento no consumo de materiais básicos costuma indicar início ou retomada de novas obras, enquanto o avanço dos materiais de acabamento demonstra que empreendimentos iniciados em ciclos anteriores estão entrando na fase final de execução.

Para o mercado imobiliário, o movimento é interpretado como sinal de resiliência do setor. Mesmo diante de custos elevados de crédito e cautela econômica, construtoras seguem mantendo projetos ativos e acelerando cronogramas de entrega.

A gerente de inteligência estratégica do Sienge, Gabriela Torres, destacou que o consumo registrado em 2026 ficou acima dos níveis observados nos mesmos períodos de 2023, 2024 e 2025, inclusive durante a desaceleração típica do início do ano.

O crescimento do setor também acompanha a expectativa de redução gradual da taxa Selic ao longo de 2026. Analistas acreditam que a queda dos juros tende a destravar novos investimentos imobiliários e ampliar o ritmo de lançamentos, embora os efeitos sobre as obras aconteçam de forma progressiva.

Além das construtoras, o comércio de materiais de construção também observa sinais positivos no comportamento do mercado. Segmentos ligados à reforma, manutenção residencial e melhoria habitacional continuam aquecidos, impulsionando vendas de acabamento, hidráulica, elétrica e pintura.

Ao mesmo tempo, especialistas alertam que o setor ainda enfrenta desafios importantes relacionados aos custos da construção civil. Em algumas regiões do país, materiais como cimento, cobre e PVC registraram alta significativa nos preços ao longo dos últimos meses, pressionando margens de construtoras e incorporadoras.

Mesmo assim, o cenário geral continua sendo interpretado como positivo para o mercado imobiliário brasileiro. O aumento simultâneo do consumo de materiais básicos e de acabamento sugere que tanto novas obras quanto empreendimentos em fase de conclusão seguem movimentando o setor.

Analistas afirmam que o comportamento da construção civil costuma funcionar como termômetro da economia. Quando construtoras ampliam compras de insumos, o movimento normalmente sinaliza confiança na continuidade da demanda por imóveis e expectativa de manutenção da atividade econômica.

A Abramat projeta crescimento de 1,9% no faturamento da indústria de materiais de construção em 2026, impulsionado principalmente pelo setor habitacional, obras de infraestrutura e programas imobiliários como o Minha Casa Minha Vida.

O mercado imobiliário brasileiro inicia, assim, mais um ciclo em que construção, consumo de materiais e expansão urbana caminham lado a lado, reforçando a importância da construção civil como um dos motores da economia nacional.


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📰 FONTE 🔗 Exame

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