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Motoristas e Motoboys: Facilidade Para Financiar Seu Imóvel

Motorista de aplicativo e entregador podem ter nova facilidade no financiamento imobiliário pelo MCMV

Motoristas de aplicativo e entregadores passaram a ter uma nova possibilidade na análise de crédito da CAIXA, enquanto o Minha Casa, Minha Vida ampliou renda e valores dos imóveis financiáveis. Entenda o que realmente mudou, quem pode se beneficiar e quais dados já estão disponíveis.

Legenda da matéria:
Brasil tem cerca de 1,2 milhão de trabalhadores no transporte de passageiros por aplicativo e 376 mil entregadores de aplicativos, segundo dados do IBGE referentes a 2025.

Uma mudança que pode aproximar trabalhadores de aplicativos da casa própria

Durante anos, milhares de brasileiros construíram sua renda trabalhando diariamente nas ruas. Motoristas de aplicativo, entregadores, motoboys, mototaxistas e outros profissionais passaram a depender das plataformas digitais como principal fonte de renda ou como complemento ao orçamento familiar.

Existe, porém, uma dificuldade que aparece quando esse trabalhador decide dar um passo maior: comprovar sua capacidade financeira para obter crédito.

É justamente nesse ponto que uma mudança anunciada pela CAIXA em julho de 2026 ganha importância para o mercado imobiliário.

Em 21 de julho, a instituição informou que passou a considerar como formal a renda obtida por profissionais que trabalham em plataformas de mobilidade e delivery. A comprovação pode ser feita a partir dos extratos de recebimentos fornecidos pelas próprias plataformas digitais. Antes, esses rendimentos eram classificados como renda informal.

A mudança não criou uma modalidade exclusiva de financiamento imobiliário para motoristas ou motoboys. Esse detalhe é importante.

O que mudou foi a metodologia de análise da renda desses profissionais pela CAIXA, permitindo ao banco conhecer de maneira mais adequada a capacidade financeira de quem recebe pelos aplicativos.

E essa mudança acontece em um momento particularmente importante para o mercado imobiliário brasileiro: o Minha Casa, Minha Vida — MCMV — também passou por uma ampliação significativa em 2026.

Antes de tudo: não é uma nova lei específica para financiar imóveis

Há uma diferença importante que merece ser explicada nesta Notícia do Mercado Imobiliário.

A mudança anunciada pela CAIXA para motoristas e entregadores não é uma nova lei que criou um financiamento de imóveis exclusivo para essas categorias.

A legislação que estrutura atualmente o Minha Casa, Minha Vida é a Lei nº 14.620, de 13 de julho de 2023. A lei instituiu o programa em sua atual configuração e estabelece como uma de suas finalidades promover o direito à moradia associado, entre outros objetivos, ao desenvolvimento econômico e à geração de trabalho e renda.

Em 2026, novas regras ampliaram as faixas de renda e os limites dos imóveis que podem ser financiados pelo MCMV. Paralelamente, a CAIXA anunciou a mudança na forma de reconhecer a renda dos trabalhadores de plataformas.

É a combinação dessas duas mudanças que torna o assunto especialmente relevante para Motoristas de Aplicativo, Entregadores e Motoboys que desejam comprar um imóvel.

O que a CAIXA mudou na prática

A CAIXA informou que passou a reconhecer como formal a renda dos profissionais que trabalham por meio de plataformas de mobilidade e delivery.

Segundo o banco, a comprovação é realizada com base nos extratos de recebimentos fornecidos pelas próprias plataformas digitais.

Isso significa que a renda obtida por meio do aplicativo passa a ser analisada de uma maneira diferente dentro do processo de avaliação financeira.

Antes, esses valores eram classificados como renda informal. Com a nova metodologia, a CAIXA afirma que consegue realizar uma análise mais adequada da capacidade financeira desses trabalhadores.

É uma mudança relevante porque, em um financiamento imobiliário, não basta demonstrar que existe renda. O banco precisa avaliar se aquela renda é suficiente, qual é sua capacidade de pagamento e qual operação pode ser assumida pelo cliente.

Portanto, a mudança não significa aprovação automática de financiamento.

Ela melhora a forma como a renda é apresentada e analisada.

A decisão final continua dependendo da análise de crédito da instituição financeira.

Um público de quase 2 milhões de trabalhadores

Os números mais recentes do IBGE mostram o tamanho desse mercado.

Na divulgação da PNAD Contínua realizada em setembro de 2026, o instituto apontou que aproximadamente 1,96 milhão de pessoas trabalhavam por meio de aplicativos em 2025, considerando atividades de transporte de passageiros e entregas, além de outros serviços pesquisados.

O número representa 1,9% da população ocupada.

O levantamento de 2025 também trouxe uma novidade metodológica importante: pela primeira vez, o IBGE passou a investigar também o uso dos aplicativos como atividade secundária. Por isso, o número total de 2025 não pode ser comparado diretamente com os números de 2022 e 2024, que consideravam apenas o trabalho principal.

Entre os trabalhadores plataformizados de 2025, cerca de 1,2 milhão atuavam no transporte de passageiros por aplicativos, o equivalente a 58,9% do total.

As entregas também representam uma parcela expressiva desse universo. O levantamento identificou 376 mil pessoas com ocupação de entregadores de aplicativos de comida, produtos e outros itens.

É importante fazer uma distinção: o número de 376 mil corresponde ao grupo identificado pelo IBGE como entregadores de aplicativos. Ele não deve ser apresentado como se representasse exclusivamente motoboys, porque a atividade de entrega por plataforma também pode envolver profissionais que utilizam outros meios de transporte.

Essa precisão é fundamental para compreender os números.

Quem são esses profissionais?

O retrato produzido pelo IBGE ajuda a entender por que a discussão sobre crédito é tão importante.

A maior parte dos trabalhadores de aplicativos é formada por homens. Em 2025, eles representavam 84,4% dos trabalhadores plataformizados.

A faixa de 25 a 39 anos concentrava 47% desse grupo.

Também chama atenção a predominância do trabalho por conta própria: 86,8% dos trabalhadores plataformizados eram autônomos, segundo os dados divulgados pelo IBGE.

Ou seja, estamos falando de um contingente expressivo de brasileiros que trabalha sem necessariamente possuir um contracheque tradicional.

Para o sistema financeiro, essa característica sempre tornou a análise de renda mais complexa.

Para o trabalhador, entretanto, aquela renda representa a realidade financeira de sua família.

É justamente essa distância entre como o trabalhador recebe e como o sistema financeiro enxerga essa renda que a mudança anunciada pela CAIXA procura reduzir.

Motoristas de Aplicativo já são mais de 1 milhão

O transporte de passageiros representa a maior atividade entre os trabalhadores plataformizados.

Em 2025, o IBGE identificou aproximadamente 1,2 milhão de trabalhadores no transporte de passageiros por aplicativos.

Desse total, cerca de 1,1 milhão utilizavam aplicativos de transporte particular de passageiros, enquanto 232 mil utilizavam exclusivamente aplicativos destinados ao serviço de táxi. As categorias podem apresentar sobreposição na pesquisa, razão pela qual não se deve simplesmente somar os números como se fossem grupos independentes.

O dado revela a dimensão de uma atividade que já faz parte da economia brasileira e também do cotidiano das cidades.

Para o mercado imobiliário, existe outra questão importante: renda gerada por aplicativo é renda que pode sustentar uma família e, quando adequadamente comprovada e aceita pelo agente financeiro, pode participar de uma análise de crédito.

E os Motoboys e Entregadores?

O universo dos entregadores também ganhou escala.

O IBGE identificou 376 mil pessoas cuja ocupação estava relacionada às entregas por aplicativos em 2025, dentro do grupo de trabalhadores plataformizados.

Além deles, a pesquisa identificou um universo mais amplo de pessoas que utilizavam aplicativos de entrega, incluindo trabalhadores de outras ocupações.

Essa diferença explica por que alguns números encontrados em diferentes levantamentos podem não coincidir.

Uma pesquisa pode contar todos os trabalhadores que utilizam aplicativos de entrega, enquanto outra pode considerar especificamente aqueles cuja ocupação é a de entregador.

Para uma matéria jornalística responsável, os dois conceitos não devem ser misturados.

O MCMV ficou maior em 2026

A mudança da CAIXA acontece justamente quando o Minha Casa, Minha Vida passou por uma ampliação.

O Ministério das Cidades informa atualmente que o MCMV atende famílias urbanas com renda bruta mensal de até R$ 13 mil.

As faixas urbanas foram atualizadas para:

Faixa / modalidadeRenda familiar mensal
Faixa 1até R$ 3.200
Faixa 2de R$ 3.200,01 a R$ 5.000
Faixa 3de R$ 5.000,01 a R$ 9.600
MCMV Classe Médiaaté R$ 13.000

Nas Faixas 1 e 2, o limite do valor do imóvel varia conforme a localização, podendo chegar a R$ 275 mil.

Na Faixa 3, o limite do imóvel passou para R$ 400 mil.

Já o MCMV Classe Média permite financiar imóveis de até R$ 600 mil, com renda familiar de até R$ 13 mil.

Para um trabalhador que antes encontrava dificuldade para apresentar sua renda, a ampliação do programa e a nova metodologia de análise da CAIXA criam um cenário diferente.

Não significa que todos terão crédito aprovado.

Significa que existe agora uma estrutura mais ampla dentro da qual esses trabalhadores podem ser analisados.

O MCMV pode atender quem não tem carteira assinada

Outro ponto importante para Motoristas de Aplicativo e Entregadores é que o Minha Casa, Minha Vida financiado não exige que o interessado seja empregado com carteira assinada.

O Ministério das Cidades informa que a linha financiada é destinada às famílias que se enquadram nos limites de renda e que atendam aos critérios do programa e da instituição financeira.

A contratação depende da aprovação da análise de crédito.

O próprio modelo do programa permite que trabalhadores com diferentes formas de obtenção de renda procurem a instituição financeira para avaliar sua possibilidade de financiamento.

O ponto fundamental é conseguir demonstrar renda e capacidade de pagamento de maneira adequada.

É exatamente aí que a nova metodologia da CAIXA pode fazer diferença para quem trabalha com plataformas.

Quanto o trabalhador pode financiar?

Não existe um único valor válido para todos.

O financiamento depende da renda familiar, do imóvel escolhido, da capacidade de pagamento, das condições da operação, do sistema de amortização e da análise de crédito.

Dentro do MCMV, entretanto, os limites de valor dos imóveis foram ampliados em 2026.

Na Faixa 3, o teto passou para R$ 400 mil.

Na modalidade Classe Média, o teto passou para R$ 600 mil.

O prazo máximo pode chegar a 420 meses, ou 35 anos, dependendo da modalidade e das condições do financiamento.

Para quem está pensando em comprar, isso significa que o primeiro passo não é escolher simplesmente o imóvel mais caro que aparece dentro do limite.

É descobrir quanto cabe no orçamento familiar.

A renda familiar é o ponto central

Um Motorista de Aplicativo pode trabalhar sozinho.

Um Motoboy pode trabalhar como autônomo.

Um entregador pode ter renda variável de um mês para outro.

Mas o financiamento habitacional olha para a capacidade financeira da família dentro das regras da instituição.

O Ministério das Cidades explica que a linha financiada do MCMV trabalha com renda familiar bruta e que a aprovação do financiamento depende da análise de risco e crédito realizada pelas instituições financeiras habilitadas.

Por isso, a nova forma de reconhecimento da renda dos profissionais de plataformas é tão relevante.

Não é simplesmente uma questão de “ganhar dinheiro pelo aplicativo”.

É uma questão de transformar uma renda real em informação financeira compreensível para a análise de crédito.

E quem tem FGTS?

Aqui existe outro ponto importante.

O financiamento do MCMV utiliza recursos do FGTS e do Fundo Social, dependendo da modalidade.

O Ministério das Cidades informa que não é necessário possuir saldo de FGTS para acessar o financiamento habitacional do MCMV, com exceção das regras específicas do Pró-Cotista.

Por outro lado, quem possui saldo na conta vinculada pode utilizá-lo dentro das regras aplicáveis para reduzir a entrada ou o valor financiado.

Também existe a possibilidade de utilização do chamado FGTS Futuro, conforme as regras estabelecidas.

Isso pode ser especialmente importante para trabalhadores que passaram boa parte da vida profissional fora do emprego formal, porque o saldo disponível de FGTS pode ser menor ou inexistente.

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E se a renda vier somente do aplicativo?

Essa é provavelmente uma das perguntas mais importantes para o público desta matéria.

A resposta precisa ser dada com cuidado.

A CAIXA informou oficialmente que passou a considerar como formal a renda de profissionais de plataformas de mobilidade e delivery e que a comprovação ocorre por meio dos extratos fornecidos pelas plataformas.

Isso não significa que qualquer trabalhador de aplicativo terá aprovação automática para comprar um imóvel.

A própria CAIXA deixa claro, em suas operações de crédito, que a contratação está sujeita à análise.

Portanto, o trabalhador deve encarar a mudança como uma melhoria na forma de apresentação e análise da renda, e não como uma garantia de financiamento.

Quantos Motoristas e Entregadores já financiaram um imóvel usando essa mudança?

Essa é uma informação que seria extremamente importante para o mercado.

E justamente por isso procuramos esse dado nas fontes públicas consultadas.

Até a publicação desta matéria, não encontramos divulgação oficial da CAIXA com o número de financiamentos imobiliários concedidos especificamente a Motoristas de Aplicativo ou Entregadores utilizando a nova metodologia de reconhecimento da renda anunciada em 21 de julho de 2026.

Portanto, não há um número oficial que permita afirmar, por exemplo, que “X mil motoristas já compraram imóveis” graças à mudança.

Também não seria correto utilizar os números do programa Move Brasil para responder a essa pergunta.

O Move Brasil é outra iniciativa, voltada ao financiamento de veículos para profissionais do transporte, e não ao financiamento de imóveis. A CAIXA opera modalidades para Motoristas de Aplicativo, Taxistas e Entregadores, mas trata-se de crédito para automóveis, motocicletas e outros veículos elegíveis.

Essa distinção é fundamental.

Move Brasil não é MCMV

O ano de 2026 trouxe duas iniciativas que podem acabar sendo confundidas.

O Minha Casa, Minha Vida — MCMV é o programa habitacional destinado à aquisição, construção e outras formas de acesso à moradia dentro de suas modalidades.

O Move Brasil, por sua vez, oferece financiamento para profissionais do transporte adquirirem veículos novos em condições específicas.

Para Motoristas de Aplicativo, a modalidade de automóveis do Move Brasil possui condições próprias.

Para Entregadores e Motoapp, existe financiamento de motocicletas, motonetas, ciclomotores e bicicletas elétricas elegíveis.

A CAIXA informa que, na modalidade de Motoristas de Aplicativo e Taxistas, o financiamento pode ter prazo de até 72 meses e, na modalidade de Entregadores e Motoapp, prazo de até 48 meses.

São políticas de crédito diferentes.

Uma trata do instrumento de trabalho.

A outra trata da moradia.

Mas as duas ajudam a mostrar como o trabalhador de aplicativo passou a ocupar um espaço cada vez mais relevante nas políticas de crédito.

Um trabalhador pode financiar primeiro o veículo e depois o imóvel?

Pode existir essa possibilidade na vida financeira de uma pessoa, mas não significa que uma operação garanta automaticamente a outra.

Um financiamento de veículo passa a compor o orçamento do cliente e, consequentemente, pode influenciar sua capacidade de assumir novas dívidas.

Da mesma maneira, um financiamento imobiliário é uma operação de longo prazo e envolve uma análise própria.

Por isso, para o trabalhador que pretende conquistar a casa própria, é importante olhar para o conjunto das suas obrigações financeiras.

O objetivo não deve ser simplesmente conseguir um financiamento.

O objetivo deve ser conseguir um financiamento que caiba no orçamento familiar durante muitos anos.

O que o trabalhador deve organizar antes de procurar o financiamento?

Para o Motorista de Aplicativo, Entregador ou Motoboy que pretende comprar um imóvel, organização financeira passa a ser ainda mais importante.

Extratos de recebimentos das plataformas, movimentação bancária, declaração de Imposto de Renda quando aplicável, documentos pessoais e informações relacionadas à composição da renda podem ajudar na análise.

A documentação efetivamente exigida deve ser confirmada com a instituição financeira.

Também é importante separar a renda bruta daquilo que efetivamente sobra depois das despesas do trabalho.

Um motorista pode ter faturamento elevado, mas também possuir gastos com combustível, manutenção, aluguel ou financiamento do veículo, seguro e outras despesas.

O mesmo acontece com o Motoboy.

Para o trabalhador, o valor que entra na conta é apenas uma parte da história.

Para o banco, é necessário avaliar a capacidade de pagamento.

Uma nova porta para o mercado imobiliário

Existe uma dimensão maior nessa discussão.

Durante muito tempo, parte dos trabalhadores brasileiros ficou presa a uma contradição: tinha renda, trabalhava diariamente, pagava suas contas, sustentava sua família, mas encontrava dificuldade para transformar aquela atividade econômica em uma comprovação de renda aceita de maneira adequada pelo sistema financeiro.

Os aplicativos mudaram profundamente essa realidade.

Hoje, aproximadamente 1,96 milhão de brasileiros estavam trabalhando por meio de aplicativos em 2025, segundo o IBGE, considerando trabalho principal e secundário.

O grupo inclui aproximadamente 1,2 milhão de trabalhadores no transporte de passageiros por aplicativos e centenas de milhares de trabalhadores ligados às entregas.

Esse público não representa apenas uma estatística do mercado de trabalho.

São pessoas que alugam imóveis, compram imóveis, formam famílias, pagam impostos, consomem, investem e movimentam a economia das cidades.

E, para o mercado imobiliário, reconhecer esse público significa também reconhecer uma transformação na própria maneira como os brasileiros trabalham.

O impacto potencial para corretores, imobiliárias e construtoras

A mudança também merece atenção de Corretores de Imóveis, Imobiliárias, Construtoras e Incorporadoras.

Um profissional que atende um Motorista de Aplicativo ou um Entregador precisa conhecer as novas possibilidades de comprovação de renda para não afastar, de maneira automática, um potencial comprador que não apresenta um contracheque tradicional.

Isso não significa prometer aprovação.

Significa conhecer as regras.

O corretor pode orientar o cliente a organizar sua documentação, identificar sua renda familiar, verificar o enquadramento no MCMV e encaminhá-lo para uma simulação ou análise de crédito.

Para a imobiliária, existe também uma oportunidade comercial.

Quanto mais o mercado compreender os novos perfis profissionais, maior será sua capacidade de atender pessoas que tradicionalmente poderiam acreditar que a casa própria estava fora de alcance.

A importância da informação correta

Existe uma diferença enorme entre dizer:

“Motoristas de aplicativo agora podem financiar imóveis.”

e dizer:

“A CAIXA passou a reconhecer como formal a renda de profissionais de plataformas de mobilidade e delivery, o que pode aperfeiçoar a análise de crédito desses trabalhadores, inclusive dentro das possibilidades de crédito oferecidas pelo banco.”

A segunda afirmação é mais longa.

Mas é muito mais precisa.

E é essa diferença que importa quando estamos produzindo uma Notícia do Mercado Imobiliário.

A nova metodologia da CAIXA é relevante.

A ampliação do MCMV também é relevante.

Os dois fatos, juntos, podem melhorar as condições de acesso ao crédito para uma parcela importante dos trabalhadores brasileiros.

Mas aprovação continua sendo individual.

Um mercado de trabalho que já não cabe no antigo contracheque

Os números do IBGE mostram uma transformação que o mercado imobiliário não pode ignorar.

Em 2025, os trabalhadores plataformizados tinham rendimento médio mensal do trabalho principal de aproximadamente R$ 3.147, praticamente o mesmo patamar dos demais trabalhadores do setor privado, de R$ 3.148.

Mas a jornada média era maior: 44,7 horas por semana, contra 39,3 horas entre os demais ocupados do setor privado.

Outro dado chama atenção.

A informalidade entre os trabalhadores de aplicativos alcançou 72,1%, enquanto entre os demais ocupados do setor privado ficou em 42,7%.

A contribuição para a Previdência também era significativamente menor entre os plataformizados.

Esses dados ajudam a explicar por que a comprovação da renda é uma questão tão importante.

Não estamos diante de uma pequena categoria profissional.

Estamos diante de uma parcela significativa do mercado de trabalho brasileiro.

Para quem sonha com a casa própria

Para o Motorista de Aplicativo, o Entregador ou o Motoboy que lê esta matéria e pensa na casa própria, talvez a principal mensagem seja simples:

não descarte a possibilidade de financiar um imóvel apenas porque você não recebe um salário tradicional.

As regras precisam ser analisadas individualmente, e a aprovação depende da instituição financeira.

Mas o cenário de 2026 é diferente.

O Minha Casa, Minha Vida ampliou suas faixas de renda.

O programa passou a alcançar famílias com renda de até R$ 13 mil.

O teto do imóvel chegou a R$ 400 mil na Faixa 3 e R$ 600 mil no MCMV Classe Média.

E a CAIXA anunciou uma nova metodologia para reconhecimento da renda de profissionais que trabalham em plataformas de mobilidade e delivery.

Isso não transforma o financiamento em algo automático.

Mas pode transformar a maneira como uma parcela importante dos trabalhadores é enxergada na análise de crédito.

Conclusão

O Brasil mudou, e o mercado imobiliário também precisa mudar sua forma de enxergar o trabalhador.

O Motorista de Aplicativo que passa horas dirigindo pelas cidades.

O Entregador que percorre quilômetros todos os dias.

O Motoboy que enfrenta trânsito, chuva e sol para garantir o sustento da família.

Todos eles fazem parte de uma economia que já movimenta milhões de brasileiros.

Os dados mais recentes do IBGE mostram a dimensão dessa transformação: cerca de 1,96 milhão de pessoas trabalhavam por meio de aplicativos em 2025, considerando atividades principais e secundárias. O transporte de passageiros reunia aproximadamente 1,2 milhão, enquanto o grupo identificado como entregadores de aplicativos somava 376 mil pessoas.

Ao mesmo tempo, o Minha Casa, Minha Vida ampliou seu alcance em 2026 e passou a atender famílias com renda mensal de até R$ 13 mil, com imóveis que podem chegar a R$ 600 mil no MCMV Classe Média.

A CAIXA, por sua vez, anunciou uma mudança importante na análise da renda de profissionais de plataformas de mobilidade e delivery.

Ainda não existe, nas fontes públicas consultadas, um número oficial de quantos Motoristas de Aplicativo ou Entregadores já utilizaram especificamente essa nova metodologia para obter financiamento imobiliário.

E essa informação, quando vier a público, será extremamente importante para medir o impacto concreto da mudança.

Por enquanto, o que já pode ser afirmado é que uma porta foi ampliada.

Não é uma promessa de crédito.

Não é aprovação automática.

É uma mudança na forma de reconhecer uma renda que existe, é produzida diariamente e sustenta milhões de brasileiros.

Para o trabalhador, pode representar uma nova oportunidade.

Para o corretor, uma nova frente de atendimento.

Para as imobiliárias, construtoras e incorporadoras, um novo público.

E para o mercado imobiliário brasileiro, mais um sinal de que a casa própria precisa ser acessível também para quem constrói sua renda de uma maneira diferente do modelo tradicional de emprego.

Análise Editorial Broker News BR

A história dos Motoristas de Aplicativo e dos Entregadores é também uma história de transformação econômica.

O trabalhador mudou.

A forma de trabalhar mudou.

A maneira de receber mudou.

E, naturalmente, a maneira de comprovar renda também precisa acompanhar essa transformação.

A decisão da CAIXA de reconhecer como formal a renda proveniente de plataformas de mobilidade e delivery merece atenção porque pode reduzir uma barreira existente entre uma atividade econômica já consolidada e o sistema tradicional de crédito.

Ao mesmo tempo, o Minha Casa, Minha Vida ampliou suas fronteiras em 2026.

O resultado é um cenário que merece ser acompanhado de perto pelo mercado imobiliário.

A Broker News BR entende que informar esse público é também contribuir para aproximar profissionais, famílias e oportunidades de moradia.

Mais do que publicar números, nosso papel é explicar o que eles significam para quem está na ponta.

Produção Editorial Broker News BR

Esta matéria foi produzida com base em informações divulgadas por órgãos públicos e instituições oficiais, especialmente IBGE, CAIXA e Ministério das Cidades, considerando as informações disponíveis até 4 de setembro de 2026.

Os dados sobre trabalhadores de aplicativos referem-se à PNAD Contínua e devem ser interpretados de acordo com a metodologia adotada pelo IBGE para o levantamento de 2025.

A matéria diferencia trabalhadores de transporte por aplicativo, trabalhadores de aplicativos de entrega e o universo mais amplo de profissionais plataformizados, evitando tratar essas categorias como se fossem idênticas.

Também foi feita distinção entre o Minha Casa, Minha Vida, programa habitacional, e o Move Brasil, programa de financiamento de veículos para profissionais do transporte.

Fontes

  • Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística — IBGE
  • CAIXA Econômica Federal
  • Ministério das Cidades
  • Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços — MDIC
  • Presidência da República
  • Planalto

Consulte as fontes oficiais

IBGE — Agência de Notícias

CAIXA — Minha Casa, Minha Vida

CAIXA — Notícias

Ministério das Cidades — Minha Casa, Minha Vida

MDIC — Move Brasil

Planalto — Lei nº 14.620/2023

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Crédito Editorial

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Por Camille Assis

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