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Crédito Imobiliário Cresce Mesmo com Juros Altos

casal assinando um contrato de financiamento imobiliário em uma agência bancária moderna. Ao fundo, um corretor de imóveis apresenta a maquete de um empreendimento residencial contemporâneo. Pela janela, aparecem edifícios modernos desfocados

Financiamentos para compra e construção de imóveis avançam 23% no primeiro semestre de 2026, superando expectativas do mercado.

Mesmo com a taxa básica de juros permanecendo em um dos maiores patamares dos últimos anos, o mercado imobiliário brasileiro voltou a demonstrar resiliência. O crédito destinado à compra e à construção de imóveis movimentou R$ 180,9 bilhões entre janeiro e junho de 2026, um crescimento de 23% em relação ao mesmo período do ano passado. O desempenho surpreendeu o setor e levou a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) a revisar suas projeções para o restante do ano.

Segundo a Abecip, a demanda por financiamento permanece aquecida graças à formação de novas famílias, ao mercado de trabalho relativamente sólido e à continuidade dos programas habitacionais. Em janeiro, a entidade estimava um crescimento de 16% nas concessões em 2026, mas os resultados do primeiro semestre indicam um desempenho superior ao esperado.

SBPE lidera a recuperação

O principal destaque foi o crédito concedido por meio do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), utilizado principalmente por compradores de imóveis de médio e alto padrão.

Entre janeiro e junho, os financiamentos para aquisição e construção de imóveis com recursos da poupança somaram R$ 93,7 bilhões, uma alta de 29% em comparação ao primeiro semestre de 2025.

Dentro desse segmento, o crédito destinado à construção apresentou o maior avanço: saltou de R$ 12,8 bilhões para R$ 26,5 bilhões, crescimento de 107%. Segundo a Abecip, parte dessa expansão decorre de uma base de comparação mais fraca no início de 2025, representando uma normalização do mercado aos níveis observados entre 2021 e 2024.

Já os financiamentos destinados à compra de imóveis cresceram 12%, alcançando R$ 67,2 bilhões no semestre. Mais de 70% dessas operações envolveram imóveis usados, evidenciando a força desse segmento no mercado brasileiro.

FGTS continua impulsionando o setor

Outro importante motor do crescimento foi o crédito financiado com recursos do FGTS, que alcançou R$ 77,6 bilhões no primeiro semestre, alta de 22% na comparação anual.

O desempenho foi impulsionado principalmente pelo programa Minha Casa, Minha Vida, especialmente pelas Faixas 3 e 4, ampliando o acesso ao financiamento para famílias de renda média e fortalecendo a produção habitacional em diversas regiões do país.

Mercado mostra capacidade de adaptação

O crescimento do crédito imobiliário em um cenário de juros elevados demonstra que o setor tem encontrado alternativas para manter o ritmo de negócios. Além da demanda reprimida por moradia, especialistas apontam que compradores passaram a adotar estratégias mais planejadas, priorizando imóveis com maior potencial de valorização e utilizando recursos próprios para reduzir o valor financiado.

Outro fator relevante é a maior diversificação das linhas de crédito oferecidas pelas instituições financeiras, que ampliaram opções de prazo, modalidades de amortização e condições específicas para diferentes perfis de clientes.

Imóveis usados seguem em destaque

Os dados do primeiro semestre revelam que os imóveis usados continuam desempenhando papel central no mercado imobiliário brasileiro.

Mais de sete em cada dez financiamentos realizados com recursos da poupança foram destinados à aquisição de imóveis já existentes. Esse movimento reflete fatores como maior oferta, localização consolidada, disponibilidade imediata para ocupação e preços competitivos em relação aos lançamentos.

Ao mesmo tempo, o mercado de novos empreendimentos permanece aquecido, especialmente nas regiões metropolitanas e em cidades com forte crescimento econômico, impulsionado pelo aumento dos financiamentos destinados à construção.

Construção civil ganha novo fôlego

O avanço superior a 100% nas operações voltadas à construção representa um importante sinal para toda a cadeia produtiva do setor.

Novos financiamentos significam mais lançamentos, geração de empregos, aumento da demanda por materiais de construção, serviços especializados e fortalecimento das atividades de incorporadoras, construtoras e fornecedores.

Para o mercado imobiliário, esse indicador costuma anteceder ciclos de expansão da oferta, contribuindo para equilibrar a demanda nos próximos anos.

Juros continuam sendo um desafio

Apesar dos resultados positivos, o setor mantém atenção ao comportamento das taxas de juros.

Custos elevados de financiamento ainda limitam parte da demanda, especialmente entre compradores de renda média que dependem de parcelas mais acessíveis para adquirir o primeiro imóvel.

Mesmo assim, representantes da Abecip destacam que a necessidade de moradia, aliada à recuperação gradual da economia e aos programas habitacionais, continua sustentando o mercado mesmo em um ambiente de crédito mais caro.

Perspectivas para o segundo semestre

Após um primeiro semestre acima das expectativas, a tendência é que o mercado imobiliário mantenha um desempenho positivo ao longo da segunda metade de 2026, embora em um ritmo mais moderado.

Especialistas acreditam que a continuidade da geração de empregos, a estabilidade da renda das famílias e a demanda acumulada por habitação continuarão sustentando as operações de financiamento. Além disso, programas habitacionais e o interesse crescente por imóveis como forma de proteção patrimonial devem seguir estimulando compradores e investidores.

Por outro lado, a permanência dos juros elevados continuará exigindo maior planejamento financeiro por parte dos consumidores e seletividade na aprovação de crédito pelas instituições financeiras.

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O que isso representa para o mercado imobiliário

O crescimento do crédito imobiliário beneficia praticamente todos os segmentos da cadeia do setor.

Para os corretores de imóveis, significa um aumento potencial no número de compradores aptos a fechar negócios. Para imobiliárias, amplia o fluxo de negociações e reduz o tempo médio de venda de determinados imóveis.

Já para incorporadoras e construtoras, o avanço do financiamento para construção representa maior confiança para novos lançamentos e expansão de projetos, especialmente em regiões metropolitanas e cidades em desenvolvimento.

O mercado também tende a ganhar maior dinamismo no segmento de imóveis usados, que continua concentrando boa parte das operações financiadas.

Conclusão

O desempenho do crédito imobiliário no primeiro semestre de 2026 demonstra que o mercado brasileiro continua resiliente mesmo diante de um cenário de juros elevados.

O crescimento de 23% nas concessões de financiamento mostra que fatores como a necessidade de moradia, programas habitacionais, recuperação gradual da economia e confiança dos consumidores seguem impulsionando o setor.

Caso esse ritmo seja mantido nos próximos meses, 2026 poderá consolidar-se como um dos anos mais fortes para o crédito imobiliário desde a retomada observada após a pandemia, fortalecendo toda a cadeia da construção civil e ampliando as oportunidades para profissionais do mercado imobiliário.

Análise Editorial Broker News BR

O crescimento expressivo do crédito imobiliário em um ambiente de juros elevados demonstra que a demanda por imóveis permanece consistente no Brasil. Mais do que um indicador financeiro, o avanço das concessões sinaliza confiança dos consumidores e reforça que o setor continua sendo um dos motores da economia nacional.

Para corretores, imobiliárias, incorporadoras e investidores, acompanhar esses números é essencial para compreender o comportamento do mercado e identificar oportunidades de negócios nos próximos meses.

Produção Editorial Broker News BR

Produção Editorial Broker News BR. Esta matéria é um conteúdo original produzido pela equipe editorial da Broker News BR, elaborado com base em pesquisa, apuração e consulta a fontes oficiais e confiáveis do mercado imobiliário para informar corretores de imóveis, imobiliárias, construtoras, incorporadoras e investidores.

Fontes

  • Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip)
  • Folha de S.Paulo
  • InfoMoney
  • Estado de Minas
  • Folha de Pernambuco

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Por Camille Assis

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