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Greve na Caixa e no BB pode afetar crédito imobiliário

Greve na Caixa e no Banco do Brasil pode afetar crédito imobiliário

Paralisação começou nesta quinta-feira e envolve principalmente o custeio dos planos de saúde; impacto sobre financiamentos, Minha Casa Minha Vida e crédito rural dependerá da duração e da abrangência do movimento

A greve dos empregados da Caixa Econômica Federal e a paralisação parcial de funcionários do Banco do Brasil começaram nesta quinta-feira, 10 de setembro de 2026, em meio a uma negociação coletiva que chegou a um ponto de impasse entre os trabalhadores e as duas instituições financeiras públicas.

Na Caixa, a paralisação foi deflagrada nacionalmente e por tempo indeterminado. No Banco do Brasil, o movimento não ocorre de forma uniforme em todo o país: sindicatos de diferentes regiões tomaram decisões distintas, com algumas bases aprovando a proposta apresentada pelo banco, outras optando por continuar negociando e 27 bases aderindo à greve.

O principal ponto de conflito nos dois bancos está relacionado ao custeio dos planos de saúde dos funcionários. Mas a pauta é mais ampla e envolve remuneração, carreira, contratação de funcionários, condições de trabalho, participação nos lucros, benefícios e questões específicas da Caixa e do Banco do Brasil.

Para o mercado imobiliário, a paralisação merece atenção por uma razão objetiva: a Caixa é o principal agente financeiro da habitação no país e possui participação central na operacionalização do Minha Casa, Minha Vida, enquanto o Banco do Brasil também atua no financiamento imobiliário e possui uma presença particularmente importante no crédito rural e no agronegócio.

Isso não significa que os financiamentos serão automaticamente interrompidos.

Mas significa que processos que dependem de atendimento, análise, documentação, avaliação, formalização e contratação podem sofrer atrasos caso a greve se prolongue ou atinja unidades e setores envolvidos nessas operações.

O que está por trás da greve dos funcionários da Caixa?

A principal reivindicação específica dos empregados da Caixa está relacionada ao Saúde Caixa, plano de assistência médica dos funcionários.

Segundo as entidades sindicais, os trabalhadores rejeitaram propostas que aumentariam a participação financeira dos empregados no custeio do plano.

Na proposta apresentada anteriormente à greve, a contribuição dos funcionários subiria de 3,5% para 5,5% do salário-base, enquanto também haveria aumento dos valores cobrados por dependentes. Para os trabalhadores, a mudança transferiria uma parcela maior do custo do plano para os empregados.

A rejeição foi expressiva.

Em São Paulo, por exemplo, os empregados da Caixa rejeitaram a proposta por 90% dos votos e decidiram pela paralisação a partir de 10 de setembro. Em outras bases, a decisão também foi pela greve ou pela continuidade das negociações.

A pauta, porém, não se limita ao plano de saúde.

Os sindicatos também reivindicam mudanças relacionadas a carreira, condições de trabalho, contratações, metas, remuneração variável, saúde dos trabalhadores e organização das atividades dentro da instituição.

Caixa apresentou nova proposta nesta quinta-feira

A situação mudou novamente ao longo desta quinta-feira.

Depois do início da greve, a Caixa apresentou uma nova proposta aos empregados para tentar encerrar a paralisação.

Entre os pontos apresentados estão um prêmio de R$ 3 mil por empregado, antecipação da PLR para 18 de setembro e aumento do teto de custeio do Saúde Caixa pela instituição, de 6,5% para 8%.

A nova proposta também altera a forma de contribuição dos empregados para o plano, com percentuais entre 2,30% e 4,10%, de acordo com a faixa etária, além de valores por dependente que variam de R$ 480 a R$ 660.

A proposta tem validade até 11 de setembro e deverá ser avaliada pelos empregados em assembleias.

A Caixa também sinalizou que, caso a proposta não seja aprovada, poderá recorrer à Justiça para instaurar dissídio coletivo.

Portanto, a greve pode sofrer mudanças rapidamente nos próximos dias. Essa é uma informação importante para o leitor: a paralisação existe e começou, mas a negociação continua.

E o que os funcionários do Banco do Brasil reivindicam?

No Banco do Brasil, o cenário é diferente.

A proposta apresentada pela instituição foi aprovada em algumas bases sindicais, mas rejeitada em outras. Em 4 de setembro, por exemplo, os funcionários do BB da base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região aprovaram o ACT por 51,65% dos votos.

Em outras regiões, entretanto, a proposta foi rejeitada e houve decisão pela paralisação.

De acordo com informações divulgadas pelo movimento sindical, 27 sindicatos decidiram pela greve, enquanto 39 aprovaram uma proposta que inclui um aporte de R$ 360 milhões para a Cassi, plano de saúde dos funcionários do Banco do Brasil. Outras 60 bases rejeitaram a proposta e optaram por continuar negociando.

Entre os principais pontos da pauta dos funcionários do BB estão:

  • solução para o custeio da Cassi;
  • valorização da carreira;
  • estudos para revisão do Plano de Carreira e Remuneração;
  • recomposição do quadro de funcionários;
  • melhorias nas condições de trabalho;
  • valorização de trabalhadores das centrais de atendimento;
  • ampliação de benefícios;
  • pagamento da PLR em prazo mais curto;
  • licença-paternidade maior;
  • aumento do auxílio para filhos com deficiência;
  • medidas relacionadas à saúde e aos riscos psicossociais.

A proposta do banco também prevê um bônus de R$ 3 mil para determinado grupo de funcionários, condicionado ao cumprimento de indicador definido pelo BB.

Ou seja, assim como na Caixa, a greve não pode ser resumida simplesmente a uma disputa salarial.

Saúde, carreira, condições de trabalho e estrutura de pessoal estão entre os principais pontos da negociação.

Por que uma greve da Caixa interessa ao mercado imobiliário?

É aqui que a discussão deixa de ser apenas trabalhista.

A Caixa possui uma posição absolutamente central no financiamento habitacional brasileiro.

No segundo trimestre de 2026, a instituição informou que sua carteira habitacional chegou a R$ 1,005 trilhão, crescimento de 15% em 12 meses.

No primeiro semestre, as contratações imobiliárias da Caixa somaram R$ 137,6 bilhões, alta de 29,3% em relação ao mesmo período de 2025.

Esses números ajudam a dimensionar a importância da instituição.

Não estamos falando de um banco que participa marginalmente do mercado imobiliário.

Estamos falando de uma instituição cuja atividade habitacional possui escala suficiente para que uma paralisação prolongada possa provocar efeitos operacionais sobre parte da cadeia imobiliária.

Isso não significa que R$ 137,6 bilhões em financiamentos serão interrompidos.

Significa que qualquer redução significativa na capacidade de atendimento e processamento da instituição pode aumentar o tempo necessário para concluir determinadas operações.

O financiamento de um imóvel depende de várias etapas

A compra financiada de um imóvel não termina quando comprador e vendedor chegam a um acordo.

Existe uma cadeia operacional.

O cliente precisa apresentar documentação.

O banco precisa analisar o cadastro e a capacidade de pagamento.

O imóvel precisa passar por análise e avaliação.

Documentos precisam ser conferidos.

O contrato precisa ser elaborado.

Depois existem etapas de assinatura, registro e liberação dos recursos.

Dependendo do tipo de operação e do estágio em que ela se encontra, diferentes setores e profissionais podem participar do processo.

É justamente por isso que uma greve bancária prolongada pode ter um efeito diferente sobre cada operação.

Uma pessoa que já está com o contrato assinado e aguardando apenas uma etapa específica pode sofrer um atraso pontual.

Outro comprador que ainda está no início da análise talvez não perceba impacto imediato.

Já uma operação que depende de atendimento presencial ou de uma etapa administrativa realizada por funcionários em greve pode enfrentar maior demora.

O Minha Casa, Minha Vida merece atenção especial

O impacto potencial é ainda maior quando observamos o Minha Casa, Minha Vida.

A Caixa é um dos principais agentes financeiros envolvidos na operacionalização do programa.

A própria instituição informa que o MCMV oferece financiamento para aquisição de imóveis novos e usados, construção de moradia e aquisição de terreno e construção, dentro das regras do programa.

E o programa tem enorme peso no mercado imobiliário brasileiro.

Segundo a CBIC, no segundo trimestre de 2026, o Minha Casa, Minha Vida respondeu por 58% dos lançamentos residenciais pesquisados no país.

Foram 62.129 unidades lançadas dentro do programa no trimestre.

Nas vendas, 58.392 unidades comercializadas no segundo trimestre estavam enquadradas no MCMV, equivalentes a 51% das vendas residenciais consideradas no levantamento.

Isso significa que o programa não é mais um segmento secundário do mercado.

É um dos principais motores da construção e das vendas de imóveis no Brasil.

Por isso, qualquer paralisação prolongada na instituição responsável por uma parcela importante da operacionalização do crédito merece acompanhamento do setor.

A greve pode paralisar o Minha Casa, Minha Vida?

Não é correto afirmar isso neste momento.

A greve não significa que o Minha Casa, Minha Vida tenha sido suspenso.

Também não significa que novos contratos deixarão de ser realizados em todo o país.

A Caixa continua disponibilizando canais digitais e remotos para atendimento durante a paralisação. O banco orienta clientes a utilizarem aplicativos, internet banking, WhatsApp, telefone e outros canais.

O que pode acontecer é uma redução da velocidade de determinados processos que dependam de estruturas afetadas pela paralisação.

Essa diferença é fundamental.

Para o mercado imobiliário, o risco mais imediato é de atraso operacional, e não de paralisação completa do financiamento habitacional.

O efeito sobre construtoras e incorporadoras

Existe também uma segunda camada de impacto.

Uma construtora que vende um empreendimento para um comprador financiado precisa acompanhar a evolução da operação de crédito.

Se o financiamento demora mais para ser aprovado ou formalizado, o fechamento financeiro da venda pode ser postergado.

Em uma única operação, talvez o efeito seja pequeno.

Mas imagine uma incorporadora com centenas de compradores aguardando financiamento.

Atrasos acumulados podem afetar:

  • cronograma de vendas;
  • recebimento de recursos;
  • repasse;
  • fluxo de caixa;
  • previsão de receitas;
  • entrega de documentação;
  • relacionamento com compradores.

Por isso, as empresas do setor precisam acompanhar a paralisação não apenas pelo número de agências fechadas, mas principalmente pelo funcionamento das áreas que processam as operações de crédito.

O comprador também pode ser afetado

Para quem está comprando um imóvel, o principal problema pode ser o prazo.

Uma negociação imobiliária normalmente envolve diversos prazos contratuais.

Existe prazo para apresentação de documentos, aprovação do financiamento, assinatura, registro e pagamento.

Se uma dessas etapas atrasar, comprador e vendedor podem precisar renegociar cronogramas.

Isso é particularmente relevante quando existe um compromisso de entrega do imóvel, vencimento de contrato ou condição vinculada à liberação do financiamento.

Por isso, quem possui uma operação em andamento na Caixa deve acompanhar diretamente o banco e manter contato com o corretor, a imobiliária, a construtora ou o correspondente bancário responsável.

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O Banco do Brasil também possui atuação imobiliária

Embora a Caixa tenha uma presença muito maior na habitação popular, o Banco do Brasil também participa do mercado imobiliário.

O BB oferece financiamento para imóveis residenciais e comerciais, novos ou usados, além de linhas específicas como Minha Casa, Minha Vida, Pró-Cotista, SFH e SBPE.

O banco informa ainda que parte do processo de contratação imobiliária pode ser realizada digitalmente, incluindo simulação, solicitação de análise de crédito, envio de documentos, contratação do seguro e conclusão da proposta.

Isso pode reduzir o impacto da paralisação sobre algumas operações.

Mas não elimina completamente o risco de atraso.

Uma operação imobiliária envolve etapas que podem exigir interação entre diferentes áreas do banco, cartórios, vendedores, compradores, correspondentes e outros participantes.

E existe um segundo mercado importante: o rural

Aqui a observação feita por você é muito pertinente.

O Banco do Brasil não é apenas um banco de financiamento imobiliário urbano.

Sua presença no agronegócio é enorme.

No segundo trimestre de 2026, a carteira de crédito do BB chegou a aproximadamente R$ 1,31 trilhão, com R$ 421,6 bilhões destinados ao agronegócio, segundo dados divulgados a partir do balanço da instituição.

Isso significa que uma paralisação do BB pode ter efeitos que ultrapassam o mercado imobiliário urbano.

Produtores rurais, empresas do agronegócio e clientes que dependem de operações de crédito também precisam acompanhar a situação.

O próprio Banco do Brasil disponibiliza soluções digitais para contratação de determinadas operações de crédito rural, incluindo custeio agrícola e pecuário, com envio de documentos e assinatura eletrônica pelo aplicativo.

Mais uma vez, portanto, a greve não significa que todo o crédito rural ficará paralisado.

Mas a duração e a abrangência da paralisação podem influenciar operações que ainda dependam de atendimento ou processamento pelas estruturas afetadas.

O mercado imobiliário está crescendo justamente quando a greve começa

O momento da paralisação também é importante.

O mercado imobiliário brasileiro encerrou o primeiro semestre de 2026 com 226.536 unidades residenciais novas vendidas, crescimento de 5,4% sobre o mesmo período de 2025, segundo a CBIC.

O Minha Casa, Minha Vida foi responsável por parcela expressiva desse resultado.

Ou seja, a greve acontece em um mercado que continua apresentando demanda.

Não estamos diante de um setor parado esperando compradores.

O problema potencial é outro:

se existe demanda, mas uma parte importante da cadeia de financiamento fica mais lenta, a velocidade de conversão das vendas pode ser afetada.

Essa diferença é fundamental.

Uma greve prolongada seria mais preocupante

Se a paralisação durar poucos dias e as negociações produzirem um acordo rapidamente, o impacto sobre o mercado imobiliário provavelmente será predominantemente operacional.

Haverá atrasos pontuais, remarcações e necessidade de utilização de canais alternativos.

Mas, se o movimento se prolongar por semanas, a situação pode ganhar outra dimensão.

Nesse cenário, seria necessário observar:

Financiamentos: aumento do prazo médio de aprovação e contratação.

Construtoras: impacto sobre repasses e recebimentos.

Compradores: maior dificuldade para cumprir cronogramas.

Corretores: adiamento de fechamentos.

Correspondentes bancários: aumento da demanda e possíveis filas operacionais.

MCMV: eventual acúmulo de operações em determinadas etapas.

Crédito rural: atrasos em operações que dependam de atendimento ou análise presencial.

Cartórios: possível concentração posterior de contratos quando o fluxo bancário voltar ao normal.

O tamanho desse impacto dependerá principalmente de quanto tempo a greve durar e quais áreas do banco forem efetivamente afetadas.

Canais digitais reduzem parte do problema

Um aspecto que diferencia a greve atual de paralisações ocorridas décadas atrás é a digitalização.

Caixa e Banco do Brasil possuem aplicativos, internet banking, atendimento telefônico, WhatsApp e outros canais.

A Caixa orientou clientes a utilizarem seus canais digitais e remotos durante a greve. O BB também disponibilizou aplicativos, internet banking, correspondentes e canais telefônicos.

Isso significa que serviços cotidianos podem continuar funcionando.

Pagamentos, consultas, transferências e algumas operações podem ser realizados sem atendimento presencial.

O problema é que uma transação digital simples é diferente de uma operação imobiliária complexa.

Um financiamento de imóvel envolve documentação, análise, avaliação, contrato e integração entre diferentes agentes.

Por isso, a digitalização reduz o impacto, mas não necessariamente elimina os efeitos de uma paralisação.

O que corretores e imobiliárias devem fazer?

Para os profissionais do mercado imobiliário, o momento exige acompanhamento próximo das operações em andamento.

O primeiro passo é identificar quais negócios dependem da Caixa ou do Banco do Brasil.

Depois, verificar em qual etapa cada financiamento está.

Uma operação já aprovada não representa necessariamente o mesmo risco de uma operação que ainda aguarda análise cadastral.

Da mesma forma, uma operação que depende apenas de uma etapa documental pode ter impacto diferente daquela que ainda precisa passar por avaliação ou aprovação.

O corretor também precisa evitar prometer prazos que dependam exclusivamente do banco.

Em um ambiente de greve, a comunicação transparente com comprador e vendedor se torna ainda mais importante.

O que os bancos dizem?

A Caixa afirma que mantém o diálogo com as entidades representativas dos empregados e que está comprometida com a renovação do acordo coletivo. O banco também declarou que busca um entendimento que contemple os interesses dos trabalhadores, a sustentabilidade da instituição e a continuidade dos serviços à sociedade.

O Banco do Brasil informou que participa da mesa nacional de negociação da categoria coordenada pela Fenaban e mantém uma mesa específica com os representantes de seus funcionários. O banco sustenta que realizou diversas rodadas de negociação e que a proposta apresentada resultou desse processo.

Portanto, existe negociação em andamento, e o cenário pode mudar rapidamente.

O que o mercado deve acompanhar nos próximos dias?

A principal variável será a duração da greve.

Na Caixa, uma nova proposta foi apresentada nesta quinta-feira e será submetida aos trabalhadores.

No BB, as bases que rejeitaram a proposta devem continuar avaliando os próximos passos, enquanto as bases que aprovaram o acordo seguem com o ACT aprovado.

Para o mercado imobiliário, os indicadores mais importantes serão:

  • tempo médio de aprovação dos financiamentos;
  • quantidade de operações represadas;
  • funcionamento das áreas de habitação;
  • ritmo das contratações do MCMV;
  • repasses às construtoras;
  • andamento dos financiamentos do BB;
  • operações de crédito rural;
  • evolução das negociações entre bancos e sindicatos.

Esses dados serão muito mais importantes do que simplesmente contabilizar quantas agências estão fechadas.

Conclusão

A greve da Caixa e a paralisação parcial do Banco do Brasil são fatos reais e começaram nesta quinta-feira, 10 de setembro de 2026.

Na Caixa, o movimento é nacional e por tempo indeterminado. No Banco do Brasil, a paralisação ocorre de maneira parcial, com diferentes decisões entre as bases sindicais.

O principal ponto de conflito está relacionado ao custeio dos planos de saúde — Saúde Caixa e Cassi —, mas as reivindicações também envolvem carreira, remuneração, benefícios, condições de trabalho, contratação de funcionários, saúde e organização das atividades.

Para o mercado imobiliário, a preocupação é legítima.

A Caixa possui uma carteira habitacional de R$ 1,005 trilhão e contratou R$ 137,6 bilhões em crédito imobiliário somente no primeiro semestre de 2026.

Ao mesmo tempo, o Minha Casa, Minha Vida representou 58% dos lançamentos residenciais no segundo trimestre e 51% das vendas consideradas pela pesquisa da CBIC, demonstrando a importância do programa para o mercado nacional.

O Banco do Brasil, por sua vez, também possui atuação relevante no financiamento imobiliário e uma presença muito expressiva no agronegócio, com mais de R$ 420 bilhões em crédito destinado ao setor no segundo trimestre.

Por enquanto, não há fundamento para afirmar que a greve tenha paralisado o financiamento imobiliário ou o Minha Casa, Minha Vida.

O risco mais concreto é de atrasos em processos que dependam de atendimento ou processamento das áreas atingidas pela paralisação.

Se a negociação avançar rapidamente, os efeitos sobre o mercado tendem a ser limitados.

Se a greve se prolongar, entretanto, o setor imobiliário terá de acompanhar com atenção o impacto sobre aprovação de crédito, contratação, repasses, vendas financiadas e operações do Minha Casa, Minha Vida.

No caso do Banco do Brasil, a mesma atenção deverá ser dada ao crédito imobiliário e às operações ligadas ao agronegócio.

Em um mercado imobiliário que continua crescendo mesmo diante dos juros elevados, a velocidade do crédito é parte fundamental da velocidade das vendas.

E é exatamente por isso que a greve dos dois grandes bancos públicos merece ser acompanhada de perto pelo mercado.

Análise Editorial Broker News BR

A greve dos empregados da Caixa e a paralisação parcial do Banco do Brasil chegam em um momento particularmente sensível para o mercado imobiliário brasileiro.

A apuração da Broker News BR mostra que não existe, neste momento, evidência de interrupção generalizada do crédito imobiliário. Os bancos continuam oferecendo canais digitais e remotos, e as negociações trabalhistas permanecem abertas.

Entretanto, a importância da Caixa para o financiamento habitacional faz com que uma paralisação prolongada possa produzir efeitos operacionais relevantes.

A carteira habitacional de R$ 1,005 trilhão e as contratações imobiliárias de R$ 137,6 bilhões no primeiro semestre mostram a dimensão da instituição dentro do sistema de habitação.

A situação merece atenção especial no Minha Casa, Minha Vida, responsável por mais da metade das vendas e dos lançamentos residenciais no segundo trimestre de 2026 segundo a CBIC.

No Banco do Brasil, o impacto potencial é mais diversificado, alcançando tanto o mercado imobiliário quanto o crédito rural e o agronegócio.

Nossa avaliação é de alerta, não de alarme. O que determinará a dimensão econômica da greve será principalmente sua duração, sua abrangência e a capacidade dos bancos de preservar o processamento das operações por canais alternativos.

Produção Editorial Broker News BR

Esta matéria é um conteúdo original produzido pela equipe editorial da Broker News BR, elaborado com base em pesquisa, apuração e consulta a fontes oficiais e confiáveis do mercado imobiliário para informar corretores de imóveis, imobiliárias, construtoras, incorporadoras e investidores.

Fontes

  • Caixa Econômica Federal
  • Banco do Brasil
  • Câmara Brasileira da Indústria da Construção — CBIC
  • Banco Central do Brasil
  • Ministério das Cidades
  • Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região
  • Contraf-CUT
  • Folha de S.Paulo
  • UOL

Consulte as fontes oficiais

Caixa Econômica Federal — Negociação Coletiva

Caixa Econômica Federal — Resultados e informações financeiras

Banco do Brasil — Relações com Investidores

Banco do Brasil — Financiamento Imobiliário

CBIC — Câmara Brasileira da Indústria da Construção

Banco Central do Brasil — Mercado Imobiliário

Ministério das Cidades — Minha Casa, Minha Vida

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Por Camille Assis

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