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Mercado Imobiliário de Sergipe em Números

Mercado imobiliário de Sergipe em 2026

Mercado Imobiliário de Sergipe Ganha Novo Ritmo

Construção civil, habitação popular, crédito e valorização dos aluguéis formam um cenário de transformação no mercado sergipano, com Aracaju concentrando parte importante dos movimentos mais visíveis

O mercado imobiliário de Sergipe atravessa um período que merece atenção.

Não se trata apenas de uma percepção de empresários, corretores ou construtoras. Diferentes indicadores apontam para uma combinação de fatores que vem modificando o ambiente imobiliário sergipano: aumento da atividade da construção civil, expansão do emprego no setor, novos investimentos em habitação, programas públicos voltados à entrada da casa própria e uma pressão significativa sobre os preços dos aluguéis em Aracaju.

Ao mesmo tempo, o mercado não pode ser analisado apenas pela ótica dos lançamentos residenciais.

Sergipe possui uma realidade particular. É um dos menores estados brasileiros em território e população, com 2,299 milhões de habitantes na estimativa do IBGE para 2025. Aracaju, por sua vez, tinha população estimada em 630.932 habitantes, concentrando uma parcela relevante da população e da atividade econômica estadual.

Essa concentração ajuda a explicar por que boa parte dos indicadores imobiliários disponíveis para o estado passa pela capital e por municípios de sua área de influência.

Mas há algo maior acontecendo.

A construção civil sergipana encerrou 2025 com 3.991 postos de trabalho formais de saldo, segundo levantamento da Agência Sergipe de Desenvolvimento com base no Novo Caged. O resultado foi 75,4% superior ao saldo de 2024, de 2.276 postos.

E, em 2026, o movimento continuou.

Construção civil entra em 2026 com uma base mais forte

O mercado imobiliário não começa na venda do apartamento.

Antes da entrega das chaves existe terreno, projeto, aprovação, financiamento à produção, contratação de trabalhadores, compra de materiais, infraestrutura, comercialização e uma extensa cadeia de fornecedores.

Por isso, o comportamento da construção civil é um dos sinais importantes para acompanhar o mercado imobiliário.

Em Sergipe, os dados da Desenvolve-SE mostram uma evolução expressiva do emprego formal na construção.

O estoque de trabalhadores formais da construção civil passou de 19.221 em 2020 para 32.240 em 2025, crescimento de aproximadamente 67,7%. O segmento de construção de edifícios foi o principal responsável pelo avanço, concentrando mais de 90% do saldo de vagas geradas em 2025.

A série de saldo anual também mostra a mudança de intensidade:

AnoSaldo de empregos na construção civil
2020-968
2021+3.067
2022+1.816
2023+1.869
2024+2.276
2025+3.991

Fonte: MTE/Novo Caged, elaboração Desenvolve-SE.

O resultado de 2025 chama atenção não apenas pelo número absoluto, mas pela composição.

A construção de edifícios respondeu por 3.757 postos do saldo de 3.991 vagas, enquanto obras de infraestrutura contribuíram com 352. Já os serviços especializados para a construção tiveram saldo negativo de 118 postos no ano.

Isso ajuda a dar uma dimensão mais concreta ao movimento.

O crescimento não está sendo observado somente em obras públicas ou infraestrutura. A construção de edifícios aparece como o principal componente da geração de empregos formais do setor.

Aracaju concentra uma parcela importante desse movimento

Em janeiro de 2026, a construção civil de Aracaju registrou saldo positivo de 351 empregos formais, segundo dados do Novo Caged compilados pelo Observatório Econômico da Prefeitura.

No mesmo mês, Sergipe criou 457 vagas formais na construção civil. Assim, a capital respondeu por aproximadamente 77% do saldo estadual naquele mês.

O resultado foi particularmente relevante porque janeiro marcou uma forte recuperação depois do movimento sazonal negativo observado em dezembro de 2025.

Foram 2.105 admissões no setor em Aracaju durante janeiro, de acordo com o levantamento municipal.

É um indicador que precisa ser interpretado com cuidado.

Um único mês não define uma tendência anual. Mas, quando colocado ao lado da expansão do emprego na construção civil observada em Sergipe ao longo de 2025, ele reforça a percepção de que o setor iniciou 2026 sobre uma base mais aquecida.

O custo para construir também mudou

Existe outro lado dessa equação: construir custa dinheiro.

Em julho de 2026, o custo médio da construção em Sergipe chegou a R$ 1.757,83 por metro quadrado, segundo dados do SINAPI, produzido pelo IBGE em parceria com a Caixa Econômica Federal e analisados pelo Observatório da Indústria do Sistema FIES.

O valor representou alta de 0,8% em relação a junho, de 8,4% em 12 meses e de 5,0% no acumulado de 2026 até julho.

A composição do custo também merece atenção.

Dos R$ 1.757,83 por metro quadrado registrados em julho, R$ 1.031,11 correspondiam aos materiais, enquanto R$ 726,72 correspondiam à mão de obra.

Isso representa aproximadamente 58,7% para materiais e 41,3% para mão de obra.

A mão de obra, aliás, apresentou uma pressão maior na comparação anual.

O custo da mão de obra aumentou 12,4% em 12 meses, enquanto o custo dos materiais avançou 5,8%.

Para quem acompanha o mercado imobiliário, esse detalhe é importante.

A valorização dos imóveis não pode ser analisada isoladamente. Incorporadoras e construtoras precisam administrar custos de terreno, materiais, mão de obra, projetos, tributos, financiamento e comercialização.

Quando esses componentes sobem, o preço final do empreendimento também passa a sofrer pressão.

Sergipe possui uma vantagem competitiva no custo da construção

Apesar da alta acumulada, Sergipe apresenta uma característica relevante.

Em julho de 2026, o estado registrou o menor custo médio de construção por metro quadrado entre os estados comparados no levantamento regional, com R$ 1.757,83/m². Pernambuco aparecia em seguida, com R$ 1.784,98/m², e Espírito Santo, com R$ 1.793,09/m².

A análise da Desenvolve-SE já havia identificado essa característica no início de 2026.

Em janeiro, o custo médio da construção em Sergipe era de R$ 1.707,30/m², 11,1% abaixo da média nacional de R$ 1.920,74/m² e 4,6% abaixo da média nordestina de R$ 1.789,39/m².

Isso não significa que qualquer empreendimento em Sergipe seja automaticamente mais barato ou mais rentável.

Custos de terreno, localização, padrão construtivo, infraestrutura e características do projeto podem alterar completamente a conta.

Mas indica uma condição estrutural que pode ser importante para empresas que avaliam novos projetos.

O mercado residencial de Aracaju mostra valorização

Quando saímos da construção e observamos os preços dos imóveis prontos, aparece outro sinal importante.

O Índice FipeZAP de venda residencial registrou, em maio de 2026, preço médio anunciado de R$ 5.633 por metro quadrado em Aracaju.

Naquele mês, os preços subiram 1,88%, acumulavam alta de 4,57% no ano e de 6,84% em 12 meses. A amostra utilizada pelo índice tinha 7.300 anúncios.

É importante esclarecer o que esse número representa.

O FipeZAP acompanha preços anunciados de imóveis residenciais. Portanto, ele não deve ser interpretado como o preço efetivamente fechado em todas as transações realizadas na cidade.

Ainda assim, é uma referência relevante para acompanhar a evolução dos valores pedidos pelo mercado.

E Aracaju apresentava diferenças bastante significativas entre suas áreas.

Em maio, o levantamento indicava:

LocalidadePreço médio anunciado/m²Alta em 12 meses
JardinsR$ 8.759+7,9%
Coroa do MeioR$ 7.702+21,6%
FarolândiaR$ 6.210+10,6%
LuziaR$ 6.173+12,4%
GrageruR$ 4.866+4,2%
Treze de JulhoR$ 4.709+14,0%
JabotianaR$ 4.658+23,5%
Ponto NovoR$ 4.405-6,3%
Salgado FilhoR$ 3.944-11,2%
São JoséR$ 3.028-15,6%

Fonte: FipeZAP/IBGE.

O quadro mostra por que falar simplesmente em “preço do imóvel em Aracaju” pode esconder diferenças relevantes.

Há regiões com valores superiores a R$ 8 mil por metro quadrado e outras próximas de R$ 3 mil.

Também existem bairros em que os preços subiram fortemente e outros que registraram retração na comparação anual.

O mercado, portanto, não se movimenta de maneira uniforme.

O aluguel talvez seja um dos sinais mais fortes de 2026

Se o mercado de venda apresenta valorização, o comportamento da locação chama ainda mais atenção.

Em julho de 2026, Aracaju registrou alta de 16,12% nos preços anunciados de aluguel no acumulado do ano, segundo o FipeZAP.

Em 12 meses, a alta chegou a 25,78%, a maior entre as capitais monitoradas pelo índice naquele período. O preço médio anunciado ficou em R$ 36,90 por metro quadrado.

O resultado coloca Aracaju em uma posição particularmente interessante.

A cidade apresentou uma das maiores taxas de crescimento dos aluguéis, mas continuou entre as capitais com preços médios absolutos mais baixos.

Isso significa que uma alta percentual expressiva não transforma automaticamente uma cidade em um dos mercados mais caros do Brasil.

O que existe é uma valorização sobre uma base ainda relativamente baixa.

Esse é um ponto fundamental para investidores.

Uma cidade pode apresentar forte crescimento percentual e continuar oferecendo preços absolutos menores que os dos principais mercados imobiliários brasileiros.

O aluguel e a compra contam histórias diferentes

Existe uma questão econômica interessante por trás dos números de Aracaju.

Quando o aluguel sobe muito mais rapidamente do que o preço de venda, pode haver uma alteração na relação entre custo de moradia e valor patrimonial do imóvel.

Mas seria precipitado concluir, somente a partir do FipeZAP, que os imóveis estejam automaticamente mais rentáveis ou que exista uma oportunidade garantida para investidores.

O próprio índice trabalha com preços anunciados.

Além disso, rentabilidade depende de fatores como preço efetivamente pago pelo imóvel, aluguel efetivamente recebido, vacância, condomínio, IPTU, manutenção, impostos e custos de aquisição e venda.

O que os dados permitem afirmar é algo mais simples e mais seguro:

o mercado de locação residencial de Aracaju apresentou forte valorização em 2026.

E essa é uma informação relevante para proprietários, investidores, imobiliárias e famílias que dependem do aluguel.

A força do Minha Casa, Minha Vida em Sergipe

Outro componente fundamental do mercado imobiliário sergipano está na habitação de interesse social.

O Governo Federal estabeleceu para Sergipe uma meta de 2.003 unidades habitacionais dentro do atual ciclo de 100 mil unidades do Minha Casa, Minha Vida – FAR.

Essa é uma meta de contratação do programa, e não deve ser confundida com número de imóveis já entregues ou com o total histórico do Minha Casa, Minha Vida no estado.

Há ainda outra frente.

No âmbito do programa Minha Casa, Minha Vida – FAR, o Governo de Sergipe informou a contratação de 1.308 habitações populares, com investimento de R$ 205 milhões, distribuídas entre Simão Dias, Lagarto, Campo do Brito, Nossa Senhora da Glória e Nossa Senhora do Socorro.

Esse tipo de investimento tem impacto que ultrapassa a própria construção das unidades.

Cada empreendimento movimenta mão de obra, materiais, transportes, serviços, fornecedores, comércio e, posteriormente, a economia das próprias comunidades atendidas.

É por isso que habitação popular também é política econômica.

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Casa Sergipana muda a lógica da entrada

Em dezembro de 2025, Sergipe lançou o Casa Sergipana de Habitação de Interesse Social, programa estadual que reúne diferentes modalidades de política habitacional.

O programa foi estruturado com investimento anunciado de R$ 255 milhões e previsão de alcançar 4.951 unidades habitacionais, considerando suas diferentes frentes.

Entre as modalidades está o Entrada Fácil, que tem uma característica especialmente relevante para o mercado imobiliário: ajudar famílias que possuem capacidade de financiamento, mas encontram dificuldade justamente na formação da entrada.

Em março de 2026, o Governo de Sergipe entregou as primeiras cartas de subvenção da modalidade.

Foram 156 cartas, com benefícios de R$ 15 mil ou R$ 20 mil por família, destinados a auxiliar no pagamento da entrada de imóveis financiados pelo Minha Casa, Minha Vida.

Essa política ataca um dos pontos mais difíceis da compra financiada.

A família pode ter renda suficiente para assumir uma prestação, mas não possuir recursos suficientes para formar a entrada.

O subsídio reduz justamente essa barreira.

A política habitacional também alcança o interior

Uma característica importante do Casa Sergipana é que a política não está limitada à capital.

Entre as modalidades anunciadas estão projetos do Minha Casa, Minha Vida – FAR e do MCMV FNHIS Sub 50.

O Governo de Sergipe informou, no lançamento do programa, previsão de 780 unidades pelo FNHIS Sub 50, distribuídas entre municípios com até 50 mil habitantes.

Em 2026, o Estado também publicou uma concorrência para contratação integrada de projetos e execução de obras habitacionais de interesse social em 15 municípios sergipanos, no âmbito do MCMV FNHIS Sub 50.

O valor total estimado do processo é de R$ 50,288 milhões.

O edital contempla, entre outros municípios, Aquidabã, Arauá, Cumbe, Frei Paulo, General Maynard, Itabi, Japaratuba, Japoatã, Maruim, Moita Bonita, Nossa Senhora das Dores, Nossa Senhora de Lourdes, Siriri e Tomar do Geru.

Aqui aparece uma característica interessante do mercado sergipano.

A expansão habitacional não acontece somente nos bairros valorizados de Aracaju.

Existe também uma política de interiorização da produção habitacional.

Parque da Vitória representa outro capítulo

Em Aracaju, o projeto Parque da Vitória, no bairro Santa Maria, também integra esse movimento.

O projeto foi concebido para atender famílias em situação de vulnerabilidade social, especialmente relacionadas à ocupação conhecida como Cabo do Revólver.

Documentos do Governo de Sergipe apontam projeto de 600 unidades habitacionais, com previsão de beneficiar diretamente aproximadamente 361 famílias, enquanto a comunicação oficial sobre a proposta também tratou de 360/361 famílias conforme a etapa do projeto.

Em março de 2026, o governo informou que trabalhava com previsão de ordem de serviço para o segundo semestre.

Esse é um exemplo de como o mercado imobiliário pode ser observado também pela perspectiva social.

Um imóvel não é apenas um ativo financeiro.

Para uma família que vive há anos pagando aluguel ou em situação habitacional precária, a entrega de uma unidade representa estabilidade, endereço, segurança e possibilidade de construção patrimonial.

Infraestrutura também interfere no valor imobiliário

O mercado imobiliário não se desenvolve isoladamente.

Uma região pode ganhar valor quando recebe novas vias, mobilidade, serviços públicos, comércio, equipamentos urbanos e melhoria da infraestrutura.

Em maio de 2026, durante o Mercado Imobi Sergipe, realizado em Aracaju, o Governo do Estado apresentou projetos estratégicos de mobilidade urbana relacionados a Aracaju e Barra dos Coqueiros, destacando obras como o Complexo Viário Maria do Carmo Alves. O evento reuniu empresários, investidores e lideranças do setor imobiliário.

Esse tipo de investimento é importante porque modifica a relação entre moradia e deslocamento.

Para o comprador, localização não significa apenas o endereço do imóvel.

Significa também quanto tempo será necessário para chegar ao trabalho, quais serviços estarão disponíveis próximos de casa e como a região poderá se desenvolver nos próximos anos.

Para a incorporadora, infraestrutura pode influenciar a escolha de terrenos.

Para o corretor, pode alterar a argumentação de venda.

E para o investidor, pode ser um dos elementos considerados na avaliação do potencial de uma região.

Barra dos Coqueiros entra no radar

A Barra dos Coqueiros também aparece no ambiente de transformação da região metropolitana de Aracaju.

A cidade está diretamente relacionada à expansão urbana da capital e foi mencionada pelo Governo de Sergipe em discussões sobre infraestrutura e mobilidade durante o Mercado Imobi Sergipe.

Entretanto, é preciso separar percepção de mercado de estatística.

Não há, na base pública pesquisada para esta matéria, uma série estadual atualizada e homogênea que permita afirmar, com o mesmo grau de precisão disponível para Aracaju, qual foi a variação das vendas, lançamentos e estoque imobiliário da Barra dos Coqueiros em 2026.

Por isso, o município aparece aqui como área relevante no processo de transformação urbana, e não como líder estatístico de algum ranking que não esteja suficientemente documentado.

O que o cenário representa para o corretor de imóveis?

Para o corretor, o mercado sergipano de 2026 apresenta uma característica particularmente interessante.

Existem diferentes mercados convivendo dentro do mesmo estado.

Há a habitação popular, impulsionada por programas como Minha Casa, Minha Vida e Casa Sergipana.

Há o mercado residencial tradicional.

Há regiões de maior valor em Aracaju.

Há bairros em transformação.

Há a expansão metropolitana.

E existe um mercado de locação que apresentou uma valorização expressiva.

Isso significa que o corretor que conhece somente um desses segmentos pode estar enxergando apenas uma parte da realidade.

O profissional que atua com imóveis econômicos precisa conhecer as regras de financiamento e os programas habitacionais.

Quem trabalha com imóveis de médio e alto padrão precisa compreender localização, infraestrutura, comportamento da demanda e diferenciação do produto.

Quem trabalha com locação precisa acompanhar os preços praticados e a disponibilidade de imóveis.

E quem trabalha com investidores precisa entender que valorização de aluguel, preço de venda e rentabilidade não são exatamente a mesma coisa.

O desafio do financiamento continua presente

O crescimento da habitação financiada também depende da capacidade das famílias de acessar crédito.

O Minha Casa, Minha Vida foi atualizado em 2026 e passou a atender famílias urbanas com renda mensal de até R$ 13 mil, distribuídas nas faixas previstas pelo programa.

A Faixa 1 passou a considerar renda de até R$ 3.200; a Faixa 2, de R$ 3.200,01 a R$ 5 mil; a Faixa 3, de R$ 5.000,01 a R$ 9.600; e a Faixa 4, de até R$ 13 mil.

Além disso, o MCMV Classe Média permite financiar imóveis de até R$ 600 mil, com prazo máximo de 420 meses, segundo as regras atuais do programa.

Para Sergipe, essas alterações ampliam o universo potencial de famílias que podem participar do mercado financiado.

Mas, novamente, potencial não significa contratação automática.

O financiamento depende de análise de crédito, capacidade de pagamento, condições do imóvel, entrada e regras da instituição financeira.

Um mercado pequeno, mas com sinais importantes

É justamente aqui que a análise de Sergipe precisa fugir dos modelos tradicionais de comparação.

O estado não possui a escala de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro ou Bahia.

Isso não significa que seu mercado imobiliário seja irrelevante.

Pelo contrário.

Mercados menores podem apresentar movimentos percentuais expressivos justamente porque partem de bases menores e possuem características próprias.

Em Sergipe, os indicadores disponíveis mostram:

Construção civil: forte expansão do emprego formal em 2025 e continuidade do dinamismo no início de 2026.

Custos: Sergipe mantém custo de construção competitivo em relação às médias nacional e regional, apesar da alta observada em 2026.

Venda residencial: Aracaju apresentava alta de 6,84% em 12 meses no FipeZAP de maio de 2026.

Locação: Aracaju acumulava 16,12% de alta nos primeiros sete meses de 2026 e 25,78% em 12 meses em julho.

Habitação: programas estaduais e federais colocaram milhares de unidades e subsídios no planejamento habitacional sergipano.

Interiorização: o programa habitacional estadual e o MCMV FNHIS Sub 50 avançam para municípios menores.

O conjunto desses indicadores permite falar em um novo ritmo do mercado imobiliário sergipano, mas não autoriza transformar Sergipe em um “boom imobiliário” generalizado sem ressalvas.

A realidade é mais interessante do que isso.

O mercado está se transformando em várias frentes

O que emerge dos dados é um mercado que está sendo movimentado por diferentes forças.

A construção civil gera empregos.

Os investimentos públicos ampliam infraestrutura.

Os programas habitacionais reduzem barreiras de acesso à moradia.

O crédito imobiliário cria capacidade de compra.

A valorização dos aluguéis aumenta a importância do mercado de locação.

E determinadas regiões de Aracaju apresentam preços e taxas de valorização significativamente superiores a outras.

Essa combinação pode produzir novas oportunidades.

Mas também exige mais profissionalismo.

Para as construtoras, significa escolher terrenos e produtos com maior precisão.

Para as imobiliárias, significa segmentar melhor a atuação.

Para os corretores, significa conhecer financiamento, documentação, localização e comportamento do comprador.

Para os investidores, significa analisar números além da simples valorização do imóvel.

E para o poder público, significa compreender que habitação e desenvolvimento urbano precisam caminhar juntos.

Um mercado que começa a chamar mais atenção

Talvez a principal característica de Sergipe em 2026 seja justamente essa.

O estado não está simplesmente repetindo o comportamento dos grandes mercados brasileiros.

Está construindo sua própria dinâmica.

Aracaju apresenta valorização residencial e forte pressão no mercado de locação.

A construção civil mantém geração relevante de empregos.

O custo construtivo permanece competitivo em comparação regional.

O Governo Federal amplia a atuação do Minha Casa, Minha Vida.

O Governo de Sergipe estruturou uma política habitacional própria.

E municípios do interior começam a receber novos projetos de habitação de interesse social.

É uma combinação que merece ser acompanhada de perto.

Porque o mercado imobiliário não muda apenas quando surgem grandes lançamentos.

Ele também muda quando uma família consegue pagar a entrada do primeiro imóvel, quando uma construtora encontra viabilidade para um novo empreendimento, quando uma região recebe infraestrutura ou quando um proprietário percebe que seu imóvel passou a ter uma demanda maior para locação.

É na soma desses movimentos que um mercado se transforma.

Conclusão

Os dados disponíveis para 2026 mostram que o mercado imobiliário de Sergipe atravessa uma fase de maior atividade, embora essa transformação aconteça de maneiras diferentes conforme o segmento e a localidade.

A construção civil encerrou 2025 com 3.991 empregos formais de saldo, enquanto o estoque de trabalhadores do setor chegou a 32.240 pessoas. Em Aracaju, janeiro de 2026 começou com 351 novas vagas formais na construção.

No mercado residencial, Aracaju apresentou preço médio anunciado de R$ 5.633 por metro quadrado em maio, com alta de 6,84% em 12 meses.

Na locação, o movimento foi ainda mais expressivo: alta acumulada de 16,12% entre janeiro e julho e de 25,78% em 12 meses até julho de 2026.

Ao mesmo tempo, programas habitacionais como o Minha Casa, Minha Vida e o Casa Sergipana ampliam a oferta e procuram enfrentar uma das principais barreiras da compra da casa própria: a capacidade de formar a entrada.

O cenário, portanto, não pode ser resumido a uma única palavra como “alta” ou “boom”.

É mais adequado falar em transformação.

Sergipe está combinando construção, crédito, habitação, infraestrutura e mudanças nos preços de moradia. Aracaju aparece como principal vitrine desses movimentos, enquanto programas habitacionais levam novos projetos também para municípios do interior.

Para quem trabalha no mercado imobiliário, acompanhar essa transformação deixou de ser apenas uma questão de observar lançamentos.

É preciso entender onde o dinheiro está entrando, onde as famílias conseguem comprar, onde os aluguéis estão subindo, onde a construção está avançando e quais regiões estão recebendo infraestrutura.

É nessa leitura mais ampla que surgem as oportunidades — e também os riscos — do novo momento imobiliário de Sergipe.

Análise Editorial Broker News BR

O mercado imobiliário sergipano apresenta bons sinais, mas a leitura precisa ser feita com responsabilidade.

Os dados mais consistentes encontrados para 2026 estão concentrados em Aracaju, na construção civil estadual e nos programas habitacionais. Não há uma base pública única que permita apresentar, com a mesma metodologia, vendas, lançamentos, estoque e VGV de todos os municípios sergipanos no primeiro semestre de 2026.

Por isso, esta análise não transforma indicadores da capital em estatísticas de todo o estado.

O que os dados permitem afirmar é que Sergipe apresenta uma combinação relevante de expansão do emprego na construção civil, custos construtivos competitivos, valorização dos imóveis residenciais monitorados em Aracaju, forte crescimento dos aluguéis e ampliação das políticas de habitação.

Também merece destaque a diferença entre preço anunciado e preço efetivamente negociado. O FipeZAP é uma importante referência para acompanhar a evolução dos preços pedidos, mas não representa todas as transações efetivamente realizadas.

Essa distinção é fundamental para que a análise imobiliária permaneça tecnicamente responsável.

Produção Editorial Broker News BR

Produção Editorial Broker News BR. Esta matéria é um conteúdo original produzido pela equipe editorial da Broker News BR, elaborado com base em pesquisa, apuração e consulta a fontes oficiais e confiáveis do mercado imobiliário para informar corretores de imóveis, imobiliárias, construtoras, incorporadoras e investidores.

Fontes

  • IBGE
  • Ministério das Cidades
  • Governo do Estado de Sergipe
  • Prefeitura de Aracaju
  • Agência Sergipe de Desenvolvimento — Desenvolve-SE
  • Observatório da Indústria do Sistema FIES
  • FipeZAP
  • ADEMI-SE
  • Caixa Econômica Federal
  • Ministério do Trabalho e Emprego / Novo Caged

Consulte as fontes oficiais

IBGE — Estimativas da população 2025

IBGE — Estimativas das capitais 2025

Ministério das Cidades — Minha Casa, Minha Vida

Ministério das Cidades — Meta do MCMV-FAR

Governo de Sergipe — Casa Sergipana

Governo de Sergipe — Entrada Fácil

Prefeitura de Aracaju — Construção civil em 2026

Desenvolve-SE — Construção civil em Sergipe

Observatório da Indústria — Custo da construção em julho de 2026

FipeZAP — Índice de venda residencial

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Por Camille Assis

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