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Mercado Imobiliário do Pará em Números

Mercado Imobiliário do Pará em Números

Valorização dos imóveis, força da construção civil, expansão habitacional e um mercado concentrado em Belém formam o retrato do setor imobiliário paraense em 2026

O mercado imobiliário do Pará chega a 2026 com números que mostram uma combinação de valorização, atividade construtiva e forte demanda habitacional.

Mas os números precisam ser lidos com cuidado.

O Pará é um estado de dimensões continentais, com 1.245.831,5 km² e população estimada em 8.711.196 habitantes em 2025, segundo o IBGE. No Censo 2022, eram 8.120.131 habitantes.

Já os dados mais detalhados sobre compra e venda de imóveis estão concentrados principalmente em Belém e na Região Metropolitana, onde existe acompanhamento sistemático realizado pelo Sinduscon-PA e onde o FipeZAP possui série de preços.

Essa diferença de escala é fundamental.

Não é possível pegar o preço médio de Belém, por exemplo, e apresentá-lo como se representasse os 144 municípios paraenses.

Por isso, esta edição do Mercado Imobiliário em Números reúne os indicadores disponíveis e identifica claramente a abrangência de cada dado.

Pará em números

Antes de entrar especificamente no mercado imobiliário, alguns indicadores ajudam a dimensionar o tamanho do estado.

IndicadorPará
População estimada — 20258.711.196 habitantes
População no Censo — 20228.120.131 habitantes
Área territorial — 20251.245.831,5 km²
Densidade demográfica — Censo 20226,52 hab./km²
Rendimento domiciliar per capita — 2025R$ 1.420
Municípios144

Fontes: IBGE e PNAD Contínua.

O tamanho territorial ajuda a explicar uma das dificuldades para analisar o mercado imobiliário paraense.

O estado possui realidades urbanas muito diferentes. Belém apresenta uma estrutura metropolitana consolidada, enquanto outros municípios têm dinâmicas relacionadas a mineração, agronegócio, logística, comércio regional, turismo ou atividades econômicas específicas.

Por isso, não existe um único mercado imobiliário paraense.

Existem vários mercados dentro do mesmo estado.

A renda é uma variável importante para entender a demanda

Em 2025, o rendimento nominal mensal domiciliar per capita do Pará foi de R$ 1.420, segundo a PNAD Contínua do IBGE.

A média brasileira foi de R$ 2.316.

A diferença ajuda a contextualizar o perfil da demanda habitacional.

O mercado imobiliário não depende somente da existência de imóveis disponíveis. Depende também da capacidade financeira das famílias para comprar, financiar ou alugar.

Por isso, crédito, programas habitacionais, preço do imóvel e renda precisam ser analisados conjuntamente.

Para o mercado paraense, essa característica torna especialmente importante a presença de produtos voltados às faixas de renda que dependem de financiamento e de políticas habitacionais.

Belém registra preço médio de R$ 8.882 por metro quadrado

O FipeZAP registrou em abril de 2026 preço médio anunciado de R$ 8.882 por metro quadrado em Belém.

Naquele mês, o indicador apresentou queda de 0,42% em relação a março, mas acumulava alta de 4,46% em 2026 e de 11,36% em 12 meses.

A amostra utilizada pela Fipe continha 5.074 anúncios.

O número é importante, mas existe uma ressalva metodológica que precisa acompanhar qualquer publicação sobre o indicador.

O FipeZAP mede preços anunciados, e não necessariamente os valores efetivamente pagos nas transações.

A Fipe explica que o índice utiliza informações de anúncios de imóveis para venda e locação publicados nos portais do Grupo OLX. No residencial, o índice acompanha apartamentos prontos em cidades selecionadas.

Portanto, os R$ 8.882/m² representam uma referência para o comportamento dos preços anunciados em Belém.

Não significam que todos os imóveis da cidade custem esse valor.

A valorização de Belém aparece também no acumulado do ano

O desempenho de Belém chama atenção quando colocado dentro do próprio universo de cidades monitoradas pelo FipeZAP.

No primeiro trimestre de 2026, a capital paraense acumulava 4,90% de valorização no preço residencial.

Em 12 meses até março, a alta era de 13,43%.

Em abril, o acumulado do ano ficou em 4,46% e o acumulado de 12 meses em 11,36%.

A pequena diferença entre os meses mostra justamente por que é importante utilizar o período de referência correto quando se publica um indicador.

Uma fotografia de março não deve ser apresentada como se fosse de abril, assim como uma informação de 2025 não deve ser tratada como dado de 2026.

Onde o metro quadrado é mais valorizado em Belém?

Os dados do FipeZAP de abril de 2026 permitem observar diferenças expressivas entre áreas monitoradas da capital.

Área monitoradaPreço médio anunciado/m²Variação em 12 meses
JurunasR$ 11.237+2,2%
UmarizalR$ 10.991+5,2%
MarcoR$ 9.281+32,5%
NazaréR$ 9.280+7,6%
CremaçãoR$ 9.249+16,0%
RedutoR$ 9.229+27,4%
São BrásR$ 9.139+15,7%
Batista CamposR$ 9.077+10,7%
PedreiraR$ 8.674+15,1%
CampinaR$ 5.169+0,4%

Fonte: FipeZAP, abril de 2026.

A tabela mostra algo que o profissional do mercado imobiliário conhece na prática, mas que os números ajudam a dimensionar: a localização produz diferenças enormes dentro de uma mesma cidade.

O Marco, por exemplo, apresentava valorização de 32,5% em 12 meses na amostra do índice.

O Reduto registrava 27,4%.

Já a Campina apresentava alta de apenas 0,4%.

Isso significa que falar simplesmente em “valorização dos imóveis em Belém” esconde uma realidade muito mais complexa.

Há regiões em forte valorização e outras com comportamento bem mais moderado.

Belém movimentou cerca de R$ 2,3 bilhões em VGV lançado

O indicador mais expressivo relacionado à produção imobiliária aparece no 31º Censo Imobiliário da Região Metropolitana de Belém, divulgado pelo Sinduscon-PA em fevereiro de 2026.

Segundo o levantamento, o VGV lançado em Belém chegou a aproximadamente R$ 2,3 bilhões nos 12 meses encerrados em dezembro de 2025.

O crescimento foi de 81,9% em relação ao período equivalente anterior.

VGV significa Valor Geral de Vendas.

É uma estimativa do valor total de venda das unidades de um empreendimento ou conjunto de empreendimentos, considerando os preços previstos para comercialização.

Não significa que R$ 2,3 bilhões tenham sido efetivamente recebidos pelas incorporadoras.

Essa distinção é importante.

O indicador representa o valor potencial de venda dos produtos lançados.

O número de lançamentos foi mais seletivo

O crescimento do VGV ocorreu em um cenário que não foi marcado simplesmente por uma explosão na quantidade de lançamentos.

Durante 2025, o Censo registrou 16 empreendimentos verticais lançados em Belém e 3 em Ananindeua no acumulado de 12 meses até o quarto trimestre.

A leitura do Sinduscon-PA é de um mercado mais seletivo.

As empresas teriam priorizado produtos considerados mais adequados ao perfil do comprador, com maior atenção à localização, tipologia e posicionamento.

Isso ajuda a explicar uma característica interessante dos números.

O mercado pode movimentar mais dinheiro sem necessariamente lançar uma quantidade proporcionalmente maior de empreendimentos.

Se os novos produtos possuem maior valor agregado, o VGV pode crescer de maneira muito mais acelerada que o número de lançamentos.

VGV vendido também cresceu

Do lado da demanda, o cenário também apresentou avanço.

O Censo Imobiliário do Sinduscon-PA apontou crescimento de 14,2% no VGV vendido da Região Metropolitana de Belém no acumulado de 12 meses até o quarto trimestre de 2025, na comparação com o período anterior.

Esse dado é particularmente importante porque mostra que o aumento do VGV lançado não ocorreu isoladamente.

Houve também crescimento do volume financeiro comercializado.

O mercado, portanto, apresentou uma combinação de novos produtos, valorização e capacidade de absorção.

Ainda assim, não se trata de uma situação em que todos os segmentos apresentam exatamente o mesmo comportamento.

Oferta final chega a 2.674 unidades

No quarto trimestre de 2025, a oferta final de imóveis residenciais verticais na Região Metropolitana de Belém somava 2.674 unidades.

Desse total:

  • 2.039 unidades estavam em Belém;
  • 635 unidades estavam em Ananindeua.

Os dados são do 31º Censo Imobiliário da Região Metropolitana.

Outro aspecto chama atenção.

Em Belém, mais de 80% da oferta correspondia a empreendimentos lançados a partir de 2023.

Os lançamentos de 2025 respondiam por 43,9% da oferta disponível na capital.

Isso sugere um estoque relativamente recente.

Não significa ausência de imóveis antigos no mercado, mas mostra que uma parcela significativa da oferta vertical monitorada está concentrada em empreendimentos relativamente novos.

Dois dormitórios dominam a oferta

A tipologia também conta uma história importante.

Em Belém, os imóveis de dois dormitórios representavam 43,8% da oferta.

Em Ananindeua, essa participação chegava a 73,1%.

O predomínio dos imóveis de dois dormitórios ajuda a identificar um dos principais públicos do mercado residencial vertical da Região Metropolitana.

São produtos que podem atender tanto famílias menores quanto compradores do primeiro imóvel e investidores interessados em unidades com maior potencial de liquidez para locação, embora a rentabilidade de cada imóvel dependa de preço de aquisição, aluguel efetivamente recebido, vacância e demais custos.

O dado, portanto, não permite afirmar que todo imóvel de dois dormitórios seja melhor investimento.

Ele permite afirmar que essa tipologia possui forte presença na oferta monitorada.

Ananindeua faz parte da dinâmica metropolitana

Ananindeua merece atenção especial na leitura do mercado.

O município não deve ser tratado apenas como um mercado independente da capital.

Existe uma relação metropolitana evidente entre moradia, trabalho, transporte, serviços e preço.

O Censo mostra que Ananindeua registrou três empreendimentos verticais lançados em 2025 no período de 12 meses analisado e apresentou crescimento de 152,1% no VGV lançado na comparação anual.

Mas há uma ressalva importante.

O crescimento percentual de 152,1% parte de uma base menor e não deve ser comparado diretamente com o crescimento de 81,9% de Belém como se os mercados tivessem a mesma escala.

Percentuais altos podem aparecer com maior facilidade quando o volume inicial é menor.

Para o profissional do mercado, essa é uma diferença fundamental entre crescimento percentual e tamanho absoluto do mercado.

O mercado de locação coloca Belém entre as capitais mais caras

Se o mercado de venda chama atenção, o mercado de locação apresenta um número ainda mais expressivo.

Em julho de 2026, o preço médio anunciado do aluguel residencial em Belém chegou a R$ 62,65 por metro quadrado.

O valor colocou a capital paraense entre os maiores preços médios de locação residencial do país e em posição de destaque entre as capitais.

O resultado chama atenção porque Belém não está entre as cidades brasileiras com os maiores preços de venda residencial.

A combinação de preço de venda e preço de aluguel cria uma dinâmica interessante para o mercado.

Mas não se deve concluir automaticamente que aluguel elevado significa maior rentabilidade.

A rentabilidade depende do preço efetivamente pago pelo imóvel e de todos os custos associados à propriedade.

O aluguel precisa ser analisado junto com o preço do imóvel

A Fipe explica que o rental yield é obtido pela relação entre os preços médios de locação e venda e serve como referência para comparar o retorno potencial do imóvel com outras alternativas de investimento.

Essa informação é especialmente importante em Belém.

Um imóvel pode ter aluguel elevado por metro quadrado, mas também apresentar preço de venda elevado.

Outro imóvel pode ter aluguel menor, mas custar proporcionalmente menos.

Por isso, o investidor profissional não deve olhar somente para o valor do aluguel.

Precisa considerar a relação entre:

preço de aquisição + aluguel + vacância + condomínio + IPTU + manutenção + impostos + custos de compra e venda.

É essa conta que transforma um preço de aluguel em uma análise de investimento.

Construção civil gera empregos no Pará

O mercado imobiliário também pode ser observado através do emprego.

Em fevereiro de 2026, o Pará registrou 4.701 novos empregos formais, segundo levantamento baseado nos dados do Novo Caged.

A construção civil respondeu por 510 vagas naquele mês.

No primeiro bimestre, o estado acumulou saldo positivo de 4.766 empregos formais considerando todos os setores.

A construção civil ficou atrás de serviços e comércio no resultado mensal, mas aparece como uma das atividades importantes para a geração de trabalho.

Isso tem relação direta com o mercado imobiliário.

Uma obra residencial movimenta não apenas a construtora.

Envolve trabalhadores, fornecedores, lojas de materiais, transportadores, prestadores de serviços, profissionais técnicos e diversas atividades que participam da cadeia produtiva.

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O custo da construção também precisa entrar na conta

O crescimento do mercado acontece em um ambiente de custos.

O Índice Nacional da Construção Civil, calculado pelo IBGE em parceria com a Caixa, mostrou que o custo nacional da construção atingiu R$ 1.976,37 por metro quadrado em junho de 2026.

No primeiro semestre, o custo acumulava alta de 4,48%.

Na Região Norte, a variação mensal do Sinapi em junho foi de 0,58%.

Esses dados são nacionais e regionais e não devem ser confundidos com o preço final de venda de um imóvel no Pará.

O custo de construção não inclui automaticamente terreno, projetos, comercialização, tributos, financiamento, margem da incorporadora e diversos outros componentes de um empreendimento.

Ainda assim, ele ajuda a explicar uma parte da pressão que existe sobre o preço final dos imóveis.

O Pará tem um grande mercado habitacional a atender

A dimensão do mercado habitacional paraense não pode ser compreendida apenas pela quantidade de lançamentos.

Existe uma necessidade social muito maior.

A Fundação João Pinheiro, em seu estudo de déficit habitacional baseado na PNAD Contínua de 2022, produz estimativas que permitem dimensionar a necessidade habitacional brasileira e estadual. O estudo é a referência utilizada para políticas públicas de habitação e foi elaborado em parceria institucional com o então Ministério das Cidades.

É importante, entretanto, manter a data de referência.

Déficit habitacional de 2022 não é déficit habitacional de 2026.

O indicador continua sendo relevante para compreender uma condição estrutural, mas não deve ser apresentado como se fosse uma medição atualizada do mercado habitacional deste ano.

Essa diferença entre dado estrutural e dado conjuntural é essencial em uma análise imobiliária.

Minha Casa, Minha Vida estabelece 5.947 unidades para o Pará

No atual ciclo da modalidade Minha Casa, Minha Vida – FAR, o Ministério das Cidades estabeleceu para o Pará uma meta de 5.947 unidades habitacionais.

O número faz parte da meta nacional de 100 mil unidades distribuídas entre as unidades da Federação.

Mas existe uma diferença fundamental entre meta, seleção, contratação e entrega.

As 5.947 unidades representam a meta destinada ao Pará nesse ciclo específico.

Não significam 5.947 imóveis já entregues.

O próprio Ministério das Cidades informa que as propostas passam por análise de viabilidade técnica, jurídica, de engenharia e financeira antes das etapas de contratação.

Para uma matéria de números, essa distinção é indispensável.

Santarém mostra que a habitação não está restrita à capital

Em março de 2026, o Governo do Pará acompanhou a entrega de 1.408 unidades habitacionais dos Residenciais Moaçara I e II, em Santarém.

Segundo o governo estadual, foi a maior entrega daquela agenda do programa Minha Casa, Minha Vida no país.

O número é relevante por outro motivo.

Ele mostra que o mercado habitacional paraense não se resume à Região Metropolitana de Belém.

Santarém possui uma dinâmica urbana própria e representa um dos principais centros urbanos do interior do estado.

A produção habitacional em municípios como esse pode gerar efeitos importantes sobre a expansão urbana, infraestrutura, comércio local e geração de emprego.

O programa Sua Casa alcança milhares de famílias

O Pará possui ainda uma política habitacional própria.

O programa Sua Casa, administrado pela Companhia de Habitação do Estado do Pará, oferece apoio para aquisição de materiais destinados à construção, reforma, ampliação, melhoria ou adaptação de moradias, além de auxílio para contratação de mão de obra.

Em janeiro de 2026, o Governo do Pará informou que o programa havia alcançado 30 mil famílias contempladas entre 2025 e janeiro de 2026.

Naquele mês, foram entregues 1.533 benefícios em Belém.

Em abril, o governo estadual informou que, desde a criação do programa, cerca de 140 mil famílias haviam sido beneficiadas.

A informação representa o acumulado do programa e não apenas o ano de 2026.

Essa distinção é importante.

Não se deve comparar 140 mil famílias acumuladas desde 2019 com os indicadores de lançamentos imobiliários de um único ano.

São métricas com períodos e objetivos diferentes.

O programa também movimenta a economia da construção

O Sua Casa tem uma característica diferente de um programa convencional de financiamento para aquisição de imóvel novo.

Os recursos podem ser utilizados em construção, reforma, ampliação, melhoria ou adaptação da moradia.

Isso significa que o impacto econômico não acontece somente através de grandes incorporadoras.

Ele chega também às lojas de materiais de construção e aos profissionais responsáveis pela execução das obras.

Em maio de 2026, por exemplo, o programa destinou aproximadamente R$ 2,8 milhões para atender 355 famílias em Dom Eliseu.

Em junho, 263 famílias de Breu Branco receberam benefícios do programa.

Em julho, outras 57 famílias de Maracanã receberam auxílio, em uma ação que envolveu mais de R$ 500 mil em habitação.

São exemplos localizados, e não devem ser somados como se representassem automaticamente todo o investimento habitacional do estado em 2026.

Mas mostram como a política habitacional chega a diferentes regiões do Pará.

Mais de 55 mil títulos de regularização fundiária

Existe ainda outro componente importante para o mercado imobiliário: a propriedade formalizada.

De 2019 a 2025, o Instituto de Terras do Pará e a Cohab haviam entregado mais de 55 mil títulos de terra, entre áreas rurais e urbanas, segundo o Governo do Pará.

Regularização fundiária não é sinônimo de venda de imóvel.

Mas possui relação direta com o mercado imobiliário porque a formalização da propriedade pode aumentar a segurança jurídica do proprietário e criar condições para que o imóvel passe a integrar de maneira mais efetiva o mercado formal.

Para uma família, ter o documento que comprova sua propriedade possui também uma dimensão patrimonial.

Uma casa deixa de ser apenas um lugar onde a família mora e passa a ter uma situação documental mais definida.

Um estado com realidades imobiliárias diferentes

Os números mostram que o Pará não pode ser analisado como se fosse um mercado único.

Belém apresenta:

  • preço médio anunciado de R$ 8.882/m² em abril de 2026;
  • alta de 11,36% em 12 meses;
  • aproximadamente R$ 2,3 bilhões de VGV lançado em 12 meses até dezembro de 2025;
  • 2.039 unidades em oferta final no quarto trimestre de 2025;
  • forte presença de imóveis de dois dormitórios na oferta;
  • e preços de locação que chegaram a R$ 62,65/m² em julho de 2026.

Ananindeua apresenta outra configuração, com escala menor de lançamentos, mas crescimento expressivo do VGV no período analisado pelo Censo.

Santarém aparece em outra frente, com produção habitacional relevante do Minha Casa, Minha Vida.

E o interior paraense recebe ações do programa Sua Casa, além de projetos de habitação e regularização fundiária.

São mercados diferentes, ligados por um mesmo estado.

O que os números dizem para o corretor?

Para o corretor de imóveis, talvez a principal conclusão seja que conhecer apenas o preço do metro quadrado não é suficiente.

O profissional precisa compreender o perfil de cada região.

Em Belém, a diferença entre bairros é significativa.

O mesmo acontece com a relação entre Belém e Ananindeua.

Em outras cidades, fatores como emprego, infraestrutura, atividade econômica local e políticas habitacionais podem ter peso maior.

O corretor que conhece esses indicadores consegue conversar melhor com o cliente.

Consegue explicar por que determinado bairro está mais valorizado.

Consegue contextualizar o preço de um imóvel.

Consegue compreender quando uma unidade está posicionada acima ou abaixo de referências disponíveis.

E consegue enxergar que o mercado imobiliário vai muito além da simples intermediação entre comprador e vendedor.

O que os números dizem para as incorporadoras?

Para incorporadoras e construtoras, o cenário também apresenta mensagens importantes.

O crescimento do VGV lançado em Belém, combinado com o número relativamente controlado de novos empreendimentos, sugere um mercado em que produto, preço e localização estão ganhando importância.

A existência de oferta recente também mostra que o mercado continua recebendo novos produtos.

Ao mesmo tempo, a renda das famílias e a presença do financiamento impõem limites à capacidade de absorção.

Não basta construir.

É preciso construir o produto que o público consegue comprar.

Essa equação é particularmente importante em mercados nos quais convivem empreendimentos de alto padrão e uma grande demanda por habitação de interesse social.

O que os números dizem para o investidor?

Para o investidor, o Pará apresenta uma combinação que merece acompanhamento.

Belém possui valorização residencial.

O mercado de aluguel apresenta preços elevados.

A produção imobiliária movimenta bilhões em VGV.

A construção civil gera empregos.

E existe uma demanda habitacional estrutural importante.

Mas nenhum desses fatores, isoladamente, significa que um imóvel seja automaticamente um bom investimento.

A análise precisa considerar preço de compra, localização, liquidez, aluguel efetivo, vacância, custos, documentação, qualidade do empreendimento e perspectiva de demanda.

O investidor que olhar apenas para a valorização passada pode chegar a uma conclusão incompleta.

O mercado imobiliário exige uma visão de longo prazo.

Pará em números: os principais indicadores

IndicadorNúmeroReferência
População do Pará8.711.196Estimativa IBGE 2025
Rendimento domiciliar per capitaR$ 1.420IBGE/PNAD 2025
Preço residencial em BelémR$ 8.882/m²FipeZAP — abr./2026
Alta dos imóveis em Belém+11,36%12 meses até abr./2026
VGV lançado em Belém~R$ 2,3 bilhões12 meses até dez./2025
Crescimento do VGV lançado+81,9%comparação anual
VGV vendido na RM de Belém+14,2%comparação anual
Oferta vertical na RM2.674 unidades4º tri./2025
Oferta em Belém2.039 unidades4º tri./2025
Oferta em Ananindeua635 unidades4º tri./2025
Lançamentos verticais em Belém16 empreendimentos2025
Lançamentos verticais em Ananindeua3 empreendimentos2025
Construção civil — saldo de empregos510 vagasfev./2026
Meta MCMV-FAR para o Pará5.947 unidadesciclo de 100 mil UH
Entrega MCMV em Santarém1.408 unidadesmar./2026
Benefícios Sua Casa em Belém1.533jan./2026
Famílias beneficiadas pelo Sua Casa~140 milacumulado informado em abr./2026
Títulos de terra entregues>55 mil2019–2025
Aluguel residencial em BelémR$ 62,65/m²jul./2026

Fontes: IBGE, FipeZAP, Sinduscon-PA, Ministério das Cidades, Novo Caged e Governo do Pará.

Conclusão

Os números mostram um mercado imobiliário paraense em transformação, mas não de maneira uniforme.

Belém concentra os indicadores mais detalhados e apresenta valorização dos imóveis residenciais, crescimento expressivo do VGV lançado e uma oferta formada majoritariamente por empreendimentos relativamente recentes.

Em abril de 2026, o preço médio anunciado chegou a R$ 8.882 por metro quadrado, com alta de 11,36% em 12 meses.

Na produção imobiliária, o VGV lançado em Belém alcançou aproximadamente R$ 2,3 bilhões em 12 meses até dezembro de 2025, crescimento de 81,9%. Ao mesmo tempo, a Região Metropolitana apresentou alta de 14,2% no VGV vendido.

A construção civil também participa desse movimento. Em fevereiro de 2026, o setor gerou saldo positivo de 510 empregos formais no Pará.

No campo habitacional, o estado combina a produção do Minha Casa, Minha Vida com programas próprios, como o Sua Casa. O atual ciclo do MCMV-FAR estabeleceu 5.947 unidades como meta para o Pará, enquanto Santarém recebeu a entrega de 1.408 unidades em março.

E existe uma dimensão social que não pode ser ignorada.

O Governo do Pará informa aproximadamente 140 mil famílias beneficiadas pelo Sua Casa no acumulado até abril de 2026, enquanto mais de 55 mil títulos de terra haviam sido entregues entre 2019 e 2025.

O retrato que emerge não é simplesmente o de um mercado em alta.

É o de um estado onde convivem valorização imobiliária, novos empreendimentos, construção civil, expansão metropolitana, políticas habitacionais, regularização fundiária e uma grande demanda por moradia.

E talvez seja justamente essa diversidade que torne o Pará um mercado tão interessante para acompanhar.

Análise Editorial Broker News BR

O Pará apresenta números relevantes no mercado imobiliário, mas a principal conclusão desta análise é que não se deve tratar todos os indicadores como se tivessem a mesma abrangência.

Os dados de preço do FipeZAP são de Belém e representam preços anunciados.

Os números de VGV, lançamentos e oferta são referentes ao mercado residencial vertical acompanhado pelo Sinduscon-PA na Região Metropolitana.

Os dados de emprego são estaduais.

As metas do Minha Casa, Minha Vida correspondem a um ciclo específico do programa.

E os números de déficit habitacional possuem referência metodológica anterior, baseada em dados de 2022.

Essa separação não diminui a importância dos números.

Ao contrário: permite que eles sejam utilizados corretamente.

O cenário encontrado mostra uma capital com valorização residencial, uma Região Metropolitana com atividade de lançamentos e vendas, uma construção civil que continua gerando empregos e um Estado que mantém políticas relevantes de habitação e regularização.

O mercado paraense, portanto, apresenta sinais concretos de dinamismo, mas sua dimensão territorial exige que cada município seja analisado dentro de sua própria realidade.

Produção Editorial Broker News BR

Produção Editorial Broker News BR. Esta matéria é um conteúdo original produzido pela equipe editorial da Broker News BR, elaborado com base em pesquisa, apuração e consulta a fontes oficiais e confiáveis do mercado imobiliário para informar corretores de imóveis, imobiliárias, construtoras, incorporadoras e investidores.

Fontes

  • Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística — IBGE
  • Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas — Fipe
  • Sinduscon-PA
  • Ministério das Cidades
  • Ministério do Trabalho e Emprego — Novo Caged
  • Governo do Estado do Pará
  • Companhia de Habitação do Estado do Pará — Cohab
  • Fundação João Pinheiro

Consulte as fontes oficiais

IBGE — Pará

IBGE — Rendimento domiciliar per capita 2025

Fipe — Índice FipeZAP

FipeZAP — Venda residencial, abril de 2026

Sinduscon-PA — 31º Censo Imobiliário

Ministério das Cidades — MCMV-FAR

Ministério do Trabalho e Emprego — Novo Caged

Governo do Pará — Agência Pará

Cohab-Pará

Fundação João Pinheiro — Déficit Habitacional

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Por Camille Assis

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