Pesquisa nacional mostra que 67% dos jovens de 21 a 28 anos pretendem comprar um imóvel; interesse supera o das gerações mais velhas, mas acesso ao crédito ainda é o principal desafio
Durante anos, uma ideia ganhou espaço no mercado imobiliário: a de que os jovens estariam menos interessados em comprar um imóvel e mais dispostos a alugar, morar temporariamente em diferentes lugares e adiar a formação de patrimônio.
Os dados mais recentes, porém, mostram um cenário diferente.
A Geração Z assumiu a liderança na intenção de compra de imóveis no Brasil, segundo a mais recente Pesquisa de Intenção de Compra de Imóveis da Brain Inteligência Estratégica.
No segundo trimestre de 2026, 67% dos entrevistados entre 21 e 28 anos declararam intenção de adquirir um imóvel, percentual que supera todas as demais gerações analisadas. Entre a Geração Y, de 29 a 44 anos, o índice foi de 53%. Na Geração X, de 45 a 60 anos, chegou a 47%. Entre os Baby Boomers, de 61 a 79 anos, ficou em 25%.
O resultado não é apenas uma fotografia isolada.
A intenção de compra da Geração Z havia sido de 57% no meio de 2025. Em junho de 2026, avançou para 67%, um salto de 10 pontos percentuais em aproximadamente um ano.
A mudança chama atenção porque coloca uma geração que ainda está entrando ou consolidando sua vida profissional no centro das estratégias de incorporadoras, construtoras, imobiliárias, corretores, bancos e empresas de crédito.
Mas existe uma diferença fundamental entre querer comprar e conseguir comprar.
E é justamente nessa distância que está uma das histórias mais interessantes do mercado imobiliário brasileiro em 2026.
A intenção de compra chegou ao maior nível da série histórica
A liderança da Geração Z acontece dentro de um mercado que, de maneira geral, também apresenta forte intenção de compra.
No segundo trimestre de 2026, 52% dos brasileiros entrevistados declararam intenção de comprar um imóvel, o maior nível da série histórica iniciada em 2019.
O percentual representa três pontos percentuais a mais que o registrado no mesmo período de 2025, quando o indicador estava em 49%.
A pesquisa foi realizada pela Brain Inteligência Estratégica em junho de 2026, com 1.200 entrevistas, abrangência nacional, amostragem probabilística aleatória, nível de confiança de 95% e margem de erro de 2,83 pontos percentuais.
Ou seja, não se trata de uma percepção baseada apenas em comentários de mercado ou em uma amostra de clientes de uma determinada incorporadora.
É uma pesquisa nacional de comportamento de consumo imobiliário.
E ela aponta para uma transformação importante no perfil da demanda.
A Geração Z não apenas aparece entre os interessados: ela lidera
O dado de 67% chama atenção principalmente quando comparado com as outras gerações.
| Geração | Faixa etária na pesquisa | Intenção de compra |
|---|---|---|
| Geração Z | 21 a 28 anos | 67% |
| Geração Y | 29 a 44 anos | 53% |
| Geração X | 45 a 60 anos | 47% |
| Baby Boomers | 61 a 79 anos | 25% |
A diferença entre a Geração Z e a Geração Y chega a 14 pontos percentuais.
Em relação à Geração X, a distância é de 20 pontos.
E quando comparada aos Baby Boomers, a diferença chega a 42 pontos percentuais.
É importante observar que esses números medem intenção declarada, e não participação efetiva nas compras realizadas.
Essa distinção muda completamente a interpretação.
A pesquisa mostra que os jovens são o grupo com maior disposição para comprar.
Não significa que sejam o grupo que mais efetivamente compra imóveis hoje.
O jovem quer comprar, mas a compra ainda precisa caber no bolso
Esse talvez seja o ponto mais importante para compreender a nova realidade.
A Geração Z demonstra forte interesse pela aquisição de imóveis, mas enfrenta uma etapa que não pode ser ignorada: a transformação da intenção em capacidade financeira.
Na pesquisa do primeiro trimestre de 2026, a Brain já apontava esse descompasso.
Enquanto 49% dos brasileiros declaravam intenção de compra, apenas 9% das famílias haviam efetivamente comprado um imóvel nos 12 meses anteriores.
Naquele levantamento, a própria Brain destacava que condições de crédito, capacidade de pagamento, adequação entre produto e expectativa e momento de vida estavam entre os fatores que interferiam na conversão da intenção em compra.
A conclusão é simples.
Existe uma demanda potencial muito maior do que o número de compradores que efetivamente conseguem concluir uma operação.
E isso é especialmente relevante quando se olha para os jovens.
A entrada é uma das grandes barreiras
Para um jovem que está iniciando sua trajetória profissional, comprar um imóvel envolve uma equação financeira bastante diferente daquela enfrentada por alguém que já acumulou patrimônio durante décadas.
Existe o valor da entrada.
Existem as parcelas durante a construção, quando se trata de um imóvel na planta.
Existe o saldo a ser financiado.
Há ainda despesas com documentação, impostos, mudança, mobiliário e manutenção.
E tudo isso acontece ao mesmo tempo em que muitos jovens ainda estão construindo sua renda profissional.
Uma pesquisa citada pela ABECIP em abril de 2026 mostrou justamente esse descompasso: embora a intenção de compra da Geração Z chegasse a 59% no primeiro trimestre, o acesso financeiro continuava sendo um dos principais obstáculos para transformar interesse em aquisição.
O dado mais recente mostra que a intenção avançou ainda mais.
Isso aumenta o desafio para o mercado.
Não basta existir produto.
É necessário existir produto financeiramente acessível.
Sair do aluguel é o principal motivo para comprar
A pesquisa mais recente da Brain também ajuda a entender o que está por trás dessa intenção.
Entre os brasileiros que pretendem comprar um imóvel, sair do aluguel aparece como a principal motivação, respondendo por 37% das respostas em junho de 2026.
A motivação cresceu de 28% em junho de 2025 para 37% um ano depois.
Outros motivos ligados a mudanças de vida também aparecem.
Sair da casa dos pais representa 15% das respostas.
Mudança de localidade responde por 9%.
A busca por mais espaço representa 14%.
E a compra para investimento responde por 13%.
Para a Geração Z, esses fatores têm uma relação direta com o momento de vida.
O jovem que começa a trabalhar, constitui uma relação, forma família ou deseja independência pode passar a enxergar o imóvel de maneira diferente.
A casa própria deixa de ser apenas um patrimônio futuro.
Passa a representar autonomia.
A casa própria voltou a aparecer como símbolo de independência
A mudança de comportamento é interessante porque durante muito tempo se discutiu se a Geração Z teria uma relação diferente com a propriedade.
A hipótese fazia sentido.
É uma geração que cresceu com serviços por assinatura, economia compartilhada, trabalho remoto, aplicativos, aluguel de produtos e facilidade para trocar de cidade ou atividade profissional.
Mas essas características não significam necessariamente rejeição à propriedade.
O que parece estar acontecendo é algo mais complexo.
A Geração Z pode desejar flexibilidade na forma de viver, mas continuar desejando patrimônio.
A diferença está em como esse patrimônio precisa se encaixar na vida do comprador.
Um imóvel muito distante do trabalho pode não fazer sentido.
Uma prestação que comprometa excessivamente a renda pode ser inviável.
Um imóvel grande demais pode representar um custo desnecessário.
Por outro lado, um apartamento bem localizado, funcional e financeiramente compatível pode representar exatamente a independência que o jovem procura.
O apartamento ganha força
A pesquisa também mostra que o apartamento possui papel importante na demanda brasileira.
No segundo trimestre de 2026, 40% dos brasileiros disseram desejar um apartamento, enquanto 38% apontaram a casa em rua como imóvel desejado.
Quando se observa o que efetivamente foi comprado, o apartamento representou 41% das aquisições, enquanto a casa em rua ficou em 26%.
Essa diferença entre desejo e compra revela a influência das condições reais do mercado.
O consumidor pode desejar uma determinada tipologia.
Mas preço, localização, disponibilidade e capacidade de financiamento acabam interferindo na decisão.
Para as incorporadoras, essa informação é especialmente importante.
O produto desejado precisa ser também um produto viável.
Compactos podem encontrar espaço entre os jovens
O avanço da Geração Z também pode favorecer determinados tipos de empreendimento.
Não significa que todos os jovens queiram apartamentos pequenos.
Seria uma generalização.
Mas existe uma lógica econômica por trás da preferência por unidades mais compactas.
Quanto menor a área, em determinadas condições, menor tende a ser o valor total do imóvel.
E isso pode facilitar o acesso de consumidores que ainda não possuem grande patrimônio acumulado.
Além disso, localização pode ganhar importância.
Um jovem pode preferir morar em uma unidade menor próxima ao trabalho, transporte, comércio, universidades e serviços do que comprar uma casa maior em uma região muito distante.
Essa escolha pode ser especialmente relevante em grandes centros urbanos.
O mercado imobiliário precisa entender que a Geração Z não é homogênea
Um dos riscos para o setor seria transformar os 67% em uma espécie de retrato único do jovem brasileiro.
A Geração Z possui diferenças enormes de renda, profissão, cidade, formação familiar e momento de vida.
Um jovem de 22 anos que mora com os pais e está iniciando a carreira possui uma realidade financeira completamente diferente de alguém de 28 anos que já trabalha há vários anos, possui renda elevada e deseja constituir família.
Por isso, o número de 67% deve ser interpretado como um indicador de intenção dentro da faixa etária, e não como uma descrição de todos os jovens.
A pesquisa mostra a existência de uma demanda potencial.
O trabalho do mercado é descobrir quais produtos conseguem transformar essa demanda em negócios.
Nordeste lidera a intenção de compra
Outro dado da pesquisa ajuda a ampliar a discussão.
A região com maior intenção de compra no segundo trimestre de 2026 foi o Nordeste, com 59% das famílias.
Centro-Oeste e Norte ficaram em 53%.
Sul registrou 49%.
Sudeste, 47%.
Esse resultado é importante porque mostra que a liderança da Geração Z ocorre dentro de um movimento regional ainda mais amplo.
O Nordeste apresenta uma intenção de compra acima da média nacional de 52%.
Isso cria oportunidades para incorporadoras e imobiliárias que consigam adaptar produtos e condições de pagamento às características locais.
Não existe, portanto, apenas uma oportunidade geracional.
Existe também uma oportunidade geográfica.
A intenção é alta, mas a busca ainda não acompanha totalmente
Outro ponto revelado pela pesquisa é o chamado funil de compra.
Entre os brasileiros que têm intenção de adquirir um imóvel, 38% ainda não iniciaram a busca.
Outros 10% já pesquisam imóveis pela internet e 4% já visitam imóveis presencialmente.
Em números absolutos, a Brain estima que 4,3 milhões de famílias estavam realizando buscas online por imóveis, enquanto aproximadamente 1,7 milhão estavam visitando imóveis presencialmente.
Essa diferença é extremamente relevante para corretores e imobiliárias.
O comprador pode estar interessado muito antes de entrar em contato com uma imobiliária.
Pode estar acompanhando preços.
Pode pesquisar bairros.
Pode comparar apartamentos.
Pode simular financiamento.
Pode observar lançamentos.
E só depois procurar um profissional.
A jornada de compra começa cada vez mais cedo.
O corretor precisa encontrar o comprador antes da visita
A mudança de comportamento coloca o ambiente digital no centro da estratégia imobiliária.
Quando 38% dos interessados ainda nem começaram formalmente a busca, existe uma oportunidade enorme para empresas que consigam aparecer durante a fase de descoberta.
O jovem pode pesquisar:
“quanto custa um apartamento?”
“qual bairro é melhor?”
“quanto preciso dar de entrada?”
“quanto fica um financiamento?”
“é melhor comprar ou alugar?”
“vale a pena comprar imóvel na planta?”
“quanto custa morar perto do trabalho?”
Essas perguntas acontecem antes da visita ao imóvel.
Por isso, o corretor que espera apenas o cliente chegar ao plantão pode estar entrando tarde na jornada.
O imóvel precisa conversar com a realidade financeira
A pesquisa da Brain também mostra que a intenção está relativamente distribuída entre as faixas de renda.
No segundo trimestre, a intenção convergiu para aproximadamente 52% na maioria dos grupos.
Entre famílias com renda superior a R$ 20 mil mensais, chegou a 58%.
Isso indica que o interesse imobiliário não está restrito às famílias de alta renda.
Mas também não significa que todas tenham a mesma capacidade de compra.
Uma família pode ter intenção de comprar um imóvel de R$ 300 mil.
Outra pode procurar um imóvel de R$ 1 milhão.
Uma terceira pode desejar um imóvel de R$ 3 milhões.
O que muda é o produto possível.
Por isso, a intenção precisa ser acompanhada por capacidade financeira.
Crédito será decisivo para transformar intenção em venda
A questão do crédito ganha ainda mais importância quando se observa o tamanho da intenção.
Em junho de 2026, a pesquisa estimava 21,9 milhões de famílias brasileiras com intenção de comprar um imóvel.
Desse total, 8,1 milhões pretendiam realizar a aquisição entre um e dois anos. Além disso, 68% dos entrevistados com intenção pretendiam comprar dentro de dois anos e 31% planejavam fazê-lo em até um ano.
Esses números representam um enorme mercado potencial.
Mas potencial não significa venda garantida.
Para que a intenção se transforme em aquisição, é necessário que o comprador encontre:
produto compatível;
preço possível;
entrada viável;
financiamento aprovado;
parcela compatível com a renda;
segurança profissional;
e confiança para assumir uma dívida de longo prazo.
A distância entre esses pontos é onde o mercado imobiliário terá de trabalhar.
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O jovem está disposto a comprar, mas não necessariamente qualquer imóvel
Essa é uma mudança importante.
O fato de a Geração Z liderar a intenção não significa que o jovem simplesmente queira “ter uma casa”.
Ele pode estar procurando uma solução de vida.
A localização pode ser decisiva.
A mobilidade pode ser importante.
A proximidade do trabalho pode pesar.
A infraestrutura do condomínio pode fazer diferença.
Internet, segurança, lazer, áreas comuns e praticidade também podem influenciar a decisão.
Isso não significa que essas características sejam exclusivas da Geração Z.
Mas podem ganhar maior importância para uma geração acostumada a escolher produtos e serviços pela experiência oferecida.
O imóvel como patrimônio também ganha espaço
A pesquisa mais recente encontrou outro movimento relevante.
A compra de imóveis para investimento ganhou participação no total de aquisições, passando de 20% para 26% em um ano, segundo a ABRAINC com dados da Brain. O interesse está associado principalmente à geração de renda com locação e à possibilidade de revenda.
Esse dado ajuda a desmontar outra ideia simplista.
O jovem não necessariamente enxerga imóvel apenas como lugar para morar.
Uma parcela também pode enxergá-lo como patrimônio.
A possibilidade de gerar renda, preservar capital ou construir uma base financeira futura pode entrar na decisão.
Ainda assim, não há base para afirmar que a Geração Z seja majoritariamente formada por investidores.
A pesquisa mostra uma mudança no comportamento geral das compras, e não autoriza essa conclusão específica.
A grande diferença está entre intenção e execução
Talvez essa seja a principal conclusão da pesquisa.
67% de intenção entre os jovens é um número extraordinariamente forte.
Mas ele não significa que 67% dos jovens comprarão imóveis.
A própria pesquisa nacional demonstra que a conversão é muito menor.
No primeiro trimestre, por exemplo, enquanto 49% declaravam intenção, apenas 9% haviam efetivamente comprado um imóvel nos 12 meses anteriores.
No segundo trimestre, a compra efetiva subiu para 11%, também recorde da série histórica.
A distância permanece.
E é justamente essa distância que precisa ser analisada.
O que isso significa para as incorporadoras?
A liderança da Geração Z cria uma oportunidade para as empresas repensarem produtos.
Não necessariamente para construir somente imóveis pequenos.
Mas para criar produtos que tenham maior aderência ao momento financeiro e de vida desses consumidores.
Isso pode envolver:
unidades mais funcionais;
plantas inteligentes;
condomínios com estrutura adequada;
localizações estratégicas;
condições de entrada;
formas de pagamento mais compreensíveis;
atendimento digital;
simulações transparentes;
e comunicação menos distante do consumidor.
O jovem não precisa necessariamente de um imóvel “para jovem”.
Precisa de um imóvel que faça sentido para sua realidade.
O que isso significa para os bancos?
Para os bancos, a mudança geracional também merece atenção.
Uma nova geração está entrando no mercado imobiliário.
São consumidores que podem permanecer décadas como clientes de uma instituição financeira.
O primeiro financiamento imobiliário pode ser apenas o início de um relacionamento financeiro de longo prazo.
Por outro lado, o banco precisa avaliar cuidadosamente risco e capacidade de pagamento.
Intenção elevada não significa capacidade de assumir uma dívida.
O desafio está justamente em ampliar o acesso sem reduzir a qualidade da análise de crédito.
O que isso significa para os corretores?
Para os corretores, talvez seja uma das mudanças mais importantes dos últimos anos.
A Geração Z está dizendo ao mercado que quer comprar.
Agora o profissional precisa aprender a conversar com esse consumidor.
Não basta apresentar imóveis.
É necessário explicar financiamento.
Comparar bairros.
Demonstrar custos.
Simular cenários.
Explicar entrada.
Mostrar diferença entre aluguel e financiamento.
Apresentar alternativas.
E, principalmente, entender que o cliente jovem pode chegar ao corretor já sabendo muito sobre o empreendimento.
Ele pesquisou antes.
Leu avaliações.
Comparou preços.
Viu vídeos.
Consultou mapas.
Conversou com amigos.
O corretor deixa de ser apenas alguém que apresenta o imóvel.
Passa a ser um consultor da decisão imobiliária.
O que os números revelam para o mercado?
A pesquisa da Brain não mostra apenas que os jovens querem comprar.
Ela mostra que o mercado imobiliário brasileiro está passando por uma transformação demográfica.
A geração que começa a formar patrimônio agora já está entrando na equação.
A Geração Y continua apresentando intenção elevada, com 53%.
A Geração X aparece com 47%.
Os Baby Boomers ficam em 25%.
Isso significa que o setor terá de atender simultaneamente diferentes momentos de vida.
O jovem que procura seu primeiro apartamento.
A família que precisa de mais espaço.
O profissional que deseja mudar de cidade.
O comprador que procura um imóvel melhor.
O investidor que busca renda.
São necessidades diferentes.
O mercado não pode confundir juventude com baixa renda
Outro cuidado importante é evitar uma associação automática entre Geração Z e consumidor de baixa renda.
A geração é definida pela faixa etária, não pela renda.
Dentro dela existem estudantes, trabalhadores, empreendedores, profissionais altamente remunerados, pessoas que ainda dependem dos pais e jovens que já possuem patrimônio.
Portanto, o dado de 67% não significa que o mercado deva oferecer somente imóveis econômicos.
Significa que existe forte intenção de compra dentro dessa geração.
O produto adequado dependerá de renda, localização e momento de vida.
Uma nova geração pode mudar a forma de vender imóveis
O impacto pode ir além dos empreendimentos.
A própria jornada de compra tende a continuar mudando.
A pesquisa mostra que milhões de famílias já estão pesquisando imóveis pela internet antes da compra.
Isso significa que conteúdo, vídeos, redes sociais, buscadores, simuladores e atendimento digital tornam-se cada vez mais importantes.
O consumidor pode conhecer um empreendimento pela internet antes de conhecer a imobiliária.
Pode conhecer o bairro pelo Google antes de conversar com o corretor.
Pode comparar valores antes de entrar no plantão.
Pode descobrir a reputação da incorporadora antes de assinar.
Para o setor, isso significa que a primeira impressão do imóvel não acontece mais necessariamente diante do imóvel.
Ela pode acontecer na tela do celular.
A Geração Z pode ser o comprador de amanhã — e já é o interessado de hoje
A principal conclusão da pesquisa é justamente essa.
A Geração Z ainda está em processo de entrada no mercado imobiliário.
Mas já demonstra uma intenção de compra maior do que a das gerações anteriores.
Em junho de 2026, o índice chegou a 67%.
O dado mostra uma geração que não abandonou necessariamente a ideia de propriedade.
Ao contrário.
Ela parece estar incorporando a compra do imóvel ao seu planejamento de vida.
O desafio é fazer essa intenção caber na realidade financeira.
E esse desafio não pertence somente ao jovem.
Pertence também às incorporadoras, aos bancos, aos corretores e às políticas públicas de habitação.
Geração Z em números
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Intenção de compra — Geração Z | 67% |
| Faixa etária pesquisada | 21 a 28 anos |
| Intenção — Geração Y | 53% |
| Intenção — Geração X | 47% |
| Intenção — Baby Boomers | 25% |
| Intenção geral no Brasil | 52% |
| Famílias com intenção de compra | 21,9 milhões |
| Pretendem comprar em até 2 anos | 68% dos que têm intenção |
| Pretendem comprar em até 1 ano | 31% dos que têm intenção |
| Busca online | 4,3 milhões de famílias |
| Visita presencial | 1,7 milhão de famílias |
| Principal motivação | Sair do aluguel — 37% |
| Apartamento desejado | 40% |
| Apartamento entre as compras efetivas | 41% |
Fonte: Brain Inteligência Estratégica/ABRAINC, pesquisa realizada em junho de 2026.
Conclusão
A informação que circulava no mercado imobiliário é verdadeira.
A Geração Z realmente lidera a intenção de compra de imóveis no Brasil.
O dado mais recente disponível mostra que 67% dos brasileiros entre 21 e 28 anos declararam intenção de adquirir um imóvel, contra 53% da Geração Y, 47% da Geração X e 25% dos Baby Boomers.
O resultado é significativo porque contraria a percepção de que os consumidores mais jovens estariam abandonando definitivamente a propriedade.
Eles não parecem ter abandonado.
Pelo contrário.
A casa própria continua associada a independência, segurança e formação de patrimônio.
Mas a intenção não deve ser confundida com capacidade de compra.
A mesma pesquisa mostra que o Brasil possui 21,9 milhões de famílias com intenção de comprar um imóvel, enquanto 11% dos entrevistados disseram ter efetivamente adquirido uma propriedade nos 12 meses anteriores.
Existe, portanto, uma enorme demanda potencial esperando condições para se transformar em negócio.
O principal desafio está no acesso.
Entrada, renda, preço do imóvel, financiamento e capacidade de pagamento podem determinar se aquele jovem que hoje pesquisa um apartamento será efetivamente comprador amanhã.
Para o mercado imobiliário, a mensagem é clara.
A Geração Z já entrou no radar.
Agora será necessário entender o que ela quer, quanto pode pagar, onde deseja morar e quais condições são capazes de transformar intenção em compra.
A geração que durante anos foi vista como distante da casa própria pode estar se tornando justamente uma das principais forças da próxima etapa do mercado imobiliário brasileiro.
Análise Editorial Broker News BR
A pesquisa analisada apresenta um dado suficientemente forte para justificar atenção de todo o mercado: 67% de intenção de compra entre os brasileiros de 21 a 28 anos.
O mais relevante, porém, não é apenas o percentual.
É a trajetória.
A Geração Z passou de 57% no meio de 2025 para 67% em junho de 2026.
Ao mesmo tempo, o mercado precisa evitar uma interpretação exagerada.
67% de intenção não significa 67% de compradores.
Essa diferença é fundamental para compreender o futuro do setor.
A Broker News BR entende que o dado deve ser lido como um sinal de demanda potencial muito forte, especialmente para os próximos anos.
A questão que se coloca agora é como o mercado irá transformar essa intenção em acesso real.
Incorporadoras terão de desenvolver produtos compatíveis.
Bancos precisarão continuar avaliando formas de ampliar o acesso ao crédito com responsabilidade.
Corretores terão de compreender uma jornada de compra cada vez mais digital.
E os próprios consumidores precisarão avaliar cuidadosamente sua capacidade financeira antes de assumir uma dívida de longo prazo.
A Geração Z não está necessariamente rejeitando a propriedade.
Ela pode estar simplesmente exigindo que o imóvel faça sentido para sua vida, seu orçamento e seu futuro.
Produção Editorial Broker News BR
Produção Editorial Broker News BR. Esta matéria é um conteúdo original produzido pela equipe editorial da Broker News BR, elaborado com base em pesquisa, apuração e consulta a fontes oficiais e confiáveis do mercado imobiliário para informar corretores de imóveis, imobiliárias, construtoras, incorporadoras e investidores.
Fontes
- Brain Inteligência Estratégica
- Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias — ABRAINC
- Câmara Brasileira da Indústria da Construção — CBIC
- Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança — ABECIP
- Revista Veja
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