Pesquisa nacional mostra que academia e piscina adulta estão entre os itens de lazer mais importantes para moradores, enquanto a estrutura fitness ainda está presente em apenas 34% dos condomínios pesquisados
Durante muito tempo, piscina, salão de festas, churrasqueira e espaço gourmet dominaram a lista de atrativos apresentados pelas incorporadoras nos lançamentos residenciais.
Mas os hábitos de quem compra e mora em condomínios estão mudando.
A academia, que durante anos foi tratada como um complemento das áreas de lazer, ganhou espaço na percepção dos moradores e passou a fazer parte de uma mudança mais ampla no conceito de morar: a busca por praticidade, saúde, bem-estar e qualidade de vida dentro do próprio empreendimento.
Uma pesquisa nacional realizada pela Brain Inteligência Estratégica em junho de 2026, com 1.200 entrevistados, mostra que academia ou espaço fitness e piscina adulta foram os dois itens de lazer considerados mais importantes pelos moradores, ambos com 56% das citações.
O dado chama atenção por outro motivo.
Embora esteja entre as estruturas mais valorizadas pelos moradores, a academia está presente em apenas 34% dos condomínios pesquisados.
Existe, portanto, uma diferença significativa entre aquilo que os moradores consideram importante e aquilo que efetivamente encontram onde vivem.
É justamente nessa distância entre desejo, oferta e utilização que o mercado imobiliário começa a encontrar uma nova oportunidade.
Academia e piscina dividem a liderança
A pesquisa da Brain permite observar o comportamento do consumidor por diferentes ângulos.
Quando os entrevistados foram questionados sobre quais áreas de lazer consideram mais importantes, academia ou espaço fitness e piscina adulta ficaram empatados na primeira posição, com 56% das citações.
Na sequência aparecem:
| Área de lazer | Importância |
|---|---|
| Academia ou espaço fitness | 56% |
| Piscina adulta | 56% |
| Salão de festas | 42% |
| Espaço gourmet ou churrasqueira | 41% |
| Piscina infantil | 26% |
| Praça ou área verde | 22% |
| Quadra esportiva | 22% |
| Playground | 15% |
| Sala de jogos | 14% |
| Brinquedoteca | 13% |
Os números mostram que o conceito de lazer residencial está se ampliando.
O consumidor continua valorizando espaços para convivência e entretenimento, mas estruturas relacionadas ao cuidado com o corpo e à atividade física passaram a ocupar posição semelhante à de equipamentos tradicionalmente associados ao lazer.
O curioso descompasso entre importância e presença
É aqui que aparece um dos dados mais interessantes da pesquisa.
A academia é considerada importante por 56% dos entrevistados, mas está presente em apenas 34% dos condomínios pesquisados.
O espaço gourmet ou churrasqueira apresenta comportamento praticamente inverso.
Está presente em 55% dos condomínios, mas aparece com 41% das citações quando os moradores apontam os itens mais importantes.
A piscina adulta também possui presença maior que a academia: aparece em 53% dos condomínios, praticamente 20 pontos percentuais acima da presença de academias.
Isso mostra que o mercado não está simplesmente oferecendo aquilo que os moradores apontam como prioridade.
Existe uma diferença entre o que já foi incorporado ao padrão dos empreendimentos e aquilo que o consumidor começa a considerar mais importante.
Para incorporadoras, essa diferença pode ser especialmente relevante no momento de definir o programa de áreas comuns de um novo projeto.
Mas os moradores realmente usam a academia?
A resposta da pesquisa é mais moderada.
Quando a pergunta deixa de ser “o que é importante?” e passa a ser “o que você utiliza?”, a academia perde a liderança.
O espaço gourmet ou churrasqueira aparece como o ambiente mais utilizado, com 37% dos entrevistados afirmando uso frequente.
A piscina adulta vem na sequência, com 34%.
A academia ou espaço fitness aparece em terceiro lugar, com 20%.
Isso produz uma leitura interessante.
A academia pode ser muito importante na escolha do imóvel sem necessariamente ser o espaço de lazer mais utilizado no cotidiano.
E isso não é uma contradição.
Uma área pode ter valor para o comprador porque representa praticidade, conveniência ou uma possibilidade de uso que ele deseja manter disponível, mesmo que sua frequência efetiva seja menor.
É semelhante ao que acontece com outras características de um imóvel: determinados atributos podem influenciar a decisão de compra mesmo quando não são utilizados diariamente.
Academia é desejada por quem ainda não tem
Outro dado ajuda a entender essa questão.
Entre os moradores que não possuem academia no condomínio, a estrutura aparece entre os itens que eles gostariam de ter.
Nesse recorte, 34% afirmaram desejar uma academia ou espaço fitness.
A piscina adulta aparece à frente, com 41%.
O espaço gourmet ou churrasqueira aparece com 21%.
A diferença é importante porque mostra que a academia não é apenas uma estrutura que os moradores consideram interessante quando ela já existe.
Existe também demanda declarada entre aqueles que atualmente não contam com o equipamento.
A pesquisa da Brain foi realizada nacionalmente, com 1.200 pessoas, entre 21 e 70 anos, com renda familiar mensal superior a R$ 2.500. Segundo a metodologia divulgada, o levantamento teve nível de confiança de 95% e margem de erro de 2,83%.
A academia não é necessariamente sinônimo de valorização
Aqui está o ponto que merece cuidado na interpretação.
Os resultados da pesquisa mostram importância, presença, utilização e desejo.
Eles não demonstram, por si só, que um apartamento em condomínio com academia tenha determinado percentual de valorização em relação a outro imóvel semelhante sem academia.
Essa diferença é fundamental.
Um imóvel pode ter academia e ser mais caro por diversas razões simultâneas: localização, padrão construtivo, idade do edifício, metragem, número de vagas, segurança, vista, infraestrutura, padrão das áreas comuns, qualidade da construção e posicionamento do empreendimento.
Por isso, não seria tecnicamente correto transformar os 56% da pesquisa em uma afirmação como “academia aumenta o valor do imóvel em 56%”.
Também não seria correto dizer que “apartamento com academia sempre vale mais”.
O que os dados permitem afirmar é que a academia está entre os atributos de lazer mais importantes para os moradores pesquisados.
E isso pode contribuir para a atratividade comercial de determinados empreendimentos.
O conceito de wellness amplia essa discussão
A academia também não deve ser analisada isoladamente.
O mercado imobiliário começou a utilizar cada vez mais o conceito de wellness, que reúne diferentes elementos associados à saúde, ao conforto e ao bem-estar.
Em estudo nacional mais recente, a Brain aponta que 78% dos entrevistados afirmam que um empreendimento com conceito wellness influencia positivamente sua decisão de compra.
A pesquisa considera nesse conceito elementos como áreas verdes, espaços para atividade física, conforto acústico, iluminação e ambientes voltados ao bem-estar.
Isso muda a maneira de pensar a academia.
Não se trata simplesmente de colocar algumas esteiras e aparelhos em uma sala no térreo.
O mercado começa a trabalhar com uma visão mais ampla, na qual o empreendimento procura facilitar determinados hábitos do morador.
A academia passa a fazer parte de uma estrutura de bem-estar.
A localização continua sendo fundamental
A valorização de determinados equipamentos não significa que eles substituam os fatores tradicionais da decisão imobiliária.
Uma pesquisa divulgada pela ABRAINC, também baseada em levantamento da Brain, mostrou anteriormente que localização privilegiada e segurança condominial aparecem entre os fatores que mais levam consumidores a considerar pagar valores acima da média por um imóvel.
Esse ponto é fundamental para corretores e incorporadoras.
Uma academia pode tornar o empreendimento mais atraente, mas dificilmente deve ser tratada como substituta de uma boa localização ou de um projeto adequado ao público-alvo.
Na prática, o comprador avalia um conjunto de características.
O condomínio pode ter uma academia excelente, mas se estiver em uma localização que não atende às necessidades daquele comprador, o equipamento dificilmente compensará todos os demais fatores.
A renda também muda o conceito de lazer
Outro dado relevante vem de uma apresentação da ABRAINC e da Brain sobre as perspectivas do mercado imobiliário para 2026.
O levantamento mostra que as preferências de lazer variam de acordo com a renda familiar.
Entre famílias com renda de até R$ 5 mil, o playground aparece como o item mais valorizado.
Já entre consumidores com renda superior a R$ 15 mil, ganham destaque espaços relacionados ao bem-estar, especialmente piscinas e academias.
Essa diferença ajuda a explicar por que o mesmo equipamento pode ter importância comercial completamente diferente dependendo do produto imobiliário.
Um empreendimento econômico voltado para famílias com crianças pode ter prioridades diferentes de um residencial de alto padrão.
Não existe, portanto, uma única lista de áreas de lazer capaz de atender igualmente todos os compradores.
A geração também influencia essa preferência
A pesquisa mais recente da Brain sobre wellness aponta diferenças entre gerações.
Segundo o levantamento, consumidores mais jovens tendem a atribuir maior influência a academias e estruturas esportivas na decisão de compra.
Entre consumidores de faixas etárias mais elevadas, aparecem com maior importância atributos relacionados ao conforto interno, isolamento acústico e ambientes silenciosos.
Isso representa uma mudança importante para o desenvolvimento imobiliário.
Em vez de criar empreendimentos com a mesma estrutura de lazer independentemente do público, as incorporadoras podem buscar uma composição mais alinhada ao perfil de quem pretende comprar ou alugar aquelas unidades.
Um condomínio destinado predominantemente a jovens adultos pode ter uma demanda diferente de um empreendimento destinado a famílias ou ao público 50+.
A academia também ajuda a resolver um problema muito simples: falta de tempo
A Brain também pesquisou os hábitos esportivos dos brasileiros.
Em levantamento nacional com mais de 1.200 entrevistados, 37% afirmaram praticar regularmente alguma atividade física no último ano.
Entre as modalidades citadas, a academia apareceu como a opção mais popular, seguida por futebol e caminhada.
Entre aqueles que não praticavam atividade física, a falta de tempo apareceu como principal obstáculo, citada por 66% dos entrevistados.
Esse dado ajuda a compreender por que a academia dentro do próprio condomínio pode ter apelo.
O morador não precisa necessariamente enfrentar trânsito, procurar estacionamento ou deslocar-se para outro bairro para realizar uma atividade.
O equipamento fica a poucos metros de casa.
É uma questão muito simples de rotina.
E, para algumas pessoas, essa conveniência pode ser justamente a diferença entre manter ou abandonar uma atividade física.
Do ponto de vista do incorporador, porém, existe uma conta
Construir uma academia não significa simplesmente criar valor sem custo.
O espaço precisa ser construído, equipado, iluminado, ventilado e mantido.
Equipamentos precisam de manutenção.
O ambiente precisa de limpeza.
Alguns empreendimentos podem precisar de climatização, controle de acesso, renovação de equipamentos e acompanhamento de segurança.
Esses custos acabam fazendo parte da operação do condomínio.
Por isso, existe uma segunda pergunta que precisa acompanhar a decisão de instalar uma academia:
quanto os moradores estão dispostos a pagar para mantê-la?
Uma estrutura sofisticada pode aumentar a atratividade do empreendimento, mas também pode elevar as despesas condominiais.
A análise precisa considerar o equilíbrio entre qualidade, utilização e custo de operação.
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Academia grande nem sempre significa academia melhor
Outro aspecto que merece atenção é a diferença entre quantidade e qualidade.
Uma academia enorme, com dezenas de equipamentos, pode impressionar no material de vendas.
Mas, se o público do empreendimento não utilizar o espaço, o custo de implantação e manutenção pode não fazer sentido.
Por outro lado, uma academia compacta, bem planejada e adequada ao perfil dos moradores pode atender melhor às necessidades reais.
A pesquisa da Brain mostra justamente que presença e utilização são indicadores diferentes.
A academia está presente em 34% dos condomínios pesquisados, mas apenas 20% dos entrevistados afirmam utilizá-la.
Isso não significa que a academia seja desnecessária.
Significa que o projeto precisa considerar o comportamento real do público.
O que o comprador deve observar
Para quem está procurando um imóvel, a existência de academia pode ser um diferencial importante.
Mas vale olhar além das fotografias do material de lançamento.
Algumas perguntas ajudam a avaliar melhor o equipamento:
- Qual é o tamanho real da academia?
- Quantas unidades existem no condomínio?
- Quais equipamentos estarão disponíveis?
- O ambiente possui ventilação adequada?
- Existe climatização?
- Há manutenção prevista para os equipamentos?
- O acesso é livre ou exige agendamento?
- Qual será o custo estimado de manutenção?
- A academia está incluída na estrutura permanente do condomínio?
- O espaço atende ao perfil dos moradores?
Essas questões são especialmente importantes porque o comprador não está adquirindo apenas uma imagem bonita no material publicitário.
Ele está adquirindo uma estrutura que terá custos de manutenção durante toda a vida útil do condomínio.
Para o corretor, a academia pode ser argumento — mas não promessa de valorização
Para o corretor de imóveis, a mudança de comportamento também abre espaço para uma abordagem mais qualificada.
Em vez de simplesmente dizer que determinado imóvel “tem academia”, o profissional pode explicar como aquele equipamento se encaixa no perfil do empreendimento.
Para uma pessoa que treina diariamente, a academia pode representar economia de tempo.
Para alguém que trabalha em home office, pode significar a possibilidade de incorporar atividade física à rotina sem deslocamento.
Para famílias com horários diferentes, pode oferecer flexibilidade.
Para compradores mais jovens, pode estar alinhada a uma preferência maior por estruturas de wellness.
O argumento comercial, portanto, deixa de ser simplesmente:
“O condomínio tem academia.”
E passa a ser:
“Como essa estrutura pode melhorar a rotina de quem vai morar aqui?”
Essa diferença torna a apresentação do imóvel mais humana e menos baseada em uma lista de itens.
Para a incorporadora, o desafio é entregar aquilo que o comprador realmente usa
A pesquisa também traz uma reflexão importante para quem desenvolve empreendimentos.
O mercado imobiliário brasileiro passou por uma fase em que acrescentar cada vez mais itens de lazer parecia uma forma natural de aumentar a atratividade dos lançamentos.
Piscinas, salões, brinquedotecas, espaços gourmet, quadras, coworkings, pet places e academias passaram a dividir espaço nos projetos.
Mas o consumidor está começando a olhar também para a utilidade.
Uma área comum que quase ninguém usa continua custando dinheiro para o condomínio.
Por isso, o desafio não é simplesmente oferecer mais.
É oferecer melhor e de maneira coerente com o público.
A própria Brain chama atenção para essa necessidade ao analisar o conceito wellness: o valor está menos na quantidade de equipamentos e mais na capacidade do empreendimento de responder às necessidades concretas dos moradores.
E os imóveis com academia ficam mais valorizados?
A resposta precisa ser cuidadosa.
Podem ser mais atrativos para determinados compradores e inquilinos, mas os dados brasileiros encontrados nesta apuração não permitem estabelecer uma porcentagem geral de valorização causada exclusivamente pela academia.
Essa diferença entre atratividade e valorização financeira é fundamental.
Uma pesquisa pode mostrar que determinado equipamento é muito desejado.
Outra análise pode mostrar que imóveis com determinada característica têm preço médio maior.
Mas isso ainda não significa necessariamente que aquela característica tenha causado a diferença de preço.
Imóveis com academia podem estar concentrados justamente em empreendimentos novos, maiores, mais modernos e localizados em regiões valorizadas.
Nesse caso, diversos fatores estão acontecendo simultaneamente.
Para medir o efeito isolado da academia sobre o preço seria necessário controlar estatisticamente características como localização, metragem, idade do edifício, padrão construtivo, número de vagas, andar, vista e demais amenidades.
É por isso que a Broker News BR deve tratar a academia como fator de atratividade e de percepção de valor, e não como uma fórmula automática de valorização.
Pesquisas internacionais apontam efeitos, mas não devem ser transportadas diretamente para o Brasil
Existem estudos e levantamentos internacionais que encontram associação entre academias e preços ou aluguéis maiores.
Uma análise sobre empreendimentos multifamily nos Estados Unidos, por exemplo, encontrou associação estatística entre a presença de academia e maiores valores de aluguel em uma amostra extensa de imóveis.
Também existem levantamentos da indústria imobiliária norte-americana que apontam academias, piscinas e outras amenidades como elementos capazes de influenciar o valor percebido e os aluguéis.
Mas esses dados precisam ser tratados como referência internacional, e não como prova de que um apartamento brasileiro com academia terá determinada valorização.
Mercados imobiliários possuem estruturas de preços, localização, custos e comportamentos diferentes.
O mais seguro é utilizar essas pesquisas para contextualizar uma tendência, não para criar uma porcentagem de valorização no Brasil.
O novo conceito de valor no imóvel
A discussão sobre academias revela uma mudança maior.
Durante muito tempo, o imóvel era apresentado principalmente como uma combinação de localização, metragem, número de quartos, vagas e acabamento.
Esses atributos continuam importantes.
Mas agora existe outra pergunta:
como é a vida de quem mora nesse imóvel?
Se o empreendimento facilita a prática de atividade física, oferece áreas verdes, permite trabalhar remotamente, proporciona espaços de convivência e reduz a necessidade de deslocamentos, ele passa a ser percebido como algo além de quatro paredes.
É nesse contexto que o conceito de wellness ganha força.
A pesquisa da Brain mostra que 78% dos entrevistados consideram que um empreendimento com esse conceito influencia positivamente sua decisão de compra.
A academia é apenas uma parte desse movimento.
Uma academia pode ser um diferencial, mas o endereço continua falando alto
O mercado imobiliário é formado por muitas variáveis.
Uma academia pode ajudar a diferenciar dois empreendimentos semelhantes.
Mas não elimina a importância da localização.
A pesquisa da ABRAINC já havia mostrado a força da localização e da segurança na disposição do consumidor de considerar valores acima da média.
Na prática, o comprador pode aceitar pagar mais por um conjunto de características.
Localização, segurança, planta, iluminação, ventilação, condomínio, vagas, áreas verdes e lazer trabalham juntos na formação da percepção de valor.
A academia entra nessa equação.
Mas ela não é a equação inteira.
O que muda para os próximos lançamentos
Os dados indicam que o mercado imobiliário tem uma oportunidade clara.
A academia já aparece entre os itens de lazer mais importantes para os moradores, mas ainda está presente em apenas um terço dos condomínios pesquisados.
Existe, portanto, espaço para que novos projetos pensem melhor essa estrutura.
Isso não significa necessariamente construir academias maiores.
Pode significar desenvolver espaços mais funcionais, melhor localizados dentro do empreendimento, integrados a áreas verdes, com iluminação adequada e equipamentos compatíveis com o público.
Pode também significar integrar a academia a outros ambientes de wellness.
O conceito tende a ser menos sobre “ter uma academia” e mais sobre criar condições para que o morador cuide da própria saúde dentro do lugar onde vive.
O mercado imobiliário começa a vender uma rotina, não apenas um imóvel
Talvez essa seja a principal conclusão dessa transformação.
O comprador continua interessado no apartamento.
Mas também está olhando para aquilo que acontece fora da porta.
Ele quer saber se terá segurança, praticidade, lazer, contato com áreas verdes, espaços para trabalhar e condições para manter seus hábitos.
A academia aparece justamente nessa fronteira entre imóvel e estilo de vida.
Os dados da Brain mostram que ela já alcançou um nível de importância semelhante ao da piscina adulta entre os moradores pesquisados.
Mas os mesmos dados também mostram que importância não significa necessariamente uso intenso, e desejo não significa automaticamente valorização financeira.
É nessa diferença que está a parte mais interessante para o mercado.
A academia deixou de ser apenas um equipamento adicional.
Ela passou a fazer parte da conversa sobre como as pessoas querem morar.
E, para incorporadoras, corretores e investidores, entender essa mudança pode ser tão importante quanto acompanhar o preço do metro quadrado.
Análise Editorial Broker News BR
A pesquisa disponível permite afirmar que a academia ganhou importância na decisão e na percepção de lazer dos moradores de condomínios brasileiros.
O dado mais expressivo é o empate entre academia e piscina adulta: ambas foram citadas por 56% dos entrevistados como áreas de lazer importantes.
Ao mesmo tempo, apenas 34% dos condomínios pesquisados possuem academia.
Esse descompasso entre demanda declarada e oferta é relevante para incorporadoras e pode ajudar a explicar por que o espaço fitness ganhou protagonismo nos lançamentos residenciais.
Mas a apuração não encontrou base suficiente para afirmar que a simples existência de uma academia provoca determinado percentual de valorização no preço do imóvel brasileiro.
Essa distinção é importante.
O valor de um imóvel resulta de uma combinação de fatores, e a própria pesquisa da ABRAINC mostra a força de elementos como localização e segurança na disposição do comprador de considerar valores acima da média.
O que está mudando é a percepção de valor.
O comprador começa a olhar não apenas para o imóvel, mas para a rotina que aquele empreendimento permite construir.
Nesse contexto, academia, áreas verdes, espaços esportivos e outros componentes de wellness passam a fazer parte da proposta de valor dos empreendimentos.
Para a Broker News BR, essa é a leitura mais segura e mais relevante: academia não deve ser tratada como uma fórmula automática de valorização, mas como um atributo que ganhou importância concreta na escolha residencial e que pode aumentar a atratividade de determinados produtos imobiliários quando está alinhado ao público e ao projeto.
Produção Editorial Broker News BR
Esta matéria é um conteúdo original produzido pela equipe editorial da Broker News BR, elaborado com base em pesquisa, apuração e consulta a fontes oficiais e confiáveis do mercado imobiliário para informar corretores de imóveis, imobiliárias, construtoras, incorporadoras e investidores.
Fontes
Brain Inteligência Estratégica — pesquisa nacional sobre hábitos esportivos e comportamento de compra, com mais de 1.200 entrevistados.
Brain Inteligência Estratégica — estudo nacional sobre wellness, comportamento do consumidor e influência de atributos de bem-estar na decisão de compra.
ABRAINC — apresentação sobre perspectivas do mercado imobiliário brasileiro e preferências dos consumidores em relação às áreas de lazer.
ABRAINC / Brain Inteligência Estratégica — pesquisa sobre tendências e comportamento do consumidor imobiliário, incluindo localização, segurança e disposição para pagar valores acima da média.
FipeZAP / Fipe — metodologia dos índices de preços imobiliários, utilizada como referência para compreender os fatores e limitações da medição de preços no mercado residencial.
Consulte fontes oficiais e institucionais
Brain Inteligência Estratégica
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Crédito Editorial
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