Vendas, lançamentos, preços, locações e habitação mostram um mercado em transformação no estado, com forte concentração dos movimentos mais expressivos no Recife e na Região Metropolitana
O mercado imobiliário de Pernambuco atravessa 2026 com sinais importantes de expansão, mas também com uma transformação no perfil da oferta. Os números mais recentes disponíveis mostram um cenário marcado pelo avanço do segmento econômico, pela forte participação do Minha Casa, Minha Vida, pela valorização dos imóveis residenciais no Recife e pela redução significativa da oferta de imóveis usados em Pernambuco.
Para o corretor de imóveis, a imobiliária, a incorporadora, a construtora e o investidor, olhar apenas para o volume de lançamentos não é suficiente. O mercado pernambucano apresenta movimentos diferentes entre imóveis novos e usados, entre venda e locação e, principalmente, entre a capital e os demais municípios.
Nesta edição da série Mercado Imobiliário em Números, a Broker News BR reúne os dados mais recentes que foi possível confirmar em fontes identificáveis e apresenta também uma distinção importante: não encontramos uma única base pública consolidada que permita afirmar que todos os números de vendas e lançamentos da Região Metropolitana do Recife representam o conjunto dos 185 municípios de Pernambuco.
Por isso, os dados de mercado são apresentados exatamente conforme sua abrangência original. Quando o levantamento é do Recife, será tratado como Recife. Quando é da Região Metropolitana, será tratado como RMR. E quando o número é estadual, será apresentado como Pernambuco.
Essa separação é fundamental para evitar uma leitura equivocada dos indicadores.
Pernambuco tem 9,56 milhões de habitantes
Antes de observar os indicadores diretamente relacionados ao mercado imobiliário, é importante dimensionar o tamanho do território que estamos analisando.
Segundo o IBGE, Pernambuco tinha 9.562.007 habitantes na estimativa de população de 2025, contra 9.058.931 pessoas registradas no Censo 2022. O estado possui 185 municípios.
O Recife, por sua vez, tinha população estimada em 1.588.376 habitantes em 2025. A Região Metropolitana do Recife alcançava aproximadamente 3,96 milhões de habitantes, segundo os municípios que compõem a região metropolitana.
Esses números ajudam a explicar por que o Recife e seu entorno aparecem com grande peso nos levantamentos do mercado imobiliário pernambucano.
A concentração populacional cria uma combinação de demanda habitacional, mercado de trabalho, infraestrutura, serviços, mobilidade e atividade econômica que influencia diretamente a produção e a comercialização de imóveis.
Mas há uma ressalva importante: população não é sinônimo de demanda imobiliária efetiva. O número de habitantes serve como dimensão do mercado potencial, mas não permite, sozinho, estimar vendas, lançamentos ou necessidade de novas unidades.
R$ 10,1 bilhões movimentados em vendas em 2025
Um dos principais indicadores disponíveis para entender o mercado pernambucano é o levantamento realizado pela Brain Inteligência Estratégica a pedido da Ademi-PE, referente ao Recife e à Região Metropolitana.
Segundo o estudo, o mercado imobiliário da RMR encerrou 2025 com 12.061 unidades comercializadas e um Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 10,1 bilhões.
O resultado representou crescimento de 53% no VGV em relação a 2024.
Outro levantamento publicado sobre os mesmos dados aponta aproximadamente 12 mil unidades vendidas, totalizando cerca de R$ 10 bilhões, também destacando o crescimento de 53% no volume financeiro.
A diferença de arredondamento entre R$ 10 bilhões e R$ 10,1 bilhões não representa necessariamente divergência entre os estudos divulgados, mas decorre da forma como os números foram apresentados.
Para a Broker News BR, portanto, o dado mais preciso a ser utilizado é:
12.061 unidades comercializadas e R$ 10,1 bilhões em VGV na Região Metropolitana do Recife em 2025.
Esse resultado coloca 2025 como um ano de forte movimentação para o mercado imobiliário da principal região urbana de Pernambuco.
Lançamentos também avançaram
O desempenho das vendas veio acompanhado de expansão da oferta de novos empreendimentos.
Segundo o balanço divulgado pela Ademi-PE, foram lançadas aproximadamente 12 mil unidades em 2025, representando crescimento de 20% sobre o ano anterior.
O Recife apresentou crescimento de 33% nos lançamentos, enquanto os demais municípios da Região Metropolitana registraram uma retração de aproximadamente 1% no indicador.
Esse comportamento merece atenção.
Ele mostra que o mercado não está simplesmente crescendo de maneira uniforme em toda a RMR. A capital teve uma expansão mais forte na produção, enquanto parte dos municípios metropolitanos apresentou comportamento diferente.
Essa distribuição da oferta é particularmente importante para incorporadoras e corretores porque demonstra que a localização continua sendo uma variável decisiva.
Minha Casa, Minha Vida domina os novos lançamentos
Um dos dados mais relevantes do mercado pernambucano em 2026 está relacionado ao perfil dos imóveis que estão chegando ao mercado.
No primeiro trimestre de 2026, as unidades enquadradas no Minha Casa, Minha Vida representaram 84,7% de todos os lançamentos realizados no Recife e na Região Metropolitana.
No mesmo período de 2025, a participação havia sido de 64,6%.
A diferença é expressiva.
Em apenas um ano, a participação do segmento enquadrado no programa habitacional aumentou aproximadamente 20,1 pontos percentuais.
Isso ajuda a explicar uma das principais mudanças observadas no mercado imobiliário do Grande Recife: o segmento econômico passou a ocupar uma posição ainda mais dominante na produção de novas unidades.
O movimento não significa que os demais segmentos tenham desaparecido.
No primeiro trimestre de 2026, o mercado de médio padrão representou 13,9% dos lançamentos, enquanto o segmento de luxo aumentou sua participação no estoque ativo, passando de 0,9% para 4,1%. Os imóveis compactos representaram 0,5% dos novos estoques no período.
Ou seja: existe espaço para diferentes produtos, mas a maior força da produção nova está claramente concentrada no segmento econômico.
Recife vende mais, enquanto a Região Metropolitana amplia a oferta
Os dados do primeiro trimestre de 2026 mostram uma dinâmica interessante.
O Recife lançou oito novos empreendimentos entre janeiro e março, mantendo o mesmo número registrado no primeiro trimestre de 2025.
Já os demais municípios da Região Metropolitana passaram de seis para nove empreendimentos, crescimento de 50% no número de projetos lançados.
Quando observamos as unidades, a diferença fica ainda mais clara.
O Recife lançou 1.142 unidades no trimestre, enquanto a Região Metropolitana chegou a 1.905 unidades, alta de 67% na comparação anual para o conjunto da RMR, segundo os dados divulgados.
Isso mostra uma característica importante do atual ciclo imobiliário pernambucano:
a expansão da oferta não está acontecendo somente dentro da capital.
Municípios do entorno passaram a ganhar maior relevância na produção de habitação, especialmente para produtos destinados ao público econômico.
Recife comercializou 1.388 imóveis no primeiro trimestre
Enquanto a produção se espalha pela região metropolitana, Recife continua exercendo papel central nas vendas.
No primeiro trimestre de 2026, a capital comercializou 1.388 unidades, crescimento de 26% em relação ao primeiro trimestre de 2025.
O VGV dessas vendas chegou a R$ 628 milhões, alta de 51% na comparação anual.
A diferença entre o crescimento das unidades e o crescimento do VGV merece atenção.
Enquanto as vendas em unidades aumentaram 26%, o volume financeiro avançou 51%.
Isso significa que o mercado movimentou mais dinheiro em uma proporção superior ao crescimento físico das unidades vendidas.
É um indicador que merece ser acompanhado pelos profissionais do setor porque pode refletir mudanças no mix dos produtos comercializados, nos preços e na composição dos empreendimentos vendidos.
Entretanto, não seria correto atribuir automaticamente esse crescimento a uma única causa sem uma decomposição específica dos dados.
É justamente nesse ponto que uma análise imobiliária precisa ser cuidadosa.
E a Região Metropolitana?
No conjunto da Região Metropolitana, o primeiro trimestre apresentou 1.742 unidades comercializadas, queda de 8% em relação ao mesmo período de 2025.
Apesar da retração trimestral, o acumulado dos 12 meses anteriores alcançou 12.252 imóveis comercializados, movimentando aproximadamente R$ 6 bilhões em VGV.
O resultado mostra que não existe contradição entre uma queda em determinado trimestre e um mercado que permanece relevante no acumulado.
É necessário sempre observar o período analisado.
Para o corretor, essa distinção é fundamental. Um trimestre isolado pode apresentar oscilações provocadas pelo calendário de lançamentos, pelo ritmo de vendas de determinados empreendimentos ou pela própria composição dos produtos disponíveis.
O acumulado de 12 meses oferece uma visão mais ampla do comportamento do mercado.
Estoque de imóveis novos permanece sob acompanhamento
Outro indicador importante é o estoque.
Ao final do primeiro trimestre de 2026, o estoque auditado pela Brain registrava 5.836 unidades disponíveis no Recife e 3.963 unidades na Região Metropolitana, segundo levantamento divulgado pela Ademi-PE.
O estudo classificou o patamar como saudável para o mercado.
Esse número é particularmente importante para incorporadores.
Estoque não representa simplesmente imóveis que “não foram vendidos”. Ele precisa ser analisado considerando o ritmo de vendas, o tipo de produto, a localização, o preço, o estágio da obra e o tempo de permanência das unidades.
Um estoque maior pode ser perfeitamente administrável quando as vendas acompanham a oferta.
Da mesma maneira, um estoque numericamente menor não significa necessariamente escassez em todos os segmentos.
Por isso, a leitura correta precisa combinar estoque, lançamentos e velocidade de vendas.
O preço médio do metro quadrado no Recife
No mercado residencial monitorado pelo Índice FipeZAP, o Recife apresentou preço médio de R$ 8.680 por metro quadrado em maio de 2026.
Naquele mês, os preços residenciais registraram:
- +0,76% no mês;
- +2,31% no acumulado de 2026;
- +5,93% em 12 meses.
A amostra do indicador contava com 29.693 anúncios em maio.
É importante destacar que o FipeZAP trabalha com preços de anúncios, e não com o valor efetivamente pago em todas as transações realizadas no mercado.
Essa diferença é fundamental.
Preço anunciado e preço efetivamente negociado podem ser diferentes. Portanto, o índice é uma referência importante para acompanhar tendências de preços, mas não deve ser interpretado como uma tabela universal de valores efetivamente transacionados.
Onde estão os maiores preços do Recife?
O levantamento de maio de 2026 também permite observar diferenças relevantes entre bairros.
Entre os locais acompanhados pelo índice, os maiores preços médios foram registrados em:
Parnamirim: R$ 9.935/m²
Madalena: R$ 9.582/m²
Boa Viagem: R$ 9.471/m²
Santo Amaro: R$ 8.652/m²
Casa Amarela: R$ 8.254/m².
Também aparecem com valores relevantes:
Imbiribeira: R$ 8.223/m²
Graças: R$ 7.938/m²
Espinheiro: R$ 7.927/m²
Tamarineira: R$ 7.656/m²
Cordeiro: R$ 6.518/m².
A análise por bairro reforça um ponto conhecido pelos profissionais do setor, mas que os números ajudam a dimensionar: o mercado imobiliário não é homogêneo nem mesmo dentro de uma mesma cidade.
Localização, padrão construtivo, infraestrutura, proximidade de serviços e características do produto influenciam diretamente o comportamento dos preços.
Imóveis de um dormitório chegam a R$ 15.648/m²
Outro dado relevante do primeiro trimestre de 2026 é a diferença de preços segundo o número de dormitórios.
Segundo o levantamento da Brain divulgado pela Ademi-PE, os imóveis de um dormitório apresentaram preço médio de R$ 15.648/m² no Recife.
Os apartamentos de:
dois dormitórios: R$ 9.295/m²
três dormitórios: R$ 11.442/m²
quatro dormitórios: R$ 12.975/m².
O valor mais elevado por metro quadrado dos imóveis de um dormitório não significa que eles sejam necessariamente mais caros em valor total.
Imóveis compactos possuem área menor, e o preço por metro quadrado pode ser significativamente superior.
Esse é outro exemplo de como uma informação isolada pode produzir uma interpretação equivocada.
Para o profissional imobiliário, preço total e preço por metro quadrado precisam ser observados conjuntamente.
Aluguel também apresenta alta
O mercado de locação do Recife também registrou valorização em 2026.
Segundo o Índice FipeZAP de junho, o preço médio anunciado do aluguel residencial chegou a R$ 64,06/m².
A variação foi de:
+0,67% no mês;
+5,62% no acumulado do ano;
+9,40% em 12 meses.
O indicador utilizou uma amostra de 5.398 anúncios em junho de 2026.
O rental yield residencial do Recife estava em 0,71% ao mês e 8,56% ao ano no mesmo período.
Mais uma vez, é importante lembrar que o indicador é baseado em anúncios e deve ser interpretado como referência de mercado, não como registro de todos os contratos efetivamente assinados.
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Alguns bairros tiveram alta ainda maior nos aluguéis
Os dados de junho também mostram diferenças significativas dentro do Recife.
Entre os bairros acompanhados pelo FipeZAP, os preços médios de locação foram:
Pina: R$ 77,30/m²
Parnamirim: R$ 69,60/m²
Boa Viagem: R$ 67,40/m²
Tamarineira: R$ 64,80/m²
Graças: R$ 64,40/m².
Em termos de variação em 12 meses, alguns bairros apresentaram aumentos ainda mais expressivos.
Casa Amarela: +21,6%
Graças: +19,8%
Tamarineira: +14,8%
Madalena: +9,7%
Espinheiro: +8,2%.
O comportamento, entretanto, não foi uniforme.
Na Imbiribeira, por exemplo, o FipeZAP registrou preço médio de R$ 57,60/m² e variação de -4,4% em 12 meses.
Essa diferença é uma demonstração clara de que não se pode dizer simplesmente que “o aluguel subiu em todo o Recife” sem qualificar a afirmação.
A média da cidade subiu, mas determinados bairros tiveram comportamentos distintos.
O mercado de imóveis usados enfrenta outro cenário
Se o mercado de imóveis novos apresenta expansão em determinadas frentes, o segmento de usados enfrenta uma realidade diferente.
Levantamento encomendado pelo Secovi-PE apontou que o estoque de imóveis usados disponíveis para venda em Pernambuco caiu de aproximadamente 81,2 mil unidades em maio de 2025 para 52,2 mil em maio de 2026.
Isso representa uma redução de 35,7%, equivalente a aproximadamente 29 mil imóveis a menos disponíveis.
Esse é um dos números mais importantes para os corretores que trabalham com imóveis usados.
Uma redução dessa magnitude na oferta pode aumentar a disputa por imóveis bem localizados, com documentação regular e preço compatível com a realidade de cada região.
Mas novamente é necessário cuidado.
A redução do estoque não significa automaticamente que os preços subirão na mesma proporção.
Preço depende de uma série de fatores, incluindo demanda, renda, crédito, localização, padrão do imóvel, condições de negociação e disponibilidade de produtos substitutos.
O dado permite afirmar que a oferta disponível caiu.
Não permite afirmar, sozinho, quanto os preços irão subir.
O contraste entre novos e usados
A combinação dos indicadores revela uma situação particularmente interessante.
De um lado, existe forte produção de imóveis novos, especialmente voltados ao segmento econômico e ao Minha Casa, Minha Vida.
De outro, existe redução da oferta de imóveis usados disponíveis para venda.
São movimentos diferentes que podem produzir oportunidades diferentes para os profissionais do mercado.
Para a incorporadora, o avanço do segmento econômico mostra a força da demanda por produtos enquadrados nos programas habitacionais.
Para o corretor de usados, a redução do estoque pode representar um ambiente em que imóveis adequadamente precificados, bem localizados e documentalmente organizados ganham maior relevância.
Para o investidor, os dados de venda e locação permitem acompanhar dois indicadores diferentes: valorização patrimonial e potencial de renda.
E para o consumidor, a consequência é igualmente importante: encontrar o produto adequado pode exigir mais pesquisa e comparação entre imóveis novos e usados.
O peso do Minha Casa, Minha Vida deve continuar relevante
O cenário de 2026 também precisa ser analisado à luz da política habitacional federal.
O Governo Federal informa que, entre janeiro de 2023 e março de 2026, o Minha Casa, Minha Vida havia alcançado 2,3 milhões de moradias contratadas, com mais de 1,9 milhão entregues e mais de R$ 383 bilhões em investimentos realizados no período.
Nas modalidades financiadas, mais de 1,9 milhão de moradias foram contratadas nos três anos analisados.
Mais de 1,2 milhão dessas unidades atenderam famílias com renda mensal de até R$ 5 mil, correspondendo a mais de 66% do total das contratações financiadas.
Esse contexto nacional ajuda a explicar por que o MCMV assumiu uma posição tão importante na produção imobiliária do Grande Recife.
Mas existe ainda um dado específico de Pernambuco que merece atenção.
Pernambuco tem meta de 5.255 unidades no MCMV-FAR
O Ministério das Cidades estabeleceu uma meta de 5.255 unidades habitacionais para Pernambuco dentro de uma das linhas do Minha Casa, Minha Vida pelo Fundo de Arrendamento Residencial (FAR).
No conjunto do Nordeste, a meta apresentada foi de 44.407 unidades.
Esse número não deve ser confundido com o total de imóveis que serão lançados no estado.
Trata-se de uma meta específica da modalidade MCMV-FAR, e não de uma previsão geral de todos os lançamentos imobiliários pernambucanos.
Essa distinção é exatamente o tipo de cuidado que precisa existir quando se trabalha com estatísticas do mercado.
O que os números mostram sobre Pernambuco
Quando todos esses indicadores são colocados lado a lado, surge um retrato mais claro do mercado imobiliário pernambucano.
O estado possui uma população estimada em mais de 9,5 milhões de habitantes.
O Recife concentra uma população superior a 1,5 milhão, enquanto sua Região Metropolitana reúne aproximadamente 3,96 milhões de pessoas.
Na principal região de mercado do estado, 2025 terminou com 12.061 unidades comercializadas e R$ 10,1 bilhões em VGV.
No primeiro trimestre de 2026, o Recife comercializou 1.388 unidades, crescimento de 26%, com VGV de R$ 628 milhões, alta de 51%.
Ao mesmo tempo, o conjunto da RMR comercializou 1.742 unidades no trimestre e acumulou 12.252 unidades nos 12 meses anteriores.
Na produção, o Minha Casa, Minha Vida passou a representar 84,7% das unidades lançadas no Recife e na RMR no primeiro trimestre de 2026.
No mercado residencial anunciado do Recife, o preço médio chegou a R$ 8.680/m² em maio, com alta de 5,93% em 12 meses.
Na locação, o preço médio alcançou R$ 64,06/m² em junho, com alta de 9,40% em 12 meses.
E no mercado de usados em Pernambuco, o estoque disponível para venda caiu 35,7% em um ano, segundo levantamento encomendado pelo Secovi-PE.
São movimentos que não devem ser analisados separadamente.
Um mercado forte, mas que exige leitura local
Os números permitem afirmar que o mercado imobiliário pernambucano apresenta atividade relevante e mudanças importantes em 2026.
Mas eles também mostram por que generalizações podem ser perigosas.
O comportamento do Recife não necessariamente representa o de Petrolina.
O comportamento da Região Metropolitana não necessariamente representa o de Caruaru.
O mercado de imóveis novos não se comporta necessariamente como o mercado de usados.
E o preço dos imóveis não acompanha necessariamente o comportamento dos aluguéis.
Para o profissional imobiliário, essa diferença pode representar uma vantagem competitiva.
Quanto mais precisa for a leitura do mercado local, maior a possibilidade de compreender onde existe oferta, onde existe demanda, quais produtos estão sendo absorvidos e quais permanecem mais tempo disponíveis.
O que o corretor de imóveis deve observar
Para os corretores pernambucanos, alguns indicadores merecem acompanhamento constante.
O primeiro é o estoque.
Se a oferta de usados continua diminuindo, é importante acompanhar quais tipos de imóveis estão desaparecendo primeiro do mercado.
O segundo é o perfil dos lançamentos.
A predominância do Minha Casa, Minha Vida mostra que o segmento econômico possui enorme importância no atual ciclo do Grande Recife.
O terceiro é o preço por metro quadrado, mas sempre considerando localização e padrão.
O quarto é o aluguel.
A valorização de 9,40% em 12 meses no índice FipeZAP para Recife mostra que a locação merece atenção tanto de investidores quanto de profissionais que trabalham com esse segmento.
E o quinto é o crédito imobiliário.
Sem crédito, boa parte da demanda potencial não se transforma em compra efetiva.
A própria CAIXA informa que mantém linhas para imóveis novos e usados, com prazo de até 35 anos, além da possibilidade de utilização do FGTS quando atendidas as regras aplicáveis.
Em março de 2026, o banco também retomou o financiamento individual para imóveis residenciais acima de R$ 2,25 milhões pelo Sistema de Financiamento Imobiliário, utilizando recursos do SBPE.
E o mercado de alto padrão?
Embora o segmento econômico esteja dominando os lançamentos, os dados não indicam desaparecimento do mercado de maior padrão.
Pelo contrário.
O levantamento da Brain apontou aumento da participação do segmento de luxo no estoque ativo do Recife e da RMR, de 0,9% para 4,1% no primeiro trimestre de 2026.
É importante, entretanto, não transformar esse dado em uma conclusão exagerada.
O aumento da participação no estoque ativo não significa que o mercado de luxo esteja crescendo na mesma velocidade do segmento econômico.
Ele significa que sua participação no estoque aumentou.
Essa é uma diferença conceitual importante.
Transparência: o que os dados não permitem afirmar
A Broker News BR considera importante deixar registrado um ponto sobre esta edição.
Não existe, nas fontes consultadas, uma única pesquisa pública e atualizada que reúna vendas, lançamentos, preços e locações dos 185 municípios de Pernambuco em uma mesma metodologia.
Os principais números de lançamentos e vendas encontrados nesta pesquisa são referentes ao Recife e à Região Metropolitana do Recife, enquanto os dados do FipeZAP são referentes ao mercado anunciado da capital.
Já o número de população é estadual e oficial do IBGE.
O dado de imóveis usados é estadual, segundo levantamento encomendado pelo Secovi-PE.
Portanto, não seria correto somar esses indicadores e apresentar o resultado como se todos representassem exatamente o mesmo universo geográfico e metodológico.
É justamente por isso que esta matéria não apresenta números estimados para municípios onde não encontramos uma base confiável e atualizada.
A Broker News BR prefere deixar uma informação fora da tabela a preencher uma lacuna com um número aproximado.
Essa é uma diferença importante entre informar e simplesmente reproduzir estatísticas.
Análise Editorial Broker News BR
Os números de Pernambuco revelam um mercado imobiliário em transformação.
O principal movimento de 2026 está no avanço do segmento econômico, especialmente no Grande Recife. A participação de 84,7% do Minha Casa, Minha Vida nos lançamentos do primeiro trimestre mostra o tamanho dessa mudança.
Ao mesmo tempo, o mercado de usados apresenta uma situação completamente diferente, com redução de 35,7% no estoque disponível para venda no estado.
Temos, portanto, dois mercados convivendo simultaneamente.
Um deles amplia a produção de novas unidades, impulsionado principalmente por políticas habitacionais e pela demanda por produtos econômicos.
O outro apresenta redução da oferta de imóveis usados.
Enquanto isso, os preços anunciados dos imóveis residenciais e dos aluguéis continuam avançando no Recife.
A leitura mais importante, porém, talvez esteja na necessidade de abandonar a ideia de que existe um único “mercado imobiliário de Pernambuco”.
Existem vários mercados dentro do estado.
Recife possui uma dinâmica. A Região Metropolitana possui outra. Municípios do interior possuem características próprias. O litoral possui particularidades. Cidades de forte atividade econômica, turística ou regional também apresentam comportamentos específicos.
Para o corretor de imóveis, essa realidade exige cada vez mais conhecimento local.
Para as incorporadoras, exige análise precisa de produto, localização e público.
Para os investidores, exige atenção à diferença entre valorização, renda de aluguel e liquidez.
E para o consumidor, significa que comparar imóveis apenas pelo preço pode levar a decisões equivocadas.
O mercado pernambucano apresenta números fortes, mas sua verdadeira leitura está nos detalhes.
Conclusão
O mercado imobiliário de Pernambuco chega a 2026 com indicadores que mostram atividade, transformação e oportunidades.
Na Região Metropolitana do Recife, 2025 terminou com 12.061 unidades comercializadas e R$ 10,1 bilhões em VGV, enquanto o primeiro trimestre de 2026 mostrou crescimento expressivo das vendas na capital.
O Minha Casa, Minha Vida ganhou protagonismo e respondeu por 84,7% dos lançamentos do Recife e da RMR no primeiro trimestre.
No Recife, o preço médio anunciado chegou a R$ 8.680/m² em maio, enquanto o aluguel alcançou R$ 64,06/m² em junho.
Ao mesmo tempo, o estoque de imóveis usados disponíveis para venda em Pernambuco caiu 35,7% em um ano.
O conjunto dos números mostra um mercado ativo, mas também heterogêneo.
Mais do que procurar uma única tendência, o profissional imobiliário precisa entender qual mercado está crescendo, onde está crescendo, qual produto está sendo procurado e qual oferta está diminuindo.
É nessa leitura mais precisa que os números deixam de ser apenas estatísticas e passam a se transformar em informação estratégica para quem trabalha diariamente com imóveis.
Produção Editorial Broker News BR
Esta matéria foi produzida pela equipe editorial da Broker News BR com base em pesquisa, apuração e consulta a fontes oficiais e fontes setoriais identificáveis.
Os dados foram confrontados sempre que possível entre diferentes publicações e apresentados de acordo com seu período de referência e abrangência geográfica.
Importante: números referentes ao Recife e à Região Metropolitana do Recife não foram apresentados como se representassem automaticamente os 185 municípios de Pernambuco. Quando não foi localizada uma estatística estadual confiável e atualizada para determinado indicador, a Broker News BR optou por não estimar ou preencher a informação.
Crédito Editorial: A Broker News BR investe em pesquisa, apuração e organização de informações para produzir conteúdo confiável para o mercado imobiliário. Se esta matéria contribuir para seu trabalho jornalístico, acadêmico ou editorial, considere citar a Broker News BR como uma das fontes consultadas.
Fontes
- IBGE — Estimativas da população e informações territoriais de Pernambuco.
- Brain Inteligência Estratégica / Ademi-PE — balanço do mercado imobiliário do Recife e Região Metropolitana.
- Índice FipeZAP — preços de venda residencial no Recife, maio de 2026.
- Índice FipeZAP — preços de locação residencial no Recife, junho de 2026.
- Secovi-PE — levantamento sobre estoque de imóveis usados em Pernambuco, divulgado em julho de 2026.
- Governo Federal / Ministério das Cidades — dados e metas do Minha Casa, Minha Vida.
- CAIXA — crédito imobiliário e financiamento habitacional.
Consulte as fontes oficiais
IBGE — Estimativas da população 2025
Índice FipeZAP — Venda Residencial, maio de 2026
Índice FipeZAP — Locação Residencial, junho de 2026
Governo Federal — Minha Casa, Minha Vida
Ministério das Cidades — Bases de dados do Minha Casa, Minha Vida
CAIXA — Financiamento de imóveis
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