Área de 64 mil m² na Praia Brava, em Itajaí, atravessou décadas de restrições e negociações antes de dar lugar ao Tempo, empreendimento de ultra luxo com arquitetura da Foster + Partners e Hotel Emiliano
Uma área de aproximadamente 64 mil metros quadrados no Canto do Morcego, na Praia Brava Norte, em Itajaí (SC), permaneceu durante décadas praticamente intocada. Cercado por Mata Atlântica, restinga e uma das paisagens mais valorizadas do litoral catarinense, o terreno atravessou anos de incertezas jurídicas, restrições ambientais e negociações entre proprietários.
Agora, a área está no centro de um dos projetos imobiliários mais ambiciosos de Santa Catarina.
O empreendimento Tempo, da incorporadora Müze, tem Valor Geral de Vendas (VGV) estimado em R$ 2,5 bilhões e reúne residências de altíssimo padrão, um hotel da marca Emiliano e arquitetura assinada pela Foster + Partners, escritório fundado pelo arquiteto britânico Norman Foster.
A história, porém, precisa de uma correção importante em relação à informação que circulou no mercado.
O terreno não deve ser descrito simplesmente como “vendido por R$ 500 milhões”.
Segundo a Exame, a incorporadora informou que o ativo valia cerca de R$ 500 milhões caso fosse adquirido integralmente em dinheiro em 2021. A negociação efetivamente realizada ocorreu por meio de permuta, envolvendo os antigos proprietários e a incorporadora.
A diferença parece pequena na manchete, mas é enorme do ponto de vista jornalístico.
Uma coisa é o valor atribuído ao ativo em determinada estrutura de aquisição.
Outra é afirmar que alguém pagou R$ 500 milhões em dinheiro pelo terreno.
A Broker News BR não vai tratar uma avaliação como se fosse preço efetivamente pago.
O que está documentado é que uma área avaliada em aproximadamente R$ 500 milhões em uma hipótese de aquisição integral em dinheiro passou a sustentar um empreendimento com VGV estimado em R$ 2,5 bilhões.
E essa transformação, por si só, já é uma história imobiliária de enorme relevância.
De área praticamente intocada a projeto de ultra luxo
O terreno está localizado no Canto do Morcego, na Praia Brava Norte, uma das áreas de maior interesse imobiliário do litoral catarinense.
Durante décadas, a região permaneceu sem uma ocupação imobiliária de grande escala.
Segundo informações divulgadas pela incorporadora e repercutidas pela Exame, a área atravessou anos de restrições ambientais e incertezas jurídicas, enquanto diferentes proprietários mantinham os terrenos sem uma exploração imobiliária relevante.
No passado, parte dos espaços chegou a abrigar dois beach clubs.
Mas o desenvolvimento de um projeto imobiliário de grande porte dependia de uma combinação muito mais complexa de fatores: unificação das áreas, definição das possibilidades construtivas, questões ambientais, planejamento urbano e estruturação da operação.
A negociação iniciada em 2021 envolveu três grandes proprietários.
A solução encontrada foi a permuta, modelo no qual os proprietários recebem parte da operação em unidades do próprio empreendimento e parte em recursos financeiros.
A união dos terrenos criou a escala necessária para um projeto de características muito particulares.
E é justamente aí que começa a segunda parte da história.
O projeto que pretende mudar a lógica do luxo na Praia Brava
O Tempo não foi concebido para repetir o modelo de verticalização que transformou Balneário Camboriú em um dos mercados imobiliários mais conhecidos do Brasil.
A proposta é diferente.
Em vez de maximizar a quantidade de pavimentos, o projeto trabalha com baixa densidade construtiva, grandes áreas abertas e integração com a paisagem.
O empreendimento será formado por oito torres: sete residenciais e uma destinada ao Hotel Emiliano.
A arquitetura é assinada pela Foster + Partners, escritório internacional fundado por Norman Foster.
O próprio projeto descreve a arquitetura como uma extensão da geografia da Praia Brava, com volumes que acompanham o terreno e buscam estabelecer uma relação menos agressiva entre construção e paisagem.
A proposta não é simplesmente colocar um edifício de luxo diante do mar.
É transformar a própria relação entre arquitetura, natureza, hotelaria e residência em parte do produto imobiliário.
A assinatura de Norman Foster
A escolha da Foster + Partners é um dos elementos que colocam o projeto em uma categoria diferente.
O escritório é responsável por projetos reconhecidos internacionalmente e, no Tempo, participa do desenho arquitetônico de um empreendimento residencial de altíssimo padrão no Brasil.
A própria Foster + Partners apresenta o projeto como uma arquitetura que procura acompanhar a paisagem, utilizando curvas, transições e materiais para integrar os volumes construídos ao entorno.
A importância dessa assinatura não está apenas no nome do arquiteto.
No mercado de ultra luxo, arquitetura pode fazer parte da estratégia de valorização e diferenciação do produto.
Um apartamento deixa de ser vendido exclusivamente por metragem, número de suítes ou vista para o mar.
Passa a incorporar também conceitos como autoria, exclusividade, design, experiência e escassez.
É uma lógica semelhante à observada em outros segmentos do luxo, nos quais a marca e a assinatura do produto ajudam a estabelecer seu posicionamento.
O Hotel Emiliano entra no projeto
Outro elemento de peso é a presença do Hotel Emiliano.
O complexo terá uma torre hoteleira com 47 suítes, integrando a operação de hospitalidade ao conjunto residencial.
A proposta é que os serviços do hotel façam parte da experiência do empreendimento, criando uma espécie de conexão entre hotelaria e residência.
Segundo informações divulgadas sobre o projeto, estão previstos serviços de hospitalidade, gastronomia, wellness e atendimento personalizado.
O empreendimento também deverá contar com estruturas de bem-estar, piscinas, academias, espaços para atividades físicas e outras áreas voltadas à experiência dos moradores e hóspedes.
A previsão divulgada é de entrega faseada, com o hotel previsto para 2029 e as torres residenciais para 2030.
83 residências em um terreno de 64 mil m²
O número de unidades também ajuda a entender a proposta.
O projeto prevê 83 residências.
As plantas informadas pela incorporadora variam aproximadamente de 390 m² a 800 m² privativos, de acordo com a apresentação mais recente repercutida pela Exame.
São números muito diferentes dos empreendimentos residenciais convencionais.
Quando um projeto possui centenas de apartamentos, o valor do terreno precisa ser distribuído por uma quantidade muito maior de unidades.
No Tempo, a quantidade de residências é limitada.
Isso cria um produto baseado em escassez.
E escassez é uma das características mais importantes do mercado de luxo.
O terreno não será totalmente ocupado
Talvez um dos dados mais importantes do projeto seja justamente aquilo que não será construído.
Apesar dos aproximadamente 64 mil m² de área total, a proposta prevê ocupação de apenas cerca de 36% da propriedade, pouco mais de 25 mil m².
O restante permanecerá preservado.
Essa característica está diretamente relacionada às condições ambientais e urbanísticas da região.
O projeto está inserido em uma área com restrições ambientais e parâmetros específicos de ocupação.
A legislação municipal também estabelece áreas de preservação e parâmetros construtivos específicos para a Praia Brava Norte e o Canto do Morcego.
Assim, a proposta do empreendimento não é simplesmente utilizar todo o potencial físico do terreno.
É justamente trabalhar com uma ocupação menor.
Uma região ambientalmente sensível
A história do terreno não pode ser contada somente pelo lado imobiliário.
O Canto do Morcego possui importância ambiental.
Em abril de 2025, o Ministério Público Federal em Santa Catarina recomendou ao município de Itajaí e ao Instituto Itajaí Sustentável que suspendessem a concessão de licenças para construção na Praia Brava Norte, até a instalação definitiva de unidades de conservação previstas para a região.
O MPF apontou preocupações relacionadas à restinga, ao sombreamento e às condições de ocupação da área.
O órgão também destacou a presença de remanescentes de Mata Atlântica e diferentes tipos de vegetação de restinga no Canto do Morcego.
Esse contexto é essencial para compreender por que a área permaneceu praticamente intocada por tanto tempo e por que qualquer projeto de grande porte na região envolve uma discussão que vai muito além do mercado imobiliário.
O debate ambiental acompanha a transformação da região
A Praia Brava vive atualmente um processo de transformação urbana.
Ao mesmo tempo em que novos empreendimentos chegam à região, o poder público também trabalha em projetos de mobilidade, revitalização e preservação ambiental.
Em 2026, o Município de Itajaí e a Associação dos Proprietários e Moradores da Praia Brava formalizaram termos de cooperação para projetos executivos envolvendo intervenções viárias, parques e requalificação das orlas Norte e Sul.
Entre as iniciativas está o desenvolvimento do Parque Natural Municipal do Canto do Morcego.
O município também trabalha na elaboração do plano de manejo da APA da Orla de Itajaí e do Parque Municipal do Canto do Morcego.
Portanto, a região está vivendo duas transformações simultâneas:
uma transformação imobiliária e econômica;
e uma transformação ambiental e urbanística.
O equilíbrio entre essas duas forças será um dos pontos mais importantes para o futuro da Praia Brava Norte.
O parque natural também faz parte da nova configuração da região
Em 2025, o município criou oficialmente o Parque Natural Municipal do Canto do Morcego, uma unidade de conservação de proteção integral.
O decreto municipal considera uma área de aproximadamente 25.196,97 m² destinada à implantação do parque.
A criação do parque demonstra que a região não está sendo tratada apenas como uma nova fronteira de expansão imobiliária.
Existe também uma estratégia de conservação.
Em 2026, o município informou que avançava na elaboração do plano de manejo da APA da Orla e do Parque Natural Municipal do Canto do Morcego, com participação de entidades da sociedade civil no conselho gestor.
Esse cenário torna ainda mais relevante a proposta do Tempo de manter parcela significativa de sua própria área preservada.
R$ 2,5 bilhões não significam investimento de R$ 2,5 bilhões
Outro cuidado jornalístico importante.
O número de R$ 2,5 bilhões corresponde ao Valor Geral de Vendas estimado, o VGV.
Não significa que a incorporadora esteja desembolsando R$ 2,5 bilhões para construir o empreendimento.
Também não significa lucro de R$ 2,5 bilhões.
VGV é a soma estimada do valor de venda das unidades de um empreendimento.
No caso do Tempo, a própria Melnick informou ao mercado, em fato relevante, que o VGV estimado pela Müze é de R$ 2,5 bilhões. A Melnick participa do projeto por meio de prestação de consultoria.
Essa distinção é fundamental para qualquer análise econômica.
Um projeto com VGV de R$ 2,5 bilhões ainda envolve custos de terreno, construção, projetos, financiamento, marketing, impostos, comercialização, despesas administrativas e outros componentes.
Portanto:
R$ 2,5 bilhões = VGV estimado.
Não:
R$ 2,5 bilhões = lucro.
O terreno de R$ 500 milhões também precisa ser explicado
A mesma cautela vale para os R$ 500 milhões.
A matéria publicada pela Exame em 23 de agosto de 2026 informa que, segundo a incorporadora, o ativo valia cerca de R$ 500 milhões caso fosse adquirido integralmente em dinheiro em 2021.
A negociação efetivamente realizada, entretanto, ocorreu por meio de permuta.
Isso significa que os antigos proprietários participaram economicamente do empreendimento.
Em vez de simplesmente receberem um cheque correspondente ao valor integral do terreno, a operação foi estruturada com participação em unidades do próprio projeto e recursos financeiros.
Por isso, a manchete correta para a Broker News BR não deve afirmar que:
“Terreno foi comprado por R$ 500 milhões em dinheiro.”
A forma mais precisa é:
“Área avaliada em cerca de R$ 500 milhões em 2021 sustenta projeto de R$ 2,5 bilhões.”
É menos chamativa?
Talvez.
Mas é muito mais correta.
A conta que chama atenção
Mesmo sem fazer qualquer estimativa de lucro, existe uma comparação que ajuda a dimensionar o projeto.
O terreno tem aproximadamente 64 mil m².
O VGV estimado é de R$ 2,5 bilhões.
Isso significa que o VGV corresponde, em uma comparação meramente matemática, a aproximadamente R$ 39 mil por metro quadrado de terreno.
Mas esse cálculo não representa preço do terreno, custo de construção ou valor de mercado da área.
É apenas uma maneira de dimensionar o tamanho econômico do projeto.
O VGV é formado pelo valor de venda das unidades e não pelo valor do terreno.
Por isso, a comparação serve apenas como indicador da escala financeira da operação.
Um projeto com mais de 100 mil m² de área construída
A dimensão física do empreendimento também é expressiva.
A PRIME3 Engenharia informou, em publicação sobre o início das obras, que o Tempo terá mais de 103 mil m² de área construída. A empresa participa do projeto em estudos técnicos, pré-engenharia e planejamento.
Isso significa que um terreno de 64 mil m² receberá um complexo cuja área construída total será significativamente superior à área do próprio terreno.
Isso ocorre porque os diferentes pavimentos das torres são somados no cálculo da área construída.
O número ajuda a dimensionar a complexidade da obra.
Não se trata apenas de erguer oito estruturas.
É um projeto que envolve arquitetura internacional, hotelaria, infraestrutura, paisagismo, áreas de lazer, serviços e integração com uma área ambientalmente sensível.
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A entrada da Melnick em Santa Catarina
O projeto também representa um movimento estratégico para outra empresa relevante do mercado.
Em dezembro de 2024, a Melnick comunicou ao mercado que iniciaria sua atuação em Santa Catarina por meio de participação no Projeto Tempo da Müze.
A companhia informou que sua participação ocorre por meio de prestação de consultoria no empreendimento.
O fato relevante também confirmou dois elementos fundamentais do projeto:
- arquitetura assinada por Norman Foster;
- torre hoteleira operada pelo Hotel Emiliano.
E registrou o VGV estimado de R$ 2,5 bilhões informado pela Müze.
A participação da Melnick mostra que o projeto também possui interesse estratégico para empresas com experiência no mercado imobiliário de grande porte.
Praia Brava Norte ganha uma nova posição no mapa do luxo
A Praia Brava já era conhecida.
Mas o Tempo pode ajudar a reposicionar a parte norte da região dentro do mercado de ultra luxo.
O empreendimento reúne três elementos difíceis de encontrar juntos:
uma área natural de grande escala;
localização à beira-mar;
um projeto arquitetônico de assinatura internacional.
A isso se soma o Hotel Emiliano.
O resultado é uma proposta de branded residence, em que a experiência residencial é associada a uma marca de hospitalidade.
Essa combinação cria uma categoria diferente do condomínio tradicional.
O comprador não está adquirindo apenas metragem.
Está adquirindo localização, arquitetura, serviços, privacidade e associação a uma marca de luxo.
A estratégia é diferente da de Balneário Camboriú
Balneário Camboriú tornou-se internacionalmente conhecida pelos arranha-céus residenciais e pela intensa verticalização de sua orla.
O Tempo pretende apresentar uma alternativa.
A própria Müze descreve o projeto como uma proposta de baixa densidade e integração com a natureza.
A lógica é quase inversa.
Em vez de aproveitar ao máximo o potencial vertical de uma área pequena, o projeto utiliza uma área extensa e mantém uma parcela significativa do terreno preservada.
Isso cria um produto mais raro.
E, no mercado de luxo, raridade é um componente importante de valor.
O verdadeiro produto pode ser a escassez
A discussão sobre imóveis de luxo frequentemente se concentra no preço por metro quadrado.
Mas existe outra variável.
Quantos imóveis semelhantes podem ser construídos no mesmo lugar?
No caso da Praia Brava Norte, a resposta é: poucos.
A geografia, as restrições ambientais e a legislação limitam a expansão.
Isso ajuda a explicar por que terrenos grandes e bem localizados adquiriram tanta importância.
Uma área de 64 mil m² diante de uma paisagem preservada não é simplesmente um terreno grande.
É um ativo raro.
E a dificuldade de reproduzir esse ativo no futuro pode ser justamente parte da estratégia de posicionamento do empreendimento.
O projeto também representa uma mudança no conceito de luxo
O mercado de luxo imobiliário brasileiro passou por uma transformação.
Durante muitos anos, luxo era associado principalmente a:
- grandes apartamentos;
- quantidade de suítes;
- piscinas privativas;
- elevadores exclusivos;
- materiais sofisticados;
- grandes áreas.
Esses elementos continuam importantes.
Mas novos compradores passaram a valorizar também:
privacidade;
natureza;
bem-estar;
serviços;
arquitetura;
gastronomia;
experiência;
localização;
exclusividade.
O Tempo foi estruturado justamente sobre essa combinação.
Hotelaria dentro de uma experiência residencial
A presença do Emiliano é particularmente relevante.
Em um condomínio convencional, o proprietário contrata serviços separadamente.
No Tempo, a proposta é integrar a hospitalidade ao próprio empreendimento.
A marca Emiliano deverá operar o hotel e participar da experiência de serviços oferecida aos moradores.
Essa aproximação entre hotel e residência já é uma tendência consolidada no mercado internacional de luxo.
No Brasil, porém, projetos com essa combinação ainda são relativamente raros.
Por isso, o empreendimento também pode funcionar como referência para futuros projetos de alto padrão no litoral brasileiro.
O impacto para Itajaí
O projeto também deve ser analisado dentro da transformação econômica de Itajaí.
A Exame destaca que a cidade passou a ocupar uma posição econômica relevante em Santa Catarina e que o empreendimento busca atingir não apenas compradores de segunda residência, mas também empresários e profissionais ligados à economia local.
Isso muda o perfil do empreendimento.
Um projeto desse porte não depende exclusivamente do turismo.
Ele pode também ser influenciado pela expansão econômica da cidade, pela atividade portuária, pela geração de renda e pelo crescimento de serviços especializados.
A Praia Brava, nesse contexto, pode funcionar como endereço residencial de alto padrão para pessoas que vivem, trabalham ou mantêm negócios na região.
O que o projeto pode representar para o corretor de imóveis
Para os profissionais que atuam em Santa Catarina, o Tempo também mostra uma mudança no nível de complexidade do mercado.
O corretor que trabalha com ultra luxo precisa conhecer:
- arquitetura;
- urbanismo;
- legislação;
- características ambientais;
- serviços;
- hotelaria;
- perfil do comprador;
- histórico da região;
- liquidez;
- diferenciais construtivos;
- e posicionamento do empreendimento.
Não basta apresentar a metragem.
O profissional precisa explicar o conceito do produto.
No caso do Tempo, essa explicação envolve uma história que começou muito antes do lançamento.
Começa com uma área que permaneceu praticamente intocada durante décadas.
Passa pela negociação entre proprietários.
Entra nas restrições ambientais.
Chega à unificação dos terrenos.
E termina em um empreendimento que pretende reunir Foster + Partners, Emiliano e uma proposta de baixa densidade em uma das regiões mais disputadas do litoral catarinense.
Essa história tem valor comercial.
Uma área que esperou décadas para ser transformada
Talvez esse seja o aspecto mais interessante de toda a operação.
Em um mercado acostumado à velocidade, o terreno do Canto do Morcego é uma história de espera.
Foram décadas sem uma ocupação imobiliária de grande escala.
A área permaneceu praticamente intocada enquanto a região ao redor se transformava.
Balneário Camboriú cresceu.
Itajaí cresceu.
A Praia Brava ganhou novos empreendimentos.
O litoral norte de Santa Catarina se tornou um dos principais polos de imóveis de alto padrão do país.
E aquela área permaneceu ali.
Até que uma combinação de proprietários, incorporadores, arquitetos, operadores hoteleiros, investidores e estruturação imobiliária tornou possível um projeto de escala muito maior.
O terreno não ficou valioso apenas porque recebeu um empreendimento.
Ele já era um ativo raro.
O projeto apenas encontrou uma forma de transformar essa raridade em produto imobiliário.
O desafio agora é executar
Depois de anos de negociações e estruturação, começa outra etapa.
A execução.
Um empreendimento com mais de 103 mil m² de área construída, oito torres, hotel, residências de grandes dimensões, infraestrutura de serviços e integração ambiental exige planejamento técnico de alto nível.
A complexidade aumenta porque o projeto está localizado justamente em uma área onde questões ambientais e urbanísticas possuem peso significativo.
O município, por sua vez, vem estruturando projetos de mobilidade, parques e revitalização da Praia Brava.
A infraestrutura da região precisará acompanhar o crescimento.
E esse será um dos grandes temas para os próximos anos.
Não é apenas um empreendimento imobiliário
O Tempo pode ser entendido de várias maneiras.
Para a Müze, é o primeiro grande projeto da incorporadora.
Para a Melnick, representa a entrada no mercado catarinense.
Para o Emiliano, significa a expansão da marca para uma nova região.
Para a Foster + Partners, representa sua presença em um empreendimento residencial de grande porte no Brasil.
Para Itajaí, representa mais uma etapa de transformação da Praia Brava.
Para os proprietários originais, é o resultado de uma negociação que levou anos.
E para o mercado imobiliário, é um exemplo de como um terreno raro pode se transformar em um ativo imobiliário de bilhões de reais quando existe uma combinação de localização, capital, projeto, marca e demanda.
Conclusão
A história do terreno do Canto do Morcego, na Praia Brava Norte, é uma das mais interessantes do mercado imobiliário catarinense neste momento.
A área de aproximadamente 64 mil m² permaneceu praticamente intocada durante décadas, atravessando restrições ambientais, questões jurídicas e diferentes etapas de negociação.
A partir de 2021, a Müze estruturou a aquisição e unificação das áreas pertencentes a três grandes proprietários. A operação foi realizada por meio de permuta, e não deve ser descrita simplesmente como uma compra à vista de R$ 500 milhões.
Segundo a incorporadora, o ativo valia cerca de R$ 500 milhões caso fosse adquirido integralmente em dinheiro em 2021. Hoje, a área sustenta o Tempo, empreendimento com VGV estimado em R$ 2,5 bilhões.
O projeto terá sete torres residenciais e uma torre do Hotel Emiliano, com 83 residências e 47 suítes hoteleiras. A arquitetura é assinada pela Foster + Partners, escritório fundado por Norman Foster.
A proposta é de baixa densidade.
Dos aproximadamente 64 mil m² do terreno, cerca de 36% serão ocupados, mantendo o restante preservado.
Essa característica é particularmente importante porque o Canto do Morcego possui relevância ambiental e está inserido em uma região submetida a regras específicas de proteção e ocupação.
O Ministério Público Federal já manifestou preocupação com o processo de ocupação da Praia Brava Norte, enquanto o município avança na implantação e no planejamento de unidades de conservação e projetos de revitalização da região.
Portanto, o Tempo não representa apenas mais um lançamento de alto padrão.
Ele representa a tentativa de criar um novo modelo de empreendimento no litoral catarinense:
menos verticalização, mais terreno;
menos unidades, maior metragem;
menos quantidade, mais exclusividade;
menos separação entre hotel e residência, mais integração de serviços;
e uma arquitetura pensada para dialogar com a paisagem.
O resultado financeiro projetado é expressivo.
R$ 2,5 bilhões em VGV.
Mas talvez o verdadeiro ativo esteja justamente naquilo que não pode ser facilmente reproduzido:
uma grande área diante do mar, cercada por natureza, em uma região cuja disponibilidade de terrenos semelhantes é extremamente limitada.
Para o mercado imobiliário brasileiro, será um projeto para acompanhar.
Para Itajaí, pode representar uma nova etapa na consolidação da Praia Brava como endereço nacional do mercado de luxo.
E para a Broker News BR, a história deixa uma lição importante:
no mercado imobiliário, alguns dos maiores negócios começam muito antes do primeiro lançamento — começam na identificação de um terreno raro e na capacidade de transformá-lo em um projeto que o mercado não consegue encontrar em outro lugar.
Análise Editorial Broker News BR
O caso do Tempo é especialmente relevante porque reúne vários elementos importantes para compreender o mercado imobiliário de alto padrão em Santa Catarina: escassez territorial, preservação ambiental, capital privado, arquitetura internacional, hotelaria de luxo, branded residence e valorização de ativos imobiliários raros.
A Broker News BR considera importante destacar uma diferença fundamental na apuração: R$ 500 milhões não devem ser apresentados como o preço efetivamente pago em dinheiro pelo terreno.
A informação publicada pela Exame é que o ativo valia cerca de R$ 500 milhões em uma hipótese de aquisição integral em dinheiro em 2021. A operação efetivamente realizada envolveu permuta entre os proprietários e a incorporadora.
Da mesma maneira, R$ 2,5 bilhões representam VGV estimado, e não lucro ou investimento total na construção.
A matéria também separa os dados do empreendimento das informações sobre a região e não trata questões ambientais como detalhe secundário. A Praia Brava Norte possui histórico de discussões relacionadas à ocupação, restinga, sombreamento e unidades de conservação.
Essa combinação de rigor financeiro, imobiliário e ambiental é fundamental para compreender corretamente a dimensão do projeto.
Produção Editorial Broker News BR
Esta matéria é um conteúdo original produzido pela equipe editorial da Broker News BR, elaborado com base em pesquisa, apuração e consulta a fontes oficiais e confiáveis do mercado imobiliário para informar corretores de imóveis, imobiliárias, construtoras, incorporadoras e investidores.
Fontes
- Exame — reportagem publicada em 23 de agosto de 2026 sobre o terreno e o projeto Tempo.
- TEMPO by Müze — informações oficiais do empreendimento.
- Melnick — fato relevante sobre sua entrada em Santa Catarina e participação no Projeto Tempo.
- Foster + Partners — informações sobre a arquitetura do projeto.
- Município de Itajaí / INIS — informações sobre planejamento urbano, ambiental e unidades de conservação da Praia Brava.
- Ministério Público Federal — informações sobre questões ambientais e urbanísticas na Praia Brava Norte.
Consulte as fontes oficiais
Exame — Terreno há décadas intocado é comprado para projeto bilionário em SC
TEMPO by Müze — site oficial do empreendimento
Melnick — Fato relevante sobre o Projeto Tempo
Ministério Público Federal — Praia Brava Norte
Município de Itajaí — projetos e preservação da Praia Brava
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Crédito Editorial
A Broker News BR investe em pesquisa, apuração e organização de informações para produzir conteúdo confiável para o mercado imobiliário. Se esta matéria contribuir para seu trabalho jornalístico, acadêmico ou editorial, considere citar a Broker News BR como uma das fontes consultadas.










