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Um Apartamento, Até 52 Donos: Como a Multipropriedade Está Revolucionando o Mercado Imobiliário Turístico no Brasil

Empreendimento da Hard Rock em Gramado ultrapassa R$ 1 bilhão em vendas e reforça a força de um modelo que vem ganhando espaço entre investidores e consumidores

O mercado imobiliário brasileiro vive uma transformação silenciosa, mas extremamente significativa. Um modelo que há alguns anos ainda despertava dúvidas entre investidores e consumidores agora movimenta bilhões de reais em vendas e se consolida como uma das principais tendências do turismo imobiliário nacional: a multipropriedade.

O exemplo mais recente vem de Gramado, na Serra Gaúcha. O Residence Club at Hard Rock Hotel Gramado ultrapassou a impressionante marca de R$ 1 bilhão em Valor Geral de Vendas (VGV), tornando-se um dos maiores cases de sucesso da multipropriedade no país. O empreendimento será operado pela marca Hard Rock e tem entrega prevista para 2028.

Mas afinal, como funciona esse modelo que permite que até 52 pessoas sejam proprietárias do mesmo apartamento?

Na multipropriedade, o imóvel é dividido em frações correspondentes às semanas do ano. Cada comprador adquire uma cota que lhe garante o direito de uso durante um período específico, além de participação formal na propriedade do bem. No caso do Hard Rock Hotel Gramado, um único apartamento poderá ter até 52 proprietários, um para cada semana do calendário anual.

A proposta tem atraído consumidores que desejam usufruir de imóveis de alto padrão em destinos turísticos sem a necessidade de adquirir uma unidade inteira. Segundo informações divulgadas pela incorporadora responsável pelo projeto, cada cota está sendo comercializada por cerca de R$ 89 mil, valor significativamente inferior ao custo de aquisição integral de um apartamento dentro do empreendimento.

O sucesso comercial chama atenção. O projeto já acumula aproximadamente 10 mil clientes e alcançou a marca bilionária em vendas antes mesmo da conclusão das obras. O complexo ocupará uma área de 14 hectares e contará com 858 quartos, restaurantes, cafeterias, bares, spa, centro de convenções, áreas de lazer e um mall com operações comerciais.

A escolha de Gramado não foi por acaso. A cidade se consolidou como um dos destinos turísticos mais fortes do Brasil, recebendo milhões de visitantes todos os anos. Eventos como o Natal Luz, a gastronomia, a arquitetura inspirada em cidades europeias e o forte calendário turístico ajudam a reduzir a sazonalidade e tornam o município atrativo para investidores e operadores do setor de hospitalidade.

Além do impacto imobiliário, a multipropriedade também movimenta a economia local. Empreendimentos desse porte geram empregos diretos e indiretos durante a construção e operação, fortalecendo setores como hotelaria, gastronomia, comércio e serviços. Especialistas observam que o modelo vem contribuindo para ampliar a capacidade turística de cidades como Gramado, Olímpia, Caldas Novas e Foz do Iguaçu.

No entanto, como qualquer modalidade de investimento, a multipropriedade também gera debates. Em fóruns de investidores e consumidores, há opiniões divergentes sobre liquidez, custos de manutenção e potencial de revenda das cotas. Alguns proprietários destacam a experiência de uso e o acesso a destinos turísticos de alto padrão como principais vantagens. Outros alertam para a importância de analisar cuidadosamente contratos, taxas e perspectivas de valorização antes da compra.

Esse debate mostra que a multipropriedade não deve ser encarada apenas como investimento financeiro tradicional. Em muitos casos, o comprador adquire também uma experiência de férias recorrente, acesso a serviços de hotelaria e a possibilidade de utilização familiar ao longo de décadas. A própria Mundo Planalto, responsável pelo empreendimento de Gramado, afirma que o objetivo principal é oferecer experiências de lazer e hospitalidade, além da propriedade imobiliária em si.

Outro aspecto relevante é a evolução do setor. Executivos da indústria acreditam que o mercado brasileiro está amadurecendo e caminhando para modelos ainda mais sofisticados de compartilhamento de uso, aproximando-se de tendências internacionais já consolidadas em destinos turísticos dos Estados Unidos e da Europa.

O sucesso do Hard Rock Hotel Gramado demonstra que existe demanda para esse formato. Mais do que vender imóveis, os empreendimentos de multipropriedade vendem experiências, conveniência e a possibilidade de acesso a destinos turísticos premium por valores mais acessíveis do que a compra integral de uma unidade.

Conclusão

O caso do Hard Rock Hotel Gramado mostra que a multipropriedade deixou de ser uma curiosidade do mercado imobiliário para se tornar um segmento bilionário dentro da indústria do turismo e da hospitalidade.

Com mais de R$ 1 bilhão em vendas, milhares de clientes e projetos cada vez mais sofisticados, o modelo ganha espaço em diversas regiões do Brasil e amplia as possibilidades para investidores e consumidores.

Para o mercado imobiliário, trata-se de uma tendência que merece atenção. Para os compradores, a recomendação continua sendo a mesma: avaliar cuidadosamente cada projeto, compreender o modelo de negócio e alinhar a aquisição aos objetivos pessoais e financeiros.

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Por Camille Assis

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