Geração Z lidera a intenção de compra de imóveis no Brasil, enquanto famílias menores, busca por independência, localização e novas formas de viver ajudam a transformar as características dos produtos oferecidos pelo mercado
Durante muito tempo, o imóvel que representava o sonho de consumo de uma família brasileira seguia um roteiro relativamente conhecido: uma sala ampla, dois ou três quartos, garagem, cozinha separada e espaço suficiente para acomodar uma família que, muitas vezes, ainda estava crescendo. Essa configuração continua presente e continua sendo importante para o mercado. Mas o comprador brasileiro já não cabe em um único modelo de família — e, consequentemente, também não cabe em um único modelo de imóvel.
Uma nova geração começou a ganhar espaço na demanda imobiliária. São jovens que estão entrando no mercado em momentos diferentes da vida, alguns procurando sair da casa dos pais, outros tentando deixar o aluguel e outros já enxergando o imóvel como uma forma de construir patrimônio. Ao mesmo tempo, o Brasil passou por mudanças na composição dos domicílios, no tamanho médio das famílias e na maneira como as pessoas trabalham, se deslocam e utilizam a própria casa.
Os sinais dessa transformação aparecem nos dados mais recentes. No segundo trimestre de 2026, 67% dos brasileiros da Geração Z, entre 21 e 28 anos, declararam intenção de comprar um imóvel, segundo pesquisa nacional da Brain Inteligência Estratégica divulgada pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC). O índice era de 57% em meados de 2025. No conjunto da população pesquisada, a intenção de compra chegou a 52%, o maior nível da série histórica iniciada em 2019.
O número chama atenção não apenas porque os jovens demonstram interesse em comprar.
Ele chama atenção porque ajuda a mudar uma ideia que durante algum tempo ganhou força no mercado: a de que as novas gerações estariam cada vez mais distantes da casa própria.
Os dados mais recentes apontam para uma realidade mais complexa.
Os jovens continuam querendo comprar imóveis. O que pode estar mudando é o imóvel que desejam comprar, o momento em que pretendem comprá-lo e a importância que atribuem a localização, mobilidade, funcionalidade e preço.
A Geração Z chegou ao radar imobiliário
A pesquisa da Brain mostra que a Geração Z, definida no levantamento como o grupo entre 21 e 28 anos, apresenta atualmente a maior intenção de compra entre as gerações analisadas.
Depois dos jovens aparecem a Geração Y, com 53%, e a Geração X, com 47%. Entre os Baby Boomers, o índice ficou em 25%.
É importante entender o que esse número significa.
Ele não quer dizer que 67% dos jovens brasileiros estejam comprando imóveis neste momento.
A pesquisa mede intenção de compra, e não aquisição efetiva.
Essa diferença é fundamental para interpretar corretamente o dado.
Ainda assim, o indicador mostra que existe um contingente expressivo de consumidores jovens considerando a aquisição de um imóvel no horizonte próximo.
E existe outro dado relevante: entre todos os brasileiros que declararam intenção de compra, 68% pretendem concretizar a aquisição em até dois anos, sendo 31% em até um ano. A pesquisa estima 21,9 milhões de famílias brasileiras com intenção de comprar um imóvel, das quais 8,1 milhões planejavam fazê-lo em um prazo de um a dois anos.
Não se trata, portanto, de um interesse meramente abstrato.
Uma parcela significativa está olhando para a compra como algo relativamente próximo.
Sair do aluguel e sair da casa dos pais aparecem entre os principais motivos
O comportamento dessa nova geração também começa a ficar mais compreensível quando se observa o motivo pelo qual as pessoas querem comprar.
Na pesquisa do segundo trimestre de 2026, sair do aluguel foi apontado como a principal motivação para a compra, com 37% das respostas. Em seguida apareceu o desejo de sair da casa dos pais, com 15%, e a mudança de localidade, com 9%.
O resultado é interessante porque mostra que a compra não está necessariamente ligada apenas à formação de uma família tradicional.
Para uma parcela dos consumidores, o imóvel representa autonomia.
É o momento de deixar de dividir uma casa com os pais. É a tentativa de transformar uma despesa mensal de aluguel em patrimônio. É uma mudança de cidade ou de trabalho. Ou simplesmente a busca por uma condição de moradia diferente.
A casa própria, nesse contexto, deixa de ser exclusivamente um projeto familiar.
Pode ser também um projeto individual.
O Brasil está formando domicílios menores
Essa mudança de comportamento ocorre ao mesmo tempo em que a estrutura dos domicílios brasileiros se transforma.
O Censo Demográfico 2022, do IBGE, registrou 18,94% dos domicílios com apenas um morador. A média brasileira chegou a 2,79 moradores por domicílio.
São números que ajudam a explicar por que o mercado imobiliário precisa atender públicos diferentes.
Um imóvel pensado para uma pessoa que mora sozinha não precisa necessariamente seguir a mesma lógica de uma residência destinada a uma família de quatro ou cinco integrantes.
Da mesma maneira, um casal sem filhos pode valorizar características diferentes das de uma família com crianças.
Essa diversidade não significa que o imóvel maior esteja desaparecendo.
Significa que a demanda deixou de ser homogênea.
E quando a demanda se diversifica, a oferta tende a se diversificar também.
O compacto ganhou espaço, mas não substituiu o apartamento de dois dormitórios
É justamente aqui que uma interpretação simplista poderia levar a uma conclusão errada.
O crescimento da procura por imóveis menores não significa que o mercado brasileiro tenha migrado para apartamentos de um dormitório ou studios.
Os números mais recentes da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) mostram isso com clareza.
No segundo trimestre de 2026, os imóveis residenciais de dois dormitórios concentraram 65,2% das unidades vendidas no país. Os imóveis de um dormitório responderam por 23,1%, os de três dormitórios por 10% e os de quatro dormitórios por 1,8%.
O dado é importante porque coloca o fenômeno dos compactos no seu devido lugar.
Eles ganharam importância, mas os apartamentos de dois dormitórios continuam sendo, de longe, a principal tipologia comercializada.
Isso também ajuda a explicar por que não devemos falar simplesmente em “redução dos apartamentos”.
O que está acontecendo é mais interessante.
O mercado está oferecendo e vendendo diferentes soluções para diferentes momentos da vida.
O segundo dormitório ganhou uma nova função
O próprio significado de “dois dormitórios” também mudou.
Durante muito tempo, o segundo quarto era associado quase automaticamente ao filho que viria, ao filho que já existia ou à possibilidade de receber familiares.
Hoje, esse ambiente pode ter outra função.
Pode ser escritório.
Pode ser quarto de hóspedes.
Pode ser espaço para estudo.
Pode ser utilizado para atividades profissionais.
Ou pode simplesmente permanecer como uma reserva de espaço para uma futura mudança na composição da família.
Essa transformação ganhou força com o trabalho remoto e híbrido, embora não seja possível atribuir a ele sozinho a mudança na procura.
O importante é que o consumidor passou a olhar para a planta não apenas pela quantidade de cômodos, mas também pela possibilidade de transformar esses espaços conforme sua necessidade.
O segundo quarto, nesse sentido, pode representar flexibilidade.
E flexibilidade passou a ter valor.
Menos metragem não significa necessariamente menor qualidade
A discussão sobre imóveis compactos também precisa escapar de uma associação automática entre pequeno e inferior.
Em determinadas situações, um consumidor pode aceitar uma unidade menor para conseguir morar em uma região que seria inacessível para ele em um imóvel maior.
A localização passa a compensar parte da redução da área.
Esse comportamento aparece também em estudos do Secovi-SP sobre imóveis compactos. Pesquisa qualitativa da entidade identificou preço, praticidade, localização e acesso ao transporte como fatores relevantes para quem procura esse tipo de unidade. Entre os públicos apontados estão jovens que querem sair da casa dos pais, solteiros, divorciados e casais sem filhos.
Para esses consumidores, morar perto do trabalho, de serviços, comércio e transporte pode representar uma economia de tempo que também possui valor.
E esse é um ponto que começa a mudar a própria maneira de pensar o imóvel.
O tempo passou a fazer parte do preço da moradia
Imagine duas pessoas diante de duas possibilidades.
A primeira oferece 80 metros quadrados, mas exige uma hora de deslocamento até o trabalho.
A segunda oferece 50 metros quadrados, mas está a poucos minutos do transporte, comércio, serviços e áreas de lazer.
Não existe uma resposta universal sobre qual é melhor.
A decisão depende da renda, da rotina, da família e das prioridades de cada comprador.
Mas o segundo imóvel pode representar algo que não aparece na planta: tempo.
A ABRAINC destacou justamente essa mudança em análise publicada em julho de 2026 sobre as escolhas das novas gerações. Segundo a entidade, proximidade do trabalho, acesso a serviços e redução do tempo de deslocamento passaram a pesar mais na comparação entre imóveis maiores em áreas distantes e unidades menores em regiões conectadas.
Essa é uma transformação importante.
Durante décadas, o valor percebido de um imóvel esteve muito associado ao tamanho.
Agora, em determinados segmentos, o consumidor também começa a calcular quanto tempo aquela localização pode devolver para sua vida.
A localização ganhou outro significado
Não se trata apenas de estar perto do trabalho.
Uma localização valorizada pelo novo consumidor pode significar estar perto de supermercado, farmácia, escola, academia, restaurantes, transporte público, serviços, parques e espaços de convivência.
O entorno passa a funcionar como uma extensão do próprio imóvel.
Isso ajuda a explicar por que alguns consumidores aceitam morar em apartamentos menores quando encontram uma região que oferece infraestrutura.
O imóvel não precisa necessariamente concentrar todas as atividades dentro de seus limites.
Parte delas pode estar na cidade.
É uma mudança de mentalidade importante para quem projeta empreendimentos.
As áreas comuns também ganharam importância
Quando a área privativa diminui, uma pergunta naturalmente aparece: onde o consumidor vai encontrar os espaços que perdeu dentro do apartamento?
Uma das respostas encontradas pelo mercado está nas áreas compartilhadas.
Academia, piscina, salão de festas, coworking, lavanderia, espaços de convivência e outros equipamentos podem complementar a experiência de morar em uma unidade menor.
A ABRAINC e a Brain vêm acompanhando as preferências dos consumidores também nesse aspecto. Em levantamento apresentado pela entidade, piscina, academia e salão de festas aparecem entre os itens de lazer mais desejados, enquanto a preferência varia de acordo com a faixa de renda.
Isso não significa que todo comprador queira um condomínio repleto de serviços.
Mas mostra que a área comum passou a ser parte relevante da proposta de valor de muitos empreendimentos.
O apartamento pode ser menor.
A experiência de morar nele, porém, pode ser maior.
O imóvel compacto também interessa ao investidor
Existe ainda outro personagem importante nessa história: o investidor.
O consumidor jovem que compra para morar não é o único responsável pela demanda por unidades menores.
Estudos do Secovi-SP mostram que investidores também encontram nos imóveis compactos atributos como menor custo de manutenção, facilidade de locação e localização em regiões com infraestrutura. A entidade aponta ainda que esse mercado atende um universo bastante diversificado, incluindo jovens solteiros, estudantes, executivos, jovens casais e idosos.
Isso ajuda a explicar por que a discussão sobre compactos não pode ser reduzida à Geração Z.
A mesma unidade pode atender públicos diferentes.
Um jovem pode comprar para morar.
Um investidor pode comprar para alugar.
Um casal pode utilizar como primeiro imóvel.
Um profissional pode escolher para ficar perto do trabalho.
O produto imobiliário passa a ter múltiplas possibilidades de uso.
A primeira compra também pode deixar de ser a compra definitiva
Outra mudança importante está na relação do consumidor com o primeiro imóvel.
Durante muito tempo, comprar a primeira residência era visto como uma decisão para muitos anos.
Hoje, para uma parcela dos compradores, o primeiro imóvel pode ser apenas uma etapa patrimonial.
Começa-se com uma unidade menor.
Depois, a renda aumenta.
A família muda.
O trabalho muda.
Os filhos chegam.
Ou simplesmente surgem novas prioridades.
O proprietário vende ou aluga o primeiro imóvel e parte para outro.
Os próprios dados da ABRAINC mostram que a intenção de compra não está associada somente à primeira moradia. A pesquisa de 2026 identificou também crescimento da compra de imóveis como investimento, que chegou a 26% do total das aquisições, ante 20% um ano antes.
O imóvel, portanto, pode cumprir diferentes funções ao longo da vida.
O que isso representa para as construtoras?
É aqui que a mudança de comportamento começa a chegar diretamente à indústria.
Não existe evidência suficiente para afirmar que as construtoras brasileiras estejam reduzindo o tamanho das unidades por causa da Geração Z.
Essa afirmação seria simplificar demais um fenômeno que envolve vários fatores.
O custo do terreno influencia.
O preço final que o consumidor consegue pagar influencia.
As condições de financiamento influenciam.
A legislação urbanística influencia.
A localização influencia.
O perfil demográfico influencia.
A estratégia de cada incorporadora influencia.
E, naturalmente, a demanda influencia.
O que os dados permitem observar é que o mercado possui hoje uma necessidade maior de segmentação de produtos.
Uma mesma empresa pode desenvolver um empreendimento compacto em uma região central, outro empreendimento de dois dormitórios voltado para famílias e outro produto de maior padrão destinado a consumidores com maior capacidade de compra.
Não existe mais um único “apartamento padrão”.
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O produto começa a ser desenhado para momentos diferentes da vida
Essa talvez seja uma das principais mudanças.
O mercado imobiliário tradicionalmente segmentava seus produtos principalmente por renda e tamanho.
Agora, outros critérios ganham relevância.
Idade.
Momento de vida.
Composição familiar.
Forma de trabalho.
Mobilidade.
Objetivo da compra.
Intenção de morar ou investir.
Necessidade de espaço.
Preferência por localização.
Essa combinação pode produzir produtos completamente diferentes para consumidores que possuem rendas semelhantes.
Dois compradores podem ganhar praticamente a mesma quantia e procurar imóveis completamente diferentes.
Um pode querer três quartos e garagem.
Outro pode preferir um apartamento de um dormitório perto do metrô.
Um terceiro pode procurar dois quartos para transformar um deles em escritório.
A renda continua importante.
Mas deixou de explicar tudo.
O mercado imobiliário começa a vender mais do que metragem
Essa mudança também transforma a maneira de vender imóveis.
Durante décadas, boa parte da comunicação imobiliária foi construída sobre números: metros quadrados, número de quartos, vagas de garagem, valor do imóvel e quantidade de itens de lazer.
Essas informações continuam indispensáveis.
Mas podem não ser suficientes.
O comprador quer saber como aquele imóvel se encaixa na sua vida.
Quanto tempo ele economiza.
Se consegue trabalhar de casa.
Se pode receber amigos.
Se o filho terá espaço.
Se poderá alugar.
Se conseguirá chegar ao trabalho.
Se a região possui serviços.
Se o condomínio oferece aquilo que ele não terá dentro do apartamento.
O imóvel passa a ser apresentado como uma solução.
Não apenas como uma planta.
Isso também muda o trabalho do corretor
A transformação do consumidor chega diretamente ao profissional que está na ponta da negociação.
O corretor que conhece apenas as características físicas do imóvel pode perder parte da capacidade de interpretar o que o cliente realmente procura.
Uma pessoa pode entrar procurando “um apartamento de dois quartos” e, na realidade, estar procurando independência.
Outra pode pedir “um apartamento pequeno” porque precisa reduzir o custo mensal.
Uma terceira pode procurar “um imóvel perto do trabalho” porque não suporta mais duas horas diárias de deslocamento.
O imóvel é o mesmo tipo de produto.
A necessidade é diferente.
O papel do corretor passa a envolver cada vez mais a capacidade de fazer perguntas, compreender o momento de vida do cliente e relacionar características do imóvel com aquilo que realmente importa para aquela pessoa.
Isso não diminui a importância do conhecimento técnico.
Ao contrário.
Quanto mais diversificada fica a demanda, maior precisa ser a capacidade do profissional de interpretar informações.
O mercado não está ficando jovem. Está ficando mais diverso
Talvez essa seja a melhor maneira de resumir o fenômeno.
Não estamos diante de um mercado em que os jovens simplesmente substituíram os compradores mais velhos.
Também não estamos diante de um mercado em que todos passaram a querer apartamentos pequenos.
Os dados mostram uma realidade muito mais interessante.
Há mais diversidade de compradores, mais diversidade de famílias e mais diversidade de objetivos de compra.
A Geração Z ganhou espaço na intenção de aquisição.
Os domicílios brasileiros estão menores.
Os apartamentos de dois dormitórios continuam dominando as vendas.
Os compactos têm demanda própria.
A localização ganhou peso.
O investimento imobiliário permanece relevante.
E as áreas comuns passaram a ajudar a compensar, em determinados produtos, a menor área privativa.
Tudo isso acontece ao mesmo tempo.
A pergunta que as incorporadoras precisam fazer
Talvez a pergunta mais importante para a indústria imobiliária já não seja:
“Qual é o tamanho ideal deste apartamento?”
A pergunta pode ser outra:
“Para quem estamos construindo este apartamento?”
A resposta muda completamente o projeto.
Se o público é um jovem que quer independência, localização pode ter grande peso.
Se é uma família em crescimento, flexibilidade e número de dormitórios podem ser determinantes.
Se é um investidor, liquidez e demanda de locação podem ser fundamentais.
Se é alguém que trabalha de casa, a planta precisa responder a outra necessidade.
Se é um comprador mais velho, acessibilidade pode ganhar importância.
A metragem continua sendo um dado fundamental.
Mas passa a ser apenas um dos dados.
E os jovens podem estar apenas começando
O dado mais recente da ABRAINC mostra a Geração Z com 67% de intenção de compra, acima das demais gerações pesquisadas.
Isso não significa que todos esses consumidores comprarão um imóvel.
Entre intenção e aquisição existe uma distância que envolve renda, preço, crédito, entrada, juros, localização e disponibilidade de produtos.
Mas significa que uma parcela expressiva dessa geração já está olhando para o mercado imobiliário.
E isso coloca uma pergunta importante para os próximos anos:
o que acontecerá quando essa geração, que hoje começa a comprar, passar a representar uma parcela ainda maior das famílias com capacidade de aquisição?
É cedo para responder.
Mas alguns sinais já estão diante do mercado.
O consumidor está perguntando por localização.
Está comparando tempo de deslocamento.
Está avaliando tamanho e funcionalidade.
Está aceitando diferentes formatos de moradia.
Está procurando autonomia.
E, em muitos casos, não está disposto a pagar por metros quadrados que não considera necessários.
O futuro não será necessariamente de imóveis menores
Será, provavelmente, de imóveis mais adequados.
Essa diferença é fundamental.
Um apartamento menor pode ser perfeito para uma pessoa e inadequado para uma família.
Um apartamento de três quartos pode ser necessário para uma família e excessivo para um investidor.
Um imóvel sem garagem pode ser interessante para quem utiliza transporte público e inadequado para quem depende do automóvel.
Não existe mais uma resposta única.
O mercado imobiliário brasileiro parece caminhar para uma lógica em que o imóvel precisa conversar cada vez mais com o estilo de vida de quem irá ocupá-lo.
E talvez seja justamente aí que esteja a verdadeira mudança provocada pelos compradores mais jovens.
Eles não estão necessariamente dizendo ao mercado:
“Quero morar em um imóvel menor.”
Estão ajudando a dizer:
“Quero pagar pelo que realmente faz sentido para a minha vida.”
Para construtoras e incorporadoras, isso significa projetar com mais precisão.
Para imobiliárias, significa conhecer melhor os diferentes perfis de clientes.
Para corretores, significa compreender que vender um imóvel não é apenas apresentar metragem e acabamento.
E para o consumidor, significa que a casa própria pode assumir formatos muito diferentes daqueles que marcaram as gerações anteriores.
O mercado imobiliário não está abandonando o modelo tradicional.
Está adicionando novas possibilidades a ele.
E, quando novas gerações entram no mercado, novas perguntas inevitavelmente começam a aparecer.
Análise Editorial Broker News BR
Os dados mais recentes permitem afirmar que os compradores jovens ganharam relevância real na demanda imobiliária brasileira. A Geração Z, entre 21 e 28 anos, apresentou 67% de intenção de compra no segundo trimestre de 2026, segundo pesquisa nacional da Brain divulgada pela ABRAINC. O resultado coloca esse grupo acima das demais gerações analisadas.
Ao mesmo tempo, o Censo 2022 mostra uma transformação estrutural dos domicílios brasileiros, com 18,94% deles formados por apenas um morador e média de 2,79 moradores por domicílio.
Essas mudanças acontecem paralelamente a um mercado em que os apartamentos de dois dormitórios continuam sendo predominantes: eles representaram 65,2% das vendas residenciais novas no segundo trimestre de 2026. As unidades de um dormitório, embora relevantes, ficaram em 23,1%.
Portanto, os dados não sustentam a conclusão de que os jovens estejam simplesmente “encolhendo” os imóveis brasileiros.
O que eles sustentam é uma conclusão mais ampla: o consumidor está mais diversificado, e o mercado precisa responder com produtos capazes de atender diferentes formas de morar, trabalhar, investir e construir patrimônio.
A metragem continua importante, mas deixou de ser suficiente para explicar sozinha o valor de um imóvel.
Localização, mobilidade, funcionalidade, flexibilidade, áreas comuns e finalidade da compra passaram a participar de uma equação cada vez mais complexa.
Talvez a principal transformação não esteja no tamanho do apartamento.
Está na maneira como o consumidor define o que significa morar bem.
Produção Editorial Broker News BR
Esta matéria é um conteúdo original produzido pela equipe editorial da Broker News BR, elaborado com base em pesquisa, apuração e consulta a fontes oficiais e confiáveis do mercado imobiliário para informar corretores de imóveis, imobiliárias, construtoras, incorporadoras e investidores.
Fontes
ABRAINC / Brain Inteligência Estratégica — Pesquisa de Intenção de Compra de Imóveis, 2º trimestre de 2026. ABRAINC — Intenção de compra de imóveis
CBIC — Indicadores Imobiliários Nacionais, 2º trimestre de 2026. CBIC — Indicadores Imobiliários Nacionais
IBGE — Censo Demográfico 2022 e Panorama do Censo. IBGE — Panorama do Censo 2022
ABRAINC / Brain — Análise sobre mobilidade e localização nas escolhas das novas gerações. ABRAINC — Mobilidade e localização nas escolhas das novas gerações
Secovi-SP — Estudos sobre demanda e investimento em imóveis compactos. Secovi-SP — O que motiva a busca por imóveis compactos
Secovi-SP — O que motiva o investimento em imóveis compactos
Consulte fontes oficiais
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Crédito Editorial
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