Cuiabá concentra os dados mais completos do mercado, enquanto indicadores de preços, emprego, habitação e atividade econômica ajudam a revelar a força e os diferentes perfis do setor imobiliário mato-grossense em 2026.
O mercado imobiliário de Mato Grosso atravessa 2026 apoiado por uma combinação que merece atenção de corretores de imóveis, imobiliárias, incorporadoras, construtoras e investidores: crescimento populacional, uma economia estadual de forte desempenho, geração de empregos e uma atividade imobiliária particularmente expressiva em Cuiabá.
Os números mais recentes disponíveis mostram, porém, que não existe um único comportamento para todo o estado. Enquanto a capital apresenta crescimento financeiro mesmo com alguma retração no número de transações em determinados períodos, outras cidades polo possuem características próprias de preço, locação e demanda.
Por isso, analisar o mercado imobiliário de Mato Grosso exige separar aquilo que é efetivamente medido no estado daquilo que está disponível apenas para determinados municípios.
Esta matéria reúne os principais indicadores encontrados em fontes oficiais ou em levantamentos institucionais reconhecidos, sempre preservando o período de referência de cada dado. Quando não existe uma estatística estadual atualizada, a informação é apresentada como tal, sem estimativa ou preenchimento por aproximação.
Mato Grosso já soma 3,89 milhões de habitantes
O primeiro número importante para compreender o mercado imobiliário mato-grossense está na própria dimensão demográfica.
Segundo a estimativa populacional do IBGE com referência em 1º de julho de 2025, Mato Grosso possuía 3.893.659 habitantes.
No Censo Demográfico de 2022, eram 3.658.649 pessoas.
A diferença entre os dois números representa o crescimento da população estimada no intervalo, mas é importante observar que os dados possuem naturezas diferentes: o primeiro é uma estimativa intercensitária e o segundo corresponde à população efetivamente recenseada.
Esse crescimento populacional amplia, naturalmente, a dimensão potencial do mercado habitacional. Mas população, por si só, não significa vendas. Para transformar crescimento demográfico em demanda imobiliária é necessário considerar renda, emprego, crédito, formação de famílias, oferta de imóveis e capacidade de financiamento.
É justamente nessa combinação que Mato Grosso apresenta alguns de seus indicadores mais relevantes.
PIB de Mato Grosso chegou a R$ 273 bilhões
As Contas Regionais do IBGE mostram que o Produto Interno Bruto de Mato Grosso alcançou R$ 273,009 bilhões em 2023.
No mesmo ano, o estado registrou PIB per capita de R$ 74.620,05, colocando Mato Grosso na 3ª posição entre as unidades da Federação nesse indicador, atrás apenas do Distrito Federal e de São Paulo.
O dado chama atenção porque o PIB per capita mato-grossense ficou consideravelmente acima da média brasileira de R$ 53.886,67 em 2023.
Além disso, o PIB de Mato Grosso apresentou crescimento em volume de 12,9% em 2023, segundo as Contas Regionais.
Para o mercado imobiliário, esse indicador precisa ser interpretado com cuidado.
PIB per capita não significa renda disponível de cada morador. Trata-se de uma medida econômica que relaciona a produção de riqueza ao número de habitantes. Portanto, não é correto transformar os R$ 74,6 mil em uma suposta renda média do consumidor.
O que o número revela é a dimensão econômica do estado e a elevada geração de riqueza por habitante em comparação com a média nacional.
A economia ajuda a sustentar a demanda imobiliária
O perfil econômico de Mato Grosso também diferencia o estado de boa parte do mercado brasileiro.
A força do agronegócio, da agroindústria, dos serviços relacionados à produção e da logística cria uma dinâmica econômica que se reflete especialmente nas cidades que funcionam como polos regionais.
Cuiabá exerce papel central nessa estrutura, mas não é a única cidade relevante.
Municípios como Várzea Grande, Rondonópolis, Sinop e Primavera do Leste possuem mercados próprios e aparecem, inclusive, em levantamentos específicos realizados pelo Secovi-MT em parceria com o Instituto de Pesquisa da Fecomércio-MT.
O lançamento do Boletim Imobiliário Secovi/IPF-MT, em 2025, representou um avanço importante justamente porque passou a reunir informações de preços de venda e locação em diferentes cidades do estado.
Essa regionalização é importante para evitar uma leitura equivocada do mercado.
O preço de um imóvel em Cuiabá não pode ser utilizado automaticamente para representar Sinop, Rondonópolis, Várzea Grande ou Primavera do Leste.
Cuiabá movimentou R$ 5,7 bilhões em 2025
Quando se fala em números concretos de transações imobiliárias, Cuiabá possui hoje uma das bases mais consistentes de acompanhamento dentro de Mato Grosso.
O Indicador do Mercado Imobiliário produzido pelo Secovi-MT, em parceria com a Secretaria de Fazenda de Cuiabá e com apoio da Fecomércio-MT, utiliza informações do ITBI municipal.
Em 2025, foram aproximadamente 13.600 imóveis comercializados, movimentando cerca de R$ 5,7 bilhões.
O resultado representou crescimento de 17,99% no faturamento e de 24,87% no número de unidades transacionadas em relação a 2024.
Segundo o Secovi-MT, 2025 foi o melhor ano da série histórica do indicador, que é produzido desde 2015.
O dado é especialmente relevante porque não se trata de uma pesquisa baseada simplesmente em anúncios de imóveis.
O levantamento utiliza registros de ITBI, ou seja, informações relacionadas às transações imobiliárias registradas no município.
Essa diferença metodológica é importante para quem trabalha profissionalmente com dados do setor.
O quarto trimestre ajudou a fechar 2025 em recorde
O último trimestre de 2025 teve papel importante no resultado anual.
Entre outubro e dezembro, aproximadamente 3,2 mil imóveis foram comercializados, movimentando quase R$ 1,5 bilhão.
O resultado ajudou a consolidar o recorde anual de Cuiabá.
Outro dado chama atenção: o ticket médio das transações realizadas na capital ficou próximo de R$ 419,5 mil em 2025, valor 9,16% inferior ao registrado em 2024.
Isso significa que o mercado vendeu mais imóveis, mas a composição das transações mudou.
A queda do ticket médio não representa necessariamente desvalorização dos imóveis. Ela pode refletir uma participação maior de unidades de menor preço no conjunto das transações.
E essa característica aparece novamente quando se observa o desempenho do Minha Casa, Minha Vida.
O primeiro trimestre de 2026 manteve o crescimento
Os dados mais recentes do Secovi-MT mostram que a força do mercado imobiliário de Cuiabá não ficou restrita a 2025.
Entre janeiro e março de 2026, foram registradas 3.287 unidades transacionadas.
No mesmo período de 2025 haviam sido registradas 3.090 unidades.
O crescimento foi de 6,38%.
O volume financeiro também avançou.
O mercado movimentou R$ 1.485.859.278 no primeiro trimestre de 2026, contra R$ 1.390.223.593 no primeiro trimestre de 2025.
A alta foi de 6,88%.
O ticket médio das transações ficou em aproximadamente R$ 452.041.
O comportamento mostra um mercado que entrou em 2026 com crescimento tanto em unidades quanto em valor financeiro.
O financiamento imobiliário também cresceu no primeiro trimestre
Outro indicador relevante apareceu no crédito.
No primeiro trimestre de 2026, o volume de recursos destinados ao financiamento imobiliário em Cuiabá chegou a R$ 391.211.663.
No primeiro trimestre de 2025, o valor havia sido de R$ 361.181.946.
A diferença representa crescimento de 8,31%.
O número merece atenção porque o comportamento do crédito é fundamental para compreender o mercado imobiliário.
Uma venda financiada depende não apenas do interesse do comprador, mas também da aprovação do crédito, das condições financeiras da operação, da renda familiar e das taxas praticadas.
Por isso, crescimento do volume financiado pode ser um sinal importante de sustentação da demanda.
Mas o cenário mudou no trimestre seguinte.
Segundo trimestre de 2026 mostra uma mudança no perfil das compras
Entre abril e junho de 2026, Cuiabá movimentou R$ 1.463.546.372 em transações imobiliárias.
No mesmo trimestre de 2025, o volume havia sido de R$ 1.357.522.843.
O crescimento financeiro foi de 7,81%.
Entretanto, o número de unidades negociadas apresentou comportamento diferente.
Foram 3.346 transações no segundo trimestre de 2026, contra 3.430 no mesmo período de 2025.
Isso representa uma redução de 2,45% no número de operações.
Ao mesmo tempo, o ticket médio subiu de R$ 395.779 para R$ 437.402, uma alta de 10,52%.
É um dos dados mais interessantes do mercado imobiliário mato-grossense em 2026.
Cuiabá movimentou mais dinheiro mesmo comercializando menos unidades.
Isso mostra por que não é correto analisar o desempenho imobiliário apenas pelo número de imóveis vendidos.
O valor financeiro transacionado e o ticket médio também precisam ser observados.
Crédito perdeu participação no segundo trimestre
O segundo trimestre também trouxe uma mudança importante na utilização do financiamento imobiliário.
O número de imóveis adquiridos por meio de financiamento caiu de 1.713 unidades no segundo trimestre de 2025 para 1.457 no segundo trimestre de 2026.
A redução foi de 14,94%.
Em valores, o montante financiado passou de R$ 661.595.430 para R$ 586.103.031, queda de 11,41%.
A participação do financiamento no volume financeiro total também diminuiu, passando de 48,74% para 40,05%.
O movimento merece atenção porque mostra que o crescimento financeiro do mercado não ocorreu simplesmente por uma expansão do crédito.
Ao contrário.
No segundo trimestre, o mercado conseguiu movimentar mais recursos mesmo com menor participação do financiamento.
O próprio levantamento do Secovi-MT relaciona esse comportamento ao maior uso de recursos próprios em um ambiente de crédito mais restritivo.
Para corretores e imobiliárias, essa informação ajuda a compreender que existem diferentes perfis de compradores atuando simultaneamente no mercado.
Região Oeste lidera as transações em Cuiabá
A distribuição geográfica das vendas também revela diferenças importantes dentro da capital.
No segundo trimestre de 2026, a Região Oeste liderou o volume financeiro, com R$ 558.852.513, distribuídos em 1.228 unidades.
A Região Leste movimentou R$ 472.900.760, com 861 unidades.
A Região Sul registrou R$ 188.824.395, com 713 unidades.
A Região Norte somou R$ 68.661.969, em 472 transações.
O ticket médio também apresentou diferenças importantes.
Na Região Leste, chegou a R$ 549.246, enquanto na Região Oeste ficou em R$ 455.092.
Na Região Norte, o ticket médio foi de R$ 479.273.
Na Região Sul, ficou em R$ 264.831.
Esses números demonstram, de maneira bastante clara, que falar simplesmente em “preço do imóvel em Cuiabá” pode esconder diferenças significativas entre regiões.
Área de Expansão Urbana Sul mantém forte movimentação
A Área de Expansão Urbana Sul também aparece entre os principais pontos de atividade.
No segundo trimestre de 2026, foram registradas 390 transações, que movimentaram R$ 100.088.429.
No mesmo período de 2025, haviam sido registradas 411 unidades, com movimentação de R$ 116.099.276.
O resultado mostra uma redução tanto no número de operações quanto no volume financeiro nessa área específica.
Ainda assim, ela permaneceu entre as localidades com maior atividade imobiliária da capital.
Esse é outro exemplo de por que a análise do mercado precisa considerar não apenas os números gerais, mas também a distribuição territorial da demanda.
Quanto custa o metro quadrado em Cuiabá?
Para acompanhar os preços, uma fonte diferente precisa ser utilizada.
O Índice FipeZAP de Venda Residencial acompanha preços anunciados de imóveis residenciais em diversas cidades brasileiras.
Em junho de 2026, Cuiabá apresentou preço médio de R$ 7.020 por metro quadrado na amostra analisada.
Foram considerados 6.873 anúncios.
A valorização foi de 0,55% no mês, 3,14% no acumulado de 2026 e 4,83% em 12 meses.
É importante destacar a metodologia.
O FipeZAP não mede o preço efetivamente pago em cada transação registrada no ITBI. Ele acompanha preços anunciados na internet.
Portanto, o indicador e o levantamento do Secovi-MT respondem a perguntas diferentes.
Um mostra o comportamento dos preços anunciados.
O outro acompanha transações efetivamente registradas.
Misturar os dois indicadores como se fossem a mesma coisa seria metodologicamente incorreto.
Aluguel residencial também apresenta alta em Cuiabá
No mercado de locação, o FipeZAP registrou em junho de 2026 preço médio de R$ 48,48 por metro quadrado em Cuiabá.
A variação mensal foi de 0,16%.
No acumulado de 2026, a alta chegou a 4,07%, enquanto em 12 meses o avanço foi de 9,77%.
O rental yield residencial anualizado ficou em 8,29%.
Aqui também é necessário fazer uma ressalva importante: o índice mede anúncios de novos aluguéis residenciais e não representa necessariamente o valor dos contratos antigos que continuam vigentes.
Por isso, não se deve interpretar o número como se todos os imóveis alugados em Cuiabá tivessem sofrido reajuste de 9,77%.
O indicador mostra a evolução dos preços de locação observados na amostra do índice.
Cinco cidades já possuem referência regional de preços
Uma das evoluções mais importantes para o mercado imobiliário de Mato Grosso ocorreu em 2025 com o lançamento do Boletim Imobiliário Secovi/IPF-MT.
O estudo contempla Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Sinop e Primavera do Leste.
A pesquisa apresenta valores de venda e locação organizados por faixa de tamanho dos imóveis, permitindo uma comparação regional mais precisa.
Na edição referente a agosto de 2025, por exemplo, o levantamento encontrou diferenças significativas entre os municípios.
Para imóveis residenciais de até 50 m², o preço médio anunciado para venda foi de:
| Cidade | Até 50 m² |
|---|---|
| Várzea Grande | R$ 10.952,45/m² |
| Sinop | R$ 9.134,63/m² |
| Cuiabá | R$ 6.821,87/m² |
| Rondonópolis | R$ 5.169,51/m² |
| Primavera do Leste | R$ 4.415,76/m² |
Os números são referentes à pesquisa de agosto de 2025, e não devem ser apresentados como se fossem preços atuais de agosto de 2026. Essa distinção é fundamental para preservar a precisão da informação.
O levantamento mostra, portanto, que o mercado mato-grossense possui diferenças bastante expressivas entre cidades e tipologias.
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Sinop, Rondonópolis e Primavera do Leste entram no radar
A inclusão dessas cidades em uma pesquisa sistemática é especialmente relevante porque o mercado imobiliário mato-grossense não pode ser reduzido à Região Metropolitana de Cuiabá.
Sinop possui forte influência econômica no norte do estado e aparece em levantamentos com valores relevantes para imóveis residenciais e comerciais.
Rondonópolis, por sua vez, possui dinâmica própria associada à posição estratégica que ocupa na economia estadual.
Primavera do Leste também aparece no monitoramento do Secovi/IPF-MT.
O levantamento institucional permite, portanto, começar a construir uma visão mais ampla do mercado estadual.
Ainda assim, é necessário reconhecer uma limitação: não existe, no momento, uma única base pública consolidada que permita afirmar que todas as transações imobiliárias de todos os 142 municípios de Mato Grosso foram contabilizadas em um único indicador estadual comparável ao levantamento de Cuiabá.
E é justamente aqui que a transparência precisa prevalecer.
Quando o dado estadual não existe, a Broker News BR não deve transformá-lo em estimativa.
Mercado de trabalho reforça o ambiente econômico
Outro indicador importante para o setor imobiliário é o emprego formal.
No primeiro semestre de 2026, Mato Grosso apresentou crescimento de 3,36% no estoque de empregos formais, segundo o Novo Caged.
O estado ficou entre as maiores variações proporcionais do país no período, atrás de Amapá e Acre.
Em junho, Mato Grosso registrou 8.258 novos empregos formais, segundo dados do Novo Caged divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
A variação mensal do estoque foi de 0,85%.
A construção também apresentou participação importante no mercado de trabalho nacional.
No primeiro semestre de 2026, a construção brasileira gerou 168.962 empregos formais, crescimento de 5,73%, sendo 60.552 relacionados especificamente à atividade de construção de edifícios.
Para Mato Grosso, os dados mensais também mostram a importância da construção.
Em abril de 2026, o setor abriu 1.871 vagas formais no estado, sendo o segmento com maior saldo entre os grandes grupos naquele mês.
Em maio, a construção registrou mais 345 postos formais no estado.
Esses números não significam que todas as novas vagas estejam diretamente ligadas à construção residencial. O setor engloba diferentes atividades.
Ainda assim, mostram que a construção civil continua tendo peso relevante na atividade econômica e no mercado de trabalho estadual.
O déficit habitacional ainda representa uma grande demanda
Outro número não pode ficar fora de uma análise séria do mercado imobiliário: a necessidade habitacional.
Segundo a Fundação João Pinheiro, o déficit habitacional de Mato Grosso chegou a 120.207 domicílios em 2022.
Desse total, 102.609 estavam em áreas urbanas e 17.692 em áreas rurais.
A composição foi de aproximadamente 85,4% urbana e 14,7% rural.
É importante deixar claro que esse é o dado mais recente da série apresentada pela FJP para o déficit habitacional estadual utilizado nessa análise, referente a 2022.
Não seria correto transformar esse número em uma estimativa para 2026 sem uma metodologia oficial atualizada.
O déficit habitacional também não deve ser confundido com o número de pessoas sem casa.
O indicador considera diferentes situações que caracterizam necessidade de novas unidades habitacionais, incluindo domicílios precários, coabitação e ônus excessivo com aluguel, conforme a metodologia da Fundação João Pinheiro.
Para o mercado imobiliário, esse indicador representa uma dimensão estrutural da demanda potencial por habitação.
Minha Casa, Minha Vida tem peso relevante em Mato Grosso
O programa habitacional federal também aparece nos números do estado.
Entre 2023 e o início de 2026, 32,6 mil unidades habitacionais foram contratadas pelo Minha Casa, Minha Vida em Mato Grosso, segundo informações do Ministério das Cidades divulgadas pelo Governo Federal.
O investimento total informado foi de R$ 4,9 bilhões.
O programa ajuda a explicar parte do comportamento observado em Cuiabá.
Em 2025, o presidente do Secovi-MT, Marco Pessoz, afirmou que o Minha Casa, Minha Vida apresentava desempenho positivo e boa quantidade de imóveis negociados, enquanto o segmento dependente de financiamento imobiliário tradicional sofria mais com as taxas de juros.
Essa diferença entre os segmentos é fundamental para compreender o mercado.
Não existe um único mercado imobiliário.
Existe um mercado popular, fortemente influenciado pelas condições dos programas habitacionais e do crédito direcionado, um mercado de médio padrão mais sensível ao custo do financiamento e um mercado de alto padrão com dinâmica própria.
O mercado mato-grossense está aquecido?
Os números permitem afirmar que há sinais concretos de atividade elevada, especialmente em Cuiabá.
Em 2025, a capital atingiu recorde histórico de aproximadamente R$ 5,7 bilhões em transações.
No primeiro trimestre de 2026, o volume financeiro cresceu 6,88%.
No segundo trimestre, cresceu 7,81%, mesmo com queda de 2,45% no número de unidades negociadas.
Ao mesmo tempo, o preço médio anunciado pelo FipeZAP subiu 4,83% em 12 meses até junho.
O aluguel avançou 9,77% no mesmo período.
E Mato Grosso registrou crescimento de 3,36% no estoque de empregos formais no primeiro semestre.
Portanto, existe uma base objetiva para dizer que o mercado apresenta força.
Mas isso não significa que todos os segmentos estejam crescendo na mesma velocidade.
O principal desafio é separar quantidade de qualidade
Os números de 2026 mostram uma característica que merece atenção.
No segundo trimestre, Cuiabá vendeu menos unidades, mas movimentou mais dinheiro.
O ticket médio aumentou.
Ao mesmo tempo, o financiamento perdeu participação.
Isso indica uma mudança na composição do mercado, e não simplesmente uma expansão generalizada.
O comprador financiado sente de maneira diferente o ambiente de juros.
O comprador que utiliza recursos próprios possui outra capacidade de negociação.
O comprador de imóvel popular está submetido a condições diferentes daquele que procura um empreendimento de médio ou alto padrão.
Para o corretor de imóveis, essa diferenciação é estratégica.
Não basta saber que “o mercado está vendendo”.
É preciso saber quem está comprando, qual imóvel está sendo comprado, em qual região, por qual valor e utilizando qual forma de pagamento.
É nessa combinação que os números realmente passam a ter utilidade comercial.
O que os números mostram para corretores e imobiliárias
O mercado de Mato Grosso oferece um cenário interessante para profissionais que trabalham com dados locais.
Cuiabá possui um indicador baseado em ITBI que permite acompanhar transações reais.
O FipeZAP acrescenta uma referência sobre preços anunciados de venda e locação.
O Secovi/IPF-MT amplia a análise para outras cidades polo.
O IBGE fornece os indicadores populacionais e econômicos.
A Fundação João Pinheiro mostra a dimensão da necessidade habitacional.
E o Novo Caged permite acompanhar a evolução do emprego formal.
Nenhuma dessas fontes, isoladamente, explica o mercado.
Mas juntas elas permitem construir uma leitura muito mais consistente.
Para uma imobiliária, por exemplo, saber que o preço médio de venda em Cuiabá chegou a R$ 7.020/m² no FipeZAP não é suficiente.
É necessário comparar esse número com o bairro, tipologia, tamanho, padrão construtivo e preço efetivamente praticado na negociação.
Da mesma forma, saber que Cuiabá movimentou R$ 1,46 bilhão em um trimestre não significa que todos os bairros ou todos os segmentos tenham crescido.
Os números gerais precisam sempre ser acompanhados pela realidade local.
Mato Grosso em números: os principais indicadores
| Indicador | Número | Referência |
|---|---|---|
| População estimada de MT | 3.893.659 | IBGE, 2025 |
| População no Censo | 3.658.649 | IBGE, 2022 |
| PIB de MT | R$ 273,009 bilhões | IBGE, 2023 |
| PIB per capita | R$ 74.620,05 | IBGE, 2023 |
| Crescimento do PIB em volume | 12,9% | IBGE, 2023 |
| Déficit habitacional | 120.207 domicílios | FJP, 2022 |
| Unidades MCMV contratadas | 32,6 mil | 2023–início de 2026 |
| Investimentos MCMV | R$ 4,9 bilhões | 2023–início de 2026 |
| Cuiabá — transações em 2025 | cerca de 13,6 mil | Secovi-MT |
| Cuiabá — valor transacionado em 2025 | cerca de R$ 5,7 bilhões | Secovi-MT |
| Cuiabá — 1º tri. 2026 | 3.287 unidades | Secovi-MT/ITBI |
| Cuiabá — 1º tri. 2026 | R$ 1,486 bilhão | Secovi-MT/ITBI |
| Cuiabá — 2º tri. 2026 | 3.346 unidades | Secovi-MT/ITBI |
| Cuiabá — 2º tri. 2026 | R$ 1,464 bilhão | Secovi-MT/ITBI |
| Cuiabá — preço médio de venda | R$ 7.020/m² | FipeZAP, jun. 2026 |
| Cuiabá — alta em 12 meses | 4,83% | FipeZAP, jun. 2026 |
| Cuiabá — aluguel médio | R$ 48,48/m² | FipeZAP, jun. 2026 |
| Cuiabá — alta do aluguel em 12 meses | 9,77% | FipeZAP, jun. 2026 |
| MT — crescimento do emprego formal | 3,36% | Novo Caged, 1º sem. 2026 |
| MT — empregos formais em junho | +8.258 | Novo Caged, jun. 2026 |
Análise Editorial Broker News BR
Os números reunidos nesta reportagem mostram um mercado imobiliário mato-grossense que merece ser observado com atenção, mas também com precisão.
Cuiabá apresenta resultados concretos de crescimento financeiro. O recorde de 2025 foi seguido por novos avanços no primeiro semestre de 2026. Entretanto, o segundo trimestre revelou uma mudança importante: houve redução no número de unidades negociadas enquanto o valor total movimentado cresceu.
Essa diferença impede uma interpretação simplista de que “tudo está subindo”.
O mercado está se movimentando de maneiras diferentes conforme o segmento, a localização, o padrão do imóvel e a forma de pagamento.
Outro ponto importante é a força econômica do estado. Mato Grosso apresentou PIB de R$ 273 bilhões em 2023 e alcançou o terceiro maior PIB per capita do Brasil naquele ano. A população estimada também se aproxima de 3,9 milhões de habitantes.
Ao mesmo tempo, existe um déficit habitacional de 120.207 domicílios, além de dezenas de milhares de unidades contratadas pelo Minha Casa, Minha Vida desde 2023.
Existe, portanto, uma combinação de crescimento econômico, expansão populacional, geração de empregos, demanda habitacional e atividade imobiliária.
Mas a Broker News BR entende que o mais importante é não transformar esses indicadores em uma conclusão que os dados não sustentam.
O mercado imobiliário de Mato Grosso é forte, mas é também heterogêneo.
E quanto mais o profissional conhecer os números de sua cidade, região e público, maior será sua capacidade de tomar decisões baseadas em realidade e não em percepção.
Conclusão
O mercado imobiliário de Mato Grosso chega à segunda metade de 2026 apresentando indicadores relevantes em diferentes frentes.
A economia estadual permanece entre as maiores do país em PIB per capita. A população cresce. O mercado formal de trabalho avançou. O Minha Casa, Minha Vida possui participação expressiva na expansão habitacional. E Cuiabá registra volumes financeiros que colocam 2025 como o melhor ano da série histórica do indicador do Secovi-MT.
Em 2026, porém, os números mostram uma mudança de comportamento.
No segundo trimestre, o valor transacionado aumentou 7,81%, enquanto o número de unidades caiu 2,45%. O ticket médio avançou 10,52%, enquanto o financiamento perdeu participação.
Ao mesmo tempo, os preços anunciados dos imóveis residenciais em Cuiabá acumularam alta de 4,83% em 12 meses até junho, enquanto os aluguéis subiram 9,77%.
Esses dados desenham um mercado ativo, mas que precisa ser analisado em camadas.
Para corretores, imobiliárias, construtoras, incorporadoras e investidores, a principal conclusão talvez seja justamente esta: o mercado imobiliário de Mato Grosso não cabe em um único número.
Ele precisa ser acompanhado por cidade, região, segmento, preço, ticket, volume de transações, crédito e perfil do comprador.
É assim que os números deixam de ser apenas estatísticas e passam a se transformar em inteligência para o mercado.
Produção Editorial Broker News BR
Esta matéria foi produzida pela equipe editorial da Broker News BR com base em levantamento e cruzamento de informações provenientes de fontes oficiais e institucionais, incluindo IBGE, Secovi-MT, Fecomércio-MT/IPF-MT, Fundação João Pinheiro, Ministério das Cidades e Ministério do Trabalho e Emprego.
Os períodos de referência foram mantidos de acordo com cada levantamento. Dados de 2022, 2023, 2025 e 2026 não foram tratados como se pertencessem ao mesmo período.
Também foram preservadas as diferenças metodológicas entre os indicadores. Dados de ITBI representam transações registradas; o FipeZAP acompanha preços anunciados; indicadores econômicos medem produção e atividade; e o déficit habitacional segue metodologia específica da Fundação João Pinheiro.
Quando não foi localizada uma estatística estadual atualizada e metodologicamente comparável, a informação não foi estimada ou preenchida por aproximação.
Crédito Editorial: A Broker News BR investe em pesquisa, apuração e organização de informações para produzir conteúdo confiável para o mercado imobiliário. Se esta matéria contribuir para seu trabalho jornalístico, acadêmico ou editorial, considere citar a Broker News BR como uma das fontes consultadas.
Fontes
IBGE — Mato Grosso: população, território e indicadores estaduais.
IBGE/Contas Regionais — PIB de Mato Grosso em 2023.
Secovi-MT — Indicador do Mercado Imobiliário de Cuiabá.
FipeZAP — Índice de Venda Residencial, junho de 2026.
FipeZAP — Índice de Locação Residencial, junho de 2026.
Fecomércio-MT/IPF-MT — Boletim Imobiliário.
Fundação João Pinheiro — Déficit Habitacional do Brasil 2022.
Ministério das Cidades — Minha Casa, Minha Vida.
Ministério do Trabalho e Emprego — Novo Caged, primeiro semestre de 2026.
Consulte as fontes oficiais
Secovi-MT — Mercado Imobiliário
FipeZAP — Índice de Venda Residencial
FipeZAP — Índice de Locação Residencial
Fecomércio-MT — Boletim Imobiliário
Fundação João Pinheiro — Déficit Habitacional
Ministério das Cidades — Minha Casa, Minha Vida
Ministério do Trabalho e Emprego — Novo Caged
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Esta reportagem integra a série Mercado Imobiliário em Números, criada para apresentar o mercado de cada estado brasileiro a partir de dados econômicos, imobiliários, populacionais, habitacionais e de mercado de trabalho.
Próximos estados podem ser analisados seguindo o mesmo padrão metodológico: fonte identificada, período de referência, cruzamento de dados e transparência quando uma informação estadual não estiver disponível.










