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Mercado Imobiliário do Piauí em Números

Mercado Imobiliário do Piauí em Números

Teresina concentra os principais indicadores do mercado, enquanto o Piauí combina valorização residencial, expansão habitacional, geração de empregos e investimentos que movimentam a construção civil

O mercado imobiliário do Piauí chega a 2026 com uma combinação de números que merece atenção.

De um lado, está Teresina, capital e principal centro urbano do estado, onde o preço médio anunciado dos imóveis residenciais chegou a R$ 5.941 por metro quadrado em maio de 2026, segundo o Índice FipeZAP. De outro, existe um movimento habitacional que alcança diferentes regiões do estado, com novas contratações e entregas do Minha Casa, Minha Vida, além de programas estaduais voltados à aquisição, construção e melhoria de moradias.

O cenário econômico também ajuda a formar esse ambiente.

O Piauí tinha 3.384.547 habitantes na estimativa populacional de 2025, segundo o IBGE, contra 3.271.199 registrados no Censo de 2022. A renda domiciliar per capita chegou a R$ 1.546 em 2025.

Ao mesmo tempo, o Estado terminou 2025 com 21.022 novos empregos formais, crescimento relativo de 5,81%, segundo análise da Secretaria do Planejamento do Piauí sobre os dados do Novo Caged.

E existe um dado que chama atenção particularmente para o setor imobiliário: em Teresina, a Caixa e o Governo Federal contrataram, em abril de 2026, 1.680 novas moradias do Minha Casa, Minha Vida, distribuídas em 12 empreendimentos e com investimento superior a R$ 286,4 milhões.

Os números, entretanto, precisam ser separados por abrangência.

Nem todos representam o mercado imobiliário de todo o Piauí.

Alguns são estaduais. Outros são exclusivamente de Teresina. Outros correspondem a programas habitacionais específicos.

Essa distinção é o que permite construir uma fotografia mais fiel do mercado.

Piauí em números

IndicadorNúmeroReferência
População estimada3.384.547IBGE — 2025
População no Censo3.271.199IBGE — 2022
Área territorial251.755,499 km²IBGE — 2025
Densidade demográfica12,99 hab./km²Censo 2022
Rendimento domiciliar per capitaR$ 1.546IBGE — 2025
PIB estadualR$ 80,917 bilhõesIBGE — 2023
População de Teresina905.692IBGE — 2025
PIB per capita de TeresinaR$ 33.994,07IBGE — 2023
Preço residencial em TeresinaR$ 5.941/m²FipeZAP — maio/2026
Alta dos imóveis em Teresina+6,64%12 meses até maio/2026
Alta dos imóveis em Teresina no ano+3,96%2026 até maio
Novas moradias MCMV em Teresina1.680abril/2026
Investimento nesses empreendimentos>R$ 286,4 milhõesabril/2026
Construção de edifícios em Teresinadestaque de empregoNovo Caged/Seplan
Empregos formais criados no Piauí21.022janeiro–dezembro/2025
Crescimento do emprego formal5,81%2025
Unidades MCMV entregues no Piauí14.5682023–2025
Unidades MCMV entregues em jan./2026852janeiro/2026
Investimento MCMV no estadoR$ 2,6 bilhões2023–2025
Famílias atendidas pelo Morar Bem Piauí108até dez./2025

Fontes: IBGE, FipeZAP, Caixa Econômica Federal, Governo do Piauí e Seplan-PI.

População chega a 3,38 milhões

O Piauí tinha 3.384.547 habitantes na estimativa do IBGE para 2025.

No Censo Demográfico de 2022, eram 3.271.199 pessoas.

O crescimento populacional representa uma ampliação da base potencial de consumidores e famílias, mas não pode ser convertido automaticamente em crescimento das vendas de imóveis.

A formação da demanda imobiliária depende de vários fatores.

Renda, emprego, crédito, formação de novos domicílios, preço dos imóveis, disponibilidade de terrenos, infraestrutura urbana e condições de financiamento interferem diretamente na decisão de compra.

Ainda assim, o crescimento da população ajuda a estabelecer o tamanho do mercado potencial.

Teresina concentra 905,7 mil habitantes

A capital é o principal ponto de referência para os indicadores imobiliários disponíveis.

Teresina tinha 905.692 habitantes na estimativa de 2025.

No Censo de 2022, eram 866.300 habitantes.

A cidade possui área territorial de 1.387,466 km² e densidade demográfica de 622,66 habitantes por quilômetro quadrado, segundo o Censo.

Essa concentração populacional ajuda a explicar por que a capital aparece com maior frequência nas pesquisas imobiliárias.

Mas isso também cria uma limitação para a análise estadual.

Não é possível utilizar os indicadores de Teresina como se representassem automaticamente todo o Piauí.

Teresina registra R$ 5.941 por metro quadrado

Em maio de 2026, o Índice FipeZAP registrou R$ 5.941 por metro quadrado como preço médio anunciado dos imóveis residenciais em Teresina.

A cidade acumulava alta de 3,96% no ano e 6,64% em 12 meses.

A amostra utilizada pela pesquisa reunia 3.341 anúncios.

O comportamento de maio também mostrou aceleração no mês.

A variação mensal foi de 1,43%.

O número de R$ 5.941/m² precisa, entretanto, ser compreendido corretamente.

O FipeZAP acompanha preços anunciados, não necessariamente os valores finais efetivamente negociados.

Por isso, o indicador é uma referência para acompanhar a evolução dos preços residenciais, mas não deve ser interpretado como uma tabela oficial de valores de venda de todos os imóveis da capital.

A valorização chega a 6,64% em 12 meses

A alta de 6,64% registrada pelo FipeZAP em Teresina nos 12 meses até maio de 2026 coloca a capital em um cenário de valorização nominal dos preços anunciados.

O resultado é particularmente interessante porque ocorre em um mercado que apresenta grande diversidade de produtos.

Um apartamento compacto em uma região mais acessível não possui a mesma dinâmica de preço de uma unidade de alto padrão em área valorizada.

O metro quadrado é apenas uma referência.

Para o comprador, o preço total do imóvel continua sendo o principal número.

Para o investidor, entram na conta também aluguel, vacância, condomínio, impostos, manutenção e liquidez.

Para o corretor, o desafio é entender como cada região se comporta.

Os bairros apresentam diferenças importantes

O levantamento de maio da Fipe mostra uma diferença expressiva entre as áreas monitoradas em Teresina.

O Jóquei aparecia com preço médio de R$ 9.082/m².

Fátima registrava R$ 8.958/m² e São Cristóvão, R$ 8.863/m².

No outro extremo, Santa Isabel aparecia com R$ 4.456/m², enquanto Uruguai registrava R$ 4.557/m².

Essa diferença ajuda a mostrar por que uma média municipal nunca conta toda a história.

Entre as áreas destacadas pela pesquisa, o Planalto também chamava atenção pela valorização de 45,3% em 12 meses, enquanto Ininga apresentava queda de 10,6% e Noivos, de 11,6%.

O próprio informe da Fipe faz uma ressalva metodológica sobre essas informações detalhadas.

São referências das áreas mais representativas utilizadas no cálculo, e não necessariamente uma tabela completa de todos os bairros da cidade.

O mercado de Teresina mostra comportamentos diferentes dentro da mesma cidade

Os números revelam uma característica importante do mercado piauiense.

Mesmo em uma capital com pouco mais de 900 mil habitantes, a valorização não acontece de maneira uniforme.

Há regiões com forte alta.

Há regiões com crescimento moderado.

E há áreas que registraram redução dos preços anunciados na comparação anual.

Isso significa que uma análise profissional precisa abandonar a ideia de que “o imóvel em Teresina está subindo” como se toda a cidade estivesse se comportando da mesma forma.

O que existe é um conjunto de mercados dentro da própria capital.

A renda domiciliar per capita chega a R$ 1.546

Em 2025, o rendimento nominal mensal domiciliar per capita do Piauí foi de R$ 1.546, segundo o IBGE.

A média brasileira chegou a R$ 2.316.

O indicador é importante para entender a capacidade econômica das famílias.

Mas não equivale ao salário médio.

O cálculo considera os rendimentos de todos os moradores dos domicílios e inclui rendimentos provenientes do trabalho e de outras fontes.

Para o mercado imobiliário, a renda é uma das peças fundamentais da equação.

É ela que, combinada ao crédito, determina parte importante da capacidade de financiamento das famílias.

O PIB do Piauí chega a R$ 80,9 bilhões

O PIB estadual alcançou R$ 80,917 bilhões em 2023, segundo o IBGE.

O valor coloca o Piauí entre as menores economias estaduais em termos absolutos, mas o número isolado não explica a estrutura econômica do estado.

O PIB representa o valor dos bens e serviços finais produzidos durante determinado período.

Não é estoque de riqueza.

Também não significa que R$ 80,917 bilhões estejam disponíveis para consumo ou investimento imobiliário.

O indicador serve para dimensionar a atividade econômica.

E quanto maior a atividade econômica, maior tende a ser a diversidade de negócios, empregos e circulação de renda que sustentam o mercado.

Teresina tem PIB per capita de R$ 33.994

Na capital, o PIB per capita chegou a R$ 33.994,07 em 2023, de acordo com o IBGE.

Esse indicador também precisa ser interpretado com cuidado.

PIB per capita não significa renda recebida por cada morador.

É uma divisão do PIB municipal pela população.

Ainda assim, ajuda a dimensionar a produção econômica por habitante e complementa a leitura sobre o peso de Teresina na economia estadual.

Emprego formal avança 5,81% em 2025

O mercado de trabalho também apresenta números relevantes.

Segundo análise da Seplan-PI com base no Novo Caged, o Piauí terminou 2025 com 21.022 novos empregos formais.

A variação acumulada foi de 5,81%, colocando o estado na terceira posição nacional em crescimento relativo e na segunda entre os estados do Nordeste naquele ano.

Esse número é estadual e contempla todos os setores.

Não significa que 21.022 empregos tenham sido gerados pela construção civil.

Essa distinção é importante.

O emprego formal cria uma base econômica mais favorável para o consumo, mas a relação entre geração de empregos e compra de imóveis não é automática.

Construção civil teve participação relevante

No terceiro trimestre de 2025, o Piauí registrou 8.194 novos postos formais, e a construção civil respondeu por 1.183 vagas no período, segundo o boletim de conjuntura da Seplan-PI baseado no Novo Caged.

O dado ajuda a compreender o papel da construção dentro da economia estadual.

A atividade movimenta trabalhadores, fornecedores, materiais, equipamentos, transporte e serviços especializados.

E seus efeitos não terminam quando uma obra é concluída.

Um empreendimento habitacional também gera demanda por serviços de manutenção, administração condominial, comércio local e outros negócios depois da ocupação.

Teresina aparece com destaque na construção

Em agosto de 2025, Teresina registrou saldo de 1.607 empregos formais.

Entre as atividades de destaque estava a construção de estações e redes de distribuição de energia elétrica, com 331 vagas.

Em Picos, a construção de edifícios respondeu por 22 vagas naquele mês.

Campo Maior registrou 15 vagas na construção de edifícios, enquanto José de Freitas teve 13, Barro Duro 15 e Batalha 20.

São números mensais e localizados.

Não devem ser somados para criar um suposto ranking anual da construção civil do estado.

Mas mostram que a atividade construtiva aparece em diferentes municípios.

O custo da construção é outro número importante

O SINAPI é uma das principais referências oficiais para acompanhar custos da construção civil.

Em janeiro de 2026, o Piauí registrou alta de 4,12% no índice de custo da construção, o maior resultado entre os estados naquele mês, segundo o IBGE.

O resultado foi influenciado pelo reajuste de acordo coletivo de categorias profissionais e pelo aumento dos custos de materiais.

Esse dado merece atenção.

O custo de construção interfere diretamente na viabilidade de novos empreendimentos.

Quando materiais e mão de obra sobem, a incorporadora precisa recalcular orçamento, margem, cronograma e preço de venda.

Mas o SINAPI não é preço de imóvel.

É um indicador de custos da construção.

O Minha Casa, Minha Vida movimenta bilhões no Piauí

Talvez nenhum outro conjunto de números mostre tão claramente a dimensão da habitação no estado quanto o Minha Casa, Minha Vida.

Segundo a Agência de Desenvolvimento Habitacional do Piauí, entre 2023 e 2025 foram entregues 14.568 unidades habitacionais do programa no estado.

Foram:

1.330 unidades em 2023;

5.482 em 2024;

6.904 em 2025.

Somente em janeiro de 2026, outras 852 unidades foram contabilizadas.

O investimento do programa no estado entre 2023 e 2025 chegou a R$ 2,6 bilhões.

É um volume expressivo.

E mostra que o mercado imobiliário piauiense não é formado apenas pela comercialização de imóveis de médio e alto padrão.

A habitação popular representa uma frente econômica e social de grande dimensão.

Teresina recebe 1.680 novas moradias

Em abril de 2026, a CAIXA anunciou a contratação de 1.680 novas moradias em Teresina.

Serão 12 empreendimentos nas regiões Sul e Sudeste da capital.

O investimento informado supera R$ 286,4 milhões.

Os apartamentos terão áreas privativas entre 48,14 m² e 50,97 m².

As unidades possuem dois quartos, sala, cozinha, área de serviço e banheiro, com algumas unidades também contando com varanda.

O valor informado para cada unidade é de R$ 170,5 mil.

São imóveis destinados à Faixa 1 do programa.

E aqui existe uma dimensão que os números não conseguem mostrar completamente.

Para uma família que durante anos dependeu do aluguel ou de uma moradia inadequada, aqueles 48 ou 50 metros quadrados representam muito mais do que uma unidade habitacional.

Representam endereço, segurança e patrimônio.

O investimento passa de R$ 286 milhões

Os R$ 286,4 milhões anunciados para os 12 novos empreendimentos representam uma injeção importante na cadeia da construção.

O dinheiro não circula somente entre governo, Caixa e construtoras.

Ele chega aos trabalhadores que executam as obras, aos fabricantes de materiais, lojas, transportadores, prestadores de serviços e diversos outros fornecedores.

É justamente por isso que a habitação possui um efeito econômico que vai muito além da entrega das chaves.

Teresina já supera 3 mil unidades em empreendimentos FAR e Entidades

A Caixa informou em abril de 2026 que, desde a retomada do Minha Casa, Minha Vida, Teresina já somava 22 empreendimentos FAR/Entidades Urbanas contratados e em contratação, totalizando mais de 3.012 novas unidades habitacionais a serem construídas.

Desde 2023, haviam sido entregues 132 moradias no município, segundo o mesmo balanço.

O investimento total informado até aquele momento ultrapassava R$ 500 milhões somente na capital.

Esse dado é especialmente relevante porque mostra que os 1.680 novos apartamentos anunciados em abril não representam todo o movimento habitacional da capital.

Eles fazem parte de um conjunto maior de empreendimentos.

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O MCMV também chega ao interior

O programa habitacional possui alcance estadual.

Em junho de 2026, o Piauí teve 2.980 unidades selecionadas nas modalidades Minha Casa, Minha Vida Rural e Entidades.

Desse total, 2.010 eram do MCMV Rural e 970 do MCMV Entidades.

As seleções alcançaram 18 municípios piauienses.

Entre os municípios contemplados estão Campo Grande do Piauí, Campo Maior, Caracol, Caraúbas do Piauí, Castelo do Piauí, Coivaras, Cristino Castro, Curralinhos, Esperantina, Francisco Ayres, Piracuruca, Porto, Riacho Frio, Santa Cruz do Piauí, São Braz do Piauí, São João da Varjota, São João do Piauí e São José do Piauí.

Esse número representa seleções de unidades nas duas modalidades naquele ciclo, e não o total histórico do programa no Piauí.

Essa diferença precisa ser preservada.

O Piauí recebeu 2.010 unidades do MCMV Rural

Na modalidade rural, foram selecionadas 2.010 unidades para o Piauí em 2026.

O estado ficou entre aqueles com maior número de unidades rurais selecionadas no país.

O MCMV Rural possui uma característica diferente do mercado urbano tradicional.

A casa é destinada a famílias que vivem no campo e pode ser construída no próprio terreno do beneficiário, dentro das regras do programa.

O objetivo é enfrentar uma necessidade habitacional que não aparece necessariamente nos indicadores de lançamentos de apartamentos das grandes cidades.

Outras 970 unidades foram selecionadas no MCMV Entidades

O Piauí teve ainda 970 unidades selecionadas na modalidade MCMV Entidades em 2026.

Essa modalidade possui participação de entidades organizadoras e atende famílias de baixa renda.

Na prática, amplia a participação de associações, cooperativas e organizações sociais na produção habitacional.

O modelo é diferente de um empreendimento convencional lançado por uma incorporadora para venda no mercado aberto.

Mas continua movimentando terreno, projetos, construção, materiais, mão de obra e serviços.

O Estado também possui o Morar Bem Piauí

O governo estadual mantém o programa Morar Bem Piauí/Cheque Moradia, destinado a apoiar famílias na aquisição do primeiro imóvel.

Segundo a Agência de Desenvolvimento Habitacional, até dezembro de 2025 o Estado havia repassado R$ 2,5 milhões à Caixa Econômica Federal para a iniciativa.

O programa já havia viabilizado o acesso à casa própria para 108 famílias, com aplicação efetiva de R$ 1,04 milhão em subsídios habitacionais.

O saldo disponível permitia ampliar o número de beneficiários posteriormente.

É um exemplo de como a política habitacional estadual pode funcionar em conjunto com o crédito federal.

Moradia para Todos atendeu 249 beneficiários

Outra frente da política habitacional estadual é o programa Moradia para Todos.

Entre 2023 e 2025, a ADH realizou ações de construção e reforma de casas em 19 municípios piauienses.

Foram 249 beneficiários, com investimento total de R$ 1.389.657,83.

Esse tipo de política possui impacto diferente de um grande empreendimento residencial.

Não se trata apenas de construir novas unidades.

Em muitos casos, melhorar uma casa já existente pode representar a solução mais adequada para a família.

Regularização e recuperação de contratos também fazem parte do mercado

A política habitacional estadual também envolve contratos antigos.

Por meio do programa Super Refis, a ADH renegociou 827 contratos de financiamento habitacional.

A arrecadação chegou a R$ 3.366.006,37.

A regularização financeira possui uma relação importante com a segurança patrimonial.

Um contrato regularizado pode permitir ao mutuário recuperar sua situação financeira e avançar na formalização de seu patrimônio.

No mercado imobiliário, documentação e regularidade são tão importantes quanto preço.

Infraestrutura acompanha a política habitacional

Entre 2023 e 2025, a ADH informou a execução de mais de 319 mil metros quadrados de pavimentação poliédrica em 33 municípios, com investimento de R$ 31.979.879,40.

A pavimentação não é um investimento imobiliário.

Mas possui relação com a formação das cidades.

Infraestrutura viária melhora acesso, mobilidade e integração urbana.

E, ao longo do tempo, obras de infraestrutura podem influenciar a atratividade de determinadas áreas.

O efeito sobre preços de imóveis, entretanto, precisa ser medido caso a caso.

Serra do Inácio recebeu novas moradias

Na região da Serra do Inácio, entre Curral Novo e Betânia do Piauí, foram entregues 102 unidades habitacionais entre 2023 e 2025, de um total de 150 previstas.

O investimento global informado foi de R$ 15.424.799,60.

É outro exemplo de como o mercado habitacional do Piauí vai além da capital.

São projetos que atendem necessidades específicas e ajudam a levar políticas de moradia para regiões fora dos grandes centros.

A demanda habitacional continua sendo um desafio

O Observatório de Dados do Piauí informa que, em 2022, o déficit habitacional correspondia a 12,1% dos domicílios do estado.

Segundo o levantamento, o percentual havia aumentado 0,6 ponto percentual em relação a 2016.

Naquele ano, o Piauí estava entre os dez estados brasileiros com maior taxa de déficit habitacional e ocupava a segunda posição entre os estados nordestinos.

É fundamental observar a data.

12,1% é um dado de 2022, não uma estimativa de 2026.

Ele serve para demonstrar a dimensão estrutural da questão habitacional, mas não deve ser apresentado como fotografia atual do déficit.

O déficit ajuda a explicar a importância da habitação popular

A existência de uma necessidade habitacional elevada ajuda a explicar por que programas como Minha Casa, Minha Vida e Morar Bem Piauí possuem importância estratégica.

O mercado imobiliário não é formado apenas por pessoas que procuram um imóvel maior ou por investidores que buscam rentabilidade.

Existe também uma enorme parcela da população para a qual a questão central é conseguir uma moradia adequada.

Nesse ponto, políticas públicas e mercado privado se encontram.

Construtoras produzem.

Bancos financiam.

Governos subsidiam ou oferecem terrenos e infraestrutura.

Corretores orientam.

E famílias compram.

O mercado imobiliário do Piauí possui vários públicos

Os números permitem enxergar diferentes segmentos.

Existe o comprador de baixa renda que depende de programas habitacionais.

Existe a família que utiliza financiamento tradicional.

Existe o consumidor de classe média.

Existe o investidor.

Existe o mercado de locação.

Existe a demanda por terrenos.

E existe o setor empresarial.

Não há uma única dinâmica imobiliária.

Há várias.

E elas podem crescer em ritmos diferentes.

Teresina continua sendo o principal termômetro disponível

Quando o assunto é preço de imóveis, Teresina é o principal termômetro público encontrado nesta apuração.

O FipeZAP permite acompanhar a evolução dos preços residenciais anunciados.

Em maio de 2026, foram R$ 5.941/m², alta de 6,64% em 12 meses.

Já os dados habitacionais da Caixa mostram uma forte presença do Minha Casa, Minha Vida na capital.

A combinação desses dois conjuntos de indicadores revela um mercado com segmentos bastante diferentes.

De um lado, imóveis comercializados no mercado convencional.

De outro, habitação subsidiada.

Entre os dois, existe um amplo mercado de financiamento.

E o interior?

O interior do Piauí possui uma realidade imobiliária que merece estudos específicos.

Cidades como Parnaíba, Picos, Floriano, Piripiri, Campo Maior, Bom Jesus e Uruçuí possuem estruturas econômicas e urbanas próprias.

Entretanto, não encontramos nesta apuração uma base pública única e atualizada que permita construir um ranking confiável de vendas, lançamentos, VGV, estoque e preço médio por metro quadrado para todos esses municípios.

Por isso, não seria correto criar um ranking estadual utilizando indicadores diferentes ou informações de períodos distintos.

O que os dados disponíveis permitem afirmar é que a atividade econômica e habitacional não está restrita a Teresina.

O programa habitacional estadual alcança dezenas de municípios, enquanto o MCMV Rural e Entidades selecionou unidades em 18 municípios piauienses em 2026.

O que os números mostram para o corretor de imóveis?

Para o corretor, talvez a principal lição dos números seja a necessidade de conhecer profundamente a região em que trabalha.

Em Teresina, o profissional precisa entender as diferenças entre bairros.

O preço médio municipal de R$ 5.941/m² não explica sozinho uma negociação.

Há regiões acima de R$ 9 mil/m² e outras abaixo de R$ 4,5 mil/m² na amostra do FipeZAP.

No segmento popular, o conhecimento sobre financiamento é igualmente importante.

O cliente pode ter renda compatível com determinada faixa, mas ainda depender de análise de crédito, entrada, documentação e enquadramento do imóvel.

O corretor que entende esses processos deixa de ser apenas um intermediador.

Torna-se um consultor para a decisão imobiliária.

O que os números mostram para as construtoras?

Para as construtoras, o cenário apresenta uma combinação de oportunidades e desafios.

Há demanda habitacional.

Há expansão de programas públicos.

Há geração de empregos.

Mas os custos de construção também pressionam as margens.

O Piauí registrou em janeiro de 2026 a maior variação estadual do SINAPI, de 4,12%.

Ao mesmo tempo, a renda domiciliar per capita foi de R$ 1.546 em 2025.

A equação, portanto, é delicada.

O produto precisa ser adequado ao público.

O preço precisa caber na capacidade de pagamento.

E a obra precisa ser viável diante dos custos.

O que os números mostram para o investidor?

Para o investidor, Teresina apresenta um mercado residencial com valorização observada pelo FipeZAP.

A alta de 6,64% em 12 meses é um indicador relevante.

Mas valorização passada não garante valorização futura.

O investidor precisa analisar localização, preço de aquisição, aluguel, vacância, custos, liquidez e perspectiva de demanda.

Também precisa entender que os dados do FipeZAP são de preços anunciados.

A negociação efetiva pode ocorrer por valores diferentes.

É a diferença entre olhar um número e analisar um investimento.

Piauí em números: os indicadores que merecem atenção

TemaNúmero
População do Piauí3,38 milhões
População de Teresina905,7 mil
Renda domiciliar per capitaR$ 1.546
PIB estadualR$ 80,917 bilhões
PIB per capita de TeresinaR$ 33.994,07
Preço residencial em TeresinaR$ 5.941/m²
Valorização em 12 meses6,64%
Valorização em 2026 até maio3,96%
Anúncios na amostra FipeZAP3.341
Empregos formais criados em 202521.022
Crescimento do emprego formal em 20255,81%
Unidades MCMV entregues 2023–202514.568
Unidades MCMV entregues em jan./2026852
Investimento MCMV 2023–2025R$ 2,6 bilhões
Novas unidades MCMV em Teresina1.680
Investimento nos 12 empreendimentos>R$ 286,4 milhões
Empreendimentos FAR/Entidades em Teresina22
Unidades FAR/Entidades contratadas/em contratação>3.012
Investimento habitacional acumulado informado para Teresina>R$ 500 milhões
MCMV Rural selecionado em 20262.010 unidades
MCMV Entidades selecionado em 2026970 unidades
Municípios piauienses contemplados nessas seleções18
Déficit habitacional12,1% dos domicílios
Referência do déficit2022

Fontes: IBGE, FipeZAP, Caixa, Ministério das Cidades, Governo do Piauí, ADH e Seplan-PI.

Conclusão

Os números mostram que o mercado imobiliário do Piauí possui uma estrutura mais diversificada do que uma simples leitura do preço dos imóveis poderia sugerir.

Teresina, com 905.692 habitantes, concentra os principais indicadores públicos de preços residenciais e apresenta, em maio de 2026, valor médio anunciado de R$ 5.941/m², com alta de 6,64% em 12 meses.

A economia estadual alcançou R$ 80,917 bilhões em PIB em 2023, enquanto a renda domiciliar per capita chegou a R$ 1.546 em 2025.

O mercado de trabalho também apresentou desempenho positivo em 2025, com 21.022 novos empregos formais e crescimento de 5,81%.

Na construção e habitação, os números ganham ainda mais força.

Entre 2023 e 2025, o Minha Casa, Minha Vida entregou 14.568 unidades no Piauí, com investimento de R$ 2,6 bilhões. Em janeiro de 2026, foram contabilizadas outras 852 unidades.

Em Teresina, 2026 começou com a contratação de 1.680 novas moradias, distribuídas em 12 empreendimentos e com investimento superior a R$ 286,4 milhões.

No interior, as novas seleções de 2026 acrescentaram 2.010 unidades do MCMV Rural e 970 do MCMV Entidades, alcançando 18 municípios.

O retrato, portanto, é de um mercado que combina valorização residencial, crescimento econômico, emprego, construção civil, financiamento e uma forte frente de habitação popular.

Mas existe uma conclusão igualmente importante.

Os dados mais detalhados de mercado estão concentrados em Teresina. Não há, nas fontes públicas consultadas, uma base única que permita apresentar vendas, lançamentos, estoque e preço médio de todos os municípios piauienses usando a mesma metodologia.

Por isso, o mercado imobiliário do Piauí precisa ser compreendido como um conjunto de mercados locais.

Teresina tem uma dinâmica.

Parnaíba tem outra.

Picos, Floriano, Piripiri, Campo Maior, Bom Jesus e os demais polos urbanos possuem suas próprias características.

O que une todos eles é uma demanda que continua se formando à medida que a população cresce, a economia se movimenta, novas famílias procuram moradia e as cidades continuam se transformando.

No Piauí, como em todo o Brasil, o mercado imobiliário não é apenas uma questão de metros quadrados.

É também uma questão de renda, crédito, emprego, infraestrutura, planejamento urbano e, acima de tudo, pessoas procurando um lugar para chamar de casa.

Análise Editorial Broker News BR

Os indicadores reunidos nesta edição mostram um mercado imobiliário piauiense com sinais concretos de atividade, mas que precisa ser analisado com diferentes lentes.

O principal indicador privado de preços disponível nesta apuração está concentrado em Teresina. Em maio de 2026, o FipeZAP registrou R$ 5.941/m² e alta de 6,64% em 12 meses. Trata-se de preço anunciado, e não necessariamente do valor final das transações.

Na habitação, os números são expressivos: 14.568 unidades do Minha Casa, Minha Vida foram entregues no Piauí entre 2023 e 2025, e outras 852 foram contabilizadas em janeiro de 2026.

Teresina recebeu ainda a contratação de 1.680 novas unidades em 12 empreendimentos, com investimento superior a R$ 286,4 milhões.

O cenário econômico também é relevante, com PIB estadual de R$ 80,917 bilhões em 2023, renda domiciliar per capita de R$ 1.546 em 2025 e crescimento do emprego formal de 5,81% em 2025.

A leitura editorial da Broker News BR é que o Piauí apresenta um mercado habitacional ativo e uma capital em processo de valorização, mas ainda não existe base pública suficiente para afirmar que todos os municípios do estado estejam vivendo o mesmo ciclo de expansão.

Essa diferença entre o que os números comprovam e aquilo que eles não permitem concluir é fundamental para uma análise imobiliária responsável.

Produção Editorial Broker News BR

Produção Editorial Broker News BR. Esta matéria é um conteúdo original produzido pela equipe editorial da Broker News BR, elaborado com base em pesquisa, apuração e consulta a fontes oficiais e confiáveis do mercado imobiliário para informar corretores de imóveis, imobiliárias, construtoras, incorporadoras e investidores.

Fontes

  • Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística — IBGE
  • Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas — Fipe
  • Ministério das Cidades
  • Caixa Econômica Federal
  • Governo do Estado do Piauí
  • Agência de Desenvolvimento Habitacional do Piauí — ADH
  • Secretaria do Planejamento do Piauí — Seplan-PI
  • Ministério do Trabalho e Emprego — Novo Caged
  • Fundação João Pinheiro

Consulte as fontes oficiais

IBGE — Piauí

IBGE — Teresina

IBGE — PIB

IBGE — Rendimento domiciliar per capita 2025

Fipe — Índice FipeZAP

FipeZAP — Venda residencial, maio de 2026

Ministério das Cidades — Minha Casa, Minha Vida

Ministério das Cidades — MCMV-FAR

CAIXA — Habitação e MCMV em Teresina

Governo do Piauí — Política Habitacional

Seplan-PI — Emprego formal

Observatório de Dados do Piauí — Déficit Habitacional

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Por Camille Assis

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