País registrou 6,9 milhões de tentativas de fraude no primeiro semestre de 2025; análise proporcional à população coloca o Sudeste no topo entre as regiões
A expansão dos serviços digitais transformou a maneira como os brasileiros trabalham, compram, vendem, contratam serviços e movimentam dinheiro. Mas a mesma transformação que trouxe praticidade também abriu espaço para um mercado criminoso cada vez mais sofisticado.
Os números mostram que o problema está crescendo.
O Brasil registrou 6.937.832 tentativas de fraude no primeiro semestre de 2025, segundo o Indicador de Tentativas de Fraude da Serasa Experian. O volume foi 29,5% maior do que o registrado no mesmo período de 2024, o equivalente a uma ocorrência a cada 2,3 segundos.
O dado não representa necessariamente crimes consumados. A própria Serasa explica que seu indicador estima tentativas de fraude a partir do cruzamento de consultas de CPF, modelos probabilísticos de detecção e registros relacionados a documentos, biometria facial e verificação cadastral.
Essa diferença é importante.
Uma tentativa de fraude identificada não significa automaticamente que uma vítima perdeu dinheiro ou que um crime foi consumado.
Ainda assim, o crescimento de quase 30% em apenas um ano revela uma pressão significativa sobre consumidores e empresas.
E, para o mercado imobiliário, o alerta merece atenção especial.
Um problema que interessa diretamente ao corretor de imóveis
O corretor trabalha em um ambiente que reúne diversos elementos cobiçados pelos fraudadores: imóveis de alto valor, documentos pessoais, contratos, dados de proprietários e compradores, anúncios públicos, informações de localização, pagamentos e comunicação por aplicativos.
A digitalização tornou muito mais fácil anunciar um imóvel.
Também tornou muito mais fácil copiar esse anúncio.
Um criminoso pode utilizar fotografias verdadeiras, endereço verdadeiro e descrição verdadeira para criar uma oferta falsa.
Pode também se apresentar como corretor, proprietário ou representante de uma imobiliária.
O cliente pode acreditar que está diante de uma oportunidade legítima e transferir dinheiro para quem não possui qualquer relação com o imóvel.
Por isso, o avanço das fraudes digitais não deve ser tratado pelo mercado imobiliário apenas como um problema de segurança bancária.
É também um problema de segurança comercial e reputacional.
Um golpe pode atingir o comprador financeiramente, mas também pode utilizar indevidamente o nome de um corretor ou imobiliária e causar prejuízo à reputação de profissionais que não participaram da fraude.
As fraudes realmente estão aumentando?
Os dados disponíveis indicam que sim.
No primeiro semestre de 2025, as tentativas de fraude cresceram 29,5% em relação ao primeiro semestre de 2024. E o avanço ocorreu em todas as Unidades da Federação analisadas pela Serasa Experian.
O crescimento não ficou concentrado nos grandes centros.
As maiores altas regionais foram registradas no Norte, com 34,6%, e no Nordeste, com 32,1%. Segundo a Serasa Experian, o movimento indica uma expansão do foco dos criminosos para além dos grandes centros.
O volume mensal também permaneceu elevado.
Somente em junho de 2025 foram registradas 1.145.617 tentativas de fraude, alta de 33,1% em comparação com junho de 2024.
Portanto, não se trata de um aumento isolado em um único período.
Os indicadores apontam para um cenário de pressão crescente.
O setor bancário é o principal alvo
Mais da metade das tentativas identificadas no primeiro semestre de 2025 teve como alvo bancos e emissores de cartões.
Segundo a Serasa Experian, 53,7% das tentativas de fraude foram direcionadas a esse segmento.
A explicação é direta: o sistema financeiro concentra dinheiro, crédito, dados pessoais e meios de pagamento.
Mas outros setores também apresentaram crescimento.
A Serasa registrou alta superior a 50% nas tentativas envolvendo telefonia, enquanto serviços cresceram 30,2%, bancos e cartões 28,4%, financeiras 25,5% e varejo 11,7%.
Isso mostra que a fraude não está restrita a uma única indústria.
O ranking das regiões brasileiras
Para comparar as regiões de maneira mais adequada, não basta olhar somente para a quantidade absoluta de tentativas.
Uma região com população maior naturalmente possui mais pessoas, mais empresas, mais CPFs consultados e mais transações.
Por isso, nesta análise, a Broker News BR considera dois números:
1. quantidade absoluta de tentativas de fraude;
2. quantidade de tentativas em relação à população.
Para o cálculo proporcional, utilizamos as tentativas registradas pela Serasa Experian no primeiro semestre de 2025 e as estimativas populacionais do IBGE com referência em 1º de julho de 2025.
A taxa foi calculada como:
tentativas de fraude ÷ população × 1 milhão de habitantes.
Ranking proporcional das regiões
| Posição | Região | Tentativas de fraude | População estimada | Tentativas por milhão de habitantes |
|---|---|---|---|---|
| 🥇 1º | Sudeste | 3.295.292 | 88.825.643 | 37.098 |
| 🥈 2º | Centro-Oeste | 627.525 | 17.238.818 | 36.402 |
| 🥉 3º | Sul | 1.114.486 | 31.310.809 | 35.594 |
| 4º | Norte | 498.354 | 18.801.282 | 26.506 |
| 5º | Nordeste | 1.402.175 | 57.244.485 | 24.494 |
Os números de tentativas do Sudeste, Nordeste, Sul e Centro-Oeste são divulgados pela Serasa. O volume do Norte, de 498.354, resulta da diferença entre o total nacional de 6.937.832 e os quatro totais regionais divulgados. A população de cada região é do IBGE. As taxas por milhão são cálculos estatísticos da Broker News BR a partir dessas duas bases.
O que esse ranking revela?
O Sudeste aparece em primeiro lugar, tanto em volume absoluto quanto na comparação proporcional.
A região concentrou 3.295.292 tentativas, equivalentes a 47,5% de todo o volume nacional.
O resultado proporcional, porém, traz uma informação que não aparece quando simplesmente observamos os números absolutos.
O Centro-Oeste fica em segundo lugar, à frente do Sul.
Apesar de ter pouco mais de 17 milhões de habitantes, a região registrou 627.525 tentativas, produzindo uma taxa de aproximadamente 36.402 por milhão de habitantes.
O Sul ficou em terceiro, com aproximadamente 35.594 por milhão.
Já o Nordeste, apesar de registrar mais de 1,4 milhão de tentativas, aparece em quinto quando o número é relacionado à população.
Isso não significa que o Nordeste seja uma região “mais segura”.
Significa apenas que, neste indicador específico e neste período, o número de tentativas por habitante foi menor do que nas demais regiões.
Sudeste concentra quase metade das tentativas
O Sudeste registrou 3.295.292 tentativas de fraude no primeiro semestre de 2025.
A região reúne 88,8 milhões de habitantes segundo a estimativa do IBGE para julho de 2025.
A relação entre os dois números resulta em aproximadamente 37.098 tentativas por milhão de habitantes.
São Paulo foi responsável por 1.905.851 tentativas, quase 30% de todas as ocorrências registradas no país.
O peso de São Paulo ajuda a explicar o volume elevado do Sudeste, mas a análise regional não depende apenas dele.
Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo também integram uma região com grande concentração econômica, financeira e digital.
Centro-Oeste fica muito próximo do Sudeste
O segundo lugar proporcional é ocupado pelo Centro-Oeste.
Foram 627.525 tentativas para uma população estimada de 17,24 milhões de habitantes.
A taxa chega a aproximadamente 36.402 ocorrências por milhão.
A diferença em relação ao Sudeste é pequena.
Isso significa que, proporcionalmente, as duas regiões apresentaram níveis bastante próximos no primeiro semestre de 2025.
O resultado é especialmente interessante porque o Centro-Oeste representa uma parcela muito menor da população brasileira.
Em termos absolutos, sua quantidade de tentativas é muito inferior à do Sudeste.
Mas, quando o tamanho da população é considerado, a distância diminui significativamente.
Sul aparece em terceiro
O Sul registrou 1.114.486 tentativas de fraude.
A população estimada era de 31,31 milhões de habitantes.
O cálculo produz aproximadamente 35.594 tentativas por milhão.
A região ficou, portanto, apenas cerca de 2% abaixo do Centro-Oeste na taxa proporcional.
Em termos absolutos, porém, o Sul registrou quase meio milhão de tentativas a mais que o Centro-Oeste.
Mais uma vez, o denominador altera completamente a interpretação.
Norte: menor volume, maior crescimento
O Norte registrou aproximadamente 498.354 tentativas no primeiro semestre.
Com população estimada de 18,8 milhões, a taxa calculada chega a aproximadamente 26.506 por milhão.
A região aparece em quarto lugar no ranking proporcional.
Mas existe outro dado importante.
O Norte apresentou o maior crescimento percentual entre as regiões, com alta de 34,6% em relação ao primeiro semestre de 2024.
Isso significa que o Norte não lidera em quantidade nem em intensidade proporcional.
Mas lidera na velocidade de crescimento.
São três indicadores diferentes.
E cada um responde a uma pergunta diferente.
Nordeste aparece em quinto na proporção
O Nordeste registrou 1.402.175 tentativas de fraude no primeiro semestre de 2025.
A população estimada era de 57,24 milhões.
A relação produz aproximadamente 24.494 tentativas por milhão de habitantes.
A região fica na quinta posição proporcional.
Mas apresentou o segundo maior crescimento regional, de 32,1%.
Portanto, também seria errado interpretar a quinta posição como ausência de risco.
O Nordeste apresentou forte crescimento.
Por que não vamos publicar ranking dos estados e cidades?
A Broker News BR decidiu não publicar nesta matéria um ranking dos 10 estados e das 10 cidades brasileiras com mais fraudes.
A decisão não significa que não existam dados sobre estados e municípios.
Existem informações.
O problema é que as bases disponíveis não apresentam, de maneira completa e metodologicamente uniforme, todas as informações necessárias para construir um ranking nacional comparável de estados e, principalmente, de cidades.
A Serasa Experian fornece dados por Unidades da Federação e também apresenta a taxa de tentativas por milhão de habitantes.
Entretanto, as informações públicas disponíveis não oferecem o mesmo conjunto de indicadores municipais para todas as cidades brasileiras.
Outras instituições também possuem levantamentos sobre fraudes, mas utilizam metodologias diferentes.
Há estudos sobre contas suspeitas, indícios de fraude, golpes comunicados por clientes, crimes investigados e ocorrências policiais.
Esses dados não podem ser simplesmente colocados na mesma tabela.
Fazer isso produziria uma aparência de precisão que os dados não sustentam.
Por esse motivo, a Broker News BR opta nesta matéria por trabalhar com o ranking regional, onde conseguimos estabelecer uma comparação estatística consistente entre quantidade de tentativas e população.
É uma escolha deliberada de rigor.
É melhor publicar cinco regiões com metodologia transparente do que apresentar dez estados e dez cidades em um ranking que misture indicadores diferentes.
Principais modalidades de golpes
Os golpes digitais não possuem uma única forma.
Eles mudam de acordo com o comportamento das vítimas, as tecnologias disponíveis e as oportunidades encontradas pelos criminosos.
Entre as modalidades mais relatadas estão a falsa venda, falsa central bancária, golpe do WhatsApp, golpes envolvendo Pix, phishing, clonagem de cartões e outras formas de engenharia social.
Falsa venda
O golpe da falsa venda foi a modalidade mais comunicada por clientes aos bancos associados à Febraban no primeiro semestre de 2025.
Foram 174 mil ocorrências relatadas, aumento de 314% em relação ao primeiro semestre de 2024.
O criminoso cria páginas falsas, utiliza promoções inexistentes, perfis falsos ou anúncios fraudulentos para induzir a vítima a pagar.
A lógica pode ser facilmente adaptada ao mercado imobiliário.
Em vez de um produto, o criminoso anuncia um imóvel.
Em vez de uma compra comum, solicita sinal, caução, reserva ou outro pagamento.
Falsa central telefônica
Nesse golpe, o criminoso se apresenta como funcionário de um banco ou instituição legítima.
A vítima recebe uma ligação ou mensagem informando que existe um problema na conta.
Pode ser uma suposta compra, clonagem, atualização de segurança ou investigação.
A partir daí, o criminoso tenta obter dados ou induzir a vítima a realizar uma transferência.
A Febraban alerta que bancos não ligam solicitando senhas, tokens ou transferências para uma suposta conta segura.
Golpe do WhatsApp
O criminoso se passa por uma pessoa conhecida e pede dinheiro.
Pode utilizar uma conta clonada ou simplesmente um novo número acompanhado de informações reais sobre a vítima.
Para o mercado imobiliário, o mesmo mecanismo pode ser usado para se passar por cliente, proprietário, corretor ou funcionário.
Pix falso
O Pix facilitou pagamentos instantâneos, mas também é explorado por fraudadores.
Uma vez que a vítima realiza voluntariamente uma transferência, a recuperação do dinheiro pode se tornar difícil.
Por isso, o Banco Central mantém mecanismos específicos para contestação e devolução em situações de fraude.
Phishing
Links enviados por e-mail, SMS ou aplicativos de mensagem podem direcionar a vítima para páginas falsas.
O objetivo pode ser obter senhas, dados bancários, informações pessoais ou instalar software malicioso.
A Serasa recomenda atenção especial a links e arquivos compartilhados em redes sociais e grupos de mensagens.
Engenharia social
Talvez seja uma das partes mais preocupantes da evolução dos golpes.
O criminoso não precisa necessariamente invadir um sistema.
Ele pode convencer a vítima a abrir a porta.
Utiliza medo, urgência, autoridade, oportunidade ou confiança.
A Febraban alerta que a falsa central telefônica utiliza justamente técnicas de engenharia social para induzir vítimas a fornecer informações ou realizar transações.
A tecnologia está deixando os golpes mais sofisticados
A Serasa Experian aponta que o crescimento das fraudes acompanha tanto a digitalização quanto a sofisticação das ferramentas utilizadas pelos criminosos.
Entre os recursos citados estão inteligência artificial, perfis sintéticos e técnicas de engenharia social.
Isso muda a forma de prevenção.
No passado, muitas pessoas procuravam sinais evidentes de falsificação.
Hoje, um texto pode estar perfeitamente escrito.
Uma imagem pode parecer legítima.
Um perfil pode possuir fotografias reais.
Uma voz pode parecer familiar.
O criminoso pode utilizar informações verdadeiras para construir uma mentira convincente.
Por isso, a principal defesa passa a ser a verificação independente.
E no mercado imobiliário?
O setor possui características que podem ser exploradas pelos fraudadores.
Um imóvel pode permanecer anunciado durante semanas.
Fotografias podem ser copiadas.
Informações de localização são públicas.
O nome do corretor aparece no anúncio.
O telefone está disponível.
O proprietário pode fornecer documentos.
Tudo isso pode ser utilizado para construir uma fraude.
Um criminoso pode pegar um anúncio verdadeiro e criar outro perfil.
Pode alterar o telefone.
Pode colocar uma conta bancária diferente.
Pode negociar diretamente com o interessado.
O imóvel existe.
O anúncio parece verdadeiro.
Mas o dinheiro vai para o criminoso.
É justamente por isso que a existência física do imóvel não comprova a legitimidade de quem está negociando.
O falso corretor
Outra possibilidade é o criminoso se passar por profissional.
Pode utilizar nome, fotografia, número de CRECI e até identidade visual de uma imobiliária verdadeira.
O cliente acredita que está falando com um corretor.
Mas está falando com alguém que roubou a identidade profissional de outra pessoa.
Para o mercado, esse tipo de golpe é especialmente perigoso porque pode atingir duas vítimas ao mesmo tempo:
o cliente perde dinheiro;
o corretor tem sua reputação utilizada indevidamente.
Por isso, a conferência do registro profissional é uma das etapas importantes antes de qualquer operação.
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Anúncio clonado
O anúncio clonado é outra modalidade que merece atenção.
O criminoso copia fotografias e informações de um imóvel real.
Depois cria uma oferta falsa.
Pode colocar um preço abaixo do mercado para atrair interessados rapidamente.
A vítima entra em contato e recebe uma explicação para a urgência.
Em seguida, vem o pedido de pagamento.
Esse modelo combina três elementos perigosos:
informação verdadeira + identidade falsa + pressão.
O cliente pode acreditar que fez todas as verificações necessárias simplesmente porque encontrou o imóvel em uma plataforma conhecida.
Mas a plataforma não necessariamente garante que quem publicou o anúncio possui autorização para negociar.
Falso aluguel
O mesmo mecanismo pode ocorrer com imóveis destinados à locação.
O criminoso copia um imóvel real e oferece condições aparentemente vantajosas.
Pode solicitar caução, primeiro aluguel ou taxa de reserva.
Depois do pagamento, desaparece.
Por isso, o cliente deve confirmar não apenas se o imóvel existe, mas também quem tem autorização para alugá-lo.
Os criminosos estão sendo descobertos?
Sim, existem investigações, operações policiais, prisões e apreensões relacionadas a crimes cibernéticos e fraudes eletrônicas.
Mas é necessário ter cuidado com a palavra “punidos”.
Não existe uma estatística nacional simples que permita afirmar que determinado percentual de todas as fraudes digitais termina em condenação judicial.
A Polícia Federal mantém uma base específica de Dados Estatísticos de Combate a Crimes Cibernéticos, que inclui fraudes bancárias eletrônicas, crimes de alta tecnologia e outras categorias.
A própria Polícia Federal alerta que seus dados são dinâmicos e sujeitos a atualizações.
Além disso, os indicadores da PF não representam todas as ocorrências de fraude digital do Brasil, pois estão relacionados às atribuições da própria instituição.
Portanto, não seria correto usar os dados da PF para afirmar quantos fraudadores brasileiros foram condenados por todos os golpes digitais praticados no país.
Existem operações e prisões
O combate, porém, é real.
A Polícia Federal realiza operações contra organizações envolvidas em fraudes bancárias eletrônicas, lavagem de dinheiro e crimes cibernéticos.
Os dados oficiais da instituição registram operações, mandados de busca e apreensão, prisões temporárias, prisões preventivas e flagrantes dentro das categorias de crimes cibernéticos sob sua atribuição.
Isso demonstra que os órgãos de investigação conseguem identificar organizações criminosas e chegar a suspeitos.
Mas é fundamental não confundir:
investigação com condenação;
prisão com culpa definitiva;
operação policial com sentença judicial.
A matéria jornalística precisa preservar essa distinção.
O sistema financeiro também atua na prevenção
O combate às fraudes não depende apenas da polícia.
Bancos e instituições financeiras utilizam sistemas de identificação, autenticação e análise de comportamento para impedir operações suspeitas.
A própria Serasa destaca a importância de sistemas antifraude em múltiplas camadas, combinando verificação de identidade, biometria e análise comportamental.
A Febraban também mantém campanhas de conscientização e orientações para os clientes.
O objetivo é impedir que uma tentativa se transforme em prejuízo.
O que fazer para evitar um golpe?
A prevenção começa com atitudes simples.
Desconfie de ofertas muito abaixo do mercado
Uma oportunidade excepcional pode existir.
Mas preços muito abaixo do padrão merecem investigação.
A Serasa recomenda atenção especial a ofertas muito inferiores ao preço praticado normalmente.
Não clique em links desconhecidos
Links enviados por WhatsApp, SMS ou e-mail podem direcionar para páginas fraudulentas.
Nunca forneça senhas ou códigos
Instituições financeiras não devem solicitar senhas ou códigos por telefone para resolver supostos problemas.
Confirme a identidade
Se alguém pedir dinheiro pelo WhatsApp, confirme por outro canal.
Confira o beneficiário
Antes de um Pix, verifique cuidadosamente quem está recebendo.
Monitore seu CPF
A Serasa recomenda acompanhar regularmente o CPF para identificar possíveis sinais de fraude.
Cuidados específicos para o corretor de imóveis
Para o corretor, a prevenção precisa ser ainda mais ampla.
Verifique o próprio nome na internet
Pesquisar periodicamente seu nome, telefone e imóveis anunciados pode ajudar a encontrar perfis falsos.
Monitore seus anúncios
Se alguém estiver utilizando suas fotografias ou informações em outro perfil, identifique rapidamente.
Proteja documentos
Não envie documentos de clientes ou proprietários para pessoas que não tenham necessidade legítima de recebê-los.
Controle as chaves
A entrega das chaves precisa ser registrada.
Oriente o cliente
O corretor pode explicar ao comprador que nenhum pagamento deve ser realizado sem confirmação da operação.
Confirme mudanças de dados bancários
Se durante uma negociação surgir uma nova conta para pagamento, a informação deve ser confirmada por um canal independente.
Não aceite pressão
Urgência artificial é uma das ferramentas utilizadas por fraudadores.
O que o cliente deve fazer antes de comprar ou alugar?
O comprador ou locatário deve verificar:
- quem é o proprietário;
- quem está intermediando a negociação;
- se o corretor possui registro profissional;
- se o imóvel realmente está autorizado para venda ou locação;
- quais documentos serão apresentados;
- quem receberá o dinheiro;
- se os dados bancários correspondem ao negócio;
- se o contrato corresponde à operação.
O ponto principal é simples:
não basta confirmar que o imóvel existe. É necessário confirmar que a pessoa que está negociando tem legitimidade para fazê-lo.
E se a pessoa já caiu no golpe?
A orientação é agir imediatamente.
Se houve transferência bancária ou Pix, o primeiro passo é comunicar o banco pelos canais oficiais.
No caso do Pix, o Banco Central possui mecanismos específicos para contestação de transações fraudulentas.
A vítima também deve preservar:
- comprovantes;
- conversas;
- números de telefone;
- anúncios;
- links;
- perfis;
- documentos;
- dados bancários;
- capturas de tela.
Também é importante registrar um boletim de ocorrência.
Quanto mais informações estiverem preservadas, maior a possibilidade de ajudar uma eventual investigação.
Por que a prevenção é tão importante?
Porque recuperar dinheiro depois de uma fraude pode ser muito mais difícil do que impedir a transferência.
O criminoso pode movimentar rapidamente os valores.
Pode utilizar contas de terceiros.
Pode dividir o dinheiro entre diferentes contas.
Pode transferir para outras instituições.
Pode tentar retirar os recursos do sistema financeiro tradicional.
É por isso que os mecanismos de prevenção e bloqueio rápido são tão importantes.
O que os números significam para o mercado imobiliário?
O crescimento de 29,5% nas tentativas de fraude mostra que a segurança digital precisa fazer parte da rotina empresarial.
No mercado imobiliário, isso significa que a confiança não pode ser construída apenas pela conversa.
Ela precisa ser acompanhada de verificação.
Um corretor profissional precisa saber quem é seu cliente.
Precisa saber quem é o proprietário.
Precisa saber quem está autorizado a representar alguém.
Precisa conferir documentos.
Precisa controlar informações.
Precisa orientar compradores.
E precisa proteger sua própria identidade profissional.
A tecnologia trouxe velocidade.
Agora o mercado precisa aprender a acrescentar segurança nessa mesma velocidade.
Conclusão
Os golpes digitais estão crescendo no Brasil.
No primeiro semestre de 2025, foram 6.937.832 tentativas de fraude, crescimento de 29,5% em relação ao mesmo período de 2024. O volume equivaleu a uma tentativa a cada 2,3 segundos.
O problema atingiu todas as Unidades da Federação, e Norte e Nordeste apresentaram os maiores crescimentos regionais, com 34,6% e 32,1%, respectivamente.
Quando o tamanho da população é considerado, a leitura muda.
O Sudeste ocupa o primeiro lugar, com aproximadamente 37.098 tentativas por milhão de habitantes.
O Centro-Oeste aparece em segundo, seguido por Sul, Norte e Nordeste.
Essa comparação não significa que uma região seja “mais criminosa” que outra.
Ela representa exclusivamente a intensidade das tentativas identificadas pela metodologia da Serasa Experian em relação à população estimada pelo IBGE.
Também é importante reforçar que estamos falando de tentativas de fraude, e não de crimes necessariamente consumados.
A tecnologia também está mudando o perfil dos golpes.
Inteligência artificial, perfis sintéticos, engenharia social, mensagens falsas, páginas clonadas e técnicas de manipulação tornam as abordagens cada vez mais convincentes.
No mercado imobiliário, o risco merece atenção especial.
Falsos corretores, anúncios clonados, falsos proprietários, falsos aluguéis, cobranças antecipadas e pagamentos direcionados para terceiros podem transformar uma negociação legítima em um grande prejuízo.
Por isso, a prevenção precisa fazer parte da atividade profissional.
Verificar identidades.
Conferir documentação.
Confirmar dados bancários.
Controlar chaves.
Monitorar anúncios.
Proteger documentos.
Orientar clientes.
E desconfiar de situações que exigem decisões rápidas.
Quanto à capacidade das autoridades de combater os criminosos, existem operações, investigações, prisões, mandados e apreensões relacionados a crimes cibernéticos e fraudes bancárias eletrônicas. A Polícia Federal mantém estatísticas próprias sobre essas ações.
Mas não existe uma estatística nacional única que permita afirmar quantos fraudadores são efetivamente condenados por todos os golpes digitais praticados no Brasil.
E essa distinção é importante.
O Brasil está diante de um problema crescente, sofisticado e que exige resposta conjunta de bancos, empresas, autoridades e cidadãos.
Para o corretor de imóveis, a mensagem é ainda mais direta:
proteger o cliente também é proteger o próprio negócio, o próprio nome e a própria reputação.
Análise Editorial Broker News BR
A expansão das fraudes digitais representa um tema de grande relevância para o mercado imobiliário.
A Broker News BR entende que o corretor de imóveis precisa acompanhar essa transformação porque a atividade profissional está cada vez mais conectada a plataformas digitais, redes sociais, aplicativos de mensagens, documentos eletrônicos e pagamentos instantâneos.
O crescimento de 29,5% nas tentativas de fraude em apenas um ano é um sinal de alerta.
Mas os números precisam ser interpretados corretamente.
A Serasa Experian mede tentativas de fraude identificadas por sua metodologia, e não todos os crimes efetivamente registrados pelas autoridades policiais.
Da mesma maneira, os dados da Polícia Federal representam os crimes cibernéticos dentro da atribuição da instituição e não correspondem ao universo completo das fraudes digitais brasileiras.
Por isso, esta matéria deliberadamente não apresenta ranking dos 10 estados nem das 10 cidades com mais fraudes.
Existem informações disponíveis sobre diferentes estados e municípios, mas elas são incompletas ou utilizam metodologias distintas. Em vez de misturar bases diferentes para produzir um ranking aparentemente preciso, a Broker News BR optou por apresentar somente o ranking das cinco regiões, onde é possível relacionar o número de tentativas de fraude à população regional com uma metodologia transparente.
Essa escolha pode resultar em menos números na matéria.
Mas resulta em mais responsabilidade jornalística.
No mercado imobiliário, onde uma informação errada pode prejudicar compradores, vendedores, corretores e empresas, precisão precisa estar acima da quantidade.
FAQ — Golpes digitais no Brasil
Os golpes digitais estão aumentando?
Sim. A Serasa Experian registrou 6.937.832 tentativas de fraude no primeiro semestre de 2025, crescimento de 29,5% em relação ao mesmo período de 2024.
Qual região teve mais tentativas?
O Sudeste, com 3.295.292 tentativas no primeiro semestre de 2025.
Qual região lidera quando a população é considerada?
O Sudeste, com aproximadamente 37.098 tentativas por milhão de habitantes, seguido por Centro-Oeste, Sul, Norte e Nordeste.
Qual foi a região que mais cresceu?
O Norte, com alta de 34,6%, seguido pelo Nordeste, com 32,1%.
A Serasa registra crimes consumados?
Não necessariamente. O indicador mede tentativas de fraude identificadas por sua metodologia. Uma tentativa identificada não significa obrigatoriamente que o crime tenha sido consumado ou que tenha ocorrido prejuízo financeiro.
Quais são os principais golpes?
Entre os principais estão falsa venda, falsa central telefônica, golpe do WhatsApp, Pix falso, phishing, clonagem de cartões e técnicas de engenharia social.
O mercado imobiliário também é afetado?
Sim. A natureza digital dos anúncios e negociações cria oportunidades para falsos corretores, anúncios clonados, falsos proprietários e falsos aluguéis.
Por que a matéria não apresenta os 10 estados e as 10 cidades com mais fraudes?
Porque as informações disponíveis são incompletas e utilizam metodologias diferentes. A Broker News BR optou por não montar rankings que misturem indicadores incompatíveis ou preencham lacunas com estimativas.
As autoridades conseguem investigar os golpes?
Sim. Polícia Federal e outras instituições realizam investigações e operações contra crimes cibernéticos e fraudes eletrônicas. A PF mantém estatísticas próprias sobre operações, mandados e prisões dentro de sua área de atuação.
Prisão significa que o criminoso foi condenado?
Não. Prisão, investigação ou operação policial não equivalem a condenação judicial definitiva.
O que fazer depois de cair em um golpe?
Comunicar imediatamente o banco, preservar todas as provas, registrar boletim de ocorrência e, em caso de Pix, utilizar os mecanismos de contestação disponíveis junto à instituição financeira e ao Banco Central.
Produção Editorial Broker News BR
Esta matéria é um conteúdo original produzido pela equipe editorial da Broker News BR, elaborado com base em pesquisa, apuração e consulta a fontes oficiais e confiáveis para informar corretores de imóveis, imobiliárias, construtoras, incorporadoras e investidores sobre temas relevantes do mercado imobiliário.
Fontes
- Serasa Experian — Indicador de Tentativas de Fraude
- IBGE — Estimativas da População 2025
- Febraban — levantamento de golpes e tentativas de golpes
- Banco Central do Brasil
- Polícia Federal — Dados Estatísticos de Combate a Crimes Cibernéticos
Consulte as fontes oficiais
Serasa Experian — Indicador de Tentativas de Fraude
IBGE — Estimativas da população residente em 2025
Febraban — principais golpes registrados em 2025
Febraban — orientações sobre falsa central telefônica
Polícia Federal — Dados Estatísticos de Combate a Crimes Cibernéticos
Continue navegando na Broker News BR
A segurança nas operações imobiliárias está cada vez mais ligada à documentação, tecnologia, financiamento, compra e venda e proteção de dados.
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Crédito Editorial
A Broker News BR investe em pesquisa, apuração e organização de informações para produzir conteúdo confiável para o mercado imobiliário. Se esta matéria contribuir para seu trabalho jornalístico, acadêmico ou editorial, considere citar a Broker News BR como uma das fontes consultadas.









