Home / Direito Imobiliário / O que é a Certidão de Ônus Reais do Imóvel?

O que é a Certidão de Ônus Reais do Imóvel?

Certidão de Ônus Reais do imóvel mostra direitos e restrições registrados

Documento permite verificar a situação jurídica do imóvel e identificar direitos, ônus e restrições que podem interferir em uma negociação

Comprar ou vender um imóvel envolve muito mais do que encontrar um comprador, negociar o preço e assinar um contrato. Antes de uma operação imobiliária avançar, é necessário verificar se aquele imóvel está juridicamente em condições de ser negociado e se existem direitos, garantias ou restrições registrados que possam interferir na transação.

É nesse contexto que aparece um dos documentos mais conhecidos do mercado imobiliário: a Certidão de Ônus Reais.

Tradicionalmente utilizada por compradores, vendedores, corretores, imobiliárias, instituições financeiras e profissionais de documentação, essa certidão tem como objetivo revelar informações registradas na matrícula do imóvel relacionadas à sua situação jurídica.

Mas existe uma atualização importante.

Com as mudanças promovidas pela Lei nº 14.382/2022, a Lei de Registros Públicos passou a disciplinar expressamente a certidão da situação jurídica atualizada do imóvel. Segundo o artigo 19, § 9º, da Lei nº 6.015/1973, essa certidão compreende as informações vigentes sobre a descrição do imóvel, número de contribuinte, proprietário, direitos, ônus e restrições judiciais e administrativas incidentes sobre o imóvel e seu titular, além de outras informações necessárias à comprovação da propriedade e à transmissão ou constituição de direitos reais.

Na prática, portanto, o profissional que ainda utiliza a expressão “Certidão de Ônus Reais” precisa entender que o sistema registral brasileiro passou por uma atualização e que a nomenclatura e o formato da certidão podem variar conforme o serviço solicitado ao Registro de Imóveis.

O ponto principal continua sendo o mesmo: conhecer a situação jurídica registrada daquele imóvel antes de uma negociação avançar.

O que significa “ônus reais”?

A palavra “ônus” pode parecer complicada para quem não está acostumado com a linguagem imobiliária.

De maneira simples, trata-se de uma situação jurídica registrada que pode limitar, garantir ou afetar determinados direitos relacionados ao imóvel.

Entre as situações que podem aparecer nos registros estão, por exemplo, hipoteca, alienação fiduciária, usufruto e servidões, além de outras situações jurídicas que possam atingir o imóvel.

A matrícula também pode apresentar registros e averbações relacionados a atos judiciais ou administrativos que tenham repercussão sobre a propriedade.

A própria legislação determina que a certidão da situação jurídica atualizada contemple direitos, ônus e restrições judiciais e administrativas incidentes sobre o imóvel e o respectivo titular.

Por isso, não é adequado olhar para uma certidão simplesmente procurando a palavra “ônus”.

É necessário compreender todo o conteúdo registral apresentado no documento.

Um imóvel pode estar registrado em nome do proprietário indicado e, ao mesmo tempo, possuir uma garantia ou restrição registrada que precise ser considerada antes da venda, transferência ou financiamento.

Para que serve a Certidão de Ônus Reais?

A principal finalidade é permitir que as partes conheçam a situação jurídica do imóvel registrada no Cartório de Registro de Imóveis.

Para um comprador, isso ajuda a verificar se existe alguma situação registrada que possa interferir na aquisição.

Para o vendedor, permite identificar previamente eventuais registros que precisam ser analisados ou eventualmente baixados.

Para o corretor, o documento pode ajudar na análise inicial da documentação de uma propriedade que será colocada à venda.

Para uma instituição financeira, a situação registral do imóvel também é elemento relevante dentro do processo de análise e constituição de garantias.

E para empresas especializadas em documentação imobiliária, a certidão é uma das peças utilizadas na análise documental de uma operação.

A importância está justamente na possibilidade de conhecer a realidade registral antes de assumir que o imóvel está completamente livre para negociação.

A matrícula é o documento central

Para entender a Certidão de Ônus Reais, primeiro é preciso compreender a importância da matrícula do imóvel.

A matrícula é o registro individualizado da propriedade no Cartório de Registro de Imóveis competente.

Ela reúne informações referentes à identificação do imóvel e aos atos registrados ou averbados ao longo de sua história registral.

A legislação estabelece que a certidão de inteiro teor da matrícula reproduz todo o seu conteúdo e é suficiente para comprovar propriedade, direitos, ônus reais e restrições sobre o imóvel.

É por isso que a matrícula ocupa posição central em uma operação imobiliária.

Ela permite acompanhar a sequência dos atos registrados e verificar quem aparece como titular, quais direitos foram constituídos e quais situações foram registradas ou averbadas.

O documento não deve ser confundido com cadastros municipais, carnês de IPTU ou documentos particulares.

Um imóvel pode possuir cadastro na Prefeitura, por exemplo, mas a propriedade imobiliária e seus direitos reais são tratados no âmbito do Registro de Imóveis.

Certidão de Ônus Reais e certidão de inteiro teor são a mesma coisa?

Essa é uma das dúvidas mais comuns.

Não necessariamente.

Os nomes são utilizados de maneiras diferentes no mercado e pelos próprios serviços registrais, por isso é importante verificar exatamente qual certidão está sendo solicitada.

A Lei de Registros Públicos estabelece que a certidão de inteiro teor da matrícula reproduz todo o conteúdo da matrícula.

A mesma lei afirma expressamente que essa certidão é suficiente para comprovar propriedade, direitos, ônus reais e restrições sobre o imóvel.

Já a certidão da situação jurídica atualizada do imóvel reúne as informações vigentes relacionadas à descrição, titularidade, direitos, ônus e restrições, entre outros dados necessários à comprovação da situação jurídica atual.

Por isso, quando alguém pede simplesmente uma “Certidão de Ônus Reais”, é importante verificar qual modalidade de certidão o cartório ou a instituição envolvida na operação está exigindo.

Essa atenção evita que o interessado solicite um documento diferente daquele necessário para determinada finalidade.

O que pode aparecer no documento?

A resposta depende do tipo de certidão emitida e da situação concreta do imóvel.

Na análise registral podem aparecer informações relacionadas a:

  • proprietário;
  • descrição do imóvel;
  • direitos reais;
  • hipoteca;
  • alienação fiduciária;
  • usufruto;
  • servidão;
  • penhoras ou outras constrições registradas;
  • indisponibilidades ou outras restrições;
  • atos judiciais ou administrativos com repercussão registral;
  • alterações na situação do imóvel;
  • registros e averbações que tenham relação com sua situação jurídica.

É importante fazer uma distinção.

Nem tudo o que aparece na matrícula é necessariamente um “ônus real” em sentido técnico.

A legislação atual utiliza uma abordagem mais ampla ao tratar da situação jurídica atualizada, incluindo direitos, ônus e restrições judiciais e administrativas.

Essa é uma das razões pelas quais o profissional não deve interpretar uma certidão apenas pelo título que aparece no documento.

O conteúdo é o que realmente importa.

Um imóvel com ônus pode ser vendido?

Essa pergunta é especialmente importante para o corretor.

A existência de um ônus ou restrição não significa automaticamente que o imóvel não possa ser objeto de uma negociação.

Mas significa que a situação precisa ser compreendida antes de avançar.

Por exemplo, um imóvel pode estar sujeito a uma garantia decorrente de financiamento.

Nesse caso, a existência da garantia não significa necessariamente que o imóvel esteja permanentemente fora do mercado. Existem operações imobiliárias em que a dívida é quitada ou a garantia é tratada dentro da própria operação.

O problema aparece quando o profissional ignora a existência do registro.

Uma negociação pode ser anunciada como se o imóvel estivesse totalmente livre, quando na realidade existe uma situação jurídica que precisa ser resolvida ou considerada.

Por isso, a certidão não deve ser encarada como um simples “sim ou não”.

Ela é uma ferramenta para conhecer a situação e tomar decisões com informação.

Alienação fiduciária é um exemplo importante

A alienação fiduciária aparece com frequência no mercado imobiliário brasileiro, especialmente porque muitos imóveis são adquiridos por meio de financiamento.

Quando existe uma garantia fiduciária registrada, a situação jurídica do imóvel precisa ser considerada em eventual operação de venda ou transferência.

Isso não significa que o proprietário necessariamente esteja impedido de negociar.

Mas a operação precisará respeitar as condições jurídicas e financeiras aplicáveis.

Para o corretor, essa é uma situação que reforça a importância de solicitar a documentação antes de apresentar ao comprador uma informação definitiva sobre a disponibilidade do imóvel.

O profissional pode identificar que existe uma garantia registrada e encaminhar o caso para a imobiliária, instituição financeira, cartório ou profissional especializado, conforme a situação.

Hipoteca também pode aparecer

A hipoteca é outra forma de garantia que pode constar do registro imobiliário.

Nesse caso, o imóvel está vinculado como garantia de determinada obrigação.

A presença da hipoteca precisa ser analisada antes da conclusão de uma operação de compra e venda.

Mais uma vez, o ponto principal não é simplesmente concluir que “o imóvel não pode ser vendido”.

O correto é entender qual é a obrigação garantida, quem é o credor, qual é a situação atual e quais providências são necessárias para a operação pretendida.

É justamente essa análise que diferencia uma atuação profissional de uma negociação baseada apenas na informação fornecida verbalmente pelo proprietário.

E se a certidão não apresentar ônus?

Quando a certidão ou a situação jurídica atualizada não indicar ônus ou restrições registradas naquilo que foi certificado, o documento fornece uma informação importante sobre a situação registral naquele momento.

É daí que vem a expressão muito conhecida no mercado:

Certidão Negativa de Ônus.

Ela é utilizada para indicar que não foram identificados os ônus ou gravames abrangidos pela certidão solicitada.

Mas existe uma cautela importante.

Uma certidão negativa de ônus não deve ser interpretada como se fosse uma declaração universal de que não existe nenhum problema possível relacionado ao imóvel.

O documento informa aquilo que consta dos registros abrangidos pela certidão.

Podem existir questões de natureza tributária, urbanística, ambiental, construtiva ou documental que não sejam simplesmente classificadas como ônus reais registrados na matrícula.

Por isso, uma análise imobiliária completa pode exigir outros documentos.

Certidão de Ônus Reais não substitui toda a documentação do imóvel

Esse é um ponto que o corretor precisa conhecer muito bem.

A certidão do Registro de Imóveis é fundamental, mas não é necessariamente o único documento necessário em uma operação imobiliária.

Dependendo do imóvel e da operação, podem ser necessários documentos relacionados à Prefeitura, situação fiscal, condomínio, construção, regularidade da obra, vendedor, financiamento, entre outros.

Um imóvel pode ter uma matrícula aparentemente regular e ainda apresentar uma questão urbanística ou construtiva que não esteja refletida da maneira esperada na matrícula.

Da mesma forma, uma certidão do imóvel não substitui automaticamente a análise da situação jurídica e patrimonial das pessoas envolvidas quando essa análise for necessária para determinada operação.

Por isso, o correto é pensar em conjunto documental.

A certidão de ônus ou a situação jurídica atualizada é uma peça importante desse conjunto.

Não é, sozinha, uma garantia de que todos os riscos da operação foram eliminados.

A importância para o corretor de imóveis

Para o corretor, a Certidão de Ônus Reais pode ser uma ferramenta de trabalho extremamente importante.

O profissional muitas vezes é o primeiro a conversar com o proprietário sobre a venda.

Se a documentação for deixada para o final, uma pendência pode aparecer justamente quando comprador e vendedor já estiverem negociando preço e condições.

Isso pode provocar atraso, renegociação ou até desistência.

Uma estratégia mais profissional é conhecer a documentação do imóvel antes de avançar demais na comercialização.

O corretor não precisa interpretar juridicamente todos os registros.

Mas precisa saber identificar que determinados registros exigem análise especializada.

Essa postura pode melhorar a qualidade da captação.

Também pode reduzir surpresas durante a negociação.

O corretor pode solicitar a certidão?

A legislação federal estabelece que qualquer pessoa pode requerer certidão do registro, sem precisar informar ao oficial o motivo ou interesse do pedido.

Isso é particularmente relevante para profissionais do mercado imobiliário.

O corretor, a imobiliária, o comprador ou qualquer interessado pode solicitar a certidão correspondente, observadas as regras aplicáveis ao serviço.

O pedido pode ser feito diretamente ao Registro de Imóveis competente ou por meio dos sistemas eletrônicos disponibilizados para esses serviços.

O CNJ informa que o Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis (SREI) oferece serviços como pedido de certidões e visualização eletrônica da matrícula, além de outros recursos relacionados ao Registro de Imóveis.

Isso tornou o acesso à documentação imobiliária mais simples do que era no passado.

Como saber qual é o Cartório de Registro de Imóveis?

O imóvel deve estar vinculado ao Registro de Imóveis competente pela sua circunscrição.

Não é simplesmente uma questão de escolher qualquer cartório da cidade.

A competência é definida de acordo com a localização e a organização registral da região.

Em operações profissionais, é importante confirmar qual é o Registro de Imóveis responsável antes de solicitar a documentação.

Sistemas eletrônicos de registro também podem facilitar esse processo.

O SREI foi criado justamente para promover integração entre os ofícios de Registro de Imóveis e oferecer serviços eletrônicos ao público.

Quanto tempo demora para sair?

A legislação estabelece prazos máximos para diferentes tipos de certidão.

Para a certidão de inteiro teor da matrícula ou do livro auxiliar, em meio eletrônico, quando solicitada durante o horário de expediente e informado o número correspondente, o prazo máximo previsto é de quatro horas.

Para a certidão da situação jurídica atualizada do imóvel, o prazo máximo previsto é de um dia.

Para certidões de transcrições e demais casos previstos na legislação, o prazo é de até cinco dias.

Esses prazos são contados a partir do pagamento dos emolumentos, conforme estabelece o artigo 19, § 10, da Lei de Registros Públicos.

A legislação também admite situações excepcionais em localidades com dificuldade de comunicação eletrônica, conforme as regras previstas no próprio dispositivo.

A certidão tem validade?

Aqui existe outra confusão comum.

Não existe uma regra nacional simples dizendo que toda Certidão de Ônus Reais vale exatamente X dias em qualquer situação.

A necessidade de uma certidão atualizada pode depender da finalidade da operação, das exigências do comprador, da instituição financeira, do cartório e das circunstâncias concretas.

Por isso, o profissional deve verificar a data exigida para aquela operação específica.

Quando existe uma negociação em andamento, utilizar uma certidão antiga pode ser inadequado se houver necessidade de comprovar a situação jurídica atual do imóvel.

Isso é especialmente importante porque a situação registral pode mudar.

Um imóvel que não apresentava determinado registro em uma data pode receber posteriormente um registro ou averbação.

A própria Lei de Registros Públicos determina que, quando houver alteração posterior ao ato cuja certidão foi pedida, o oficial deve mencioná-la nas condições previstas pela legislação.

Por isso, em uma operação imobiliária, documentação atualizada é fundamental.

A matéria continua após a publicidade…



O que acontece se existir uma penhora?

A penhora é um exemplo que merece atenção.

Uma constrição judicial registrada pode afetar a situação do imóvel e precisa ser analisada dentro do contexto da operação.

Não é responsabilidade do corretor simplesmente afirmar que a venda é impossível ou que ela será automaticamente autorizada.

O registro precisa ser analisado por quem tenha competência técnica para avaliar os efeitos jurídicos daquela situação.

Para o corretor, a informação essencial é:

existe uma restrição registrada e ela precisa ser analisada antes de avançar com a negociação.

Essa postura é muito mais segura do que ignorar o registro.

E se houver usufruto?

O usufruto é outro direito que pode aparecer na matrícula.

Quando existe usufruto, é necessário observar quem possui o direito registrado e quais são os efeitos dessa situação sobre o negócio pretendido.

Novamente, o imóvel não deve ser tratado como se a simples existência do usufruto significasse automaticamente uma impossibilidade absoluta de qualquer operação.

O importante é compreender a situação jurídica registrada e buscar orientação adequada antes de concluir a negociação.

Por que o documento é tão importante para o financiamento?

O financiamento imobiliário exige uma análise documental mais ampla.

A instituição financeira precisa avaliar o imóvel que será adquirido e, quando aplicável, utilizado como garantia da operação.

Por isso, a situação registral é relevante.

Uma pendência ou garantia registrada pode interferir na estrutura da operação.

Isso ajuda a explicar por que compradores que pretendem financiar um imóvel devem evitar deixar a análise documental para o último momento.

O ideal é que o corretor e os demais profissionais envolvidos conheçam previamente as condições do imóvel.

Quanto mais cedo uma eventual pendência for identificada, maior a possibilidade de avaliar seu tratamento antes de a negociação chegar à etapa final.

A relação com a regularização imobiliária

A Certidão de Ônus Reais também se conecta diretamente ao trabalho de regularização de imóveis.

Uma propriedade pode possuir uma situação documental que não corresponde completamente à realidade física ou jurídica atual.

A certidão ajuda a identificar o que está efetivamente registrado.

A partir daí, profissionais especializados podem analisar se existem pendências relacionadas à matrícula, averbações, construção, titularidade ou outros aspectos que precisam ser tratados.

É importante não confundir essa análise com uma auditoria completa de todos os aspectos do imóvel.

A certidão mostra a situação registral abrangida pelo documento.

Ela é uma fotografia jurídica importante do que está registrado, mas a regularização imobiliária pode exigir análise de outros órgãos e documentos.

A diferença entre registro e averbação

Para compreender a matrícula, também é útil entender a diferença entre registro e averbação.

O registro é utilizado para atos que constituem ou transferem determinados direitos imobiliários.

A averbação, por sua vez, serve para informar alterações relacionadas ao imóvel ou às pessoas envolvidas no registro, conforme as hipóteses previstas na legislação.

Na prática, a matrícula pode reunir registros e averbações ao longo de sua história.

Por isso, quando um profissional analisa uma certidão de inteiro teor, não deve olhar apenas para uma informação isolada.

É necessário observar o conjunto dos atos.

Essa leitura cronológica pode revelar mudanças importantes na propriedade e nos direitos que incidem sobre ela.

Uma certidão pode evitar problemas na negociação

Imagine uma situação em que um proprietário afirma que o imóvel está totalmente livre.

O corretor acredita na informação e começa a apresentar a propriedade aos clientes.

Depois de encontrar um comprador, surge uma certidão mostrando uma garantia registrada.

A negociação precisa ser interrompida para entender a situação.

O comprador pode ficar inseguro.

O vendedor pode se frustrar.

O corretor perde tempo.

Em uma situação diferente, a documentação é solicitada logo no início.

A existência da garantia é identificada antes da divulgação mais intensa do imóvel.

A situação é encaminhada para análise.

Se houver solução, o processo segue de maneira mais organizada.

Se houver impedimento ou necessidade de providências adicionais, as partes descobrem isso antes de comprometerem a negociação.

Essa é uma das maiores utilidades práticas da documentação imobiliária:

antecipar problemas.

O que o comprador deve observar?

O comprador deve evitar tomar a decisão de aquisição baseada apenas em informações verbais.

É recomendável que a documentação seja analisada de acordo com a natureza da operação e, quando necessário, com apoio de profissionais especializados.

A certidão permite conhecer informações relevantes sobre a situação registral.

Mas a análise não deve ser feita isoladamente quando a operação envolver financiamento, construção, regularização, inventário, empresa proprietária, sucessão, processos judiciais ou outras circunstâncias que exijam investigação adicional.

Quanto maior a complexidade da operação, maior a importância de uma análise profissional.

O que o vendedor deve fazer antes de anunciar?

O vendedor também se beneficia de uma análise antecipada.

Antes de colocar o imóvel no mercado, pode ser interessante verificar se a documentação está atualizada e se existe alguma situação registrada que precise ser esclarecida.

Isso pode evitar que uma pendência apareça apenas depois que o comprador for encontrado.

Para o proprietário, resolver ou esclarecer uma questão documental antes da negociação pode tornar o processo comercial mais previsível.

Para o corretor, significa trabalhar com informações mais confiáveis.

Para o comprador, significa receber uma oferta mais transparente.

Certidão de Ônus Reais é garantia de que não existe nenhum risco?

Não.

Esse é provavelmente o ponto mais importante desta matéria.

A certidão é uma ferramenta fundamental para conhecer a situação registral do imóvel, mas não deve ser apresentada como uma espécie de “seguro absoluto” contra qualquer problema.

A própria legislação define o conteúdo da certidão da situação jurídica atualizada, incluindo descrição, titularidade, direitos, ônus e restrições judiciais e administrativas registradas.

Outras questões podem exigir documentos e consultas adicionais.

Dependendo da operação, podem ser relevantes aspectos fiscais, urbanísticos, ambientais, condominiais, construtivos e relacionados ao próprio vendedor.

Portanto:

certidão imobiliária é fundamental, mas análise documental completa pode exigir muito mais.

Essa distinção é essencial para uma atuação profissional responsável.

A importância para imobiliárias

Para as imobiliárias, criar um procedimento interno de conferência documental pode ajudar a reduzir problemas durante as vendas.

A empresa pode estabelecer, por exemplo, que determinados documentos sejam analisados antes da divulgação do imóvel ou antes da assinatura de determinados instrumentos.

O procedimento exato dependerá da estrutura da imobiliária e do tipo de operação.

Mas o princípio é simples:

quanto antes a documentação for conhecida, menor tende a ser a possibilidade de descobrir uma surpresa no final da negociação.

A imobiliária também pode estabelecer parcerias com empresas especializadas em documentação e regularização imobiliária.

Isso permite que o corretor se concentre na atividade comercial enquanto profissionais especializados avaliam questões técnicas que fogem de sua área de atuação.

A importância para empresas de documentação imobiliária

É justamente nesse ponto que a Certidão de Ônus Reais deixa de ser apenas um documento e passa a integrar um processo maior.

Empresas especializadas podem receber a documentação, organizar as informações, identificar pendências e orientar o cliente sobre quais etapas precisam ser avaliadas.

A certidão é uma das peças desse trabalho.

Dependendo do caso, podem ser necessárias consultas ao Registro de Imóveis, Prefeitura, Receita Federal, órgãos ambientais, condomínio, instituições financeiras ou outras entidades.

Cada situação exige uma análise própria.

Por isso, a regularização imobiliária profissional não deve ser reduzida à emissão de uma certidão.

A certidão ajuda a mostrar a situação.

O trabalho técnico é entender o que essa situação significa para o imóvel e para a operação pretendida.

O que muda com a legislação atual?

A atualização trazida pela Lei nº 14.382/2022 merece atenção especial.

O artigo 19 da Lei nº 6.015/1973 passou a prever expressamente a certidão da situação jurídica atualizada do imóvel.

Segundo a legislação, ela compreende as informações vigentes sobre:

  • descrição do imóvel;
  • número de contribuinte;
  • proprietário;
  • direitos;
  • ônus;
  • restrições judiciais;
  • restrições administrativas;
  • demais informações necessárias à comprovação da propriedade;
  • informações necessárias à transmissão e constituição de outros direitos reais.

Além disso, a legislação estabeleceu que a certidão de inteiro teor da matrícula contém a reprodução de todo o seu conteúdo e é suficiente para comprovação de propriedade, direitos, ônus reais e restrições, independentemente de uma certificação específica pelo oficial.

Isso significa que o mercado imobiliário precisa estar atento à nomenclatura atual dos documentos.

A expressão “Certidão de Ônus Reais” continua amplamente utilizada, mas o profissional deve verificar qual certidão está sendo efetivamente solicitada e qual finalidade ela precisa atender.

O que o corretor deve fazer quando encontra um ônus?

A primeira atitude é não esconder a informação.

A segunda é não tentar interpretar sozinho uma questão jurídica complexa.

O corretor deve informar a existência do registro aos responsáveis pela operação e buscar a orientação adequada.

Dependendo da situação, pode ser necessário envolver:

  • advogado;
  • empresa de documentação imobiliária;
  • Registro de Imóveis;
  • instituição financeira;
  • profissional especializado em regularização.

O corretor continua sendo uma peça fundamental na negociação, mas não precisa assumir funções que pertencem a outras especialidades.

Essa divisão de responsabilidades torna o processo mais seguro.

Conclusão

A chamada Certidão de Ônus Reais é um dos documentos mais importantes para quem precisa conhecer a situação registral de um imóvel.

Ela permite identificar informações relacionadas à propriedade, direitos, ônus e restrições registradas, ajudando compradores, vendedores, corretores, imobiliárias, instituições financeiras e profissionais de documentação a compreender melhor o imóvel antes de uma negociação.

Mas a legislação brasileira passou por uma atualização importante.

Desde a Lei nº 14.382/2022, a Lei de Registros Públicos prevê expressamente a certidão da situação jurídica atualizada do imóvel, que reúne informações vigentes sobre descrição, titularidade, direitos, ônus e restrições judiciais e administrativas. A mesma legislação estabelece que a certidão de inteiro teor da matrícula é suficiente para comprovar propriedade, direitos, ônus reais e restrições sobre o imóvel.

Por isso, o profissional do mercado imobiliário precisa ir além da nomenclatura tradicional.

Mais importante do que perguntar simplesmente “tem certidão de ônus?” é entender qual certidão é adequada para a finalidade da operação e o que efetivamente consta no documento.

Para o corretor de imóveis, essa postura representa uma mudança importante.

A documentação não deve ser tratada como uma etapa burocrática que aparece apenas depois de encontrar o comprador.

Ela pode ser parte da própria estratégia de venda.

Conhecer antecipadamente a situação registral permite identificar problemas, encaminhar pendências, conversar com o proprietário com maior segurança e evitar que uma negociação aparentemente pronta seja interrompida por uma informação que poderia ter sido descoberta antes.

No mercado imobiliário, informação documental também é informação comercial.

E quanto mais cedo ela estiver disponível, maior tende a ser a capacidade dos profissionais envolvidos de conduzir uma negociação com clareza, transparência e responsabilidade.

Análise Editorial Broker News BR

A Certidão de Ônus Reais está entre os documentos que melhor demonstram a importância da informação registral para o mercado imobiliário.

Para quem trabalha diariamente com compra, venda e financiamento, a documentação não deveria ser encarada como um obstáculo burocrático. Ela é parte da própria estrutura da operação.

A atualização legislativa promovida pela Lei nº 14.382/2022 torna ainda mais importante compreender a diferença entre a nomenclatura tradicional de “Certidão de Ônus Reais” e os conceitos atuais de certidão da situação jurídica atualizada do imóvel e certidão de inteiro teor da matrícula.

A Broker News BR entende que o corretor não precisa se transformar em especialista em Direito Registral para atuar com segurança.

Mas precisa reconhecer a importância da documentação, saber identificar situações que exigem atenção e trabalhar em conjunto com profissionais especializados quando o caso ultrapassar sua área de atuação.

A melhor negociação imobiliária não é necessariamente aquela que começa mais rápido.

É aquela que começa com informação suficiente para que compradores, vendedores e profissionais saibam exatamente o que estão negociando.

FAQ — Certidão de Ônus Reais

O que é a Certidão de Ônus Reais?

É a denominação tradicionalmente utilizada para uma certidão do Registro de Imóveis destinada a informar a situação registral do imóvel quanto a ônus e outras situações registradas. A legislação atual também prevê a certidão da situação jurídica atualizada do imóvel, que reúne informações sobre descrição, proprietário, direitos, ônus e restrições judiciais e administrativas.

A Certidão de Ônus Reais mostra quem é o proprietário?

A certidão da situação jurídica atualizada do imóvel inclui a informação sobre o proprietário. A certidão de inteiro teor da matrícula também reproduz o conteúdo da matrícula e é suficiente para comprovar a propriedade, além de direitos, ônus reais e restrições.

Um imóvel com ônus pode ser vendido?

A existência de um ônus ou restrição não permite concluir automaticamente que a venda seja impossível. É necessário analisar a natureza do registro e as condições da operação.

Quem pode solicitar uma certidão do Registro de Imóveis?

A Lei de Registros Públicos estabelece que qualquer pessoa pode requerer certidão do registro, sem precisar informar ao oficial o motivo ou interesse do pedido.

Quanto tempo pode levar para emitir a certidão?

A lei estabelece prazo máximo de quatro horas para a certidão eletrônica de inteiro teor da matrícula, quando atendidas as condições previstas, um dia para a certidão da situação jurídica atualizada do imóvel e cinco dias para transcrições e demais casos previstos.

A certidão negativa de ônus significa que o imóvel não possui nenhum problema?

Não. Ela informa a ausência dos ônus ou situações abrangidos pela certidão. Outros aspectos, como questões fiscais, urbanísticas, construtivas ou ambientais, podem exigir documentos e verificações adicionais.

Produção Editorial Broker News BR

Esta matéria é um conteúdo original produzido pela equipe editorial da Broker News BR, elaborado com base em pesquisa, apuração jornalística e consulta a fontes oficiais e confiáveis, com o objetivo de informar corretores de imóveis, imobiliárias, construtoras, incorporadoras e investidores sobre os principais acontecimentos e tendências do mercado imobiliário.

Fontes

  • Presidência da República — Lei nº 6.015/1973, Lei de Registros Públicos
  • Lei nº 14.382/2022
  • Conselho Nacional de Justiça — Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis (SREI)
  • Receita Federal — informações sobre certidões e registro imobiliário

Consulte as fontes oficiais

Lei de Registros Públicos — Planalto

Conselho Nacional de Justiça — Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis

CNJ — Código Nacional de Normas do Foro Extrajudicial

Receita Federal — Certidões

Continue navegando na Broker News BR

A documentação imobiliária é parte fundamental de uma negociação segura. Para acompanhar outros conteúdos sobre regularização, financiamento, compra e venda e documentação de imóveis, continue navegando pela Broker News BR.

Continue acompanhando o Mercado Imobiliário na Broker News BR

Crédito Editorial

A Broker News BR investe em pesquisa, apuração e organização de informações para produzir conteúdo confiável para o mercado imobiliário. Se esta matéria contribuir para seu trabalho jornalístico, acadêmico ou editorial, considere citar a Broker News BR como uma das fontes consultadas.

Foto de Camille Assis

Por Camille Assis

Editor/Fundador Site de Notícias Broker News BR
CoFundador Empresa Gráfica Broker Art & Design
Criação | Impressão | Personalização

Marcado: